Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


terça-feira, 29 de abril de 2008

Maioria dos Moradores de Rua é Homem e Alfabetizado


Uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e divulgada nesta terça-feira (29), em Brasília, revela o perfil dos moradores de rua brasileiros. Os pesquisadores escolheram cidades com mais de 300 mil habitantes e saíram a campo entrevistando moradores de rua com mais de 18 anos de idade. A principal conclusão do estudo é que as pessoas em situação de mendicância são em sua maioria homens alfabetizados e jovens, que abandonaram suas casas por problemas com álcool ou drogas ou por terem perdido o emprego.Uma equipe formada por 1.479 pesquisadores e assistentes sociais saiu a campo para entrevistar pessoas que habitam calçadas, praças, rodovias, parques, viadutos, postos de gasolina, praias, barcos, túneis, depósitos e prédios abandonados, becos, lixões, ferro-velho ou que pernoitam em instituições como albergues e abrigos. No total, foram ouvidos 31.922 pessoas, espalhados por cidades médias e por quase todas as capitais brasileiras, com exceção de São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. Cada entrevistado respondeu a um questionário com cerca de 20 perguntas. A análise dos dados recolhidos revela que 82% da população de rua é formada por homens. Mais da metade (52%), têm entre 25 e 44 anos de idade. Quanto à raça, 39,1% se declararam pardos, 29,5% se disseram brancos e 27,9% se identificaram como negros. Do total de indivíduos pesquisados, 48,4% estão fora de casa há mais de dois anos. Dois em cada três (69,6%) dormem na rua, enquanto 22% costumam dormir em albergues ou outras instituições. Outros 8,3% costumam alternar, ora dormindo na rua, ora dormindo em albergues.Surpreendentemente, as pessoas em situação de mendicância se revelaram escolarizadas. Do total, 74% sabiam ler e escrever e quase a metade (48,4%) disseram ter completado o ensino fundamental. Os principais motivos pelos quais essas pessoas passaram a viver e morar na rua se referem aos problemas de alcoolismo e/ou drogas (35,5%); desemprego (29,8%) e desavenças com familiares (29,1%).

A pesquisa põe em xeque a noção de que moradores de rua são pessoas que abandonaram suas cidades de origem e não mantêm nenhum vínculo familiar. Uma parte considerável (58%) se disse originária da mesma cidade em que se encontra (58%) ou de locais próximos. E mais: 51,9% dos entrevistados afiramaram possuir algum parente que residindo na mesma cidade onde se encontram.Entre os que já moraram em outras cidades, 45,3% se deslocaram em busca de novas oportunidades de trabalho. O segundo principal motivo foram as desavenças familiares (18,4%).Questionados sobre o que fazem para sobreviver, 70,9% dos entrevistados disseram exercer alguma atividade remunerada. Apenas 15,7% revelaram que a sua principal fonte de renda são as esmolas. Quanto ao tipo de atividade exercida, os moradores de rua pesquisados se dividem em catadores de materiais recicláveis (27,5%), flanelinhas (14,1%), trabalhadores da construção civil (6,3%), limpeza (4,2%) e carregador/estivador (3,1%).Como se pode imaginar, os níveis de renda dessa parcela da população são baixos. Mais da metade dos moradores de rua entrevistados (52,6%) disseram ganhar entre R$ 20 e R$ 80 por semana. A grande maioria (88,5%) disse não receber qualquer benefício de órgãos governamentais, tal como o Bolsa Família. Um em cada cinco entrevistados disse que não consegue se alimentar todos os dias, por falta de recursos financeiros. Mas quatro em cada cinco afirmaram conseguir fazer pelo menos uma refeição por dia.Boa parte das pessoas em situação de mendicância utiliza os serviços de saúde pública, como hospitais e postos de saúde. Nessas ocasiões, 75% deles possuem pelo menos algum documento que comprove a sua identidade. A maioria tem carteira de identidade (58,9%), certidão de nascimento ou casamento (49,5%) e CPF (42,2%). A pesquisa reevelou que os moradores de rua em geral são pessoas saudáveis. Apenas um terço deles afirmou ter algum problema de saúde. A doença mais freqüente é hipertensão (10,1%), seguida por problemas psiquiátricos (6,1%) e HIV/aids (5,1%). Questionados sobre que tipo de discriminação sofrem por viver em situação de rua, os entrevistados disseram que freqüentemente são impedidos de entrar em certos locais, tais como lojas, shopping centers e meios de transporte coletivo.Com base nos dados levantados nessa pesquisa, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome diz que pretende elaborar políticas públicas para lidar com o problema da mendicância. A idéia é estabelecer um plano nacional para ajudar as cidades médias e grandes a combaterem o problema, e quem sabe reintegrar essas pessoas à sociedade. Em cada uma das 71 cidades pesquisadas, o total de pessoas em situação de rua gira em torno de 0,061% da população local.


A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen)


Assisti ontem em DVD um filme que fazia muito tempo queria ver. Neste blog já havia postado o comentário do Contardo Calligaris sobre a Vida dos Outros ( Das Leben der Anderen, Alemanha, 2006, notável direção de Florian Henckel von Donnersmarck). É daqueles filme que quando termina e aparecem os "letreiros", os registros de atores e produção, a pessoa fica calada, sentada na cadeira, ouvindo a música e pensando no que viu.


O filme, ganhador do Óscar de melhor filme estrangeiro, realmente é muito bom.


Ulrich Mühe (Gerd Wiesler), o burocrata da Stasi (a terrível polícia secreta da antiga Alemanha Oriental) chega na hora pontual em seu posto. Ele coloca os fones de ouvido e monitora as conversas no apartamento do famoso dramaturgo Georg Dreyman (Sebastião Koch), que nunca escreveu nada contra o regime. A vida do burocrata é outra, bem diferente da vida do intelectual, mas elas se aproximam numa aliança de cumplicidade. O filme "A Vida dos Outros" conta a história da maravilhosa cumplicidade que pode haver entre pessoas que pouco têm em comum, entre investigado e investigador, vítima e algoz, entre pessoas que não compartilham dos mesmos temas e gostos, mas que estão inseridas no mesmo contexto totalitário. É a história da vida do burocrata que cumpre ordens do Estado censor, cujo regime impõe, a fórceps, a "socialização do humanitarismo". De um lado o "bem da humanidade" e de outro os possíveis movimentos que se organizam para destruir os "valores da sociedade humanitária" que censura. Nesse paradoxo, nada é tão maniqueísta assim e por isso o filme revoluciona pela sensibilidade em mostrar o possível entendimento que pode haver entre pessoas que estão situadas aparentemente em pólos opostos. O pivô de toda a história é a companheira de Dreyman a atriz Christa-Maria (Martina Gedeck que fez a Chef no Simplesmente Martha) que sonha passar para o outro lado do muro de Berlim, custe o que custar, inclusive delatando as pessoas que diz amar. A história acontece no ano de 1984, cinco anos antes da queda do muro. Lá pelas tantas o burocrata da Stasi se dá conta de que ele está sendo um agente de interesses pessoais e que aquele sólido regime humanista não é tão sólido e humanista assim. E o dramaturgo investigado se envolve com a mídia do ocidente que lhe envia uma máquina de escrever para datilografar artigos e enviar para o outro lado do muro. É que a Stasi mantinha registros de cada uma das máquinas de escrever do país – o que tornava impossível escrever um texto anônimo – e preservava até amostras do cheiro de seus suspeitos, caso fosse necessário procurá-los com cães. E o burocrata investigador, enfim, encontra motivos para denunciar o investigado, mas não denuncia. E essa contradição, esse paradoxo é a grande beleza do filme. É nesse exato momento de descoberta que o elo de cumplicidade finalmente se interliga. Depois que o muro cai, em 1989, o dramaturgo investigado descobre que sua vida estava sendo totalmente monitorada e que uma pessoa desconhecida não o denunciou. E no final das contas, o escritor oferece seu último livro, Soneto para um Homem Bom, ao seu desconhecido cúmplice.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Paris Ocupada



Uma exposição de fotos de Paris no período da ocupação alemã, durante a Segunda Guerra Mundial, está causando polêmica na França, por mostrar apenas imagens de pessoas despreocupadas e elegantes. Acima, a Praça da Concórdia.


A exposição, que reúne 250 fotos e é apresentada como "uma visão da vida parisiense durante a ocupação alemã", não mostra os aspectos dramáticos desse período, como as longas filas de espera em frente às lojas de alimentação ou a perseguição e deportação de judeus.



As fotos, coloridas, o que era raríssimo na época, foram realizadas pelo fotógrafo francês André Zucca, que trabalhava para a revista de propaganda nazista Signal. Acima, Ponte da Tournelle, em Paris. Morador de Noisy-le-Sec, carrega seus pertences após o bombardeio de 19 de abril de 1944.


Zucca, correspondente de guerra para o jornal France Soir e a Paris Match, foi "requisitado" pelos alemães em 1941 para trabalhar na Signal, revista bimestral divulgada em todos os países ocupados pela Alemanha. Acima, Jardim de Luxemburgo, maio de 1942.


O secretário municipal de Cultura, Christophe Girard, denunciou uma "manipulação por trás das belas imagens" e pediu o encerramento da exposição. O prefeito Delanoë pediu que debates sobre a ocupação alemã e sobre a exposição sejam organizados com historiadores durante o evento.


O prefeito da capital, Bertrand Delanoë, decidiu retirar das ruas os pôsteres de divulgação da mostra, mas decidiu mantê-la em cartaz, apesar dos protestos em relação às imagens. Acima, o cinema "Lux Bastille" e a estação de metrô da Bastilha.
As fotos e os textos foram pescados na BBC Portuguese.

Quando o Juiz é Parte a Indenização é Maior


Interessante, bem interessante o levantamento que a Folha fez, na edição de domingo, 27 de abril, sobre as indenizações promovidas por Juízes. Por que eles ganham mais do que as outras partes?

As indenizações por danos morais fixadas em processos iniciados por juízes contra organismos de imprensa têm valor aproximadamente três vezes maior do que as estipuladas em ações movidas por pessoas de outras áreas de atuação.A reportagem analisou as decisões proferidas em 130 processos abertos contra televisões, jornais e revistas de todo o país. Foram consideradas as diferentes instâncias e autorias.Segundo o levantamento, o magistrado que recorreu à Justiça alegando ter se sentido ofendido por alguma reportagem obteve, em média, uma indenização de cerca de R$ 470 mil ou 1.132 salários mínimos.Uma outra pessoa que tenha buscado no Poder Judiciário o mesmo tipo de reparação teve como resposta uma indenização menor, fixada em aproximadamente R$ 150 mil ou 361 salários mínimos."Eu não tinha idéia disso, estou perplexo", afirmou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, que disse ser inconcebível existir um tratamento diferenciado entre um magistrado e um cidadão comum (leia texto abaixo).Se o universo dos "não-magistrados" for reduzido para as pessoas comuns, ou seja, se forem excluídos os artistas, políticos, advogados e membros do Ministério Público, a quantia estipulada judicialmente é menor, fica em torno de R$ 120 mil ou 289 salários mínimos.Nesse valor total estão incluídos os processos movidos pelas três pessoas acusadas no caso da Escola Base, que estourou em 1994, quando inocentes foram presos por acusações improcedentes de violência contra crianças.As indenizações fixadas em favor dos três envolvidos foram elevadas -para cada um foi definido, somando as diversas empresas jornalísticas acionadas na Justiça, cerca de R$ 2 milhões por danos morais.Se os processos da Escola Base forem excluídos da contagem, o valor de indenização estabelecido para pessoas comuns que foram em juízo contra a imprensa se reduz para R$ 30 mil por pessoa, ou seja, cerca de 72 salários mínimos.InstânciasO levantamento das sentenças proferidas em diversas instâncias judiciais revelou uma tendência de os juízes das varas cíveis, de primeira instância, fixarem valores mais altos nas indenizações em geral.Essa quantia pode ser modificada na segunda instância (Tribunais de Justiça), para mais ou para menos, e normalmente é reduzida pelos ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de Brasília, que é a terceira instância judicial.Dificilmente casos de indenização chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF).Isso porque processos de reparação financeira são tidos como factuais e dependem mais de uma interpretação de cada magistrado sobre a situação reclamada. A vocação do Supremo é discutir questões constitucionais.Segundo o levantamento da reportagem, em média, juízes de primeira instância fixaram em aproximadamente R$ 940 mil -ou 2.265 salários mínimos- as indenizações por danos morais para os colegas do Poder Judiciário.Nos Tribunais de Justiça (segunda instância) essa média foi reduzida para R$ 236 mil (568 salários mínimos).Quando chegou às mãos dos ministros do STJ (terceira instância), a quantia reparatória foi mantida em cerca de 500 salários mínimos (R$ 207,5 mil).Entre os processos analisados, a indenização mais alta estipulada pelo Judiciário contra um organismo de imprensa foi dada numa ação movida pelo juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, que era titular da Vara de Infância e Juventude de Jundiaí quando foi acusado de supostas irregularidades em caso de adoção internacional de crianças em 1994.Decisão da primeira instância condenou a Folha a pagar 500 salários mínimos relativos a cada uma das 31 reportagens sobre o caso, o que dá cerca de R$ 6,4 milhões. O processo ainda não foi analisado pelo Tribunal de Justiça.

Faltam Índios para Tantas ONGs

Pandere, cacique da Aldeia Roosevelt dos índios Cinta Larga

Pesquei do Blog da Santa que pescou do Reinaldo Azevedo:


Faltam índios para tantas ONGs


No Brasil inteiro, há 750 mil índios. Só na Amazônia, confesso, não sei quantos são. Mas vamos fazer de conta que todos estão lá: 750 mil silvícolas para 100 mil ONGs resultam numa média de 7,5 índio por entidade. Digamos que metade delas se dedique, sei lá eu, a salvar o minhocuçu (tem isso por lá?), o mico-leão-da-cara-preta (idem), o papa-aranha, a papaconha preta e o miçoco... Aí teríamos 15 índios por ONG. Considerando que parte dos nossos bons selvagens de short Adidas, celular da Motorola e camionete Land Rover está fora da Amazônia, o número de índios por ONG volta a cair. Se cada uma pegasse a grana que recebe das mais diversas entidades para, de fato, cuidar da nossa brava gente, dava para botar todos os nativos na Sorbonne... E MAIS:"Política indigenista: governo repassa centenas de milhões para ONGs e está ausente das aldeias" (GobloOnline

Classe C busca traquejo social em aulas de etiqueta


A nossa classe dominante, a Classe C ( e que bom que isso está ocorrendo) está mudando seus hábitos. Leio na Folha de ontem que os cursos de etiqueta do Senac estão lotados.


Num auditório lotado do Senac de Osasco, uma mesa posta exibe uma taça de vinho tinto, uma flûte de champanhe, dois pratos, um fundo e um raso, duas xícaras, uma grande, outra pequena, e fileira em que se contam nove talheres.

A julgar pela curiosidade e pelo interesse da platéia, ninguém sabe ao certo manejar aquela variedade de utensílios montados no palco para comer à francesa num jantar formal.Uma hora depois do previsto, muito além dos 15 minutos de tolerância permitidos pelo "fashionable-late", aquele pequeno atraso chique, o motivo do encontro aparece e dá a primeira lição: "pontualidade é fundamental, não existe elegância atrasada", diz o consultor de etiqueta Fábio Arruda.


Uma das cerca de cem pessoas ali presentes que querem dominar as regras de comportamento e aprender um pouco de traquejo social, a manicure Sônia Maria Isaltina, 34, nascida numa família pobre de Osasco, na Grande São Paulo, "de pais que vieram do nada", segundo diz, permeou a pobreza e chegou à classe C, a porta de entrada para a sociedade de consumo de massa.Num salão que hoje atende mulheres de maior poder aquisitivo, ela não sabe como se portar em certas situações e se sente um tanto constrangida.E o que os outros podem ver de inadequado no comportamento social de Isaltina, ela agora começa a perceber na massa de cerca de 20 milhões de brasileiros que migraram das camadas sociais mais baixas para a classe C só nos últimos dois anos."Andei de avião pela primeira vez no começo do ano. Não sabia como me comportar nem com a aeromoça nem com as dondocas. Por isso que quero fazer esse curso", afirma. "As pessoas estão começando a circular em lugares a que não tinham acesso. Acho ótimo que tenham acesso a privilégios", diz a consultora Glória Kalil.A percepção da manicure levanta uma questão de comportamento: qual o efeito colateral da expansão da baixa renda?Nessa troca de papéis, os novos ricos, antigas vítimas da rejeição da alta sociedade, passam agora a rejeitar essa "nova classe C", nomenclatura criada por eles próprios. Antes que alguém da platéia do Senac veja certa dose de elitismo, Fábio Arruda alerta: "etiqueta não é esnobismo, é respeitar o espaço do outro". "E em etiqueta tudo tem uma orientação lógica."Ele explica, é assim: "Tudo que entra é pelo lado esquerdo, tudo que sai, pelo direito. Imagina a confusão que seria se todo mundo sentasse nas cadeiras como quisesse..."O público dá gargalhadas, anota tudo em bloquinhos, Arruda gesticula pra cá, as pessoas imitam de lá, e as dicas de cerimonial seguem.O foco agora é postura. "Gente, a mulher que pára assim [ele faz o gesto, de pernas abertas]. Ou veio a cavalo ou está assada. E no homem, então? Fica aparecendo o repolho."No palco, Arruda ensina como lidar com a fileira de talheres nas laterais do prato (sempre de fora para dentro), como segurá-los (suavizando os movimentos, com os cotovelos junto ao corpo e os punhos elevados) e como não atacar a comida num jantar formal (forrando o estômago antes de sair de casa). Em dois tempos, todas as mulheres imitavam.A empresária Daiany Nagao, 25, diz ter tido dificuldades no começo do namoro com o marido, Christian Nagao, executivo da Nike, por não saber se portar em algumas situações e fez um curso de etiqueta para aprender as regras de comportamento social. Nas novas rodas que passou a freqüentar, sentia a rejeição velada dos ricos e grã-finos. Agora, ela aponta os erros dos outros."Estava na ponte aérea e vi um passageiro brigando com a aeromoça porque queria beber. Com essas promoções, que cobram R$ 1 e dividem em inúmeras vezes, qualquer um pode voar", diz Dayane.Desde Pigmalião, obra-prima de George Bernard Shaw, que ensinar etiqueta e boas maneiras sempre desperta interesse tanto de quem não tem traquejo social quanto de quem tem, ou acha que tem.Quem não se lembra de Odete Roitman, a milionária de Beatriz Segall em "Vale Tudo" que ensinou à sogra -e por tabela ao Brasil- que servir copo d'água em bandeja e sobre pires "é coisa de empregada"?Rico de novela, aliás, é assunto da palestra no Senac. "É uma tragédia, é caricato. As pessoas copiam rico de novela, meu Deus! Aquilo é cafona no último grau", diz Arruda.Pobre? Popular? "Nem pensar. São palavras vetadas com todas as letras da propaganda", diz um alto publicitário da agência Young & Rubicam, que detém a conta das Casas Bahia.Dinheiro compra verniz? "As pessoas aplicam, mas é feito em barco, não dura. Limites continuam existindo. Tem gente que consegue chegar lá, mas tem de fazer direito", diz Arruda.

Itaipu - Um Tratado Justo


Recomendo a Leitura do artigo publicado na Folha de ontem do engenheuri Jorge Samek, diretor-geral brasileiro de Itaipu.


Um tratado justo



Após 35 anos da sua assinatura, em 26/4/73, o Tratado de Itaipu continua objeto de grande interesse público. Não é para menos. Foi por meio dele que Brasil e Paraguai solucionaram, de forma pacífica e definitiva, um litígio de fronteira que remontava ao período colonial. E criaram um empreendimento binacional que se tornou modelo de integração solidária e eqüitativa. Por que, então, o Tratado de Itaipu ainda é questionado? Nas sociedades democráticas, nenhum assunto de interesse público deve ficar longe do olhar vigilante dos seus cidadãos. A transparência é um quesito básico da democracia. É salutar, portanto, que as sociedades brasileira e paraguaia e seus governantes, democraticamente eleitos, discutam se o tratado vem cumprindo seus objetivos. A renovação da liderança política paraguaia recoloca em pauta o Tratado de Itaipu. Vamos fazer esse debate com tranqüilidade, sem arrogância nem prepotência. De antemão, no entanto, a sociedade brasileira precisa saber que não há nenhuma situação de injustiça ou relação de exploração a ser reparada em Itaipu. O Brasil jamais se valeu do seu poder econômico para impor ao Paraguai uma condição de subalternidade em Itaipu. Isso não significa que o país tenha sido pusilânime ao defender os seus interesses legítimos no empreendimento. Para viabilizá-lo, assumiu pesados encargos, vinculando o suprimento de parcela significativa da sua demanda energética a Itaipu e direcionando ao projeto enorme esforço financeiro num período de severa restrição fiscal. Itaipu é uma grande obra de engenharia política, jurídica e diplomática. Os artífices do tratado tiveram a inteligência de perceber que essa parceria não poderia prosperar em bases comerciais. Se tivesse sido pensada como um simples negócio, os direitos em Itaipu teriam de ser proporcionais ao aporte financeiro de cada uma das partes. Dadas as dimensões do projeto, o Paraguai não teria condições de arcar com a parcela de encargos (capital e garantias para empréstimos) correspondentes ao seu inalienável e indiscutível direito a 50% da produção da usina. Assim, ao mesmo tempo em que consagra plena igualdade de direitos, o tratado estabelece mecanismos para viabilizar economicamente o empreendimento, levando em conta as acentuadas disparidades e assimetrias entre os países. Como os encargos da construção de Itaipu foram repartidos proporcionalmente à capacidade econômica dos parceiros, coube ao Brasil assumir 100% dos financiamentos, dívidas no exterior e garantias aos credores. Falharão, portanto, todas as tentativas de interpretar o tratado a partir de uma ótica puramente econômica ou comercial. Por uma simples razão: a viabilidade de Itaipu foi assegurada com base em três garantias que desafiam a lógica de mercado: (i) receita anual suficiente para cumprir com todos os seus compromissos financeiros; (ii) obrigação das "altas partes" (Eletrobrás e Ande) de contratar toda a potência instalada; e (iii) mercado cativo para a energia produzida. Em troca dessas garantias -que protegeram e continuam protegendo Itaipu dos riscos inerentes às oscilações de mercado-, ficou estabelecido que toda a energia produzida deve ser destinada ao consumo exclusivo de Brasil e Paraguai. A venda a terceiros abriria a possibilidade de qualquer dos sócios especular em benefício próprio, o que geraria benefícios desiguais para os países, em flagrante conflito com o espírito do tratado. Nestes 35 anos, a aplicação do Tratado de Itaipu jamais se desviou dos princípios de justiça e eqüidade que o inspiraram. Os benefícios gerados são expressivos. A dívida estará integralmente paga em 2023, com recursos obtidos da energia produzida, o que comprova que as bases do tratado são justas e sustentáveis. Itaipu responde hoje por 20% de toda a energia consumida no Brasil e 95% da energia que abastece o Paraguai -que se tornou um dos poucos países que têm soberania energética assegurada pelas próximas quatro décadas, um ativo valioso para impulsionar seu desenvolvimento. Além disso, o Paraguai já recebeu US$ 4,5 bilhões referentes a royalties e compensação por cessão de energia -benefícios que não podem ser desconsiderados. Sem ignorar o fato de que o tratado permitiu ao país tornar-se co-proprietário de uma empresa que tem hoje um valor de mercado estimado em US$ 60 bilhões. Assim, Brasil e Paraguai devem se orgulhar do Tratado de Itaipu.

Mal-Estar de Maio 68 - Entrevista Edgar Morin


Mal-estar de Maio de 68 é ainda mais profundo hoje

FOLHA - Quarenta anos depois, o que ficou dos acontecimentos de Maio de 68?
EDGAR MORIN - 1968 foi, antes de mais nada, um ano de revolta estudantil e juvenil, numa onda que atingiu países de naturezas sociais e estruturas tão diferentes como Egito, EUA, Polônia... O denominador comum é uma revolta contra a autoridade do Estado e da família. A figura do pai de família perdeu importância, dando início a uma era de maior liberdade na relação entre pais e filhos. A revolta teve um caráter mais marcante nos países ocidentais desenvolvidos. Teóricos achavam que vivíamos numa sociedade que resolveria os problemas humanos mais fundamentais. E, de repente, percebeu-se que havia uma insatisfação na parte mais privilegiada dessa sociedade, que é a juventude estudante. Jovens de classes privilegiadas que desfrutavam de bens materiais preferiram buscar uma vida comunitária, num sinal de que o consumismo da sociedade ocidental não resolvia os problemas e aspirações humanas. Muitos desses jovens trocaram a cidade pela vida com as cabras, em busca de felicidade. Esses grupos não duraram, porque não conseguiram resolver os problemas e conflitos -só perduram comunidades que têm o cimento religioso. Mas o importante é que houve um processo de auto-afirmação da adolescência como entidade social e cultural. O rock, muito além da música, consiste em agrupamentos de jovens. É uma maneira de se vestir e se comportar. É a autonomização da adolescência, que se afirma por oposição ao mundo adulto dos professores e pais. Depois disso, a poeira baixou e tudo pareceu voltar ao que era antes. Mas houve mudanças, sim. Foi depois de 68 que os homossexuais e as minorias étnicas se afirmaram e que o novo feminismo se desenvolveu. A imprensa feminina francesa pré-68 dizia: "sejam bonitas e façam uma boa comidinha para agradar aos seus maridinhos". Depois de 68, essa mesma imprensa passou outro recado: "vocês estão ficando velhas, seus filhos foram embora e seus maridos as traem, então resistam". Foi uma verdadeira crise da idéia de felicidade, que é a grande mitologia da sociedade ocidental.


FOLHA - Um levante semelhante seria possível hoje em dia?


MORIN - Fatos históricos dificilmente se repetem, mas eu me pergunto se a comemoração de Maio de 68 não vai estimular jovens a seguirem o mesmo caminho. Na França, houve recentemente uma pseudo-reforma do ensino que despertou mais uma vez movimentos estudantis consideráveis. Claro, não tem nada a ver com Maio de 68, mas é alguma coisa. Hoje em dia, movimentos estudantis se generalizam rapidamente e prosseguem mesmo quando o governo satisfaz os seus pedidos. É a alegria de estar juntos na rua, de desafiar os professores e a polícia. Até quando as reivindicações são ridículas, o fenômeno é importante, pois permite ao jovem tornar-se cidadão, escapando assim da crescente tendência ao apolitismo.


FOLHA - Mas o mal-estar que causou Maio de 68 permanece...


MORIN - Não só permanece, como agravou-se. Onde há vida urbana e desenvolvimento, há estresse e ritmos de trabalho desumanos. A poluição causa males terríveis, e nossa civilização é incapaz de impedir a criação de ilhas de miséria. Mas o que piorou mesmo foi o fato de termos perdido a fé no progresso. O mundo ocidental dava como certa a idéia de que o amanhã seria radioso. Mas, nos anos 90, percebeu-se que a ciência trazia também coisas como armas de destruição em massa e que a economia estava desregulada, enterrando de vez a promessa de que as crises haviam deixado de existir. O sentimento de precariedade é agravado pelo fato de os pais não saberem se seus filhos terão um emprego. Tampouco há esperança vinda da esfera política. Os políticos hoje se contentam em pegar carona no crescimento econômico. Não bastasse a ilusão de que esse crescimento da economia resolveria os problemas, eis que agora impera a estagnação. O mal-estar está mais profundo, inclusive nas classes que têm acesso ao consumo. E quando não há mais futuro, a gente se agarra a um presente desprovido de sentido ou ao passado -nação e religião.


FOLHA - O senhor acredita no choque das civilizações?


MORIN - Parece cada vez mais grave a confrontação entre os mundos árabe-islâmico e ocidental. Mas isso não é um choque de civilizações, até porque boa parte do mundo muçulmano está amplamente ocidentalizada. O problema é que os países árabe-islâmicos estão tomados por um desespero ligado ao fracasso da democracia e do socialismo naquela região e à imensa corrupção trazida pelo capitalismo. Diante disso, parte da população torna-se ultra-religiosa e pensa que a salvação está numa interpretação integrista da sharia, a lei islâmica. O choque das civilizações é uma profecia que se auto-realiza. Acreditar nela é estimulá-la. Além disso, islã, cristianismo e judaísmo têm um tronco comum. São fés monoteístas muito parecidas. Por isso me tranqüiliza saber que grandes civilizações como a China e a Índia tiveram a felicidade de escapar disso. Muitos males advêm dos monoteísmos. Olhe o que acontece com a questão israelo-palestina. Nos dois lados impera cada vez mais a visão religiosa de um problema fundamentalmente nacionalista. Repare na força dos evangélicos nos EUA, berço da sociedade mais materialista do mundo e onde a teoria do criacionismo não pára de se espalhar. Tudo isso é uma grande regressão. Não acredito no choque das civilizações, acredito na volta da barbárie em suas mais diversas formas.


FOLHA - Uma das maiores mudanças mundiais das últimas décadas, a internet, na sua opinião, afastou ou aproximou as pessoas?


MORIN - Se considerarmos o fato de a internet ser um instrumento polivalente, que serve até aos interesses do crime, acho que a rede aproxima as pessoas. A internet tornou-se um sistema nervoso artificial que tomou conta do planeta. É algo que ajuda muito na hora de desenvolver afinidades, encontrar amigos, amores ou parceiros de hobby. A internet é um fato universal importantíssimo. Mas os sistemas de comunicação não criam compreensão. A comunicação apenas transmite informação. É preciso estimular o surgimento de uma consciência planetária. Se a internet não desenvolver a idéia da comunidade de destinos da humanidade, terá apenas uma função limitada e parcelar.


FOLHA - Que papel restou para o intelectual hoje?


MORIN - O intelectual é alguém que toma a palavra em público para levantar problemas fundamentais. Infelizmente, os intelectuais foram levianos quando se tornaram stalinistas ou maoístas. Eles enganaram as pessoas.Por outro lado, é ruim quando nos deparamos com um mundo entregue a peritos, especialistas e economistas, que são incapazes de enxergar a abrangência dos problemas essenciais e globais.Intelectuais são necessários, mesmo quando eles se enganam. Quanto mais o mundo acha que não precisa deles, mais eles fazem falta (risos).

O FRANCÊS Edgar Morin é um dos últimos grandes pensadores vivos. Filósofo, historiador e sociólogo, aos 87 anos se empolga ao falar dos movimentos estudantis atuais e diz que uma das maiores conquistas de Maio de 68 foi a afirmação da adolescência como entidade social autônoma. Mas o intelectual acredita que a crise moral que provocou o levante de 40 anos atrás é hoje muito mais grave porque o mundo, segundo ele, perdeu totalmente a crença num futuro melhor.
Edgar Morin passou boa parte de sua trajetória intelectual defendendo a transdisciplinaridade, a idéia segundo a qual as ciências são complementares e o conhecimento só é válido quando colocado sob a luz da abrangência. Convidado a abrir a segunda edição do ciclo de palestras "Fronteiras do Pensamento Braskem-Copesul", em Porto Alegre, Morin avisou que o tema de sua intervenção seria "1968-2008: o mundo que eu vi e vivi". Foi uma oportuna maneira de analisar os rumos da humanidade às vésperas do 40º aniversário da revolta francesa de Maio de 1968, o evento estudantil e operário que ultrapassou fronteiras, disseminando os valores que até hoje norteiam boa parte da modernidade ocidental. Horas antes da palestra, no último dia 14, Morin conversou por 40 minutos com a Folha no saguão de um luxuoso hotel da capital gaúcha. Os gestos frágeis e a voz definhante não condizem com o discurso vibrante e apaixonadamente engajado de um homem que dedicou a vida ao entendimento humano.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Santiago


Pesquei da Santa


Do Blog da Santa pesquei a imagem e o texto.


"Quem ganha, são todo mundo" (Lula)
Por ocasião da XII Reunião da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento - Unctad (Gana, África). Na foto de Clayton de Souza/AE, Lula e Celso Amorim zzzzzz...