quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Tem blogueiro forçando a barra

Não gosto de implicância, mas tem horas que pego no pé.
É que tem blogueiro foçando a barra.
E logo hoje na data gaúcha!


Hoje o Rio Grande marcha comemorando uma derrota. Porto Alegre marcha não sabe por quê, nunca foi reduto farroupilha, sempre esteve “mui leal e valerosa” ao lado do Império.
O Rio Grande do Sul administrado pelos tucanos, hoje, é um Estado quebrado e desmoralizado, com a educação sucateada, saúde esgualepada, e marchando para pendurar os anéis da família no prego de oscips, terceirizações, e a toda sorte de privatizações camufladas.
O mais grave é que não há políticas ou projetos pra nada, ou melhor, há uma única política, a política do “deus ajuda e a União provê”.
O Piratini reduziu-se a um balcão de homologação dos requerimentos das papeleiras para alastrarem o seu deserto verde, com uma mãozinha do BNDES. O montante de renúncia fiscal caso cessasse seria suficiente para tapar o rombo do Tesouro, mas os tucanos foram eleitos para manter os privilégios de poucos não para eliminar os privilégios de poucos.
E assim bate o bumbo da nossa indignação.
Marcha, Rio Grande!

O blogueiro tá forçando a barra. O Rio Grande caminha para onde deve ir. Esse é o rumo do possível. Que outros caminhos deveria Yeda percorrer? Mas tem sempre uma pedra no meio do caminho (no meio do caminho tem uma pedra), o cobertor curto das finanças. E Yeda está dando essa prioridade. Racionalizando gastos. Isso doi. Isso gera protesto, indignação e injustiça, mas DEVE SER FEITO. E por que deve ser feito? Porque é a forma possível para remunerar melhor a professorinha da pequena escola do interior de Maçambará que sobrevive com parcos 400 "real". Mas os desembargadores que ganham 15 paus querem mais. E o RS segue a marcha do protesto raivoso e impiedoso da oposição. A mesma oposição que elegeu Lula e viu o governo do PT fazer a reforma da previdência que combatiam, porque neoliberal. O blogueiro está forçando a barra por um motivo simples: ele não diz qual a solução a percorrer. Assim é muito fácil. E viva a garra gaúcha e tricolor que sempre foi racional em suas escolhas.


(Acima a foto de Borges de Medeiros)

4 comentários:

  1. Minha mãe tem uma frase pronta pra essa situação.

    "É o roto falando do rasgado."

    E viva a incoerência do anti-petismo gaudério!

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  2. Gosto da RBS, principalmente, porque ela é uma das afiliadas da Globo com maior independência. Não é um papagaio que repete o que a matriz manda, mas tem, sim, opinião própria e local. E isto é muito importante.

    E a ZH mantém Veríssimo, com sua posição conhecida, mantém Coimbra, com seus textos ótimos, mas também críticos ao governo. Enfim, um caldo de cultura bem variado...

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  3. Ora, Maia, porque o que tu mais fazes é forçar a barra com tuas idéias.

    Queres exemplos?

    1. "O Rio Grande caminha para onde deve ir." - opinião latente, colocada como verdade incontestável. É forçar a barra.

    2. "E Yeda está dando essa prioridade. Racionalizando gastos." - além de ser uma opinião forçando a barra, é também um castelinho de cartas, e nem vou me dar o trabalho de desmontar ele aqui porque já o fiz em outros posts.

    3. "ele não diz qual a solução a percorrer" - aqui é autismo mesmo: a resposta é "O montante de renúncia fiscal caso cessasse seria suficiente para tapar o rombo do Tesouro", tirado do pedacinho em vermelho. Concordo com o Feil neste ponto. Se não concordas, diz por que, mas não força a barra dizendo que não se apresenta soluções. Se apresenta sim. Se tu não concordas, é da democracia.

    Aliás, em outro assunto, mas na mesma linha, o Lula se reelegeu basicamente porque não se apresentou alternativa. Nem o PSDB, nem o PFL. A coisa mais próxima de alternativa programática veio apenas de Heloísa Helena. Alckmin fez jus ao apelido de picolé de chuchu.

    Mas deixa, eu tô chovendo no molhado aqui.

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