Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Os Éticos e os Patéticos



Direto do Blog do Juremir Machado:

As quadrilhas do mensalão
 
 
A esquerda, que se dizia ética, comprou a direita patética.
A direita, que era pragmática, não se vendeu barato.
A esquerda, sempre utópica, acreditou no contrato.
A direita, subitamente moralista, com medo de ser traída,
Tratou logo de trair e de não se mostrar assim retraída:
Cuspiu no prato, denunciou o seu comprador amador,
Exigiu a sua condenação e foi comemorar no velório.
O observador limitou-se a um: que enredo simplório!

A Condenação da Elite Petista - E Seu Projeto de Poder



A condenação do PT

Marco Antonio Villa

O único projeto da aristocracia petista — conservadora, oportunista e reacionária — é de se perpetuar no poder
O julgamento do mensalão atingiu duramente o Partido dos Trabalhadores. As revelações acabaram por enterrar definitivamente o figurino construído ao longo de décadas de um partido ético, republicano e defensor dos mais pobres. Agora é possível entender as razões da sua liderança de tentar, por todos os meios, impedir a realização do julgamento. Não queriam a publicização das práticas criminosas, das reuniões clandestinas, algumas delas ocorridas no interior do próprio Palácio do Planalto, caso único na história brasileira.
 
Muito distante das pesquisas acadêmicas — instrumentalizadas por petistas — e, portanto, mais próximos da realidade, os ministros do STF acertaram na mosca ao definir a liderança petista, em 2005, como uma sofisticada organização criminosa e que, no entender do ministro Joaquim Barbosa, tinha como chefe José Dirceu, ex-presidente do PT e ministro da Casa Civil de Lula. Segundo o ministro Celso de Mello: “Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder.” E concluiu: “É macrodelinquência governamental.” O presidente Ayres Brito foi direto: “É continuísmo governamental. É golpe.”
 
O julgamento do mensalão desnudou o PT, daí o ódio dos seus fanáticos militantes com a Suprema Corte e, principalmente, contra o que eles consideram os “ministros traidores”, isto é, aqueles que julgaram segundo os autos do processo e não de acordo com as determinações emanadas da direção partidária. Como estão acostumados a lotear as funções públicas, até hoje não entenderam o significado da existência de três poderes independentes e, mais ainda, o que é ser ministro do STF. Para eles, especialmente Lula, ministro da Suprema Corte é cargo de confiança, como os milhares criados pelo partido desde 2003. Daí que já começaram a fazer campanha para que os próximos nomeados, a começar do substituto de Ayres Brito, sejam somente aqueles de absoluta confiança do PT, uma espécie de ministro companheiro. E assim, sucessivamente, até conseguirem ter um STF absolutamente sob controle partidário.
 
A recepção da liderança às condenações demonstra como os petistas têm uma enorme dificuldade de conviver com a democracia. Primeiramente, logo após a eclosão do escândalo, Lula pediu desculpas em pronunciamento por rede nacional. No final do governo mudou de opinião: iria investigar o que aconteceu, sem explicar como e com quais instrumentos, pois seria um ex-presidente. Em 2011 apresentou uma terceira explicação: tudo era uma farsa, não tinha existido o mensalão. Agora apresentou uma quarta versão: disse que foi absolvido pelas urnas — um ato falho, registre-se, pois não eram um dos réus do processo. Ao associar uma simples eleição com um julgamento demonstrou mais uma vez o seu desconhecimento do funcionamento das instituições — registre-se que, em todas estas versões, Lula sempre contou com o beneplácito dos intelectuais chapas-brancas para ecoar sua fala.

As lideranças condenadas pelo STF insistem em dizer que o partido tem que manter seu projeto estratégico. Qual? O socialismo foi abandonado e faz muito tempo. A retórica anticapitalista é reservada para os bate-papos nostálgicos de suas velhas lideranças, assim como fazem parte do passado o uso das indefectíveis bolsas de couro, as sandálias, as roupas desalinhadas e a barba por fazer. A única revolução petista foi na aparência das suas lideranças. O look guevarista foi abandonado. Ficou reservado somente à base partidária. A direção, como eles próprios diriam em 1980, “se aburguesou”. Vestem roupas caras, fizeram plásticas, aplicam botox a três por quatro. Só frequentam restaurantes caros e a cachaça foi substituída pelo uísque e o vinho, sempre importados, claro.
 
O único projeto da aristocracia petista — conservadora, oportunista e reacionária — é de se perpetuar no poder. Para isso precisa contar com uma sociedade civil amorfa, invertebrada. Não é acidental que passaram a falar em controle social da imprensa e... do Judiciário. Sabem que a imprensa e o Judiciário acabaram se tornando, mesmo sem o querer, nos maiores obstáculos à ditadura de novo tipo que almejam criar, dada ausência de uma oposição político-partidária.

A estratégia petista conta com o apoio do que há de pior no Brasil. É uma associação entre políticos corruptos, empresários inescrupulosos e oportunistas de todos os tipos. O que os une é o desejo de saquear o Estado. O PT acabou virando o instrumento de uma burguesia predatória, que sobrevive graças às benesses do Estado. De uma burguesia corrupta que, no fundo, odeia o capitalismo e a concorrência. E que encontrou no partido — depois de um século de desencontros, namorando os militares e setores políticos ultraconservadores — o melhor instrumento para a manutenção e expansão dos seus interesses. Não deram nenhum passo atrás na defesa dos seus interesses de classe. Ficaram onde sempre estiveram. Quem se movimentou em direção a eles foi o PT.
Vivemos uma quadra muito difícil. Remar contra a corrente não é tarefa das mais fáceis. As hordas governistas estão sempre prontas para calar seus adversários.
 
Mas as decisões do STF dão um alento, uma esperança, de que é possível imaginar uma república em que os valores predominantes não sejam o da malandragem e da corrupção, onde o desrespeito à coisa pública é uma espécie de lema governamental e a mala recheada de dinheiro roubado do Erário tenha se transformado em símbolo nacional.

MARCO ANTONIO VILLA é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos

A Educação Precisa de Respostas



1) Por que, mesmo sendo a 6ª economia do mundo, o Brasil ainda está no 88º lugar no ranking mundial da educação?
2) Por que 34,5% dos alunos do Ensino Médio não estão na série correspondente à sua idade?
 
3) Por que é importante os pais participarem da vida escolar dos seus filhos?

4) Por que apenas 2% dos estudantes querem seguir a carreira de professor?
 
5) Por que 89% dos estudantes chegam ao final do Ensino Médio sem aprender o esperado em matemática?

6) Por que a maioria dos alunos matriculados no último ano do Ensino Fundamental não aprende o mínimo considerado adequado?

Campanha do Grupo RBS para se mudar a educação no Brasil.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Corruptos e Quadrilheiros

Foto de capa da Folha de hoje: José Dirceu participa, ao lado do escritor Fernando Morais (de verde) e de José Genoino (vermelho), de encontro no domingo com militantes do movimento estudantil de 1968
 
No Brasil de hoje o pessoal do colarinho branco vai passar a frequentar as mesmas prisões dos pobres, pretos e indefesos.  Ontem o Supremo Tribunal Federal, em decisão apertada, entendeu que todos os núcleos do mensalão, político, capitaneado por Zé Dirceu, publicitário, Marcos Valério e financeiro, Banco Rural e Cia. constituiam sim uma quadrilha que perdurou por quase três anos assalatando os cofres públicos. Na ponta do lápis, segundo Ayres Britto, foram 153 milhões de reais movimentados pela quadrilha.
 
Zé Dirceu, o personagem mais emblemático da quadrilha, lançou nota ontem alegando sua inocência, mas essa decisão é final, definitiva. Não adianta, Zé Dirceu, você não é inocente, o STF já decidiu, é corrupto e quadrilheiro.
 
E o pessoal do PT -- que vai levar São Paulo neste fim de semana -- o que está a dizer? Será que vão atacar, novamente,o STF, alegando que se trata de uma inquisição?
 
Com todo o respeito ao Marco Aurélio e Celso de Mello, mas o melhor voto de ontem, o mais claro foi do Ministro Luiz Fux.
 
 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O País dos Estagiários

Neta segura a foto da avó morta porque estagiárias injetaram café com leite na veia.

Esse fato que ocorreu em São João do Meriti quando duas estagiárias injetaram café com leite na veia da Sra. Palmerina Pires Ribeiro, 80 anos, que acabou falecendo; mostra bem como os estagiários estão realizando trabalhos complicados, que colocam em risco a vida das pessoas. No Brasil virou moda terceirizar serviços para os estagiários. No Poder Judiciário é prática comum. São os estagiários que decidem as causas, que impulsionam os processos; em outros setores a mesma coisa, são eles os responsáveis pelas petições nos escritórios de advocacia, pelos relatórios nas grandes empresas; pelas contabilidades; pelos cálculos de engenharia e por ai vai.

É complicado. Porque um erro de um estagiário pode causar estragos imensos e  imperdoáveis.

Os Velhos e os Moderados

 
 
 
Serra, que tem mais de 50% de rejeição em São Paulo,  nunca será um Mitterrand, aquele que perdia eleições, uma atrás da outra e um belo dia foi levar a rosa vermelha no Palácio dos Eliseus.
 
E os mais velhos, com todo o respeito, devem dar lugar para os mais moços. Talvez o Brasil precise de um Henrique Capriles, esse cara de 40 anos que modificou a sonolenta oposição venezuelana e hoje ameaça o reino de Chávez.
 
Deu para a bola para o Serra. Ontem assisti uma parte do debate na Band entre ele e Haddad. Acho que deu empate e gostei do Haddad, que é um petista moderado, tal como Jairo Jorge em Canoas, RS.
 
É bom que o PT esteja dando espaço a sua ala moderada e que não é anticapitalista e contra burguês.

O Brasil está evoluindo.
 
 
 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Saramago


Essa Dupla É Dinâmica

 
 
 
O grande problema do Brasil é que aqui se discute tudo, se impugna tudo, se burocratiza tudo e por isso, exatamente por isso, os projetos não conseguem sair das prateleiras. Este país é um inferno para quem quer empreender. Mas existem políticos e administradores que arregaçam as mangas e se esforçam para que os projetos virem realidade. É o caso da dupla Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro e Eduardo Paes, prefeito da capital carioca. Eles são super sincronizados.  O Rio é um canteiro de obras públicas e privadas e as obras do poder público estão sendo realizadas com bom gosto e boa qualidade, como é o caso do novo urbanismo da Av das Américas na Barra. Não é a toa que Eduardo Paes foi eleito no primeiro turno com mais de 60% dos votos. É claro, é evidente que existem aqueles que torcem o nariz, que dizem que as empreiteiras vão levar um monte. Sim, isso até pode acontecer, mas o que mais importa é que grandes obras atraem grandes, médios, pequenos e micros investimentos, agrega valor, faz valorizar os imóveis, circular capital, gera empregos, reduz pobreza e faz o que efetivamente importa, inclusão social.
 
 
 

Uruguai, o País Mais Moderno da América Latina




Gosto e admiro muito o Uruguai e o povo uruguaio, o mais educado da América Latina. Gosto, inclusive, do Pepe Mujica, um sujeito sem nenhuma ambição econômica que vive num sítio nos arredores de Montevidéo  e tem um fusca. Mujica talvez tenha feito o mais belo e humano discurso de chefe de estado que assisti. Foi  na Rio + 20. Ele falou sobre a vida, sobre o nosso futuro e criticou, com razão, a sociedade de consumo extremo. Confira aqui.

Além disso, o Uruguai descriminalizou a marijuana (compartilho do mesmo entendimento de FHC), está a permitir casamento gay e agora descriminalizou o aborto com gravidez até 12 semanas.

O país mais moderno da América Latina

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Educação Também Para a Classe A


A nova classe alta
 
Nizan Guanaes na Folha.

Depois da nova classe média, este país precisa de uma nova classe alta. O Brasil moderno exigirá uma nova elite. Que é bem diferente de uma casta: um dinheiro responsável que seja gasto assim como foi feito, com o bom-senso das madrugadas e do suor, misturando vitórias e tragédias, mas sempre com muito respeito e espírito público.
Não quero desrespeitar ninguém com generalizações porque toda generalização é burra, mas, muitas vezes, o pai funda e o filho afunda.
Da mesma forma que é preciso educar a população em geral, é preciso também educar os filhos da elite. E, em muitos sentidos, a educação pública tem tido proporcionalmente mais avanços do que a privada.
O Brasil que mais cedo do que tarde terá assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e será ouvido em todos os fóruns importantes do mundo precisa preparar os jovens brasileiros para serem futuros líderes globais. Mas, além de falar o bom inglês, eles precisarão também falar fluentemente o português.
Não acredito numa sociedade dividida por preconceitos e ódios. Essa sanha contra os ricos que está acontecendo na França não vai levar a França a lugar nenhum. Mas o novo Brasil construído por um intelectual professor, um líder sindical e uma economista vítima da ditadura exige uma elite à altura desse momento maior do Brasil. Um momento maior, mas não um momento fácil, porque o mundo será cada vez mais competitivo.
Essa elite (à qual pertenço) às vezes parece mais mobilizada para educar os pobres do que os próprios filhos -casa de ferreiro, espeto de pau.
Mas não educar bem uma criança, deixá-la crescer no shopping center, consumindo loucamente sem ter desafios e sonhos que transcendam um abdome de tanquinho e o próximo modelo de iPhone, é falta de amor com ela e falta de responsabilidade com o país.
Levei recentemente um de meus filhos para testes de admissão em duas escolas americanas de elite. Lá encontrei muitos pais chineses, indianos. E nada de brasileiros.
O português tão ouvido nas lojas de Nova York e Miami é bem menos ouvido na Harvard que eu e o meu Antônio visitamos.

Continua abaixo.