Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quarta-feira, 31 de março de 2010

Parabéns, Judith Brito, Pela Sua Sinceridade


Leio no Diário Gauche de hoje a seguinte frase da Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais - ANJ:
- A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo [Lula].


Falou bem e foi sincera a Judith Brito. Em lugar nenhum do mundo socialmente desenvolvido existe controle social da mídia. O controle da mídia deve ser exercido pelo Poder Judiciário.É claro, é evidente que a mídia é um grupo empresarial e vai seguir a sua linha editorial de acordo com os seus interesses. Não vamos ser hipócritas. Uma mídia não é e nunca foi parcial e tem sim seus preferidos, isso é absolutamente normal e ocorre em qualquer país do mundo. Diversos jornais americanos divulgaram seu apoio a Obama, nas eleições. E acho que o mesmo deveria ocorrer com os jornais brasileiros. A Folha deveria sim admitir que apoia Serra. Qual o problema da Folha apoiar Serra e da ZH apoiar o Fogaça? Não existe imparcialidade. Mas a mídia, durante todo o governo Lula, nunca foi golpista. Ou será que estampar o vergonhoso contrato de financiamento do PT com Marcos Valério, na capa da revista Veja é golpe? É claro que não. E assim deve seguir a linha editorial da Veja. Os insatisfeitos que criem seu órgão de mídia, o povo é que vai escolher em quem acreditar.

O que ocorre é que parte da esquerda brasileira -- que adora fazer um barulho imenso quando é oposição -- tem grandes dificuldades de receber críticas quando é situação. Parabéns, novamente, à Judith Brito pela sua grande sinceridade.

Foi dada a largada


Doadores, please, coloquem seu dinheirinho na caixa do partido. Depois a gente vê, depois a gente acerta.

Sobre o Golpe de 64

Os tanques nas ruas


Marechal Humberto Castelo Branco toma posse em abril de 64

Comentei no Blog Tardes Demais  -- que lançou um post sobre a Revolução de 64 e indicou os livros do
Skidmore e do Gaspari --  e o comentário virou um post.

Na verdade, não foi uma revolução, mas um golpe. Comenta-se que o golpe ocorreu no dia 01 de abril. Houve apoio de parte expressiva da classe média e de trabalhadores, porque o governo João Goulart não tinha essa popularidade e era época de guerra fria e a paranóia de que o Brasil estava seguindo os rumos de Cuba e se aproximando da URSS era grande. Esse era o contexto, mas o golpe, mesmo assim, não se justifica. A repressão ocorreu realmente a partir do AI 5 em 68, como forma de reprimir movimentos de esquerda que  pegaram em armas e que sequestravam embaixadores e outras figuras. Além dos livros indicados (Thomas Skidmore - de Getúlio a Castelo  e os 4 volumes do Gaspari)  eu recomendaria "Os Carbonários " do Alfredo Sirkis  e o Que é Isso Companheiro do Gabeira, ambos sobre a visão da esquerda do Brasil pós AI 5.



A partir de 1985 houve a redemocratização do Brasil e a entrada em vigor da CF de 1988, que infelizmente, é uma imensa colcha de retalhos, ambivalente, ambígua, que concede muitos direitos e poucas obrigações e é consequência imediata de um período crítico na vida brasileira, a ditadura militar -- que pode sim ser considerada ditabranda se compararmos com o que ocorreu com o Chile e Argentina. Ditadura é sempre ditadura, por mais branda que ela seja, não se justifica.

A Festa e o Dourado

Marcelo Dourado que usa uma camisa simplesmente horrorosa

Fui convidado ontem para uma festa de 50 anos de um velho e querido amigo. O apartamento estava cheio de convidados. No meio da sala, a TV ligada na Globo. E de repente o Pedro Bial começou a falar e falar e falar, a Ivete Sangalo começou a cantar a cantar e cantar e os brothers começaram a dançar a dançar e dançar e assim passou o tempo e as pessoas ficaram ali hipnotizadas, hipnotizadas e hipnotizadas. E vinha um comercial e vinha outro comercial e o tempo passava e a festa de aniversário foi para o espaço. O que interessava era apenas uma coisa: quem vai ganhar o BBB 10?

E ganhou o Dourado, mas quem é o Dourado?

p.s. Quase 160 milhões de ligações ocorreram ontem no BBB. Dourado teve 60% dos votos. Uma pesquisa divulgada esta semana diz que mais de  50% dos brasileiros não pratica esporte nos momentos de lazer e prefere ficar sentando assistindo televisão.

Uma Vergonha


Soco na cara da sociedade gaúcha

Nossos ilustres deputados da Assembléia Legislativa gaúcha concederam aumento para os mais altos cargos de servidores do estado. O aumento é de 8,88% para quem já ganha os maiores salários do estado:
desembargadores, procuradores e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) passam a receber R$ 24,1 mil, o topo hoje é de R$ 22,1 mil.O gasto adicional com os reajustes chegará a R$ 49 milhões anuais.

Os senhores deputados deveriam reajustar os salários de quem ganha menos, essa é a prioridade, como disse o lider do governo Yeda na Assembléia, Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e o líder do PT, Elvino Bohn Gass, conforme Zero Hora de hoje.

Há um imenso abismo na pirâmide salarial dos servidores publicos gaúchos, ao invés dela engordar no meio, como deveria, ela está espichando. Enquanto um desembargador, um conselheiro do Tribunal de Contas, um Procurador da Justiça ganha 24 mil um professor mal ganha 1 mil. Isso é uma vergonha.

terça-feira, 30 de março de 2010

A Foto da Policial Sendo Carregada


Na manhã dessa terça feira tive a santa paciência de dar uma boa perambulada pelos Blogs da nossa esquerda.

 http://partisanrs.blogspot.com/
http://brasiliaeuvi.wordpress.com/
http://blogdomilicors.blogspot.com/
http://aldeia-gaulesa.blogspot.com/
http://miguelgrazziotinonline.blogspot.com/
http://tudo-em-cima.blogspot.com/

Em praticamente todos os posts a foto acima é recorrente. Uma policial militar é carregada por um suposto manifestante em um protesto de servidores contra Serra. Na verdade, ele não é um manifestante, mas um policial infiltrado nas manifestações.

Com toda a sinceridade, não vejo nenhuma gravidade no fato. Um dos papéis da polícia e do poder de policia é monitorar, colher informações, etc.

Não vamos ser hipócritas, qualquer governo tem sua rede de inteligência.

Manifestações Eleitoreiras


Serra morde maçã na avenida Paulista, após vistoriar obra da linha 4 do metrô de São Paulo.



Em São Paulo sindicatos e associações do funcionalismo público -- entidades que são capitaneadas por militantes e simpatizantes do PT -- organizam um "bota-fora de Serra", tendo em vista a renúncia hoje do candidato tucano do governo paulista.
Segundo a Folha:
O movimento conjunto dos servidores é encabeçado pela Apeoesp, ligada à CUT e ao PT. Na última sexta-feira, a presidente da entidade, Maria Izabel Noronha, havia conclamado os grevistas a "quebrar a espinha dorsal" do PSDB e de Serra.
Filiada ao PT, Bebel, como é conhecida no meio sindical, chegou a dividir palanque com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata petista à Presidência da República, na última quinta. Outras entidades envolvidas no ato contra Serra também são alinhadas a partidos de oposição ao PSDB.

Assim é o PT quando faz oposição. É um partido que tenta colocar o povo na rua contra o governante da oposição. Assim faz em São Paulo, assim faz no Rio Grande do Sul.
Por outro lado, quando o PT é governo promete mundos e fundos, como a segunda versão do PAC, lançada ontem pelo pop presidente que sempre leva a tiracolo a Ministra Dilma.

Na Folha de hoje, sobre o PAC 2:
Dos 913 projetos da nova etapa do programa (pós-2011) para as áreas de energia, transportes e recursos hídricos, 64% são oriundos da primeira fase, lançada em 2007 e usada pelos petistas como vitrine da pré-candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff.

 Perguntinha básica: se fosse o Serra que lançasse esse PAC 2 o que o pessoal do PT faria? Viraria o Brasil de cabeça para baixo gritando palavras de ordem no sentido de que as obras são eletoreiras.

Quem Bate Perde


Trecho do artigo "Campanha Negativa"  de Kennedy de Alencar hoje na Folha, em vermelho.

Concordo com ele, já que a campanha eleitoral de 2010 inicia hoje, com as renúncias dos concorrentes, é bom lembrar que "Quem bate perde".


No Brasil, a campanha negativa é recurso para emergências. Em 2002, Regina Duarte disse ter medo de Lula. Não funcionou. Slogan de Duda: "A Esperança Venceu o Medo".
Esta eleição será palco de campanhas negativas enfáticas de Dilma Rousseff, a candidata de Lula, e de José Serra, aquele que desde sempre se prepara para governar o país.
O quase choro de Dilma ontem no PAC 2 sinaliza intensificação da estratégia plebiscitária. O PT pintará Serra como volta aos anos FHC. Sugerirá que ele acabará com o Bolsa Família e as políticas para os mais pobres. Lula se encarregará de semear uma dúvida entre os eleitores: valerá a pena arriscar?
Sem saída, Serra dialoga com o eleitorado lulista. Reconhece que o presidente termina bem o governo e apenas deseja melhorar sua obra. Deputado, senador, ministro, prefeito e agora governador, ele dirá que é um risco entregar a Presidência a quem nunca disputou uma eleição, a uma mulher talhada para número 2, mas não para número 1.
Em 2004, deu certo. Serra evitou criticar Marta Suplicy, à frente de gestão bem avaliada na Prefeitura de São Paulo. "Eu sou melhor", dizia. É um caminho -talvez o único diante de governo tão popular. Mas o Brasil não é São Paulo, praça com maior média de rejeição ao PT.

__________

Aqui no Rio Grande do Sul, algo semelhante aconteceu com a eleição de Rigotto e até de Fogaça em Porto Alegre, ambos candidatos tinham muitos argumentos para criticar os candidatos do PT, mas foram light, fizeram uma campanha light e, é importante também lembrar, governos mornos.

E a tática e estratégia de Serra é exatamente essa: dizer que ele pode fazer melhor.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Forçando a Barra



Certa esquerda que chama a grande mídia de PIG prefere acreditar na parceria do Bispo Macedo com o
Paulo Henrique Amorim  (esses sim dizem a verdade) para criticar o Serra.

Vejam esse post que apareceu no Diário Gauche hoje: "Relações Suspeitíssimas entre Rede Globo e José Serra".

O fato é o seguinte: ao lado do prédio da Globo em São Paulo tem um terreno do Estado de S. Paulo que teria sido ocupado pela Globo faz 11 anos, segundo a reportagem. Mais tarde, a Globo e o Gov. de S. Paulo, através de José Serra,  resolveram fazer uma parceria para construir no local uma escola técnica de formação profissional na área de comunicação, com dois cursos técnicos: multimídia e produção de audio e vídeo. A Globo que tem conhecimento e know how no assunto vai participar, com sua expertise, desses cursos.  O prédio vai ser construido pela Globo e será doado ao governo de S. Paulo.
Por que o Estado de S. Paulo não pode fazer parceria com a Globo? O que há de errado nisso?
Não se trata de uso irregular de terreno e nem de privatização. No terreno que é público vai ser construída uma escola pública. Qual o problema?

Não se Brinca com os Russos


A cara de raiva e de mau do  primeiro-ministro russo Vladimir Putin que  afirmou os terroristas serão liquidados".

Corpo é carregado no centro de Moscou,


Mais de trinta pessoas morreram esta manhã no metrô de Moscou. Duas mulheres carregadas com bombas se detonaram matando inocentes. O Primeiro Ministro Vladimir Putin já disse: os terroristas serão liquidados. E quando os russos prometem eles cumprem, custe o que custar. Os Russos são diferentes dos americanos. eles não querem saber de meias palavras, eles simplesmente entram em ação e disparam suas armas mortais, matando, ao mesmo tempo, terroristas e inocentes.

53,5% dos Negros Brasileiros Já Estão na Classe Média


Do Blog No Race, contra a racialização do Brasil pesco a seguinte boa notícia que saiu no sábado no Estadão.

53,5% dos negros brasileiros já estão na classe média


Pesquisa do economista da FGV Marcelo Neri também mostra que 47,3% dos mestiços pertenciam às classes A, B e C em 2008


Mais da metade dos negros brasileiros, e pouco menos da metade dos mestiços (pardos), pertencem hoje à classe média, incluindo a classe C, a nova classe média popular.

Segundo recente levantamento do economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais (CPS), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 53,5% dos negros e 47,3% dos mestiços no Brasil pertenciam às classes A, B e C em 2008. Entre negros e mestiços juntos, 48% são de classe média, e 52% estão nas classes D e E, mais características da pobreza. Os porcentuais incluem também os muito ricos, mas que são estatisticamente pouco significantes.
Esses números, tirados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), mostram uma grande evolução nos últimos 15 anos. Em 1993, menos de um quarto dos negros (23,8%) e pouco mais de um quinto dos mestiços (21,7%) pertenciam às classes A, B e C. Tomados em conjunto, apenas 22% dos negros e mestiços estavam na classe média, com quase 80% nas classes D e E.
Os números de Neri revelam que, desde 1993, a proporção de negros e mestiços nas classes A, B e C cresceu cerca de 110%, enquanto a dos brancos expandiu-se em 42%. "Há uma melhora diferenciada dos negros e pardos na classe ABC, já que a proporção deles aumentou mais do que a dos brancos", observa Neri.
André Urani, sócio do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), e diretor do Instituto Natura, tem dados que mostram que a proporção de negros e mestiços, nos últimos 15 anos, cresceu bem mais entre os mais ricos do que entre os mais pobres. Assim, houve um salto de 74%, de 1993 a 2008, na proporção de chefes de família negros e mestiços entre o 1% mais rico do Brasil, e hoje ela atinge 15%. Entre os 10% mais ricos, um em cada quatro chefes de família já é negro ou mestiço.
Para Urani, essa melhora relativa de renda de negros e mestiços se deu antes que a política de cotas pudesse fazer efeito. "Se, de fato, como parece, isso não se deve à política de cotas, então está aberto um campo gigantesco para se investigar as determinantes dessa trajetória e ter políticas públicas que a incentivem."
Mesmo com o avanço de negros e mestiços, a sociedade brasileira ainda está muito longe de ser igualitária em grupos raciais. Os chefes de família negros e mestiços ainda correspondem a mais de 70% entre os pobres e indigentes, segundo a classificação de linhas de pobreza de Urani.
Os dados de Urani e Neri mostram, porém, que, apesar de a situação ainda permanecer ruim, é inegável a tendência de redução da desigualdade de renda de base racial na última década e meia. Hoje, o País já possui uma grande classe média não branca, com 45 milhões de pessoas.
Os dados da série da Pnad revelam que também houve, independentemente da renda, um expressivo aumento na proporção de negros e mestiços no total da população brasileira de 1993 a 2008, de 45% para 50,1% do total.
As possíveis explicações para essa mudança são uma maior disposição das pessoas se identificarem como não brancas (pretos e pardos, na terminologia oficial) nos questionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e um avanço real demográfico de negros e mestiços relativamente aos brancos. Especialistas em estudos raciais, como o economista Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acreditam que a causa pode ser uma combinação desses dois fatores.
Em todas as faixas de renda houve aumento da participação de negros e mestiços, já que eles cresceram bastante na população como um todo. Porém, quando se examina as mudanças na distribuição de negros e mestiços entre as faixas de renda, de 1993 a 2008, fica claro que aquele aumento foi proporcionalmente maior nas camadas mais ricas da população do que nas mais pobres.
Assim, em 1993, os chefes de família negros e mestiços representavam 68% do total abaixo da linha de indigência definida por Urani, o que subiu para 73% em 2008. O crescimento da fatia, de 8,3%, porém, foi bem menor do que o aumento na proporção total de chefes de família negros e mestiços naquele período, que foi de 23%. Já entre os riquíssimos (1% mais rico da população), a parcela de chefes de família negros e mestiços saiu de 8,8% para 15,3%, o que significa uma expansão de 74%.

Tulpan ou Nem Todo Filme Off Hollywood É Bom


Sábado de tarde. Nada para fazer. Entrei no shopping e fui ao cinema. O único filme disponível é Tulpan do Cazaquistão, direção de Sergei Dvortsevoy. Como gosto de filmes off Hollywood fui correndo ver. Moral da história, nem todo filme off Holywood é bom.

Sim, é interessante assistir cenas de um país desconhecido do outro lado do mundo, a vida dura nas estepes do Cazaquistão. O dia a dia dos pastores que devem casar para ter seu rebanho. O diabo é que ASA, o personagem principal, tem orelhas grandes e Tulpan -- a menina mulher que não aparece no filme -- não gostou das orelhas grandes de ASA.

E  ASA estava folheando as revistas do mundo ocidental e percebeu que o príncipe Charles tem orelhas grandes. Ora, se um príncipe pode ter orelhas grandes, porque ASA não pode ter?

Juro, certas horas o  filme cansa, dá nausea, é muita poeira, é muito rebanho de ovelha, é muita ovelinha morta, tem uma cena de 5 minutos que mostra o nascimento de uma ovelha no meio daquela poeira. É muito movimento de câmera de um lado para o outro e, ao mesmo tempo, é muito tempo de câmera parada.

O ponto alto do filme talvez seja o som. O som da poeira, o som do vento, o som da menina que canta as  canções do Cazaquistão, o som dos rebanhos, o mugido das ovelhas, dos carneiros, dos camelos, dos burrinhos, do som do grupo Boney M. cantando "Rivers os Babylon".

domingo, 28 de março de 2010

"Maledicências de Opiniões Dominantes"




Com a Igreja Católica enfrentando nova onda de denúncias de abusos de padres, o papa Bento XVI aproveitou a homilia da missa do Domingo de Ramos para dizer que Deus dá a coragem que permite ao homem não se deixar intimidar por "maledicências de opiniões dominantes"

 Manifestantes protestam contra Bento XVI e pedem sua saída em Londres. Para uma das vítimas de um padre alemão, o papa, que ocupava o cargo de arcebispo de Munique na época dos crimes. 

Fonte - Terra Galeria 24 horas.

Se Arrependimento Matasse


Se arrependimento matasse
eu estaria morto.
Quando visitei a DDR em 1986
achei tudo cinza de tão triste.
Entrei na livraria oficial e
comprei as obras do Lenin
tradução para o português.
Um livro de capa vermelha
editado pela editora oficial.
Foi ali que meu sonho socialista ruiu.
Mais tarde - no auge da desilusão -
doei o livro para alguém
que não me lembro.

Inspirado no Post Livros Para Que Te Quero da Bípede Falante.

sábado, 27 de março de 2010

O Papel do Advogado dos Nardoni

O advogado de defesa do casal Nardoni, Roberto Podval,

Tem gente que não consegue entender como um advogado pode defender um casal que cometeu um crime horroroso como esse dos Nardoni. Afinal, que papel teve Roberto Podval nessa história toda? Cometeu ele alguns erros ? Sinceramente, acho que sim. A começar por ter pedido que a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira fique  à disposição da Justiça para   "eventual acareação". No mais, ele fez o papel que lhe cabe, apontar as contradições dos laudos técnicos e tentar reduzir a pena -- já cumprida de quase dois anos -- para o menor número de anos possível. Ana Jatobá pegou 26 anos e o Alexandre Nardoni, 31 anos. Quantos anos eles vão cumprir de pena? Talvez em 5 anos, ou um pouco mais ou menos, eles saiam da prisão e poderão jantar na casa do Guilherme de Pádua que está solto já faz um bom tempo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Território Restrito

Meu Deus, como o Harrison Ford está velho. Ele que  era um gurizão na época do Star Wars. Os ídolos também envelhecem. Território Restrito (Crossing Over, 2009, EUA, Direção Wayne Kramer) tem o mesmo tipo de narrativa de Babel e Crash, que são ótimos filmes. Diversas histórias paralelas que acabam se unindo no fim. O pano de fundo é o muro que fica na fronteira entre EUA e México, onde os imigrantes fazem de tudo para passar ao lado americano. Mas os imigrantes não são apenas os latinos, como a já famosa Alice Braga, mas de diversas nacionalidades, israelense, australiana, muçulmanos, iranianos, chineses etc.

O ponto alto do filme é a história de uma menina muçulmana de 15 anos que faz apologias e certos elogios aos terroristas de 11/09. Bingo, não poderia ser diferente, naquela noite a imigração bate a porta da família muçulmana e o quarto e computador da menina são revistados. Começa o drama.

Não, o filme não é antiamericano. Ele apenas mostra o que é. A paranóia, a vontade de viver nos EUA, the land of opportunity, o sonho de se conseguir um green card. Meu Deus, como Harrison Ford está velho como Max Brogan, agente de imigração e fiscalização Aduaneira que trabalha na fronteira com a cidade de Tijuana....

Por falar em Tijuana  uma música com Manu Chao - Bienvenida Tijuana:

Ideologia É Religião


No diário gauche de hoje leio um artigo sobre o dinheiro, a mercadoria, o trabalho e sua expressão social.
Em suma, no mundo da mercadoria o homem não tem qualidades.
Quem tiver o saco de ler clique aqui.

E o último parágrafo é o seguinte:

Todas as demais mercadorias querem "imitar" a capacidade de valorização do dinheiro, que é "a vida do que está morto (força de trabalho alienada na mercadoria, e esta transformada em moeda) se movendo em si mesma" – na genial síntese de Hegel.

Meu humilde pitaco:

Será que o trabalhador vai ficar menos "alienado" se ficar sabendo que o "dinheiro é a vida do que está morto movendo-se em si mesma"?
Não há mais dúvida, ideologia e religião é a mesma coisa.

A esquerda vive e se alimenta  de dogmas. Deixou de ser materialista e se transformou em idealista. O texto do post é a demonstração cabal disso. Tem dificuldade imensa de entender o mundo que estamos embutidos. Tem preconceito com mercados e capital, como se tudo isso significasse, necessariamente, c algo danoso.  Ela utiliza, como razão de seus conceitos,  idéias e percepções que não tem hoje mais nenhuma consistência. E preso a teoria do passado tenta entender um mundo - para ela - incompreensível. A sociedade de hoje é de serviços, o mundo moderno não é mais maniqueísta, não está dividido em classes plenamente identificadas. A cidade moderna ou pós moderna (essa palavra que vocês detestam) é complexa, é difusa, é multifacetária, é diversificada. Como aplicar, no mundo que vivemos, teses ( e são apenas teses) de que os trabalhadores conscientes e desalienados, um dia vão colocar em prática   sua práxis libertária  para fazer o quê? Libertar o mundo dos malvados, da ingratidão, da midia oligopolista? Quem são afinal os trabalhadores, onde eles estão, que forças terão eles para fazer uma revolução permanente, nesse mundo molecular e líquido?
Esse sonho dourado é religioso.
 Tal como o Juízo final da fé cristã ou a época do ouro da mitologia grega.

Impressionante como certa esquerda se perde nos labirintos de teorias caducas e depois não entendem porque continuam perdendo cordeirinhos.
Os rebanhos estão bebendo em outras fontes e, nesse sentido o Bispo Macedo  é mais competente.

As Tesouras Que Rondam Por Aqui


A Charge do Angeli na Folha de hoje vem bem a calhar. Na Venezuela bolivariana o presidente do principal e único canal de tv de oposição, porque os outros fecharam ou foram cooptados, está preso por crime de opinião. No Brasil se critica a participação da imprensa em casos como os do Nardoni ou se tenta fazer um "controle social"  da mídia. E o governo do nosso pop presidente se finge de morto.

Mídia Faz Muito Bem em Escancarar Para o Brasil o Caso Nardoni


Menos Patrulha Ideológica, Please!

Recebo do Felipe Oliveira a seguinte mensagem:

É impressionante o que a mídia faz apenas para ganhar dinheiro. Transformaram o Tribunal do Júri num gigantesco circo em busca de audiência. A tragédia que foi a queda da menina do prédio transformou-se numa "Indústria do Ibope" sem nenhum escrúpulo.
Tenho a convicção que o casal Nardoni realmente tem culpa no cartório neste caso, mas nada justifica o massacre diário em todas as redes nacionais de TV e nos principais jornais do país.
Além disso, quantas meninas e meninos são barbaramente assassinados, estuprados e torturados no Brasil todos os dias sem que a imprensa dê uma linha sequer?
Depois ainda não sabem porque perdem audiência e vendem cada vez menos jornais.
Precisamos urgentemente repensar o papel da mídia, sob pena de assistirmos apenas grotescos Big Brothers, 24 horas por dia.

Discordo Integralmente.

Com o julgamento dos Nardoni a sociedade brasileira está refletindo para um problema crônico e presente: a violência infantil que não ocorre apenas nos lares das famílias de baixa renda -- que não recebem, de forma mais intensa, os holofotes da mídia --, mas também nas residências da classe média. Ou seja, as pessoas que têm acesso a uma boa educação, saúde, cultura, melhor qualidade de vida também fazem barbáries como a que ocorreu neste caso.

E a possível condenação dos Nardoni vai mostrar para o Brasil que quem faz atrocidades como essa -- não importa a classe social --  é punido e  vai para a cadeia.

Um dos grandes problemas do Brasil é a impunidade. Vejam o caso do Guilherme de Pádua e sua ciumenta namorada Paula Thomaz que deram 12 tesouradas no peito da atriz Daniela Perez. E os dois circulam livremente pelas ruas do Brasil, como se nada tivesse acontecido.

Se esse caso ocorresse nos EUA e em qualquer outro país do mundo socialmente desenvolvido o "circo" seria igual. É evidente que a mídia está atrás do dinheiro e da audiência, mas o julgamento não está sendo transmitido. Nem mesmo fotografias dos Nardoni, no julgamento ou fora dele, se consegue. Este blogueiro tentou pesquisar pela web e não conseguiu nenhuma foto recente do casal.

O circo faz parte da vida e os incomodados que peguem o controle remoto e mudem de canal. Por favor, deixem a sociedade brasileira refletir sobre um crime bárbaro que chocou a nação. E menos patrulha ideológica, please!
 

quinta-feira, 25 de março de 2010

Empresário É Preso Porque Disse: "Chávez dispara e joga chumbos nos venezuelanos"

 Este senhor está preso porque disse que Chávez dispara e joga chumbos aos venezuelanos

Realidade Bolivariana

O povo brasileiro quer saber - e o proprietário deste depósito também --  qual será a posição do governo Lula, da ministra Dilma sobre a prisão do dono da Globovision na Venezuela?


Guillermo Zuloaga foi detido porque responsabilizou o ilustre presidente da Venezuela de   "disparar e jogar chumbo aos venezuelanos".

Segundo a promotora Ortega Díaz, que cuida do caso,   o empresário pode ter incorrido em "vários delitos por ofensa ou vilipêndio" e por "divulgação de informação falsa".

Essa declaração contra o ilustre presidente foi considerada pela Assembléia do Povo como um grande 
  "desrespeito à maior autoridade venezuelana e um atentado contra o próprio Estado". 

Isso é muito grave, isso é grave demais. 

O empresário que ofendeu o  ilustre presidente  foi preso porque  estaria de malas prontas para viajar ao exterior. Querem aplicar uma prisão preventiva, de acordo com as leis bolivarianas....

Só falta o nosso  pop  presidente dizer:  há de se respeitar as leis da Venezuela.

Fonte: terra.com.br

Choro Sem Lágrimas



Os repórteres que estão assistindo o julgamento do caso Nardoni estão a dizer que o pai, Alexandre, em seu depoimento tem respondido a maioria das perguntas com o típico  "não me recordo".

Definitivamente, essa não é uma boa tática de defesa. Mas, talvez, ele não tenha muito a dizer, além disso.

Dizem que lágrimas escorreram do rosto dele e o promotor fez o seguinte comentário: "esse choro não tem lágrimas".

O Juiz pediu para que os jurados desconsiderassem o comentário, pois inoportuno.

Porto Alegre Iluminada


Detesto ser puxa-saco de político. Fui crítico do prefeito José Fogaça (PMDB-RS)  porque ele resolveu fazer uma demagogia: convocar a população de Porto Alegre para um plebiscito sobre o projeto Pontal do Estaleiro. Resultado, 1,8% da população da cidade disse não e o projeto não vai sair do papel. Enquanto isso, aquele local nobre continua abandonado.

Mas tenho notado uma mudança significativa nas ruas de Porto Alegre. Impossível não notar essa diferença. Porto Alegre está super bem iluminada, sobretudo nas artérias principais. Nunca Porto Alegre esteve tão bem iluminada como hoje. Existem exceções, evidentemente, como por exemplo, por incrível que pareça, na entrada da cidade, de quem vem da BR 116 ou da Free-Way, onde vândalos adoram roubar os cabos de eletricidade.

E essa mudança na iluminação pública tem motivação tecnológica. Trata-se da   troca das lâmpadas de vapor mercúrio pelas de vapor de sódio, nos 80,5 mil pontos de iluminação da cidade e que terá uma  despesa reduzida de 30%. .Esse projeto chamado "Porto Alegre + Luz" representa uma despesa total de R$ 33.499.446,00, conforme site da prefeitura..

E a Prefeitura parece que está trabalhando na direção certa. Muitos prédios estão sendo notificados para colocar o lixo na rua a partir das 17: 30 h para impedir que eles sejam abertos e derramados na calçada sujando a via pública, como ilustra bem o Iotti, na charge abaixo.

Parabéns ao Fogaça.




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Nem a Primeira e Nem a Última

Miniconto que fiz para publicação no Blog coletivo Minimo Ajuste.


Colocou o vestido preto, os óculos escuros e chegou cedo. Postou-se ao lado do caixão. Não conseguiu chorar nem se emocionar. Na hora da cerimônia ouviu quieta o que disse o padre que abençoou o cadáver. Acompanhou o cortejo até o túmulo. Recebeu de todos os votos de pêsames. Já exausta pegou o taxi e foi para casa. Tomou um longo banho e colocou o roupão. Era preciso arrumar, limpar, colocar no lixo: o prato de sopa, a colher e, sobretudo, o tempero discreto e forte que derruba até cavalo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Amor e Morte




Amor E Morte

Julio Reny
Composição: Julio Reny

Você me fala dessas coisas de amor e luar
Você não tem muita chance
Você que manda flores
E diz que o seu negócio é romance

Você tem olhos perfeitos
Garra bonita, coxas iguais
Você tem quase tudo
Para ser considerado um belo rapaz

Mas no seu beijo falta corte
Mas no seu beijo falta corte
Dispense a lua baby e me dê
E me dê amor e morte

Amor e morte
Amor e morte
Amor e morte

Você diz que o amor
Só pode rolar a toda velocidade
E que uma gata tem que andar muito ligada
Por esse pique de cidade

Você às vezes parece James Dean
E realmente a gente
Sente vontade de roçar
Nesse blue jeans
Mas no seu beijo falta corte
Mas no seu beijo falta corte
Venha com tudo baby
E me dê amor e morte
Amor e morte
Amor e morte
Amor e morte

Guerra de Firewalls


Primeiro o Google faz um acordo com o governo da China para entrar no mercado de bilhões de pessoas e aceita fazer o jogo sujo de filtrar, bloquear, direcionar, redirecionar   e censurar as informações que são contrárias  ao  governo do partido único.

Depois o Google denuncia que hackers tentavam violar senhas de ativistas  contra o regime.

E o resultado era o esperado, o Google esboça uma saída parcial do mercado da China. Estão fechados o site de busca e também o blogger, que é  o serviço de Blog, utilizado por este depósito.

Com a saída parcial do Google quem vai fazer o filtro, o  controle e  direcionamentos  de sites e informações vai ser o governo chinês.

Pois a Culpa é da Mídia

Charge do sempre sensacional Angeli

Hoje, no rádio, um advogado disse: é um absurdo o que a mídia está fazendo nesse caso. Julgando de antemão, não dando nenhuma possibilidade para o casal se defender. Um absurdo, ele gritava com voz postada, mas de forma enfática. Ora, caramba, a grande moda no Brasil de hoje é colocar a culpa na mídia. Se o tesoureiro do partido fez falcatrua a culpa é da mídia. Se o casal espancou a menina que sangrou no sofá e  pensaram que estava morta e atiraram do 6º andar, a culpa é da mídia. Claro que a mídia não é santa e adora fazer comoções nacionais, como a do julgamento que está em curso. Mas fatos são fatos e fatos não podem ser omitidos da opinião pública e nem mesmo -- como querem alguns -- sofrerem um prévio controle dos movimentos sociais.

Conversa com o Medalhão

De que lado está Aécio?

Conversei com um medalhão do PMDB gaúcho. A noite estava agradável e tomamos espumante gaúcho numa festa de aniversário em uma simpática cobertura deslumbrando a vista noturna de Porto Alegre. Falamos sobre as eleições aqui no Rio Grande do Sul e no Brasil. Ele me disse: a Yeda vai surpreender, o pessoal do interior gosta dela. Ela tem repassado recursos aos municípios sem atrasos, o que nunca ocorreu antes.  Muitos  prefeitos querem que ela se reeleja.

Perguntei, você acha possível um segundo turno entre Yeda e Fogaça? Ele respondeu. Acho que não. O PT tem sempre 1/3 dos votos no Rio Grande do Sul. Tarso vai ao segundo turno. E Tarso prefere Yeda. O Fogaça, ele me disse, não pode dizer que apoia Dilma. Se ele fizer isso, ele perde pontos junto ao seu eleitorado. Fogaça tem de se manter neutro.

Perguntei: e a eleição no Brasil?  Ele disse: vai ser decidida em Minas. No sul, sudeste e centro oeste, a exceção do Rio de Janeiro, vai dar Serra. No Riiio e no nordeste vai dar Dilma. Tudo vai ser decidido em Minas e o Aécio é peça essencial nesse tabuleiro.

Arrisquei: será que Aécio vai ser vice de Serra? Muito improvável, ele me disse.

A Humanidade Criou o Leviathan

Capa da Primeira Edição (1651)  do Leviathan de Thomas Hobbes.

Força constitucional


A eterna discussão  sobre o papel do Estado no processo de desenvolvimento não é uma questão de princípio ou de "filosofia". Trata-se de um problema empírico que só pode ser resolvido por cuidadoso estudo da história, auxiliado por modelos muito gerais.


O desenvolvimento é, essencialmente, um processo termodinâmico: a sociedade captura a energia dispersa em seu "habitat" e a dissipa no consumo e na produção de bens e serviços. Esse modelo é tão geral que "explica", de um lado, a organização social de pequenos bandos sob o comando de sobas no período neolítico, quando o homem caçava e recolhia alimentos e o mundo econômico era inteiramente "verde".


E, de outro, o comportamento dos imensos conglomerados nacionais que, em 250 anos, graças à organização dos Estados e ao uso da ciência, da tecnologia e da energia fóssil (carvão e depois petróleo), transformaram-no em quase "vermelho", ameaçando a sobrevivência da própria espécie humana.


A história escrita dos últimos 4.000 anos revela como a organização econômica das sociedades para atender a mais elementar de suas funções (suprir um nível de alimentação razoável) foi adquirindo imensa complexidade.


O homem só ganha "humanidade" quando -alimentado- pode exercer sua imaginação criativa.


Quando pode se apropriar, livremente, dos resultados de sua atividade natural: o trabalho. Ao longo do processo evolutivo, ele foi procurando uma organização que lhe propiciasse, simultaneamente, eficácia produtiva (para satisfazer seu estômago) e liberdade individual (para alimentar sua imaginação criadora). Essa organização é o que se chama "economia de mercado" ou, de uma forma difusa, de "capitalismo".


Ele não é uma coisa, mas um processo. Tem duas vantagens: não é eterno e não foi inventado. E um problema: precisa de um Estado constitucionalmente forte para garantir o funcionamento da instituição a que se dá o nome de "mercados".


A "humanidade" do homem não lhe sugere apenas a "liberdade individual" e a "eficácia" produtiva.


Ela lhe dá um sentimento difuso de moralidade: ele se sente mais confortável num ambiente de relativa igualdade. É isso que os "mercados" por si mesmos não podem garantir. Aqui, de novo, é o mesmo Estado forte, controlado por um freio constitucional seguro, que deve satisfazê-lo.


A "humanidade" do homem não é produto do Estado. Este é que é produto dela.

Artigo de Delfim Netto na Folha de hoje.

terça-feira, 23 de março de 2010

Do Blog do Carpinejar


Palestra com Pedro Juan Gutiérrez, 13/10/2009

Fronteiras do Pensamento, Salão de Atos da UFRGS


O Preconceito Que Ainda Existe no RS


To: carpinejar@terra.com.br

Sent: Tuesday, March 23, 2010 7:39 PM
Subject: Vergonha

Ficamos muito indignados com o que vimos hoje na TV. Estava um cidadão ao microfone, devidamente pilchado e para nossa surpresa, com as unhas da mão esquerda pintadas, feito uma mulher! Por favor Sr Carpinejar, tenha mais respeito com o nosso Rio Grande. Um estado diferenciado, um estado com tradições e façanhas como nenhum outro desta Nação. Tenha mais respeito com os filhos do RS. O que será que nossos antepassados estão comentando, a esta hora com esta tua atitude? Sempre respeitei muito tuas obras, porém a partir de agora?????

Eduardo
Porto Alegre RS

Comentei:
 
Assisti ao gaúcho do Fronteira, pilchado e de unhas pintadas, no ano de 2008 (e não de 2009)   debatendo com o Pedro Juan Gutiérrez no Fronteiras do Pensamento.
 
Aqui o Blog do  Carpinejar.

Esses Inacreditáveis Americanos


Charges criticando o Obama's Health Care. Esses americanos são muito doidos.

Definitivamente, não é fácil entender a lógica americana. Como é que um cidadão residente no pais mais rico do mundo não tem direito aquilo que é básico? Ao serviço de saúde universalizado? E o mais inacreditável, tem gente que é contra isso, porque entende que não deve haver qualquer tipo de intervenção estatal na vida das pessoas, dos particulares. Eu também sou contrário em algumas hipóteses, mas nunca nesse nível. O partido republicano americano votou em massa contra essa medida de universalização dos serviços de saúde, isso nunca aconteceu antes. Incrível, parte do povo americano sai às ruas para protestar, porque a medida aumenta os gastos públicos e a intervenção estatal. Eles acham que o presidente Obama está socializando os EUA. Besteira pura. Paranóia das grossas. Isso não tem nada de socialismo, isso é direito universal à dignidade humana e boa qualidade de vida. Parabéns ao Obama e aos Democratas.


Abaixo, artigo de David E. Sanger, no New York Times e publicado na Folha de hoje,  analisando a vitória de Obama e o custo dessa vitória. Recomendo. O pincel atômico amarelo é meu.

Uma grande vitória. Mas a que custo?

A aprovação da reforma da saúde garante, não importa qual seja o custo, que Barack Obama ganhará lugar na história como um dos poucos presidentes a encontrar uma maneira de reformular o sistema de bem-estar social dos EUA.
Pode ter sido um feito histórico ou um suicídio político para o seu partido -talvez ambas as coisas-, mas Obama obteve sucesso naquilo em que Bill Clinton fracassou: remodelar o sistema de saúde dos EUA.
O cerne da estratégia de Obama é a aposta em que os republicanos tenham forçado demais a barra ao tentar retratar a proposta como um avanço em direção ao socialismo. Agora, armados com um pacote legislativo que oferece benefícios a milhões de pessoas e promete garantir seguro de saúde a muita gente que o via como inacessível ou caro demais, a Casa Branca acredita que possa ter saído ganhando da disputa.
"Essa estratégia só funcionaria bem para o Partido Republicano caso não tivéssemos conseguido aprovar o pacote", disse David Axelrod, assessor de Obama. "Eles queriam combater uma caricatura do programa, e não o projeto real. Agora é problema deles dizer a uma criança com uma doença preexistente que acham que ela não merece cobertura de saúde."
Mas não resta dúvida de que, ao longo do debate, Obama perdeu algo. A promessa com a qual ele se elegeu em 2008 -a de uma Washington "pós-partidária", na qual a racionalidade e o discurso sensato substituiriam as disputas entre os partidos- se foi, e não há como trazê-la de volta.
Jamais, na história moderna, um pacote legislativo importante fora aprovado sem ao menos um voto republicano. O democrata Lyndon Johnson conquistou quase metade dos votos republicanos da Câmara para criar em 1965 o Medicare -programa de assistência médica aos idosos que muitos denunciaram em termos semelhantes aos empregados para combater a atual reforma.
"É preciso encarar o fato de que Obama fracassou em seu esforço de ser um presidente capaz de superar nossas tradicionais divisões", disse Peter Beinart, ensaísta de centro-esquerda. "O fato é que ele é o terceiro presidente polarizador que temos em seguida."
Obama pagou um preço alto por essa lição de governo. Quase foi derrotado no debate sobre a reforma da saúde e só conseguiu garantir uma vitória depois de adiar praticamente todas as suas demais prioridades e de defender a causa com um estilo passional que não exibia desde a campanha eleitoral. O argumento vitorioso, por fim, foi o de que embora o resultado político possa ser adverso para ele e outros democratas, reformar o sistema de saúde era uma pedra fundamental de seu credo quanto a uma "mudança na qual se pode acreditar"-seu slogan de campanha.
Os republicanos entraram na disputa convictos de que sabiam como ela se encerraria: com a queda da popularidade de Obama e uma perda maior que a normal para o partido do presidente nas eleições legislativas de meio de mandato.
O Partido Republicano, cada vez mais conservador, acredita que a reforma da saúde serve como prova de sua teoria de que o presidente quer criar um governo que interfira cada vez mais nas vidas dos cidadãos.
A aposta de Obama é a de que aquilo que funcionou para Franklin Roosevelt e Lyndon Johnson funcionará também para ele. Assim que os americanos descobrirem que os planos de saúde não podem mais rejeitá-los devido a doenças preexistentes ou que podem manter seus filhos como dependentes em seus planos por mais tempo, acredita Obama, eles passarão a apreciar mais e mais o efeito das mudanças sobre suas vidas cotidianas.
Anos passarão antes que possamos saber se as piores previsões dos republicanos ou a visão de Obama quanto a um sistema de saúde quase universal se tornarão realidade. Enquanto isso, Obama poderá alegar, com fundamentos e pela primeira vez em seu governo, que apostou tudo a fim de transformar suas convicções em lei.

O Incrível Caso da TV com GPS Doada pelo CQC para a Prefeitura de Barueri-SP



Parte 1



Parte 2



Parte 3



Parte 4

CQC Ontem Estava Imperdível


Deu ontem no Custe o Que Custar (CQC da Band). Vale a pena.
O pessoal do CQC resolveu doar para a prefeitura de Barueri para se colocar numa escola pública  uma tv de plasma, com gps dentro. Onde será que ela foi parar?
Recomendo.
E no final das constas, descoberta a picaretagem, o prefeito de Barueri (na 4ª Parte), Sr Rubens Furlan do PMDB -- que ingressou com ação judicial para impedir que o programa fosse ao ar -- coloca a culpa das falcatruas  nos babacas do CQC....
Imagem concreta do Brasil de nossos dias.


O repórter Danilo Gentili entrevista o agressivo e mal educado  prefeito Rubens Furlan (PMDB)

Concordo com o Lula - No Riiio Não se Pode Dar Sorte ao Azar

Ontem nosso pop presidente no fórum no Riiio. Sempre de fone de ouvido quando algum conferencista fala lingua estrangeira. E ele quer ser secretário da ONU.


Na abertura do 5º Fórum Urbano Mundial, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse:

De vez em quando, vocês leem que morreu alguém no Rio. Obviamente, não negamos que haja violência no Rio. Mas este Estado e esta cidade têm um povo extraordinário, possivelmente o mais alegre e cortês do Brasil. Agora, não se embrenhem por lugares que vocês não conhecem... Transitem como cidadãos normais, que nada vai acontecer a vocês",

Interessante, Lula falou exatamente aquilo que algumas pessoas não gostam de ouvir: ele fez referência aos  cidadãos normais ou cidadãos de bem. Ou seja a  maioria silenciosa, que vive pacatamente sua vida, sem causar alarde, que paga -- e muito -- imposto, que não pratica crimes nem contravenções e que é a grande vítima da violência.

E o Rio de Janeiro é sim uma cidade extraordinária,  bonita por natureza e com o povo mais alegre e cortês do Brasil, até porque foi a sede da nossa corte. E, realmente,  no Riiio não dá para facilitar e tomar caminhos desconhecidos. No Riiio não se pode dar sorte ao azar.

Para os Afortunados Declararem Seu Amor


Um "brinquedo sexual" cravejado com 117 diamantes 18 quilates é apresentado por um joalheiro em Paris. A jóia, que custa US$ 54 mil, foi projetada para "pessoas ricas que querem declarar o seu amor de uma forma especial", segundo o dono da obra, o francês Jean-François Tokars.

No Terra Galeria 24 horas.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Bigelow é Esperta. Não Tem Nada de Diabólica

Bigelow e o caneco.

Fiz o comentário abaixo no Blog Diário Gauche que comenta o filme "Guerra ao Terror" da linda e bela Kathryn Bigelow. DG disse que Bigelow é esperta e diabólica.

Comento:
O filme mostra uma grande verdade: os americanos não são os bandidos nessa guerra inglória. Os bandidos são os terroristas. Sim eles existem e são financiados por governos que o nosso pop presidente apoia ou defende. São os terroristas que armam as bombas para o heroi do filme desmontar. E as vítimas dessas bombas não são apenas os americanos, são também e, sobretudo, os iraquianos. Bigelow não tem nada de perigosa, ela apenas mostra a verdade crua, assim como fez José Padilha no Tropa de Elite que desmonta a babaquice foucaltiana de reprimirmos nossos fascismos diários. E enquanto nos reprimimos os bandidos jogam as bombas.

Menas, Lula, Menas....

Imprensa internacional diz que Lula quer o lugar de Ban Ki-moon


Não importa se o "vírus da paz está com ele  desde que  estava na barriga de sua mãe.", se o sujeito quer ser Secretário-Geral da ONU tem o dever  de conversar diretamente -- e não por intérpretes -- com os interlocutores. Condição "sine qua non" para ser secretário-geral da ONU é falar (e entender), ao menos, o inglês, essa língua universal. Nosso pop presidente mal fala o português.  Quando ele fala de improviso o erro gramatical ou de concordância aparece logo na primeira frase e segue. A impressão que dá é que ele faz de propósito.
E Lula teve todo o tempo e condições para aprender outras línguas. Nunca se interessou, nunca quis, porque teve preguiça (ou dificuldade?), porque achou que não era importante, porque considerou perda de tempo....

Vagner Love e Adriano e o Preconceito de Classe


Para refletir, artigo de José Geraldo Couto, publicado no Caderno Mais! da Folha de ontem,  sobre os escândalos envolvendo os jogadores do Flamengo, Vagner Love e Adriano (assisti ontem aquele gol racional  de cabeça aos 48 do segundo tempo, ele continua imperador). Segundo o colunista as críticas aos jogadores escancaram o preconceito de classe no Brasil. Será? Pode ser. Quem sabe?


Nostalgia da lama

Talvez não seja correto dizer que o esporte é um espelho da sociedade, mas a maneira como os fatos do esporte e seu entorno são lidos pela mídia certamente diz muito sobre ambas (a sociedade e a própria mídia).


O "mea culpa" do golfista Tiger Woods diante das câmeras expôs muito mais que suas infidelidades conjugais. Colocou a nu uma cultura manifestamente puritana que transforma em espetáculo midiático a repressão de suas pulsões.


Como se sabe, muitos norte-americanos, talvez a maioria, acham que gostar de sexo é uma espécie de doença.


No Brasil, a cobertura e a repercussão crítica dos recentes escândalos envolvendo os astros do futebol Adriano e Vagner Love revelam, entre outras coisas, um indisfarçável preconceito de classe.


O que mais escandaliza a chamada crônica esportiva, com honrosas exceções, parece ser o ambiente em que os personagens foram "flagrados". A própria recorrência desse verbo é significativa, como se estar num baile funk ou simplesmente na favela fosse por si só uma atitude ilícita ou, no mínimo, suspeita.


Na Chatuba e na Barra


O vínculo entre os termos favela e crime, martelado durante décadas pelos meios de comunicação, parece ter-se tornado indissolúvel.


Condena-se Adriano não tanto por trocar socos com a namorada, mas por fazê-lo no morro da Chatuba, e não numa cobertura na Barra da Tijuca ou num palacete em Milão.


O viés de classe nunca ficou tão evidente, aliás, como quando o jogador, um ano atrás, deixou de se reapresentar a seu clube, a Internazionale de Milão, e se refugiou durante três dias no bairro onde se criou, no Rio de Janeiro. A perplexidade foi geral, na imprensa e no mundo futebolístico.


A pergunta que se repetia era: como um sujeito abre mão de milhões de euros, do destaque num clube de ponta, de uma cidade sofisticada, para voltar à favela? O corolário, explícito ou subjacente, era mais ou menos o seguinte: "Quem nasceu na maloca nunca vai deixar de ser maloqueiro".


Uma espécie de "nostalgia da lama" arrastaria Adriano para baixo -ainda que, topograficamente, para cima.


O que escandaliza, no fundo, é a recusa em aderir aos valores, condutas e discursos tornados praticamente compulsórios para quem "vence" na nossa sociedade.


Não se perdoa Vagner Love por optar por um baile funk na Rocinha em vez de uma boate na zona sul do Rio. No primeiro, estão os "bandidos"; na segunda, a gente de bem.


Pouco importa que o tráfico que mata tanta gente no morro se alimente do consumo recreativo de muitos habitués das casas noturnas chiques.


Num país de "malandros com contrato, com gravata e capital", não escandaliza ninguém que Kaká saia publicamente em defesa dos líderes de sua argentária igreja, investigados em dois países por estelionato e lavagem de dinheiro.


Kaká, diz a crônica em uníssono, é um rapaz de boa cabeça, de boa família, de boa "estrutura". Mas Vagner Love aparecer num baile na Rocinha ladeado por traficantes armados (algo que talvez ocorresse com qualquer celebridade que visitasse o local) é intolerável.


Motel e travestis


Para reforçar a constatação de que, entre nós, o viés de classe é ainda mais forte do que o viés moralista, um caso exemplar é o de Ronaldo, "flagrado" (olha o verbo de novo) com três travestis num motel do Rio.


O que mais se ouviu, nos bastidores da imprensa, foi: "Como é que um sujeito com a grana que ele tem vai se meter com travecos de rua? Era só pegar o telefone e encomendar a perversão que quisesse, no sigilo do seu apartamento ou de um hotel de luxo".


Ou seja, dependendo do montante gasto, do cenário e dos figurinos, tudo é bonito e aceitável.

Aprovado o SUS Americano

Acompanhada de congressistas, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi (centro), carrega o martelo que o democrata John Dingell usou em 1965 para aprovar a legislação sobre o seguro médico, momentos antes do início da sessão que votará a reforma do sistema de saúde americano, em Washington. O projeto é considerado o principal projeto de política doméstica do governo Barack Obama.


A presidente da Câmara, Nancy Pelosi ri durante entrevista coletiva após a Câmara ter aprovado a reforma da saúde de Barack Obama em Washington no final da noite deste domingo. A Câmara dos EUA aprovou a versão do Senado do projeto de lei sem um único voto republicano.
 
 
No início da madrugada desta segunda-feira, o presidente Barack Obama fez uma declaração à nação na Sala Leste da Casa Branca. Obama e os líderes democratas fizeram um acordo que garante que verbas federais não poderão ser usadas para abortos, conseguindo assim o apoio crucial de um punhado de parlamentares.  "Nós provamos que este governo, um governo do povo e para o povo, ainda é capaz de trabalhar pelo povo", disse Obama em um breve pronunciamento após a votação.

Com todo respeito aos meus amigos liberais, mas vou saudar essa grande conquista do governo Obama de criar o que todos os países do mundo deveriam criar: a universalização do serviço público de saúde. Era uma vergonha um país da potência dos EUA, com a economia dos EUA, com a riqueza dos EUA não terem o que o Brasil já tem: a universalização dos serviços públicos de saúde.



 
A votação foi apertada, eram necessários 216 votos e Obama conseguiu 219 votos, nenhum republicano votou a favor. 
 
Na Terra BBC Brasil:
 
A reforma deverá ampliar em 32 milhões o número de americanos com cobertura de saúde. O projeto agora aguarda sanção presidencial. Os republicanos são contra o projeto e afirmam, entre outras críticas, que a reforma vai custar muito e vai aumentar o tamanho do Estado e dar ao governo um controle excessivo sobre o sistema de saúde. projeto também encontrou vários opositores dentro do Partido Democrata.
Uma estimativa divulgada na semana passada pela Comissão de Orçamento do Senado afirma que a reforma da saúde vai custar US$ 940 bilhões (cerca de R$ 1,69 trilhão) em dez anos, mas deverá reduzir o déficit do país em US$ 138 bilhões (cerca de R$ 247 bilhões) no período.
Além de ampliar o número de americanos cobertos, a reforma da saúde pretende tornar a assistência médica mais barata e impor regras mais rígidas às seguradoras.

sábado, 20 de março de 2010

Guerra Particular



Guerra Civil


É contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço
Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino.

Miguel Torga (1907-1995), poeta português.