Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de abril de 2011

"A Única Maneira de Libertar-se de uma Tentação É Entregar-se a Ela"


Oscar Wilde e suas histórias fantásticas. Essa é a mais famosa delas. Impressionante como a computação gráfica faz maravilhas. A Londres no final do século XIX está incrivelmente real neste filme.  Uma boa diversão.

A única maneira de libertar-se de uma tentação é entregar-se a ela. Resista, e sua alma adoecerá de desejo das coisas que ela a si mesma se proibiu, com o desejo daquilo que suas leis monstruosas tornaram monstruoso e ilícito.


Direção: Oliver Parker

Elenco: Colin Firth, Ben Barnes, Rachel Hurd-Wood, Rebecca Hall, Emilia Fox, Ben Chaplin, Caroline Goodall.

Produção: Barnaby Thompson
Nacionalidade/Ano: Reino Unido/2009
Duração: 112 min



sexta-feira, 18 de março de 2011

Valsa Com Bashir



Em 1982, o Libano (um país eternamente dividido)  estava em guerra civil, entre cristãos (falangistas) e muçulmanos. Israel invadiu território libanês apoiando a milícia falangista.  Naquele mesmo ano foi eleito presidente Bashir Gemayel, lider falangista, apoiado por Israel, que foi morto em 14 de setembro de 1982, aos 35 anos, em atentado.

A retaliação falangista veio a seguir com o massacre de Sabra e Chatila, no sul de Beirute, que foi, na verdade, um genocídio, vitimando 3.500 refugiados palestinos e libaneses de origem muçulmana.

Esse é o contexto desse filme (documentário)  de animação muito interessante: Valsa com Bashir, produção israelense, indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro, que conta a história real do próprio diretor, Ari Folman, soldado israelense na guera do Libano de 1982, diante do massacre de Sabra e Chatila.

É certo que as tropas israelense não participaram do massacre, mas foram muito omissas no episódio, pois deixaram os falangistas invadir os assentamentos e cometer o genocídio.

Um belo filme triste que recomendo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A "Origem" e o Mundo Real dos Sonhos


Assisti "A Origem" (Inception) esta semana no DVD. E ontem, com certa surpresa, fique sabendo que o filme é um dos indicados ao Oscar dos melhores de 2011. A "comissão" fez justiça, "A Origem" é uma história bem interessante e, por incrível que pareça, lógica, apesar do filme ser uma ficção científica. Diariamente nos deparamos com o "mundo dos sonhos" e quando nos acordamos não esquecemos de tudo que sonhamos. Os "fragmentos dos sonhos" preenchem nosso inconsciente e muitas vezes tomamos decisões na vida com base naquilo que sonhamos. O sonho pode se tornar realidade. Esse paradoxo entre o real e o virtual é o tema do "A Origem". E se, por acaso, sonhamos dentro de um sonho? E se fosse possível ingressar nos sonhos dos outros, como se fosse um ladrão de sonhos que bisbilhota, tira e ou insere idéias e valores na mente de um vivente? E no mundo das grandes corporações, onde a picaretagem parece dominar, uma idéia desse tipo é muito mais do que fascinante. Quem consegue controlar os sonhos está mais perto do poder.


A história relembra a cultuada trilogia Matrix - a disputa que envolve dois mundos paralelos:  o real e o virtual. Não, a história não é tão inverossímel: o mundo real também é um mundo virtual. E chegamos a nos perder e muitas vezes confundimos o real e o imaginário, o sonho e a realidade. Os desejos que ambicionamos geralmente estão inseridos no mundo dos sonhos e podemos aceitar o desafio de tornar esse sonho uma realidade. Essa é a busca de Don Cobb (interpretado por Leo Di Caprio), um ladrão de sonhos que envolveu sua família nesse trabalho fascinante, sua mulher se perdeu no labirinto dos sonhos e nunca mais voltou e seus filhinhos queridos o esperam nos Estados Unidos, onde ele está proibido de entrar.

O trama segue quente até o final onde o desfecho é inevitável. Um dia, enfim, teremos de acordar.

i escrito, dirigido e produzido pelo britânico Christopher Nolan, o longa estrela Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, Cillian Murphy, Dileep Rao, Tom Berenger (que está velho) e Michael Caine.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Baaría - O Último Épico de Tornatore

A saga da  família de Peppino Terranuova  é contada por Tornatore em Baarìa
Giuseppe Tornatore nasceu em Bagheria (Baarìa em Siciliano)  na Sicília e seu último filme conta a evolução, o progresso e a modernização (!)  de sua  cidade, a saga de uma família, o encanto das pessoas do sul da Itália. O fascismo, a máfia, os comunistas que -- dizem -- comem criancinhas. E as criancinhas, inclusive Tornatore (que inicia e termina o filme)  que correm pela rua empoeirada de todos os tempos, marcando seu espaço, suas conquistas e suas imagens. As cenas hilárias, o moribundo, a caminho da morte,  que pede para escreverem -- porque ele pode esquecer -- os recados aos que já morreram. O homem que entra na farmácia a procura de um remédio para acabar com sua vida. O farmacêutico que prepara numa taça -- com toda a calma e serenidade-- o líquido negro que o homem bebe até a última gota. O cambista que compra dólar no meio do comício dos comunistas. "Estamos todos bem", "Cinema paradiso", Sempre aos domingos"  Baarìa é uma mistura boa de todos esses filmes, fotografia maravilhosa, música cativante, elenco de primeira linha.  Vida longa ao siciliano Giuseppe Tornatore. Recomendo.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Single Man


Dizem que o CQC ontem foi ótimo. Pois, infelizmente não assisti. A senhora Maia queria ver um filme e, como bom marido, a acompanhei.

Em 1986, quando morei em Berlim li um monte de livros sobre a cidade. Um deles foi do escritor britânico Cristopher Isherwood :"Adeus a Berlim" sobre a república de Weimar e a onda de violência contra as minorias (Judeus, comunistas, homossexuais) que tomou conta da capital alemã com a ascenção do nazismo.  Esse livro inspirou o filme "Cabaret" com a Lisa Minelli.

E o filme que assisti ontem é um roteiro adaptado de uma novela de Cristopher Isherwood: A single man, traduzido no Brasil como "O Direito de Amar". Francamente.

É um belo e sensível filme com direção de arte magnífica, bons diálogos, bons atores (o britânico Collin Firth foi indicado a melhor ator este ano por esse filme, no papel de George), excelente trilha sonora   e uma tristeza só.

Apesar de triste, recomendo.



segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"As Novas Diretrizes Para os Tempos de Paz"


Ao funcionário da imigração do porto, Clausewitz falou com forte sotaque polonês:  Sou agricultor, estou aqui porque o Brasilll precisa de maos para a lavoura! O Brasilll precisa de  maos para a lavoura!
E por esboçar o  português, inclusive declamando Drummond, esse ser incomum se encrencou. Os funcionários, que se entreolhavam, não tinham dúvidas: ele parecia subversivo.
E as novas diretrizes para os tempos de paz ainda não chegaram, as regras disponíveis são para  os tempos de guerra.  E a guerra recém acabou e os navios traziam imigrantes para colonizar o Brasil.
Cabia, portanto, ao chefe do setor interpretar e decidir caso a caso.
Clausewitz foi levado para o sótão - ou para o porão.
Estranho, suas mãos são suaves, como as de uma criança. Ele nunca pegou numa enxada.
Porque, ao final de tudo, Clausewitz, era um ator e que grande ator.

Belo e sensível filme Tempos de Paz, direção de Daniel Filho (ele também faz parte do elenco) e com as excelentes participações de Tony Ramos e Dan Stulbach.

Abaixo Monólogo de Segismundo de Pedro Calderón de La Barca (1.600-1681) declamado por Dan Stulbach nesse filme curto que recomendo.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Não Deixem de Ver "Hell"


Ela é jovem, 19 anos, é rica. Não é linda, mas bonitinha. Mas ela está insatisfeita. E por isso ela sai pela noite de Paris. Transa com qualquer um, cheira cocaína e os pais -- omissos -- não desconfiam de nada. Até que um dia ela encontra a sua "cara metade". Ele também é jovem e rico - mais rico do que ela. E os dois desafiam a hipócrita alta sociedade parisiense, mas começam a competir entre eles.

A história é real, baseada no livro - Hell Paris 75016 --  de Lolita Pille, o roteiro é muito bom e o filme de Bruno Chiche é ótimo. Quase imperdível e, pois, recomendo. Disponível em DVD.

Sara Forestier que faz a menina Hell é muito boa atriz.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

"Congelando" Nixon


Fiquei impressionado com o filme Frost/Nixon.
Bem melhor do que imaginava.
Primeiro, porque o filme inicia com a renúncia de Nixon e aborda sua vida após os anos de glória no poder.
Segundo, porque não conhecia David Frost que arrumou  500 mil dólares para entrevistar o ex presidente.
As grandes redes americanas não se interessaram pelo assunto.
E foram 8 horas de entrevistas em 4 dias de duas horas.
Um contrato regulou o assunto.
Apenas 25% do tempo Nixon iria falar sobre o caso Watergate.
E a entrevista se transformou numa luta de estratégia.
Quem vai ganhar, quem vai sofrer o "knock down", o entrevistado ou o entrevistador?
E, no final das contas, a entrevista foi bombástica.
Alguém ganhou e alguém perdeu.

Tanto Nixon como Frost estão muito bem interpretados.
Frank Nangella e Michael Sheen estão ótimos.
O filme tem a direção de Ron Howard.
Recomendo.

Abaixo cenas da entrevista real que ocorreu em 1977.



Trailer do filme:

sábado, 8 de maio de 2010

Tadinho do Boris

What's up, Boris?


Será que Tudo Pode Dar Certo Ou É Assim Que "As Coisas" Funcionam?


Ele é chato, ele é "um porre", mas ele é inteligente e diz certas verdades, ele sempre está contra tudo, ele sempre "sabe das coisas", porque ele tem QI 200.

Boris Yellnikoff é criatura de Woody Allen e personagem central do "Tudo pode dar certo (whatever works)" que marca a volta de Allen a Nova York. Boris (Larry David da série Seinfeld) que poderia muito bem ser interpretado por Allen, como o criador, é cheio de manias. Ele sempre está sendo perseguido, ele tem síndrome do pânico, ele consegue até perceber que está sendo filmado. Boris não espera e nem recomenda que as pessoas ao seu redor - e que ele amarga e criticamente convive - modifiquem suas vidinhas burras e básicas. Surpreendentemente, as pessoas, certas pessoas, mudam e isso pode dar certo. E a senhora de meia idade, casada e religiosa, abandonada pelo marido deixa sua vida caipira no Mississipi para viver um ménage à trois e ser artista em Nova York. E seu arrependido marido quer voltar e recebe um sólido não. Aborrecido, triste e abandonado ele toma um porre e conhece sua verdadeira paixão: ele assume que é gay.
Será que assim as pessoas serão mais felizes? Juro por Deus que não sei.

Moral da história: Woody Allen é um dos grandes gênios da nossa época.
Clique abaixo para ler o artigo de José Pedro Goulart, publicado na ZH de 05 de maio sobre o filme.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Afghan Star


Tenho vontade de conhecer o Afeganistão. Gostaria de tirar férias em Kabul, conhecer as montanhas de Kandahar e assistir ao show do  Afghan Star.

A HBO tem mostrado um documentário muito legal sobre o  Afghan Star. Nos tempos de Taleban era proibido cantar, dançar e fazer qualquer coisa legal. Só se podia  fazer aquilo que os radicais intérpretes de Maomé permitiam.

E por isso o Afeganistão -- que viveu uma idade de ouro cultural na década de 80, na época do xá -- é um país que passou, infelizmente, por  período de  grande lacuna cultural. Nesse período de trevas  não se formaram cantores, atores, astros de tv, etc.
E quando (é bom que se diga) os EUA libertaram os afegãos do regime tirano dos Talebans houve um refluxo cultural enorme. E o programa mais popular que apareceu com essa nova onda foi Afghan Star.

Foi o primeiro programa comercial exibido na televisão afegã (a Tolo TV) e no qual participaram milhares de telespectadores, mulheres incluídas, num processo de votação que foi, para muitos afegãos, o primeiro contacto com um processo democrático e com a cultura pop, segundo o site português RTP.

Outros dizem que é Afghan Star é  a versão afegã do American Idol.

E assim começa o filme que mostra a vida de quatro  afegãos que concorrem ao prêmio de US$ 5.000,00 de melhor cantor. A votação é feita pelo telefone celular, SMS.

Uma dessas candidatas não foi escolhida pelo público,  porque teve a ousadia de fazer na televisão o que não se pode fazer: dançar e mostrar os cabelos.

Recomendo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Tulpan ou Nem Todo Filme Off Hollywood É Bom


Sábado de tarde. Nada para fazer. Entrei no shopping e fui ao cinema. O único filme disponível é Tulpan do Cazaquistão, direção de Sergei Dvortsevoy. Como gosto de filmes off Hollywood fui correndo ver. Moral da história, nem todo filme off Holywood é bom.

Sim, é interessante assistir cenas de um país desconhecido do outro lado do mundo, a vida dura nas estepes do Cazaquistão. O dia a dia dos pastores que devem casar para ter seu rebanho. O diabo é que ASA, o personagem principal, tem orelhas grandes e Tulpan -- a menina mulher que não aparece no filme -- não gostou das orelhas grandes de ASA.

E  ASA estava folheando as revistas do mundo ocidental e percebeu que o príncipe Charles tem orelhas grandes. Ora, se um príncipe pode ter orelhas grandes, porque ASA não pode ter?

Juro, certas horas o  filme cansa, dá nausea, é muita poeira, é muito rebanho de ovelha, é muita ovelinha morta, tem uma cena de 5 minutos que mostra o nascimento de uma ovelha no meio daquela poeira. É muito movimento de câmera de um lado para o outro e, ao mesmo tempo, é muito tempo de câmera parada.

O ponto alto do filme talvez seja o som. O som da poeira, o som do vento, o som da menina que canta as  canções do Cazaquistão, o som dos rebanhos, o mugido das ovelhas, dos carneiros, dos camelos, dos burrinhos, do som do grupo Boney M. cantando "Rivers os Babylon".

sexta-feira, 26 de março de 2010

Território Restrito

Meu Deus, como o Harrison Ford está velho. Ele que  era um gurizão na época do Star Wars. Os ídolos também envelhecem. Território Restrito (Crossing Over, 2009, EUA, Direção Wayne Kramer) tem o mesmo tipo de narrativa de Babel e Crash, que são ótimos filmes. Diversas histórias paralelas que acabam se unindo no fim. O pano de fundo é o muro que fica na fronteira entre EUA e México, onde os imigrantes fazem de tudo para passar ao lado americano. Mas os imigrantes não são apenas os latinos, como a já famosa Alice Braga, mas de diversas nacionalidades, israelense, australiana, muçulmanos, iranianos, chineses etc.

O ponto alto do filme é a história de uma menina muçulmana de 15 anos que faz apologias e certos elogios aos terroristas de 11/09. Bingo, não poderia ser diferente, naquela noite a imigração bate a porta da família muçulmana e o quarto e computador da menina são revistados. Começa o drama.

Não, o filme não é antiamericano. Ele apenas mostra o que é. A paranóia, a vontade de viver nos EUA, the land of opportunity, o sonho de se conseguir um green card. Meu Deus, como Harrison Ford está velho como Max Brogan, agente de imigração e fiscalização Aduaneira que trabalha na fronteira com a cidade de Tijuana....

Por falar em Tijuana  uma música com Manu Chao - Bienvenida Tijuana:

segunda-feira, 15 de março de 2010

Operação Valquiria


Gostei muito do filme Operação Valquíria que assisti ontem. Não há como negar, Tom Cruise, além de ser um bom ator, escolhe bem os filmes que participa. Este filme se não é um épico é quase isso. E a história real é muito interessante e diz respeito ao movimento de resistência alemã na época de Hitler, que teria sofrido 15 atentados. O mais explosivo foi em 20 de julho de 1944, com a participação do coronel Claus Schenk Graf von Stauffenberg. Diversos oficiais estavam envolvidos. Hitler saiu levemente ferido da explosão de uma bomba em seu quartel general.  E se seguiram os julgamentos sumários que  ocorreram com a execução -- leio na wikipédia que foram 4.000 -- de  membros e simpatizantes da resistência, entre eles o Coronel Claus.

O coronel Claus Stauffenberg até conseguiu, por algumas horas, ter o controle do golpe que fez contra Hitler. Teoricamente, Berlim ficou algumas horas nas mãos dos golpistas, mas esses não tinham força para ir além. Hitler tinha sim apoio popular, mesmo em 1944. A resistência não sobreviveu a notícia de que Hitler não morreu no atentado, como se presumia. Uma pena, porque se a resistência tivesse assumido o poder, a história da europa, nos últimos 60 anos, talvez tivesse sido outra e muitas mortes poderiam ter sido evitadas. O coronel Claus defendia um diálogo com os aliados para terminar com a guerra. A guerra terminou 9 meses após a execução do Coronel Claus.

Coronel Claus Von Stauffenberg

domingo, 7 de março de 2010

O Segredo de Seus Olhos



Juan José Campanella fez um filme perfeito: O segredo de seus olhos, el secreto de sus ojos,  tem comédia, drama e suspense. Eu diria que esse filme é imperdível, não porque vai concorrer hoje a noite ao Oscar de melhor filme estrangeiro. É que essa producção argentina mostra exatamente o que eu estava procurando:  a fundamental sensibilidade que geralmente se encontra nos filmes off hollywood.

Qual o tamanho da vingança, diante de um estado ineficiente, corrupto e burocrático? Quando a repartição pública é um caos, quando nada funciona, o serviço público é uma porcaria, o que sobra para o pobre cidadão? E quando o crime acontece e a pessoa amada passa a não existir mais, o que o pobre cidadão pode esperar das forças públicas?  E mesmo que você tenha algum tipo de poder, seja parte da própria administração do Estado que se depara por uma força maior, que vem lá de cima, do núcleo do poder. O que fazer quando se depara com a injustiça, quando o Estado não colabora, quando o Estado é cumplice do crime?  A Argentina de Isabelita Perón.

Como todo filme notável, esse tinha de ter uma cena épica. Tem ou não tem cortes a tomada noturna feita  no estádio do Racing de Avellaneda, subúrbio de Buenos Aires?

E quando tudo se encaminha para terminar, chega a reviravolta. Simplesmente, nota 10.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Guerra ao Terror da Paranóia

Jeremy Renner, Sargento James a caminho para desarmar mais uma bomba.


Os Iraquianos Estão Matando os Iraquianos

Gosto de filme de guerra real e por isso assisti ontem The Hurt Locker - Guerra ao Terror ( essas traduções brasileiras são de lascar) dirigida pela ex esposa do avatar Cameron, Kathryn Bigelow, uma gatíssima de 57 anos. O filme, sobre a guerra do Iraque dos nossos dias,  é muito bom. Talvez o melhor e mais real filme sobre a complicadérrima ocupação americana no Iraque.  É a história de um desarmador de bombas. A grande arma que os imbecis dos terroristas (sim eles são terroristas imbecis) é a bomba. Bomba dentro de carro, bomba carregada por pessoas vivas, bomba escondida no corpo de pessoas mortas, bomba escondida no meio do lixo. E o sargento tem de colocar uma roupa de proteção, capacetes, luvas e pegar umas ferramentas, caminhar até o local e  desarmar a bomba que pode explodir a qualquer momento. Tem que ter sangue frio. Não é tarefa para qualquer um. E o filme, por isso, tem momentos de tensão. O vivente acaba torcendo para o mocinho americano. Não tem outra alternativa, porque eles representam sim a força do bem nessa guerra imbecil.

Essa guerra é também uma guerra de falta de comunicação, de desentendimento. A linguagem dos soldados americanos, o que eles entendem, sua experiência de vida é completamente diferente do povo iraquiano, esses tadinhos, por sua vez, são reféns dos imbecis terroristas do jihad islâmico -- esses os verdadeiros malvados. E por isso a guerra ao terror. E no meio disso tudo a incrível paranóia. Basta um iraquiano discar um celular que os soldados americanos entram em curto circuito, porque ele pode estar ativando uma bomba mortal.   A paciência dos soldados americanos no Iraque se esgotou faz muito tempo e dos iraquianos com os americanos também, a cena onde diversos meninos apedrejam um tanque americano é simbólica. Todos estão fartos de todos. E a suja e mal cuidada Bagdá convive com toda essa tragédia.

Tadinho do Obama, está numa cilada sem tamanho. Essa é uma guerra que não tem alternativa.  Se os americanos se retirarem do Iraque o terror toma conta. Os americanos, as forças da ONU  são - hoje - o necessário "poder de polícia", mas uma polícia completamente paranóica e não tinha como ser diferente. Recomendo este filme.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Avatar e a Lógica do Inverso


A história de amor - e decepção - do  avatar com  uma na´vi


Os Malvados Somos Nós

Nem todo ser humano é mau. Parker é um homem bom, talvez pela  condição de  tetraplégico, a trágica  experiência de vida que gera a  necessária sensibilidade. Antes de tudo acontecer ele ainda mantém os traços da nossa herança maldita: não se importa com os danos ao meio ambiente, faz da vida um egoísmo,  utiliza a ganancia como forma de conduta e, por isso na sociedade dos humanos, o  que efetivamente importa é o balanço final que agrada o acionista da grande corporação. Na distante  Pandora,  uma das luas de Polifemo, é possível encontrar, no subterrâneo,  um metal precioso e muito valioso, um tipo de diamante negro energético. Pandora não é caixa, mas  uma lua floresta,  repleta de exuberantes cachoeiras, montanhas flutuantes, incríveis  vegetais coloridos, animais voadores ou não que são fascinantes. Em Pandora existe vida racional, eles se chamam na'vi, o povo da floresta, os  índios alienígenas, o "bon sauvage". Os na'vi  são bons,  porque extremamente  sensíveis,  suas sinopses estão interligadas com a fauna e a flora. Pandora é uma grande rede, uma internet de sensibilidade e por isso a derrubada de uma árvore ou a morte de um cão gosmento é motivo de grande tragédia. O conectado povo da floresta alienígena vive com respeito, eles choram e fazem a gente chorar, porque são solidários e queridos. Até que a horda de mercenários terráqueos -- e seus helicópteros sujos, barulhentos e danados --  desembarca no "planeta estrangeiro" em busca da pedra valiosa. O homem precisa dominar Pandora, assim como os europeus conquistaram a América, a busca do ouro no El Dorado.  Para o ser humano não existe bola perdida, todo o desafio deve ser superado, custe o que custar e que se dane os danos,  é  preciso usar a inteligência humana para criar uma estratégia de dominação. Por isso cientistas criam  o avatar, uma mutação genética, um transgênico. O cérebro é humano e o corpo é alienígena. Quem disse que o avatar dorme? De noite ele é humano - de dia ele é na'vi. Parker, por acaso,  se torna um avatar e o curto circuíto é inevitável . Quanto mais o avatar convive com os na´vi mais ele se torna sensível e apaixonado, algo que parece inadmissível para a natureza humana, porque somos, na verdade, desumanos. Enfim, ocorre o óbvio, o avatar, criado pelo homem,   inventa e reproduz  a revolta. A rebelião ocorre.  E  a guerra -- e seus efeitos especiais --  é declarada. Quem ganha, quem perde? Só se sabe que muitos morrem e parte da floresta é destruída. E o futuro está próximo. E ele não será o que foi antigamente.Algo parece nos atormentar: os malvados somos nós.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sobre a Austrália



O Filme é "Assim Assim", Mas Vale a Pena Conhecer a Austrália

Pois ontem -- após minha inglória torcida para o Galo contra o Inter -- acabei assistindo ao filme Austrália no Telecine. Falaram tão mal desse filme que ele até me surpreendeu. É uma mega super hiper produção, vamos dizer assim, um épico com direito a romance piegas: Nicole Kidman e Hugh Wolverine Jackman, ambos australianos. Perdão, Nicole nasceu nos EUA, mas seus pais são australianos. O que eu gostei do filme? Ora bolas, conheci melhor a história da Austrália, um bando de trogloditas, bêbados, racistas e degredados britânicos que se mudam para o outback e formaram uma grande nação. Tadinhos dos aborígenes que hoje representam apenas 1% da população. A Austrália, na década de 30, era um farwest (ou um fareast) e hoje está na ponta dos países mais desenvolvidos do planeta. É um país mais jovem que o Brasil e que conseguiu resolver seus desafios. Claro, eles têm muito menos habitantes que o Brasil, são 21 milhões de australianos, e nós somos 191 milhões em ação. A semelhança é que Brasil e Austrália são países jovens e com imensa área geográfica. A diferença é que o Brasil tem um déficit social imenso. Não é mole dar a 191 milhões de pessoas educação, segurança, saúde e qualidade de vida. Dar isso a um país de 21 milhões de habitantes é mamão com açucar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Dilema Moral dos Falsários


Salomon e Burger a luta moral exposta.


Pois, finalmente assisti "Os Falsários" (recomendação do Senna Madureira), belo e inteligente filme alemão. A história é real. Você sabia que os nazistas falsificaram libras e dólares para implodir com o sistema financeiro inglês e americano? Trata-se da operação Bernhardt, a maior falsificação de dinheiro da história. E o personagem central é um judeu, Salomon ou Sally Sorowitsch, bem interpretado por Karl Markovics que comanda um grupo de judeus, prisioneiros de campo de concentração, que erguem suas mangas -- que escondem as marcas da violência nazista - para trabalhar em favor do III Reich e fazer essa imensa operação fraudulenta. E ninguém suspeita da qualidade das notas falsas.
Há um dilema moral interessante. Os judeus que falsificavam as notas de libra e dólar faziam esse trabalho para a sua própria sobrevivência e com direito à regalias: cama com colchão e cobertas, comida razoável, roupas limpas etc. E um dos membros do grupo, Adolf Burger, resolve sabotar a falsificação. Ele pensa no coletivo, nos interesses da comunidade judaica, pois não interessava aos judeus, que sofriam e morriam com a guerra, essa operação que podia implodir os sistemas financeiros dos países aliados. Evidentemente que essa sabotagem de Burger colocava em risco -- e muito risco -- a vida de todo o grupo de falsários. Começam as intrigas. Quem está com a razão: Salomon ou Burger? Esse é o grande ponto de interrogação do filme e que gera pilhas de reflexões. Há de se pensar na sobrevivência do próprio umbigo ou no universo, no contexto maior que está por trás dos valores individuais de cada um? Como a luta é pela sobrevivência diária, Burger e os interesses do coletivo restam vencidos pelos companheiros de falsificação. Ponto para o individualismo.
Nota interessante é que foi Adolf Burger -- aquele que tentou sabotar a falsificação -- que escreveu o livro da história real dessa grande falsificação e foi adaptado pelo roteiro e direção do Stefan Ruzowitzky. A fotografia é dez, meio noir, meio branco e preto, meio cinza. Recomendo.



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Quando o Michael Moore tem Razão



Os filmes de Michael Moore deve ser vistos com alguma reserva. Deixando o preconceito de lado, temos de admitir: o cara é bom documentarista. O cabra sabe fazer documentário. Tem perspicácia, humor e adora construir situações bizarras. Claro, ele manipula, inventa, exagera e por isso o cuidado.

O presidente Obama está tentando fazer o que Bill Clintou não conseguiu: tornar a saúde pública universal. Como pode o povo de um país como os EUA não ter o sagrado a um direito básico da cidadania que é a universalização da saúde? Uma situação completamente desproporcional e absurda.

Por isso -- para entender sobre o tema -- vale a pena assistir ao filme Sicko, S.O.S. Saúde de Michael Moore.

Quando custa um tratamento para um câncer? Quando custa um tratamento para doença cardíaca?

Muitos americanos estão indo à bancarrota ou para a morte porque não têm dinheiro para custear certos tratamentos.

O Estado americano lava as mãos e deixa o mercado se auto regular e não dá condições aos cidadãos de terem acesso a uma saúde pública e universal, como ocorre nos países europeus. E o pior, quem defende esse tipo de idéia -- pitoresca -- é taxado de socialista ou comunista.

A proposta de universalização do serviço público de saúde não tem nada a ver com ideologia. É do interesse de todos. Mas nos EUA o que vale é o "cada um por si, porque pagamos os impostos". Cabe ao Obama modificar essa perversa lógica. Eu acredito.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Afirma Pereira




Existem filmes que são poesias. É o caso de "Sostiene Pereira" ou, em português de Portugal, "Afirma Pereira". No Brasil foi divulgado o título equivocado de "Cadernos da Revolução" (1995). É simplesmente horrorosa a tradução do italiano para o português, no DVD.


O cenário é Lisboa no ano de 1937. É um dos últimos filmes de Marcelo Mastroianni que morreu em dezembro de 1996. Marcello é Pereira, católico, conservador e viúvo escreve o obituário de pessoas famosas, como editor da coluna cultural de um jornal. Ele não se mete em política. A Europa ferve. O fascismo está na Italia, o nazismo na Alemanha, a Espanhola franquista em guerra civil e Portugal vive a ditadura de Salazar que governou o país luso de 1932 até 1968. A censura impõe o silêncio. Os velhos estão cansados, eles pensam na morte. Os jovens e seus ideais. Um artigo desperta Pereira, é sobre a morte, mas quem escreve é um jovem idealista que acredita na vida e nas idéias da liberdade. Eles se tornam amigos. Pereira, gordo, tem que mudar os hábitos, é questão de saúde, inclusive mental. E, de fato, Pereira, pela primeira vez na vida, se revoluciona. Até que um dia a violência do regime bate na sua casa e apaga as idéias e a vida de seu jovem amigo. Os jornais nada divulgam e Pereira, revoltado, resolve se vingar. Ele dribla a burocracia do autoritarismo e estampa a noticia do crime do regime na primeira página do jornal. E, pela primeira vez, depois de muito tempo Pereira sorri enquanto caminha, em passos rápidos, pelas ruas da Lisboa de Salazar.


Páginas da revolução (Afirma Pereira, 1996, Itália/Portugal, cor, 104min)direção: Roberto Faenza - elenco: Marcelo Mastroianni, Daniel Auteuil, Nicolau Breyner, Teresa Madruga.Na Lisboa salazarista, editor de jornal contrata jornalista para a coluna de óbitos e encontra jovem idealista, que descobre estar envolvido com ideias revolucionárias, colocando em perigo seus ideais.