Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


terça-feira, 25 de agosto de 2009

A Democracia de Todos É Mentira


No Diário Gauche de hoje chama de reacionário filósofo espanhol Martín Barbero que deu a seguinte entrevista :


Filósofo espanhol diz que a utopia de democracia direta e igualdade total na internet é mentirosa e ameaça minar as práticas de representação e participação políticas reais
Com a emergência de gigantescas redes sociais virtuais, como o Facebook, a internet configura a sua utopia máxima: todos somos iguais. E, se somos todos iguais, não precisamos mais de eleições, pois não precisamos ser representados. Todos nos representamos no espaço democrático da internet. O raciocínio é tentador, mas, para o filósofo espanhol Jesús Martín-Barbero, é mentiroso -e temerário. "Nunca fomos nem seremos iguais", ele diz, e na vida cotidiana continuaremos dependendo de mediações para dar conta da complexidade do mundo, seja a mediação de partidos políticos ou a de associações de cidadãos. Martín-Barbero vê a internet como um dos fatores de desestabilização do mundo hoje, que não pode ser pensado por disciplinas estanques. Mundo, aliás, tomado pela incerteza e pelo medo, que nos faz sonhar com a relação não mediada das comunidades pré-modernas. O filósofo conversou com a Folha durante visita a São Paulo, na semana passada.

FOLHA - Desde 1987, quando o sr. lançou sua obra de maior repercussão ["Dos Meios às Mediações", ed. UFRJ], até hoje, o que mudou na comunicação e nas ciências sociais?
JESÚS MARTÍN-BARBERO - Estamos em um momento de pensar o conceito de conhecimento como certeza e incerteza. A incerteza intelectual dos modernos se vê hoje atravessada por outra sensação: o medo. A sociedade vive uma espécie de volta ao medo dos pré-modernos, que era o medo da natureza, da insegurança, de uma tormenta, um terremoto. Agora vivemos em uma espécie de mundo que nos atemoriza e desconcerta.O medo vem, por exemplo, da ecologia: o que vai acontecer com o planeta, o nível do mar vai subir? A natureza voltou a ser um problema hoje, como aos pré-modernos. Depois vem o tema da violência urbana, a insegurança urbana. Por toda cidade que passo, de 20 mil a 20 milhões de habitantes, há esse medo. Como terceira insegurança, que nos afeta cada vez mais, aparece a vida laboral. Do mundo do trabalho, que foi a grande instituição moderna que deu segurança às pessoas, vamos para um mundo em que o sistema necessita cada vez menos de mão de obra. O mundo do trabalho se desconfigurou como mundo de produção do sentido da vida.

FOLHA - Nesse mundo de incertezas, como se comporta a noção de comunidade? Como ela aparece em redes virtuais como o Facebook?

MARTÍN-BARBERO - Acho que ainda não temos palavras para nomear esse fenômeno. Falamos em rede social, mas o que significa social aí? Apenas uma rede de muita gente. Não necessariamente em sociedade. Há diferenças entre o que foi a comunidade pré-moderna e o que foi o conceito de sociedade moderna. A comunidade era orgânica, havia muitas ligações entre os seus membros, religiosas, laborais. Renato Ortiz [sociólogo e professor na Universidade Estadual de Campinas] faz uma crítica muito bem feita a um livro famoso de [Benedict] Anderson, que diz que a nação é como uma comunidade imaginada ["Comunidades Imaginadas", ed. Companhia das Letras], principalmente por jornais e a literatura nacional. É verdade, são fundamentais para a criação da ideia de nação. Mas Renato Ortiz diz que há muito de verdade e muito de mentira nisso. O que acontece é que, quando a sociedade moderna se viu realmente configurada pelo Estado, pela burocracia do Estado, começou a sonhar novamente com a comunidade. Era uma comunidade imaginada no sentido de querer ter algo de comunidade, e não só de sociedade anônima. Falar de comunidade para falar da nação moderna é complicado, porque se romperam todos os laços da comunidade pré-moderna. Eu diria que há aí um ponto importante, considerando que no conceito de comunidade há sempre a tentação de devolver-nos a uma certa relação não mediada, presencial. Essa é um pouco a utopia da internet.

FOLHA - Qual utopia?

MARTÍN-BARBERO - A utopia da internet é que já não necessitamos ser representados, a democracia é de todos, somos todos iguais. Mentira. Nunca fomos nem somos nem seremos iguais. E portanto a democracia de todos é mentira. Seguimos necessitando de mediações de representação das diferentes dimensões da vida. Precisamos de partidos políticos ou de uma associação de pais em um colégio, por exemplo.



FOLHA - As comunidades virtuais da atualidade têm pouco das comunidades originais, então?


MARTÍN-BARBERO - Quando começamos a falar de comunidades de leitores, de espectadores de novela, estamos falando de algo que é certo. Uma comunidade formada por gente que gosta do mesmo em um mesmo momento. Se a energia elétrica acaba, toda essa gente cai.É uma comunidade invisível, mas é real, tão real que é sondável, podemos pesquisá-la e ver como é heterogênea. Comunidade não é homogeneidade. Nesse sentido é muito difícil proibir o uso da expressão "comunidade" para o Facebook. Mas o que me ocorre ao usarmos o termo "comunidade" para esses sites é que nunca a sociedade moderna foi tão distinta da comunidade originária. O sentido do que entendemos por sociedade mudou. Veja os vizinhos, que eram uma forma de sobrevivência da velha comunidade na sociedade moderna. Hoje, nos apartamentos, ninguém sabe nada do outro. Outra chave: o parentesco. A família extensa sumiu. Hoje, uma família é um casal. O que temos chamado de sociedade está mudando. Estamos numa situação em que o velho morreu e o novo não tem figura ainda, que é a ideia de crise de [Antonio] Gramsci.



FOLHA - A proposta de sites como o Facebook não é exatamente de fazer essa reaproximação?


MARTÍN-BARBERO - Creio que há pessoas no Facebook que, pela primeira vez em suas vidas, se sentem em sociedade. É uma questão importante, mas não podemos esquecer da maneira como nos relacionamos com o Facebook.Um inglês que passa boa parte de sua vida só, em um pub, com sua grande cerveja, desfruta muito desse modo de vida. Nós, latinos, desfrutamos mais estando juntos.Evidentemente a relação com o Facebook é distinta. O site é real, mas a maneira como nos relacionamos, como o usamos, é muito distinta. O Facebook não nos iguala. Nos põe em contato, mas nada mais.
FOLHA - De que maneira essas questões devem transformar os meios de comunicação?


MARTÍN-BARBERO - Não sei para onde vamos, mas em muito poucos anos a televisão não terá nada a ver com o que temos hoje. A televisão por programação horária é herdeira do rádio, que foi o primeiro meio que começou a nos organizar a vida cotidiana. Na Idade Média, o campanário era que dizia qual era a hora de levantar, de comer, de trabalhar, de dormir. A rádio foi isso.A rádio nos foi pautando a vida cotidiana. O noticiário, a radionovela, os espaços de publicidade... Essa relação que os meios tiveram com a vida cotidiana, organizada em função do tempo, a manhã, a tarde, a noite, o fim de semana, as férias, isso vai acabar. Teremos uma oferta de conteúdos. A internet vai reconfigurar a TV imitadora da rádio, a rádio imitadora da imprensa escrita... Creio que vamos para uma mudança muito profunda, porque o que entra em crise é o papel de organização da temporalidade.


FOLHA - A ascensão da internet e da oferta de informação por conteúdos suscita outra questão, ligada à formação do cidadão. Não corremos o risco de que um fã de séries de TV, por exemplo, só busque notícias sobre o tema, alienando-se do que acontece em seu país?


MARTÍN-BARBERO - Antigamente, todos líamos, escutávamos e víamos o mesmo. Isso para mim era muito importante. De certa forma, obrigava que os ricos se informassem do que gostavam os pobres -sempre defendi isso como um aspecto de formação de nação.Quando lançaram os primeiros aparelhos de gravação de vídeo, disseram-me que isso era uma libertação: as pessoas poderiam selecionar conteúdos.Mas esse debate já não é possível hoje. Passamos para um entorno comunicativo, as mudanças não são pontuais como antes. A questão não é se eu abro ou não abro o correio. Não quero ser catastrofista, mas o tanto que a internet nos permite ver é proporcional ao tanto que sou visto. Em quanto mais páginas entro, mais gente me vê. É outra relação.Temos acesso a tantas coisas e tantas línguas que já não sabemos o que queremos. Hoje há tanta informação que é muito difícil saber o que é importante. Mas o problema para mim não é o que vão fazer os meios, mas o que fará o sistema educacional para formar pessoas com capacidade de serem interlocutoras desse entorno; não de um jornal, uma rádio, uma TV, mas desse entorno de informação em que tudo está mesclado. Há muitas coisas a repensar radicalmente.



QUEM É JESÚS MARTÍN-BARBERO


Nascido na Espanha, mas radicado na Colômbia, Jesús Martín-Barbero é doutor em Filosofia e Letras pela Universidade de Louvain, na Bélgica, e coordenador de pesquisa da Faculdade de Comunicação e Linguagem da Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá. Autor popular entre estudiosos da comunicação no Brasil, estuda o fenômeno sob enfoque cultural. Propôs em sua visita a São Paulo na última segunda que a área seja pensada como "nebulosa" -uma região sem fronteiras nem centro.Ele esteve na cidade para aula magna de lançamento do Fórum Permanente de Programas de Pós-Graduação em Comunicação do Estado de São Paulo.

Meu Pitaco:


Bem interessante a entrevista do filósofo espanhol. Reacionário é aquele que não admite o óbvio. Ou também aquele que faz propostas absurdas como um tal de Mészarós que acredita piamente (olha só!) que o Estado deve fenecer e que anda de mãos dadas com um ministro bolivariano, como se estivesse ali, no estado centralizador e absolutamente controlador das atividades humanas e dos fatos sociais, o caminho para o mundo melhor e possível da falácia da democracia direta.
É possível, caro vivente, chamar de participação popular a "Consulta Popular" realizada no último domingo em Porto Alegre e que contou apenas com a participação de 2,12% da população? E os Blogs de certa esquerda partitiparam quase que ativamente na campanha (mentirosa) do NÂO. E quantos pessoas foram votar no não? Menos de 1,8% da população de Porto Alegre. Os portoalegrenses não estavam minimamente preocupados com o assunto. Optaram pelo profundo desprezo e menosprezo. Até mesmo porque o dito referendo foi uma lição de grande hipocrisia e burrice.

A internet, o mundo virtual, cria uma falsa sensação do real. E parte da Blogosfera se utiliza dessa imagem distorcida do real para criar a falsa impressão da maioria. A crítica do Martín Barbero é exatamente essa: cria-se atraves do mundo virtual da internet uma falsa e também hipócrita impressão de mundo. Realmente, a democracia de todos é mentira.

Jeito Petista de Governar


O jeito PT de governar


Coluna da Eliane Castanhêde na Folha de hoje.

Na Casa Civil, assessores faziam dossiês de cunho nitidamente político contra um ex-presidente da República.
No Banco do Brasil, o sindicalismo tomou de assalto a Previ, a Cassi, a Fundação BB e quase todas as diretorias (só escaparam a de agronegócio e a de relações internacionais, por falta de quadros com desenvoltura nessas áreas).
Daí a surgirem aloprados comprando dossiês contra adversários em eleições e coisas do gênero foi um pulo.
Na Polícia Federal, por mais méritos que a maioria das operações tenha, virou cada um por si e ninguém por todos. Ao ponto de um delegado grampear os telefonemas do Planalto, rechear relatórios policiais de adjetivos "ideológicos" e no final cada um ter de ser despachado para bem longe.
Não há surpresa quando esse jeito petista de governar chega à Receita Federal. Aliás, já não era sem tempo. E foi assim que mais de dez funcionários colocaram seus cargos à disposição ontem, inclusive o subsecretário de Fiscalização, Henrique Jorge Freitas da Silva.
O último apague a luz. Até que o novo grupo, ligado ao PT do B, ou PT do C, venha acender as luzes, reativar a tática de ocupação e fazer tudo o que seu mestre mandar.
A debandada foi resultado direto da exoneração de Alberto Amadei Neto e de Iraneth Maria Dias Weiler, que foram assessor e chefe de gabinete de Lina Vieira, demitida em 9 de julho numa situação que ainda não ficou muito clara. Por incompetência? Será? Ou pode muito bem ter sido por incompatibilidade de métodos -segundo Lina, a ministra Dilma queria "agilizar" as investigações contra o empresário Fernando Sarney. E "agilizar" combina mais com o vocabulário do PT no poder do que com o da técnica com 30 anos de carreira.
É assim, de órgão em órgão, de instituição em instituição, que vamos aprendendo como é uma "gestão republicana". Sem falar na Petrobras da companheirada.

Ruptura nas Diretrizes




Algo de estranho acontece com a Receita Federal gerenciada pelo PT....
O PT quer se reeleger de qualquer forma, custe o que custar....
Na Folha de hoje:
Servidores de carreira da Receita estão reagindo contra a demissão da ex-secretária Lina Vieira e à "ruptura" no projeto implantado por ela e sua equipe, que priorizava a fiscalização sobre os grandes contribuintes e que "não tolere qualquer tipo de ingerência política".
O aviso foi interpretado pelos dirigentes da Receita de que haverá um recuo na política de cerco aos grandes contribuintes -uma marca da curta gestão de Lina Vieira e que gerou, no primeiro semestre deste ano, um recorde de autuações. Lina Vieira foi demitida em 9 de julho.
Mantega disse para Lina que era uma "decisão de cima" -no organograma do governo federal, o presidente Lula ou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Um mês depois, a ex-secretária confirmou à Folha que havia sido chamada, no final de 2008, para uma reunião a sós com Dilma, em que esta teria pedido para encerrar as investigações sobre os negócios da família do senador José Sarney (PMDB-AC), aliado histórico do governo Lula.

Carta da Cúpula da Receita Federal

"Senhor secretário,


Tendo em vista os últimos acontecimentos relacionados com a alta administração da RFB [Receita Federal] -a começar pela forma como ocorreu a exoneração da ex-secretária Lina Maria Vieira, passando pelos depoimentos realizados no Congresso Nacional, e as recentes notícias veiculadas pela mídia nacional, denotando a clara e evidente intenção do Ministério da Fazenda de afastar outros administradores do comando da Receita Federal-, e considerando que essas medidas revelam, sem dúvida, uma clara ruptura com a orientação e as diretrizes que pautavam a gestão anterior, nós, subsecretário de Fiscalização, superintendentes e coordenadores abaixo relacionados, declaramo-nos impossibilitados de continuar participando da atual administração da RFB.


Em que pese V. Sª ter cumprido um papel importante na administração anterior, os referidos fatos revelam uma ruptura no modelo de gestão, tanto no estilo de administrar quanto no projeto de atuação do órgão, que nos motivou a compor a equipe da RFB.Somos servidores públicos de Estado e pautamos nossa vida funcional pelos princípios da ética, da impessoalidade, da legalidade e da moralidade.

O que nos trouxe para a administração da RFB foi a crença na possibilidade de construção de uma instituição mais republicana, com autonomia técnica e imune às ingerências e pressões de ordem política ou econômica. Nesse sentido, seria desnecessário destacar o nosso desapego a cargos comissionados, pois o nosso compromisso se prende a projetos que privilegiem o interesse público.


Compreendemos que a administração comandada por V. Sª pode e deve assessorar-se de quadros que tenham o perfil técnico e administrativo mais adequado às novas diretrizes que serão implementadas, e a nossa decisão deve ser compreendida como uma contribuição para facilitar a composição de sua equipe, considerando esse perfil.


Reafirmamos, ainda, o nosso compromisso com a instituição, com a Justiça Fiscal e com a sociedade brasileira, e esperamos que a nova gestão:
- mantenha e aprofunde a política de fiscalização que vem sendo implementada com foco nos grandes contribuintes;- preserve a autonomia técnica da RFB na solução de consultas e de divergências de interpretação;- não tolere qualquer tipo de ingerência política no órgão;- apoie as propostas de revisão e alteração de atos normativos e infralegais que visam promover maior racionalidade administrativa, mediante a descentralização do processo decisório e o resgate da autoridade dos auditores-fiscais, entre os quais destacam-se: (a) revisão de competências na aduana; (b) edição de novo decreto para regulamentar os procedimentos fiscais e a requisição de movimentação financeira; (c) revisão das competências decisórias constantes do regimento interno; (d) revisão ou revogação de outros atos normativos (tais como a IN que disciplina a consulta fiscal e a revogação da portaria da "mordaça");- dê continuidade ao processo de unificação efetiva dos fiscos fazendário e previdenciário;- dê continuidade às ações de fortalecimento da cooperação e integração dos fiscos;- dê continuidade às ações de fortalecimento da aduana;- dê respaldo às superintendências para manter os projetos de mudança em andamento; e- administre a RFB de forma participativa e descentralizada.
Por fim, sr. secretário, queremos ressaltar que declaramo-nos impossibilitados de continuar.
Não podemos permanecer administradores, detentores de cargos de confiança, quando sabemos que hoje é diverso o contexto político-institucional que nos motivou a assumirmos os postos de gerência em nossa Casa, e que não mais subsiste, de parte a parte, a necessária sintonia que justificaria a nossa permanência na gestão.

Atenciosamente,
Altamir Dias de Souza, superintendente da RFB na 4ª Região Fiscal
Dão Real Pereira dos Santos, superintendente da RFB na 10ª Região Fiscal
Eugênio Celso Gonçalves, superintendente da RFB na 6ª Região Fiscal
Fátima Maria Gondim Bezerra Farias, coordenadora-geral da Cocif
Frederico Augusto Gomes de Alencar, coordenador-geral da Cocaj
Henrique Jorge Freitas da Silva, subsecretário de Fiscalização
José Carlos Sabino Alves, superintendente-adjunto da RFB na 7ª Região Fiscal
Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega, superintendente da RFB na 3ª Região Fiscal
Luiz Sérgio Fonseca Soares, superintendente da RFB na 8ª Região Fiscal
Luiz Tadeu Matosinho Machado, coordenador-geral da Cosit
Marcelo Lettieri Siqueira -coordenador-geral da Coget
Rogério Geremia, coodenador-geral da Cofis"

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Continuo Liberal de Esquerda


O Charlie, do Bunker, disse em comentário ao post: Assumo: sou um liberal de esquerda, o seguinte, em azul, eu comento depois:
Igualdade de condições é a verdadeira utopia. Nunca existiu e nunca existirá, pela própria natureza do bicho homem. Cada indivíduo é um universo próprio, com suas limitações e talentos. O que deve existir é igualdade de direitos, e isso não é utopia. É um fato da vida que algumas pessoas iniciarão a vida em condição mais vantajosa em função de riqueza familiar, mas este problema só pode ser resolvido com a extinção da herança. De certa forma a instituição da herança é injusta, já que o beneficiário não produziu aquela riqueza, mas retirar o direito do indivíduo de repassar o que juntou ao longo da vida para sua prole é uma injutiça ainda maior. Afinal, quem é pais conhece bem qual o principal objetivo da vida...
Dito isto, a função primordial do Estado (na minha opinião, claro) é garantir que todos recebam o mesmo tratamento aos olhos da Lei. Estado, a princípio, não deve intervir no Mercado, pois Mercado nada mais é do que uma exteriorização da vontade humana (do contrário, o que seria demanda?). Diferenças econômicas e sociais é outro fato da vida que sempre existiu e sempre existirá pela mesma razão que é utopia imaginar um mundo em que exista igualdade de condições: pessoas são naturalmente diferentes em seus talentos e limitações e algumas nascem em famílias com mais riqueza acumulada do que outras.
Claro, um abismo de diferença entre ricos e pobres (ou, no nosso caso, entre ricos e miseráveis) não é algo desejável e, em uma sociedade liberal, não é normal. Uma das características de uma sociedade com mais liberdade (econômica, política) é justamente uma maior dinâmica na movimentação entre classes de indivíduos independentemente de suas origens econômicas (exemplo são as sociedades ocidentais capitalistas ao longo do século passado).
Enfim, Estado é um elemento fundamental em qualquer sociedade moderna. É um dos pilares da civilização. A organização política e a Justiça são responsabilidade estatal (e apenas estatal). Mas existem muitos limites. Saúde e segurança não devem ser monopólio do Estado. Intervenção na economia deve ser mínima. O indivíduo deve ser respeitado no limite em que suas ações não prejudiquem diretamente outros, e isso significa intervenção mínima do Estado nas escolhas individuais (união entre homossexuais, aborto, uso de drogas, eutanásia...)Acho que vou escrever algo no Bunker sobre o que me leva a acreditar que um mercado livre é melhor do que um controlado, e sobre porque justiça "social" é melhor executada no liberalismo do que no coronelismo, digo!, no populismo, digo!, no estado de bem estar social.. ah! Deu pra entender?

Meu pitaco:

Os liberais sempre acham que o Estado não pode dar mãozinhas, que as pessoas tem de se virar. Eu também acho que as pessoas têm de se virar, mas com certa igualdade de condições.
E cabe ao Estado, este complicado ente, fazer equilibrar as relações sociais. E como fazer isso?
Regulando e Regulamentando.
Por isso se admite que o Estado possa intervir no mercado a fim de impedir certas anomalias como os oligopólios, monopólios, cartéis etc. O mercado deve funcionar de forma mais igualitária -- e humanitária -- possível.
Isso tudo pode parecer uma utopia, mas a única utopia possível.
O Estado tem de ter mecanismos necessários para executar certas ações em benefício da própria defesa do mercado. A própria constituição cidadã -- a nossa célebre colcha de retalhos -- diz em seu art. 173 da CF que a execução de atividade econômica pelo estado é subsidiária. Ou seja,a priori, quem deve executar a atividade econômica é a iniciativa privada.
Cabe ao Estado, conforme o preceito constitucional, explorar atividade econômica em dois casos: a) imperativos de segurança nacional e b) relevante interesse coletivo.
Ocorre que esses conceitos são amplos e abstratos. Para um jurássico de esquerda tudo envolve segurança nacional e tudo envolve relevante interesse coletivo. Aliás, o problema da legislação brasileira é exatamente esse: os conceitos legais não são claros, não são objetivos, são confusos, difusos, indeterminados e permite ao STF, o guardião e intérprete da Carta Maior, flexibilizar conceitos, o que é perigoso.
O mercado não deve ser totalmente livre. Esse fato social, deve atuar livremente, mas deve ser monitorado, regulado, regulamentado por um Estado democrático de direito com objetivo de tornar mais equilibrado, mais democrático, mais justo as relações com o mercado. Até que ponto deve o Estado interferir na atividade de mercado e dos particulares é que é o ponto central de qualquer boa discussão política.

2,12% da População de Porto Alegre Votaram na Consulta Popular


A área do Estaleiro Só em Porto Alegre que corre o sério risco de ficar como está.

Segundo o TRE-RS, Porto Alegre tem 1.038.885 pessoas aptas para votar, segundo dados da eleição de segundo turno de 2008.



Ontem apenas 22 mil pessoas compareceram, sendo que 18 mil votaram pelo Não à construção de residências no Pontal do Estaleiro.

Ou seja, apenas 2,12 % da população eleitoral da cidade compareceram.



Pergunta: isso é participação popular?

O caso mostra que a democracia direta pode se transformar numa grande e perigosa falácia. Os portoalegrenses, como se pode ver ontem, não estavam minimamente interessados em votar sobre o caso.

domingo, 23 de agosto de 2009

Mártir


Fazia tempo que o MST procurava um mártir no RS.
E o governo Yeda deu a mãozinha necessária.

Dúvida Atroz


O domingo está bonito e voltei de viagem rápida ao interior - fui sexta e voltei sábado. Gosto de ficar domingo em Porto alegre. Passei a semana inteira fazendo propaganda a favor do SIM do Projeto Pontal do Estaleiro aqui no Depósito.


Dei uma volta rápida pela cidade, com meu cachorro Trosco, parece que nada de importante acontece. De fato, nada importante acontece. As pessoas não estão nem ai para a tal Consulta Popular, idéia de um prefeito vacilante e que quer ser governador -- e talvez se eleja com o meu voto.


O David Coimbra talvez tenha razão quando afirma:


Por que não votar neste domingo


Direi agora por que não vou votar no plebiscito deste domingo. Não é porque vou à missa, que domingo é dia de ir à missa. Nunca vou à missa. Até já fui.

(...)

Porque esse plebiscito não decide nada – já está decidido que só vão ser construídos prédios comerciais no Pontal. Também não é referendo para nada – se alguém quiser mudar as regras de construção na orla do Guaíba, terá de enfrentar todos os trâmites legais de novo. O plebiscito não passa de um capricho político da prefeitura. Uma veleidade que custa mais de meio milhão de Reais, importância que poderia ter levantado um posto de saúde ou melhorado as condições de dezenas de escolas. Por isso, o meu não-voto. Não fazer, cruzar os braços, não falar, tudo isso pode ser um protesto. Quero que esse plebiscito seja um fracasso. Quero dizer a quem articulou esse plebiscito que eu o desaprovo – ao plebiscito. Que acho um desperdício, quase uma afronta. O não-voto às vezes é mais eloquente do que o voto. É um grito. Não votarei para senador, não votarei no plebiscito de hoje, não irei à missa, não vou comer galinha com arroz e muito menos assistir a programas na TV. Vou ao jogo do Grêmio. Antes ver o Celso Roth do que endossar a demagogia.


Essa é minha dúvida atroz. Votar ou não votar, eis a questão?


Juro que pensei na Venezuela onde a votação não é obrigatória e a maioria silenciosa resolveu se omitir do processo democrático.... E o que aconteceu?

O chavismo é que dá as cartas do jogo.


Eu não quero ver Porto Alegre dominada por minorias participativas que se utilizam de uma mentira -- dizer que a orla vai ser privatizada -- para cativar os votos dos desconfiados e incautos portoalegrenses.


Enquanto Rubinho Barrichelo ganhou o prêmio da Europa, eu já decidi: vou votar no SIM.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Assumo: Eu sou um Liberal de Esquerda


Eu sou um liberal de esquerda de acordo com a definição do filósofo francês André Comte-Sponville (na foto):


"Os liberais de esquerda são os que constatam o fracasso do marxismo, sem renunciar com isso a agir pela justiça (inclusive a justiça social) e pela liberdade (inclusive a liberdade econômica)".

Para Mudar a Natureza das Coisas Vote Sim ao Pontal



Mudar as Próprias Coisas

Capitalismo é processo. Mercado é fato social. É muito lindo pensar em mudar a natureza das coisas e as próprias coisas. Esse discurso cativa tanto como dizer que o Pontal do Estaleiro é uma privatização da orla do Guaíba. É um discurso lindo, mas manipulador e maniqueísta. Eu também quero mudar a natureza das coisas e as próprias coisas.Também acredito que o estado liberal não deu certo, como também não deu certo o estado social e o estado do bem-estar social. O estado do futuro e do presente é regulador, o mercado não pode ser livre e o estado não pode ir além de certos limites. Mas o que colocar no lugar desse processo que se chama capitalismo? Essa é a verdadeira questão. É possível eliminar um fato social chamado mercado? Eu adoraria ver e viver numa sociedade profundamente solidária, onde não existisse exclusão social (isso não interessa a ninguém) e que as pessoas pudessem viver na santa harmonia e na paz sublime da gentileza. Este é o mundo ideal, mas como perseguir essa utopia? Como mudar a natureza das coisas? Como mudar as próprias coisas? Não se vai mudar as coisas e suas natureza extinguindo um processo que é mundial. Nós vamos mudar as coisas é melhorando este processo, aprimorando, democratizando, libertando e socializando. O mundo melhor e possível é da qualidade de vida de todos, da sustentabilidade, da solidariedade (que faz parte da terceira geração de direitos) e do respeito ao meio ambiente. E por isso vote SIM ao Pontal no Domingo.