Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quarta-feira, 2 de abril de 2008

A Arte Engajada de Latuff


No blog Alma da Geral pesquei a seguinte pérola do cartunista Carlos Latuff, em entrevista que concedeu à TV Brasil, que também é conhecida por Tv Lula:


"O papel da arte não é ser correia de transmissão de políticas reacionárias. A arte que vale a pena hoje é aquela que questiona exatamente esses modelos. Ela tem que te colocar na parede, tem de fazer você sentir. Não precisa ser o tempo toda engajada, mas falta arte engajada."


Era exatamente isso o que defendia Stalin. A Arte é apenas engajada. O resto é conservadorismo, idéias reacionárias. O governante de plantão, a dinastia Castro, os Stalins, os Ches e os Lenins da vida é que são os verdadeiros demiúrgos, os esclarecidos que estão acima do bem e do mal que devem apontar a direção da flecha ideológica. Apenas eles é que podem e devem dizer o que é reacionário e o que não é e o que é revolucionário e o que não é.

O Golpe de 1º de Abril - Verde e Amarelo sem Foices nem Martelo!


O jornal Brasil de Fato, ligado aos "movimentos sociais" brasileiros, em editorial ,traça um paralelo entre o golpe de 01 de abril de 1964 e o alegado "golpe midiático que a grande mídia insiste em dar nos governos populares de esquerda".


Diz o Brasil de Fato:


Passados 44 anos do golpe, todos se apresentam como democratas. Para um jovem, hoje, portanto, sobra sempre a pergunta: "Se todos eram democratas e se opunham à ditadura, quem deu o golpe e quem manteve o regime?
A primeira resposta que lhes virá à cabeça será: "Os militares".
Foi esta a versão que acabou por se firmar. Versão construída e difundida pela grande mídia, com o apoio e a serviço de banqueiros, grandes industriais, monopólios comerciais, grande capital internacional, governo dos EUA e uma série de classes e setores de classes que, juntamente com essa mesma grande mídia, conspiraram contra as reformas de interesse popular defendidas pelo governo do presidente João Goulart. Esse mesmo conjunto de civis que se locupletaram com o regime instaurado em 1964 e o alimentaram.
É certo que setores majoritários da mais alta hierarquia das forças armadas conspiraram lado a lado com aquelas forças, e lhes serviram de braço armado no 31 de março. Além disto, ao longo dos anos de chumbo, militares se prestaram a fazer o "trabalho sujo", reprimindo, prendendo, torturando, assassinando e ocultando cadáveres de opositores. Mas, ainda aí, não estiveram sozinhos: é sobejamente conhecido o financiamento por empresários para a construção e manutenção do aparato repressivo, bem como as denúncias sobre a presença de industriais atuando nas salas de torturas.
Mas nossa elite econômica tem hábitos semelhantes aos de alguns felinos, que costumam ocultar suas imundícies. E um dos seus setores, os oligopólios da comunicação, é o principal instrumento do transformismo.
Com o fim regime, esses oligopólios midiáticos cuidaram de transformar os militares em bois de piranha, enquanto nos bastidores se articulavam para participar, com os seus colegas empresários financiadores do aparato da repressão, do novo banquete. Para isto venderam aos incautos a idéia de que o golpe e o regime foram obra de um estamento (forças armadas), ocultando seu caráter de classe.
Desde sempre golpista, vejamos como a grande mídia se dirigiu ao país em seus editoriais do dia 2 de abril (como o golpe foi desfechado na noite de 31 de março para a madrugada do dia 1º de abril, a maioria dos jornais tratariam o assunto apenas em 2 de abril).


O Globo (RJ)
"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas (...) para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas (...) o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. (...) Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente (...) Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. (...) Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.(...) A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo.(...) Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos(...) .

Jornal do Brasil (RJ)

"Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade ... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem. (...) A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas.(...)"Golpe? ノ crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada". (1º de abril)

O Estado de Minas (MG)

"Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares.O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade".

O Dia (RJ)

"A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento"
Tribuna da Imprensa (RJ)
"Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu"

O Povo (CE)

"A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil" (3 de abril)

O Cruzeiro (RJ)

"Sabíamos, todos que estávamos na lista negra dos apátridas - que se eles consumassem os seus planos, seríamos mortos. Sobre os democratas brasileiros não pairava a mais leve esperança, se vencidos. Uma razzia de sangue vermelha como eles, atravessaria o Brasil de ponta a ponta, liquidando os últimos soldados da democracia, os últimos paisanos da liberdade" (O Cruzeiro – revista semanal – 10 de abril)

Já imaginaram se a revista Veja existisse naquela época?


Meu comentário:


O governo Goulart radicalizou. É claro que o Brasil precisa e precisava de reformas de base. Qualquer país que têm grandes bolsões de miséria precisa fazer reformas estruturais, sobretudo no Estado. Mas existem formas e formas de se fazer isso.O Chile tentou fazer isso com Allende e se deu mal e depois o Partido Socialista chegou ao poder, com discurso bem menos radical, e conseguiu fazer boas reformas. O que fez o governo Goulart? Ele tentou desapropriar grandes empresas, como a Petróleos Ipiranga aqui no RS e pregou uma insubordinação nos quarteis e assustou a classe média brasileira em tempos da paranóia da guerra fria. Os cartazes diziam: Verde e Amarelo sem foice nem martelo. A história deve ser interpretada e contada com as lentes da época e nunca com as lentes de hoje. E o governo Goulart, legitimamente eleito, caiu e o povo não saiu às ruas para defender esse governo que se achava tão popular. É que, na verdade, não era. E, infelizmente, veio o golpe de 1 de abril que fez calar toda uma geração.

Fernando Lugo


Fernando Lugo Mendéz é candidato à presidência do Paraguai pela APC ((Aliança Patriótica para a Mudança, na sigla em espanhol), ele é bispo e dizem que vai levar seu país ao rumo bolivariano de Chávez, Evo e Correa. Dizem, também, que ele vai causar dor de cabeça ao Brasil por causa de Itaipu. Ele escreveu hoje na Folha o seguinte artigo:


Eqüidade beneficia Paraguai e Brasil


Dizem com freqüência que o projeto político que lidero no Paraguai é "antibrasileiro". Nada poderia estar mais distante da verdade
COM FREQÜÊNCIA procura-se retratar o projeto político que lidero no Paraguai como sendo "antibrasileiro". Nada poderia estar mais distante da verdade. Todos os que integramos a Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol) temos profundo respeito pelo povo, pelas instituições e pelo governo brasileiros. Nosso objetivo é avançar em direção a uma cooperação maior sobre bases justas. Os povos do Paraguai e do Brasil herdamos problemas cujas raízes estão nas ditaduras militares. Estamos certos de que devemos enfrentar esses problemas e encontrar soluções para eles. Durante a ditadura de Alfredo Stroessner, foram gerados negócios de fronteira, em muitos casos ilícitos. Hoje, muitos paraguaios e brasileiros vivem dessa atividade. Precisamos acabar com a doença, mas sem matar o doente (os postos de trabalho) -pelo contrário, curando-o (com mais empregos dignos). Precisamos avançar juntos num processo de legalização e intensificação da produção em toda a região da fronteira. Foi também na época das ditaduras que ocorreu uma forte migração de colonos brasileiros a território paraguaio virgem. Hoje, o meio ambiente está devastado, e a população camponesa paraguaia se vê encurralada pelos grandes produtores de soja (que não são apenas "brasiguaios", mas também paraguaios ou de outras nacionalidades), que empregam agrotóxicos com pouco controle. A maioria dos antigos colonos brasileiros hoje já tem filhos paraguaios e respeita as leis. Os que assim procedem não terão dificuldade com nosso governo. Em contrapartida, aqueles -seja qual for sua nacionalidade- que não obedecem às leis deverão começar a fazê-lo. Nunca, por convicção própria, vamos discriminar ninguém por sua nacionalidade, raça, religião ou simpatia política. Esse é um compromisso de todos os integrantes da APC, avalizado por nossa trajetória de luta pelos direitos humanos. Estamos convencidos de que -sob condições de eqüidade- Itaipu será o principal instrumento de integração dos povos paraguaio e brasileiro. Alguns afirmam que, mesmo quando for muito injusto com o povo paraguaio, o tratado de Itaipu deve continuar em vigor até 2023 tal como foi firmado em 1973, sob as ditaduras militares do Brasil e do Paraguai. Não existe fundamento para a manutenção dessa atitude. Queremos dialogar com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva partindo da própria base do tratado de Itaipu: a ata de Foz do Iguaçu (1966), firmada e ratificada pelo Brasil. Ela está em vigor e assinala que o Paraguai deve receber um "preço justo" pela energia que exporta ao Brasil. Queremos dialogar sobre esse ponto aceito pelas duas partes. Quando foi assinado o tratado de Itaipu (em 26 de abril de 1973), o petróleo custava pouco mais de US$ 2 por barril. Hoje, seu preço está em torno de US$ 100 por barril. O Paraguai recebe hoje por sua energia muito menos, em termos reais, que em 1973. Hoje podemos comprar muito menos petróleo que há 35 anos. E consta que, naquele ano, toda a opinião pública paraguaia viu como irrisórios os benefícios fixados no tratado. Não pretendemos cobrar o que não nos pertence. Aspiramos só a um "preço justo", como o Brasil concordou em nos pagar em 1966. Chegar a um acordo justo em Itaipu vai possibilitar o melhor desenvolvimento dos dois países. Quando não existe um "preço justo" entre um país mais poderoso e outro mais fraco, predomina o conflito, mais que a cooperação. As duas nações saem perdendo. Por isso, quando propomos chegar a um "preço justo", estamos contribuindo para o desenvolvimento melhor de ambas as partes. Assim se entendeu na Europa quando foram mantidas as assimetrias entre as nações e regiões menos desenvolvidas e as mais desenvolvidas. Assim entendemos nós, que desejamos um Paraguai soberano e integrado ao Mercosul, fortalecendo vínculos com o Brasil e seu povo sobre bases justas. Nas eleições de 20 de abril, existem duas opções: o desenvolvimento harmônico dos dois países ou o desenvolvimento excludente do Brasil e a ruína do Paraguai, caso em que nosso país será mais uma vez pólo de tensões e problemas na região. Não temos dúvida de que a primeira é a opção correta. Como dizemos em nossa língua indígena, "oñondive mante jajapóta" ("só juntos é que vamos poder fazer"). Nesse "juntos" incluímos não apenas o Paraguai, mas também o Brasil

Fronteiras do Pensamento 2008 - Agenda

O dono deste depósito vai participar dessas conferências que serão realizadas no salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre, e promete fazer comentários sobre essas palestras. Tem gente boa aí.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Onde está o Artigo que Ofende o Nassif?


O jornalista Luiz Nassif -- que continua no IG -- tem um blog. É o blog do Nassif ou Luiz Nassif on Line. Nassif fez um dossiê contra a revista Veja. O pessoal da esquerda adora este dossiê que é muito citado nos blogs alternativos. Esse pessoal elegeu a Veja a rainha do PIG. PIG significa Partido da Imprensa Golpista e é uma invenção do Paulo Henrique Amorim, que não continua mais no IG, porque foi demitido e adora colecionar demissões. O PHA acha que o IG do Nassif, também faz parte do PIG, mas isso é outra história.


Nassif, em seu blog, escreveu ontem, 31 de março, a seguinte mensagem:


Os ataques à família
Pela primeira vez, admito: esse pessoal da Veja conseguiu, finalmente, me atingir com suas baixarias.
Hoje de manhã minha mulher desabou, com labirintite e fortes crises de choro. À noite ela tinha ido conferir o Blog de Veja. Lá, ataques de toda espécie, agora enveredando pelo lado familiar, com posts e comentários com insinuações de “corno”. A malta desvairada de comentaristas anônimos espalhando esgoto por todos os poros.
Ela me pergunta, chorando: como é possível alguém poder fazer tal coisa, por tanto tempo, envolvendo até a nossa família?
Não sei.
O que podemos fazer.
Não sei. Sei o que não irei fazer.
Quando comecei a escrever esta série, antes disso, quando comecei a ser alvo das baixarias da Veja, recebi inúmeras informações sobre atividades profissionais da esposa de um diretor da revista, inúmeros episódios catárticos envolvendo o blogueiro da revista, tanto no seu tempo de Diário do Grande ABC quanto na revista República. Recebi e-mails de parentes próximos dos agressores. Circulo em um meio em que é fácil obter informações. Algumas delas são sobre amantes, preferências sexuais, ataques de histeria.
Dispondo de tais informações, mais as demonstrações explícitas de desequilíbrio no Blog, seria facílimo traçar um perfil psicológico do personagem.
Teria o direito de fazer isso, agora que estou sendo alvo de tamanha baixaria? É evidente que não. Por que os atingidos seriam esposas e filhos que nada têm a ver com o desequilíbrio e a falta de escrúpulos dos pais.
Aliás, quando vejo minhas filhas perguntando porque a mãe chora, penso nas filhas desses agressores. E me dá uma profunda pena. O grande teste, a ser superado, é não ceder à tentação de enveredar pela trilha da crueldade
Tive uma curta conversa com minha mulher, porque precisei sair correndo de casa para o trabalho. Tentei transmitir-lhe confiança. Vamos montar uma blindagem para que essas baixarias não cheguem às nossas crianças.
A luta continua. E sem sair da linha.

Muita gente escreve para o Nassif, desejando força, apoio. Neste momento, 478 pessoas deixaram mensagem de solidariedade ao Nassif.

Mas meu espírito de detetive resolveu dar uma olhada no site da Veja. Será mesmo que a Veja escreveu tal mensagem? Dei uma olhada no Blog do Reinaldo Azevedo que vai escrever um livro chamado "O País dos Petralhas", mas não encontrei nada relacionado ao Nassif.

Onde, diabos, está essa mensagem violenta contra o Nassif? Não desisti. Fui até o busca da Veja e digitei o nome Nassif e cheguei ao seguinte resultado, nesta página Aqui. Essa página faz referência ao Blog do Nassif. Mas nada encontrei de ofensa da Veja ao Nassif. E o Nassif também não colabora. Poderia ter colocado a mensagem em seu blog. Não fez. E por quê não fez?
No busca da Veja, a última publicação da revista, inclusive on line, sobre Nassif é um podcast do Diogo Mainardi do dia 06 de setembro de 2006, um artigo chamado "A Voz do PT".

Ai, ai, caramba. Onde está este artigo que ofendeu o Nassif? E por que o Nassif não dá a fonte?

Se alguém encontrar me ajude. Please!

Cuba - Fim do Apartheid Turístico


Cuba amanheceu ontem com a notícia, espalhada no boca a boca, de que uma das proibições mais impopulares do regime comunista da ilha -o veto para que cubanos se hospedassem em hotéis e alugassem carros, o chamado "apartheid turístico"- havia caído.Não houve anúncio nem publicação na imprensa estatal. De madrugada, gerentes de grandes redes estrangeiras que operam em Cuba e no centro histórico de Havana foram informados das novas regras, das quais se falava há dias. Os funcionários do setor ainda esperavam uma reunião com o governo para saber detalhes.Agora, pagando em pesos conversíveis (moeda turística equivalente a US$ 1,08), os cubanos poderão voltar a alugar carros e se hospedar nos hotéis cubanos -o setor, o principal da economia cubana, se expandiu na década de 90 e gera mais de US$ 2 bilhões, apesar de queda de visitação recentemente."Vou começar a guardar dinheiro agora mesmo para ir a Varadero no próximo verão", disse Martín Díaz, 34, comemorando o fim da restrição que vigorava desde 1993, no chamado Período Especial, quando da grave crise pós-colapso da União Soviética.A justificativa oficial era dupla: havia pouca disponibilidade hoteleira e o país precisava atrair divisas; por outro lado, o governo não queria incentivar a desigualdade no país.A mudança de ontem faz parte de um pacote de medidas liberalizantes recentes do irmão de Fidel, Raúl Castro, que assumiu em fevereiro prometendo eliminar "o excesso de proibições" na vida da ilha.A despeito dos argumentos anteriores sobre desigualdade, todas as medidas tem em comum o fato de beneficiarem principalmente a parcela da população --calculada em 60%- que tem acesso a alguma quantidade de moeda turística por conta do turismo ou do recebimento de remessas.Hoje, lojas cubanas começarão a vender em pesos conversíveis computadores e DVDs, além de bicicletas elétricas.Na próximo dia 14, será a vez da venda de celulares a cubanos, o que também era restrito até sexta-feira passada. Cada linha custará 111 pesos conversíveis (US$ 119,88) -ou sete meses do salário médio de um cubano, equivalente a US$ 17.O governo anunciou, na edição de ontem do jornal oficial "Granma", que se venderá celulares também em pesos, que vale 24 vezes menos, mas já anunciou que o serviço "gradual e limitado" dependerá do caixa obtido com a venda na moeda mais forte e terá um cadastro semelhante ao usado na lentíssima distribuição atual de linhas fixas.Novos ricos e economia Apesar de distante do cotidiano da maioria e sem nenhuma sinalização de abertura política, analistas concordam que o pacote de Raúl, e em especial, o fim do "apartheid turístico", funciona como resposta às milhares de queixas apresentadas pela população em debates convocados pelo próprio irmão de Fidel, no ano passado.No mais famoso desses debates, que acabou circulando pela internet em janeiro, universitários de Havana cobraram o fim da moeda dupla e a liberdade para viajar ao exterior -especula-se que essa poderia ser a próxima mudança.Um economista da ilha, que não quis se identificar, vê na série de medidas uma tentativa de fortalecer o peso: "O governo está reconhecendo que cerca de 15% da população mantém 90% dos pesos no banco. É uma tentativa de levar os "novos ricos" -de fazendeiros a contrabandistas- a trocar seus pesos por pesos conversíveis para consumir, dessa forma reduzindo os pesos em circulação e fortalecendo a moeda", disse ele à agência Reuters.


Matéria da Folha de hoje.

A Rede espanhola Sol Meliá oferece dezenas de bons resorts em Cuba. Na praia de Varadero são oito. Entre eles o Meliá, Las Américas, foto acima.

Angeli


Jogo de Poder


Certa esquerda tem muita dificuldade em entender o funcionamento do mercado financeiro. A dificuldade é profunda. E o ranço ideológico está no meio de tudo isso. Leio hoje no Diário Gauche que os grandes lucros obtidos pelo mercado financeiro que dobrou de tamanho no governo Lula e os lucros triplicaram é resultado do próprio neoliberalismo. Diz o gauche:


Os economistas marxistas Gérard Duménil e Dominique Levy definiram o neoliberalismo como a “expressão ideológica da hegemonia da finança”. Com esses dados divulgados pelo Banco Central do Brasil algum recalcitrante ainda tem dúvida sobre quem tem a efetiva hegemonia da política brasileira?
Ou dito de outra forma: alguém duvida que se tome alguma medida estrutural no Brasil, sem o expresso consentimento do sistema financeiro?
Neste sentido, a popularidade extraordinária do presidente Lula (que é inegável) adquire um caráter relativo, face à acachapante força hegemônica do sistema bancário que orienta a economia e parte da política do governo federal, haja vista toda a sorte de dificuldades e entraves sofridos pela reforma agrária nestes cinco anos de lulismo, só para citar um único exemplo.

Comento: o sistema bancário e financeiro deve ser forte e com credibilidade em qualquer país que queira se desenvolver econômica e SOCIALMENTE. É no sistema financeiro que se capitaliza o crédito que serve para financiar os investimentos. E que créditos são esses? São os créditos das poupanças, das aplicações dos clientes do mercado financeiro, desde o pequeno poupador ao grande investidor. Qualquer tormenta e turbulência no mercado financeiro pode colocar em risco o próprio país. É, portanto, do interesse público e do pais assegurar a estabilidade do mercado financeiro que não pode e nem deve ser de livre mercado, mas controlado e fiscalizado por este ente fundamental e imprescindível que é o Estado. Agiu bem o FED em intervir no Bears, assim como agiu bem o governo FHC ao fazer o PROER auxiliando, sobretudo, a credibilidade do mercado financeiro nacional e os poupadores, aplicadores e investidores das instituições envolvidas. Não vamos reduzir tudo ao simplismo para equivocadamente concluir que isso é apenas jogo ideológico de dominação e hegeomonia. Negativo. Isso faz parte da prática real em qualquer sociedade que quer e pretende se desenvolver. O governo do PT -- que tanto criticava as benesses do mercado financeiro e utilizou esses argumentos para chegar ao poder -- está mostrando que tudo aquilo que ele dizia e criticava fazia parte apenas de um jogo de poder. Um jogo para chegar ao poder.