Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


segunda-feira, 21 de abril de 2008

República Bolivariana do Paraguai

simpatizantes de Lugo fazem a festa da vitória em Assunção.


Lugo foi eleito presidente do Paraguai. Que tipo de política ele fará? É certo, super certo, de que ele vai causar algumas dores de cabeça no governo brasileiro. Lugo pretende revisar os termos do contrato de Itaipu. E o governo Lula - que já cedeu com Evo e a Bolívia - deve fazer concessões. A questão é saber que tipo de concessões serão feitas. Lugo tem duas alternativas ou segue a política de Tabaré, Kirschner, Bachelet e Lula ou vai engrossar as vozes do radicalismo bolivariano de Chávez, Evo, Moraes. Ouso apostar que Lugo vai seguir a fila chavista. Posso estar errado - e espero estar - mas um passarinho me contou que ele vai seguir esse rumo.

Artigo do Weffort


Que coisas tão graves em seus gastos na Presidência estará Lula procurando esconder da opinião pública? Que de tão grave têm as despesas dos palácios do Planalto, da Alvorada e da Granja do Torto que possam explicar a cortina de fumaça que o governo criou para impedir o controle dos cartões corporativos de Lula, Marisa, Lulinha, Lurian etc.? A estas alturas, só o governo pode responder a tais perguntas. E como o governo não responde, a opinião pública, sem os esclarecimentos devidos, torna-se presa de dúvidas sobre tudo e todos.É conhecida a ojeriza de Lula a qualquer controle sobre gastos. Evidentemente os dele, da companheirada do PT, dos sindicatos e do MST, sem esquecer um sem-número de ONGs sobre as quais pesam suspeitas clamorosas. Ainda recentemente, ele vetou dispositivo de lei que exigia dos sindicatos prestação de contas ao TCU dos recursos derivados do imposto sindical (agora "contribuição"). Há mais tempo, Lula era contra o imposto em nome da autonomia sindical. Agora que está no governo, deixou ficar o imposto e derrubou o controle do TCU. Tudo como dantes no quartel de Abrantes. O que o Lula e os pelegos querem é o que já existia na "república populista", dinheiro dos trabalhadores sem qualquer controle.Lula, a chamada "metamorfose ambulante", não se tornou ele próprio um pelego? Assim como defendeu a gastança dos sindicatos em nome da autonomia sindical, agora defende sua própria gastança na Presidência em nome da segurança nacional. Isso me lembra uma historinha de 1980, bem no início do PT, quando João Figueiredo estava no governo e Lula estava para ser julgado na Lei de Segurança Nacional. Junto com alguns outros, eu o acompanhei numa viagem à Europa e aos Estados Unidos em busca de apoio. Como outros na comitiva, eu acreditava piamente que tudo era em prol da liberdade sindical e da democracia, e as coisas caminharam bem, colhemos muita simpatia e apoio nos ambientes democráticos e socialistas que visitamos. Mas, chegando à Alemanha, fomos surpreendidos pela recepção agressiva do secretário-geral do sindicato alemão dos metalúrgicos. Claro, ele também era a favor da democracia e estava disposto a defender os sindicalistas. Sua agressividade tinha outra origem: o sindicato alemão que representava havia enviado algum dinheiro a São Bernardo e cobrava do Lula a prestação de contas! A conversa, forte do lado alemão, foi num jantar, e não permitia muitos detalhes, mas era disso que se tratava: alguém em São Bernardo falhou na prestação de contas e o alemão estava furioso. Lula se defendeu como pôde, mas, no essencial, dizia que não era com ele, que não sabia de nada.A viagem era longa. Antes da Alemanha, havíamos passado pela Suécia, e fomos depois a França, Espanha, Itália e Estados Unidos. Em Washington, tivemos um encontro com representantes da AFL-CIO, e ali repetiu-se o mesmo constrangimento. Embora não tão agressivos quanto o alemão, os americanos queriam prestação de contas sobre dinheiro enviado a São Bernardo. Mas Lula, de novo, não sabia responder à indagação referente às contas. Ou não queria responder. Não era com ele.Nunca dei muita importância a esses fatos. A atmosfera do país nos primeiros anos do PT era outra. Ninguém na oposição estava antenado para assuntos desse tipo. O tema dominante era a retomada da democracia. A corrupção, se havia, estaria do lado da ditadura. Saí da direção do PT em 1989 e me desfiliei em 1995. Até então era difícil imaginar que um partido tão afinado com o discurso da moral e da ética pudesse aninhar o ovo da serpente. Minha dúvida atual é a seguinte: será que a leniência do governo Lula em face da corrupção não tem raízes anteriores ao próprio governo? A propensão a tais práticas não teria origem mais antiga, no meio sindical onde nasceu o PT e a atual "república sindicalista"?Talvez essa pergunta só encontre resposta cabal no futuro. Mas, enquanto a resposta não vem, algumas observações são possíveis. Parece-me evidente que no momento atual alguns auxiliares da $ência — a começar pelos ministros Dilma Rousseff, Jorge Hage e general Jorge Felix — foram transformados em escudos de proteção de possíveis irregularidades de Lula e seus familiares. O outro escudo de proteção é Tarso Genro, que usa uma ginástica retórica para, primeiro, garantir, como Dilma, que o dossiê não existia, só um banco de dados. Depois passou a admitir que existia o dossiê, mas que isso todo mundo faz. Mais ou menos como no episódio do mensalão, lembram-se? Naquele momento, o então ministro Thomas Bastos, acompanhado por Delubio Soares, disse que mensalão não existia, que eram contas não regularizadas, sobras de campanha etc. E lula afirmou de público que isso todos os políticos faziam. O que não impediu que o procurador-geral da República visse no mensalão a prática delituosa de uma quadrilha criminosa.Adotada a teoria do dossiê — aquele que não existia e que passou a existir — criou-se uma pequena usina de rumores, primeiro contra Fernando Henrique Cardoso e Dona Ruth, depois contra ministros do governo anterior. Minha pergunta é a seguinte: quando virão os dossiês contra Lula e Dona Marisa Letícia? Não é este o futuro que deveríamos almejar. Mas no que vai do andar da carruagem dirigida por um Lula cada vez mais ególatra e irresponsável é para lá que vamos, inelutavelmente. Quem viver verá.


Artigo de Francisco Weffort, ex-secretário geral do PT e ex-ministro da Cultura do governo FHC, publicado no dia 15 no jornal O Globo. No texto, o professor revela, vamos dizer, uma experiência pessoal, do tempo em que acompanha Lula em viagens, envolvendo prestação de contas. E chega aos nossos dias, quando o PT faz um dossiê para tentar esconder os gastos do presidente da República e seus familiares.

sábado, 19 de abril de 2008

O Rio Privatizado




Impressionante!
Todos os pontos maravilhosos da cidade maravilhosa estão privatizados.
É assim com o corcovado.
É assim com o pão de açucar.
É assim com a orla do Leme, de Copacabana, de Ipanema e do Leblon.
É assim com a lagoa Rodrigo de Freitas.
Tudo, tudo, tudo privatizado.
Recentes e modernos quiosques foram inseridos no contexto de Copacabana
São sítios de linhagem moderna, linha arquitetônica arrojada com banheiros, inclusive para deficientes físicos, cozinhas e fraldários.
Fico pensando em Porto Alegre.
Quando o poder público, quando o Fogaça da vida resolve fazer parceria com a iniciativa privada para melhorar os serviços da capital gaúcha aqueles mesmos de sempre alardeiam: querem privatizar, estão privatizando, estão fazendo privatarias.
O Rio está lindo, limpo e continua maravilhoso e tudo isso foi possível porque existe aqui -- continuo no Riio - uma saudável parceria entre poder público e poder privado, sem preconceitos.
Este é o caminho, a verdade e a vida.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Vou para o Riiio


Pessoal, vou passar o feriadão de Tiradentes no Riiiio. Dizem que continua lindo. Vou conferir. Dizem, também, que o tempo não vai ajudar. Vai estar nublado, chuvoso, tempo feio. Mas no Riiio tem muito o que fazer. E vou fazer muita coisa. Estarei conectado, mas nem tanto. Volto na próxima semana. Bom feriado para todos!!!!

Preços na Argentina - Será que Somos Trouxas?


Recebi no meu e-mail a seguinte mensagem sobre a Argentina ( ou como, nós brasileiros somos trouxas).


Vejam os preços da gasolina na Argentina:


Gasolina comum (igual a nossa mas sem álcool ) 1,99 pesos - R$ 1,00

Gasolina Super 2,30 pesos = R$ 1,15

Gasolina Fangio de alta octanagem 2,89 pesos = R$ 1,45


Enquanto isso a nossa gloriosa Petrobrás exporta para a Argentina gasolina a R$ 0,65.


Alguém, por favor, me dê alguma explicação para isso!!!!


Vamos aos preços dos carros novos:



Gol 3 portas Power - 27.600 pesos (R$ 14.800,00)

Ford F250 - 108.500 pesos (R$ 54.300,00)

Vectra CD - 82..600 pesos (R$ 41.300,00 )

Ford Eco Export DIESEL 4X4 - R$ 35.000,00.


Se eu não me engano -- posso estar -- todos esses carros são produzidos no Brasil.


E por aí vão as diferenças, ressaltando que praticamente todos os carros de todas as marcas, têm a opção de virem com motor diesel.


Preços dos pedágios

As estradas pedagiadas, com terceira " trocha" (terceira pista), mantidas em muito boas condições, custa para 300 kilometros 3,40 pesos ou R$ 1,70 .

Para um gaúcho para percorrer a mesma distância o preço é de R$ 28,00.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Lula Renova Concessão da Globo e Certa Esquerda Lamenta



Leio no RS urgente uma nota que certa esquerda lamenta:




O governo federal renovou ontem (15), por meio de cinco decretos publicados no Diário Oficial da União, as concessões de “radiodifusão de sons e imagens” da Globo Comunicações e Participações nas capitais dos estados de Minas Gerais, Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. A renovação é por 15 anos com validade retroativa a 5 de outubro de 2007. O processo de concessão se completará agora com a aprovação dos atos do governo pelo Congresso Nacional.
Essas concessões compõem o núcleo central da Globo que, por meio de mais de cem emissoras associadas e afiliadas levam o sinal global a todo o território brasileiro. A última vez que a Globo tinha renovado suas concessões foi em 1994, durante o governo Itamar Franco.
O presidente Lula também sancionou ontem a
Lei 11.655, que altera a denominação da Ordem do Mérito das Comunicações. Ela passa a se chamar “Ordem do Mérito das Comunicações Jornalista Roberto Marinho”.




Certa esquerda quer que Lula compre uma briga com o povo brasileiro - que é fã da Globo. Lula pode ser tudo, mas burro ele não é.




Estatais do Protesto


Bom, muito bom o editorial da Folha de hoje sobre o Abril Vermelho do MST e da Via Campesina, tudo isso financiado com o nosso dinheiro. ONG´s do MST receberam do governo Lula, no primeiro mandato, 39 milhões de reais, quatro vezes mais que na gestão de FHC (charge acima de Jean)


Estatais do Protesto


Abril já entrou para o calendário nacional como o mês em que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e grupos correlatos lançam sua onda de invasões.A pretexto de protestar contra a política de reforma agrária e contra a impunidade no massacre de Eldorado dos Carajás -a morte de 19 pessoas pela PM do Pará, em 17 de abril de 1996-, grupos de sem-terra dão-se o direito de tomar fazendas, prédios públicos, fechar estradas e depredar propriedade alheia.Que militantes raivosos, dispostos a derrubar o capitalismo, perpetrem atos desse calibre, embora lamentável, é até esperado. O que não se pode admitir é que o governo federal não apenas tolere esse comportamento como ainda ajude a financiá-lo.Líderes do MST e congêneres se tornaram verdadeiros profissionais do protesto, a expensas públicas. Três das maiores entidades ligadas ao movimento sem terra, calcula a ONG Contas Abertas, foram agraciadas com R$ 39 milhões em dinheiro do contribuinte no primeiro mandato petista -quatro vezes mais que na segunda gestão de FHC. Isso sem mencionar os empréstimos subsidiados que o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) faz a assentados -e com os quais eles pagam o seu "dízimo" ao movimento. Os mecanismos de financiamento são azeitados pelos vários dirigentes dos sem-terra que assumiram postos na burocracia de ministérios e órgãos como o Incra. Essa espiral de aparelhamento tem como contrapartida uma escalada nos protestos. Centros de pesquisa de empresas e até o Congresso Nacional tornaram-se alvos de depredação. A pretexto de anular a privatização da Vale, grupelhos agora ameaçam sabotar a companhia.Toda essa truculência é custeada pelo erário, com o beneplácito ostensivo do governo Lula.

Chegamos ao Fim do Mundo?


O pensador francês e a minha avó


David Coimbra


Segundo o pensador Edgar Morin, minha vó tinha razão. Dona Dina, lembro bem de quando ela dizia coisas parecidas com as que disse o grande sociólogo francês segunda-feira passada, no Fronteiras do Pensamento. Lembro bem. Dona Dina cozinhava, estava sempre cozinhando. Preparava iguarias deliciosas. Massa feita em casa, ela mesma retalhava as tiras e as dispunha lado a lado sobre a mesa da cozinha, polvilhadas de farinha branca. Da uva das parreiras do quintal ela fazia schmier, suco, sagu. Do leite, coalhada, requeijão e até manteiga.Minha avó criava bichos para deles se servir. Matava uma galinha com um único golpe: torcia-lhe o pescoço e a coitada só emitia um "c..." e morria. Tinha uma porca, a Chica, que lhe atendia quando a chamava com sua voz fina:- Chiiiiiiiica!A Chica vinha correndo, balançando as gordas ancas suínas. Mesmo assim, minha vó não a poupou. Num domingo de outono, a Chica se transformou em lingüiça, torresmo e tempero da feijoada. Dona Dina era implacável, sim senhor. E falava verdades tais quais Edgar Morin, como:- Chegamos ao fim do mundo.

Morin foi igualzinho, no Fronteiras. A civilização está em crise, alardeou, os problemas da humanidade não foram resolvidos e o modelo de vida nesse vale de lágrimas caminha para o fim inexorável. Mas pingou ponto final de esperança: talvez, e apenas talvez, depois do caos esse tipo de sociedade seja trocado por outro um pouco melhor.Sei porque Morin pensa dessa forma. Porque é francês. Mais: francês e comunista. Os franceses comunistas juram que as revoltas de maio de 68, em Paris, mudaram o mundo e foram decisivas para os rumos da Humanidade. A velha arrogância gaulesa. Nesse caso, concordo com outro francês, Michel Houellebecq, que no ano passado, no mesmo Fronteiras, disse que o rock transformou muito mais o mundo do que as rebeliões estudantis de maio de 68.Agora, há que se admitir: maio de 68 foi responsável por pelo menos uma transformação: a da própria França, mumificando-a. Culturalmente, nada mais surgiu na França, desde então. Os pensadores, os filósofos, os músicos e os escritores franceses não produziram nada que amarrasse a botina esquerda de seus conterrâneos do século 19. Por quê? Porque econômica e politicamente a França caminhou para trás, a partir de 68, seguindo justamente os modelos pregados pelos estudantes rebelados. Hoje, o Estado francês está emperrado pela burocracia e por sua estrutura paternalista. Os compatriotas de Morin terão de promover reformas profundas em setores como a previdência. Terão de fazer mais ou menos o contrário do que o Senado brasileiro pretende ao aprovar o recente projeto paternalista para os aposentados, de autoria do gaúcho Paulo Paim.O que franceses comunistas não suportam é que a estrutura de pensamento mais humana, libertária e bem acabada da Civilização tenha surgido nos Estados Unidos, mais de uma década antes da Revolução Francesa, e que, implantada, essa ideologia tenha funcionado e ainda funcione. Já a Revolução Francesa, depois de mergulhar o país em sangue, acabou na volta da monarquia. A pátria da liberdade não é a França; são os Estados Unidos.Assim, Morin e quaisquer outros franceses comunistas não enxergam que o mundo está melhor do que jamais esteve. Morin gritou que estamos em crise. O mundo sempre esteve em crise. Com guerras mundiais, com exploração desumana dos trabalhadores, com uma medicina bárbara, com falta de noção de higiene e saúde, com restrições de liberdade.Hoje existe consciência de Direitos Humanos, de ecologia, da importância da paz, hoje o racismo é reprimido, a alimentação e o vestuário estão mais acessíveis do que em qualquer época da História, hoje a mulher tem liberdade, pelo menos a mulher do mundo ocidental, e hoje as comunicações aproximaram as pessoas. Hoje qualquer lúmpen tem telefone celular e ninguém mais precisa montar uma biblioteca em casa para ter informação precisa. Hoje a medicina elevou a expectativa de vida para as fímbrias dos cem anos. Hoje as pessoas sabem mais acerca de si mesmas e das outras pessoas. Hoje a Europa de Morin está consolidando pacificamente o sonho de Júlio César, Hitler e Napoleão e transformando-se num único país.E tudo isso aconteceu, em grande parte, graças aos Estados Unidos. Mas não é algo que um francês comunista reconhecerá.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Não, Não, Não! O PAC Não é Eleitoral.


O encontro da Direção Nacional do PT com prefeitos, ontem em Brasília, se transformou em ato de desagravo à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que municiou os petistas às eleições municipais deste ano com informações sobre andamento e prazos das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).No encontro, a direção da sigla orientou os prefeitos a "colarem" na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a "nacionalizarem" a campanha.


Alimento à Hipocrisia


Muito bom o editorial da Folha de hoje. Recomendo.



Que instituições multilaterais, como as Nações Unidas, o FMI e o Banco Mundial, perdem importância não é segredo. O inusitado é que, agora, tentem compensar essa diminuição de peso relativo com uma gritaria apocalíptica em torno da inflação dos alimentos -e de sua relação com os biocombustíveis.A fiar-se nas palavras de representantes dessas instituições, o mundo parece à beira de um cataclismo. Legiões de famélicos seriam produzidas a cada centavo de alta no preço das commodities; dezenas de conflitos seriam fomentados por causa da falta de comida. Nesse cenário, os biocombustíveis seriam mesmo "um crime contra a humanidade", como disse ontem o relator da ONU para o direito à alimentação, Jean Ziegler.Há, evidentemente, um exagero estrondoso nesse tipo de avaliação. Ela perde de vista a hierarquia dos fatores que concorrem para a inflação no preço da comida, fenômeno mundial. A parcela de grãos ora utilizada para a produção de combustível, uma fronteira tecnológica no mundo rico, não tem escala para produzir, sozinha, elevação tão vultosa e abrangente no preço dos gêneros alimentícios.O ganho contínuo de renda das populações mais pobres do mundo -na Ásia, na América Latina e na África-, as quebras de produção em países que são grandes exportadores agropastoris, a disparada no preço da energia e a especulação financeira contra o dólar são os fatores preponderantes para a inflação da comida. O uso crescente do milho, nos EUA, para a produção de álcool também ajuda no processo, mas de modo bem mais restrito.Abortar investimentos em biocombustíveis, portanto, seria a terapia errada para ampliar em ritmo suficiente a oferta de alimentos. A abordagem correta seria liberar as forças produtivas agrícolas, em nível mundial, de constrangimentos que atravancam os ganhos de produtividade no setor. Leia-se: acabar com os subsídios a lavouras e rebanhos nas nações desenvolvidas.Se esse imperativo vigorasse, países africanos miseráveis já teriam passado de importadores a exportadores de comida; uma revolução nas técnicas rudimentares adotadas em vastas regiões do mundo em desenvolvimento teria multiplicado o volume colhido e abatido; o biocombustível para complementar a demanda global por energia seria obtido em terras tropicais que hoje têm baixíssimo ou nenhum aproveitamento; todo o milho produzido nos Estados Unidos seria destinado à alimentação.Os governos de países ricos de repente ficaram preocupados com o impacto da carestia alimentar na pobreza global. Que ajam, então, para resolver o problema e ponham um fim às barreiras agrícolas.