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| Vladimir Safatle |
Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP, tem escrito às terças feiras na Folha. Ele é adorado por uma certa esquerda que tem idéias atrasadas para um Brasil melhor e possível. Hoje ele escreve sobre a necessidade de uma oposição de esquerda ao governo Dilma e sobre uma proposta de salário máximo que não poderia ser superior a 20 vezes o salário mínimo. Na verdade, o Brasil precisa também é de uma oposição mais consistente, porque a que hoje existe é..... brincadeira. Quanto a essa proposta de implantar um salário máximo eu acho correta no serviço público, como atualmente existe com os complicados tetos -- que muitas vezes vão até as núvens. Mas aplicar salário máximo na iniciativa privada é limitar consideravelmente o empreendedorismo. Existem outras formas mais eficientes de inclusão social e que foram adotadas pelos países socialmente mais desenvolvidos.
Abaixo artigo de Vladimir Safatle na Folha de hoje.
Salário máximo
Falta uma oposição de esquerda no país. A última eleição demonstrou que todos aqueles que procuraram fazer oposição à esquerda do governo acabaram se transformando em partidos nanicos. Uma das razões para tanto talvez esteja na incapacidade que tais setores demonstraram em pautar o debate político.
Contentando-se, muitas vezes, com diatribes genéricas contra o capitalismo, eles ganhariam mais se seguissem o exemplo do Die Linke, partido alemão de esquerda não social-democrata e único dentre os partidos europeus de seu gênero a conseguir mais que 10% dos votos.
Comandado, entre outros, por Oskar Lafontaine, um ex-ministro da economia que saiu do governo Schroeder por não concordar com sua guinada liberal, o partido demonstrou grande capacidade de especificação de suas propostas e de seus processos de aplicação. Eles convenceram parcelas expressivas do eleitorado de que suas propostas eram factíveis e eficazes.
Por outro lado, foram capazes de abraçar propostas que outros partidos recusaram, trazendo novas questões para o debate político, como a bandeira da retirada das tropas alemãs do Afeganistão.
Por fim, não temeram entrar em coalizões programáticas como aquela que governa Berlim. Isso demonstra que eles são capazes de administrar e que sua concepção de governo não é uma abstração espontaneísta. Esses três pontos deveriam guiar aqueles que gostariam de fazer oposição à esquerda no Brasil.
Um exemplo de novas pautas que poderiam animar o debate político brasileiro foi sugerida pelo provável candidato de uma coligação francesa de partidos de esquerda, Jean-Luc Mélenchon. Ela consiste na proposição de um "salário máximo". Trata-se de um teto salarial máximo que impediria que a diferença entre o maior e o menor salário fosse acima de 20 vezes. Uma lei específica também limitaria o pagamento de bonificações e stock-options.
Em uma realidade social de generalização mundial das situações de desigualdade extrema -outra face daquilo que certos sociólogos chamam de "brasialinização"-, propostas como essa têm a força de trazer, para o debate político, a necessidade de institucionalização de políticas contra a desigualdade.
Em um país como o Brasil, onde a diferença entre o maior e o menor salário em um grande banco chega facilmente a mais de 80 vezes, discussões dessa natureza são absolutamente necessárias. Elas permitem a revalorização de atividades desqualificadas economicamente e a criação da consciência de que a desigualdade impõe "balcanização social", com consequências profundas e caras. Discussões como essas, só uma esquerda que não tem medo de dizer seu nome pode apresentar.

Não passa de um lunatico...
ResponderExcluirou um rançoso.
ResponderExcluirMaia
ResponderExcluirVc. lembrar do Nemec, da nossa lista antiga ?
Ele agora é diretor da FOLHA
Ele me disse que a contratação do
Vladimir Safatle foi feita de acordo com o alto grau de aceitação que ele tem no meio estudantil paulistano.
Pode um negócio desse ?
O Nemec, que é amigo nosso, até agora não entendeu o critério.
Sim, lembro do Nemec. Nâo sabia que ele é hoje diretor da Folha. Mas acho, Senna, que a Folha está certa e faz bem em contratar o Safatle. Pelo menos, é divertido ler certos ranços.
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