
Policiais entram em confronto com manifestantes nas ruas de Santa Cruz. Vários grupos de direita invadiram e saquearam nesta terça-feira as principais repartições públicas da cidade, principal foco da oposição ao presidente boliviano, Evo Morales
Radicalismo leva ao radicalismo. Essa é a frase óbvia que bem define a situação que hoje ocorre na Bolívia, um país dividido. Ontem um trecho do duto que leva gás da Bolívia para o Brasil, na região do Chaco, sul boliviano, dominada pelos opositores do governo Evo Morales se rompeu, explodiu. Tudo leva a crer que foi a oposição e seus complicados (e racistas) Comitês Cívicos realizou esses atos de sabotagem.
Estão comparando a situação atual do governo Evo Morales com o que ocorreu no Chile, na época de Salvador Allende. Existem semelhanças e diferenças. A questão chilena era muito mais ideológica, a esquerda se achou a dona de todo o campinho chileno porque havia vencido uma eleição com 30 e poucos por cento de votos. Achava que havia feito uma revolução, mas ganhou apenas uma eleição com uma diferença muito pequena de votos. Na Bolívia, existe também a questão ideológica, mas também está inserida nesse contexto a questão étnica e econômica. Evo representa os povos indígenas do altiplano boliviano. A oposição a Evo está localizada nas ricas terras baixas, onde está o gás boliviano. A chamada região da Meia-Lua.
Evo, em 2006, convocou os bolivianos para a realização de uma Assembléia Nacional Constituinte e simultaneamente a isso se aprovou, também, plebiscitos sobre as autonomias dos departamentos.
Na folha de hoje:
Os departamentos da meia-lua votaram "sim", mas o altiplano seguiu Morales, que fizera campanha pelo "não", e manteve o status pelo qual os departamentos não têm Legislativos, polícias ou impostos próprios.
Na mesma votação, o MAS (Movimento ao Socialismo), partido de Morales, conseguiu maioria na Constituinte, mas não os dois terços necessários para validar o texto. O governo mudou a regra no meio do jogo, porém, e aprovou a nova Carta por maioria simples.
A entrada em vigor da nova Constituição depende ainda de referendo, mas os governadores da meia-lua e os Comitês Cívicos repudiam o texto -principalmente, três itens:
a) embora ele dê aos departamentos a sonhada autonomia, também concede autonomia a povos indígenas que vivem dentro desses departamentos;b) a Carta limita a extensão de terras de um mesmo proprietário a uma quantidade de hectares que ainda deverá ser definida em um referendo exclusivo sobre o tema;c) La Paz mantém o controle sobre os recursos naturais do país -a maior riqueza está concentrada na meia-lua.
Aprovada a Constituinte, os departamentos oposicionistas decidiram radicalizar contra Morales. Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija promoveram, sem aprovação da Justiça eleitoral, referendos sobre estatutos autonômicos. O "sim" ganhou em todos os departamentos, mas, sem o consentimento de La Paz, nada mudou na prática.
Sem conseguir destravar o diálogo com os opositores, Morales apostou em sua força nas urnas -convocou um referendo revogatório sobre o seu mandato e o dos governadores. O resultado não desfez o impasse. Dois terços dos bolivianos votaram para Morales ficar, mas os principais governadores de oposição também foram mantidos.
Após o referendo, os dois lados ensaiaram retomar um diálogo.
Mas Morales não cedeu em um ponto que os oposicionistas consideram fundamental -a restituição do repasse aos departamentos de um imposto sobre o gás natural, que La Paz deslocou para o pagamento de pensões a idosos.Com a nova quebra de diálogo, veio mais radicalização.
Morales anunciou que levaria adiante unilateralmente os referendos sobre a nova Constituição e marcou a data. Os Comitês Cívicos intensificaram greves, bloqueios, locautes, tomadas de aeroportos e ataques a instituições governamentais, inclusive às instalações do gás que a Bolívia exporta ao Brasil.Mais de um líder das ações contra Morales já confessou que o objetivo final é derrubar do governo o líder indígena, que tem mandato até 2010, mas pode concorrer à reeleição caso seja aprovada a nova Carta. Morales acusa os opositores de tentarem um "golpe civil".
Os principais artífices da radicalização são justamente os Comitês Cívicos -que reúnem a elite política e empresarial nos departamentos e têm grande capacidade de mobilizar a população. Sua força deriva também do fato de que, até 2005, os governadores não eram eleitos, mas nomeados por La Paz -firmando-se os comitês como máxima expressão política departamental.Além deles, são agentes dos ataques milícias como a União Juvenil Cruzenha, de Santa Cruz. Elas adotam discurso mais radical e até racista contra os indígenas. Nos referendos autonômicos, foram usadas como forças de segurança nos departamentos, embora não esteja claro se possuem ou não armas em quantidade.
Ninguém! Mas ningúem mesmo o Maia acrediat no que tu dizes.
ResponderExcluirManter um Blog que ninguém acessa só mesmo um filhodaputa que nem tu!
Toma vergonha na cara, pega o teu CC de filhote da Yeda e do Busatto e parte para outra. Como Blog ou como "reprodutor" de idéias não destes certo.
Desiste!
Procura descobtrir quem é teu pai, e ganha o mundo. Acho que não vai se fácil.
Claudio Dode