Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sai G8 E Entra G20


Consensos e valores

Clóvis Rossi

Folha de hoje.
Se desse para acreditar em governantes, o resumo da Cúpula de Londres seria simples: sai o Consenso de Washington, entram os "valores e princípios". Explico: quem decretou o fim do Consenso de Washington, a partir da reunião do G20, formado pelas maiores economias do planeta, foi Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico. Quem entronizou "valores e princípios" foi a própria declaração final da cúpula, nos seguintes termos: "Concordamos em que é desejável um novo consenso global sobre valores e princípios-chave que promoverão atividade econômica sustentável". Bonito, não? Ainda mais que os chefes de governo assinam a promessa de uma saída "verde" para a crise, ou seja, usar os impressionantes fundos anunciados desde o início do problema para "fazer a transição rumo a tecnologias e infraestrutura de baixo uso de gás carbônico, limpas, inovadoras e eficientes no uso de recursos [naturais]". Eu até topo, mas vamos combinar o seguinte: o texto de ontem, assim como o anterior, da cúpula de Washington, em novembro, afirma, com todas as letras, que "a única base segura para uma globalização sustentável e crescente prosperidade para todos é uma economia aberta baseada em princípios de mercado, regulação efetiva e instituições globais fortes". Não parece o último prego no caixão do Consenso de Washington, ainda que combalido faz tempo. Nem parece combinar com a pregação que o presidente Lula fez em Santiago do Chile em favor de um "Estado forte". Bem feitas as contas, o resultado mais provável da cúpula é o que esta Folha já antecipara na segunda-feira: sai o G8, entra o G20. Já está até convocada nova cúpula do grupo "antes do final do ano". Aí, sim, se verá que "valores e princípios" predominarão.

Resumo da Reunião do G20 em Londres




Muito bom o "resumo" da reunião do G20 celebrada em Londres esta semana feita pelo Clóvis Rossi na Folha de hoje. Sublinho os ítens que considerei importante: regulação e paraísos fiscais. O dono deste Blog é favorável a uma política mundial para a extinção dos paraísos fiscais.

Em meio a um comunicado essencialmente técnico de 29 parágrafos, os líderes do G20 encontraram uma brecha para uma proclamação política forte: "A era do segredo bancário acabou".É uma alusão às prometidas ações contra os paraísos fiscais, parte do capítulo talvez mais suculento do documento, que trata do fortalecimento da regulação/supervisão financeiras, cujo fracasso é consensualmente apontado como responsável pela crise.Os principais pontos do texto são os seguintes:


INJEÇÃO DE RECURSOS

O US$ 1,1 trilhão anunciado ontem divide-se em US$ 500 bilhões para elevar os recursos disponíveis do FMI a US$ 750 bilhões; nova alocação de Direitos Especiais de Saque, a moeda contábil do FMI, no valor de US$ 250 bilhões, uma forma de disponibilizar recursos relativamente baratos a países em dificuldades; US$ 100 bilhões de empréstimos adicionais dos bancos multilaterais de desenvolvimento (Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Banco da Ásia etc.); US$ 250 bilhões para financiamento ao comércio internacional, por meio das agências de crédito à exportação dos países-membros e também dos bancos regionais.


PACOTES FISCAIS

O texto calcula que os pacotes oficiais de gastos para estimular a economia chegarão até o fim de 2010 a US$ 5 trilhões [mais de três Brasis], com o que a produção aumentará 4%.JUROS"Nossos bancos centrais se comprometeram a manter políticas expansionistas pelo período que for necessário e a usar toda a gama de instrumentos de política monetária."Tradução: uma era possivelmente longa de juros bastante baixos. O Banco Central Europeu, aliás, reduziu ontem mesmo os seus para o nível mais baixo da história.


CRESCIMENTO

O texto lembra que o FMI previu, no mês passado, que o crescimento da economia mundial seria retomado e subiria a mais de 2% até o fim de 2010. O novo pacote "acelerará o retorno à tendência de crescimento", diz o documento.

DÉFICITS

O G20 compromete-se a manter "a sustentabilidade fiscal no longo prazo e a estabilidade de preços", para o que "colocará em prática estratégicas críveis de saída das medidas que precisam ser tomadas".Traduzindo: os líderes sabem que elevam perigosamente os déficits fiscais, o que pode ser combustível para a inflação, pelo que se comprometem a retornar à normalidade assim que possível. Como, não dizem.


DESVALORIZAÇÕES


O documento se compromete a evitar "desvalorizações competitivas de nossas moedas" para facilitar exportações.

REGULAÇÃO


"Cada um de nós concorda em assegurar que nossos sistemas regulatórios domésticos sejam fortes. Mas também concordamos em estabelecer uma consistência muito maior e uma cooperação sistemática entre países, e uma moldura de elevados padrões, internacionalmente acordados, que um sistema financeiro global requer". O texto parece indicar que prevalecerá a ideia de que a regulação/supervisão seguirá padrões internacionais, mas a aplicação será nacional.- O Fórum de Estabilização Financeira, composto pelos bancos centrais, passa a ser Diretoria de Estabilidade Financeira. Antes da cúpula, já estava decidido que passa a ser integrada por todos os países do G20 mais a Espanha e a Comissão Europeia. Antes, apenas os países ricos faziam parte.A nova Diretoria (FSB, na sigla em inglês) "colaborará com o FMI para prover aviso antecipado de riscos financeiros e macroeconômicos e as ações necessárias para enfrentá-los".- A regulação/supervisão será estendida a todas as instituições financeiras "sistemicamente importantes", a todos os instrumentos [financeiros] e a todos os mercados. "Inclui, pela primeira vez, "hedge funds" sistemicamente importantes."- Implementar "novos e duros princípios de pagamento e compensação" [para executivos de instituições financeiras].- Adequar a disponibilidade de capital nos bancos aos seus empréstimos, mas apenas "depois que a recuperação [da economia] estiver assegurada". O texto diz, ainda, que, "no futuro, a regulação deve evitar excessiva alavancagem".


PARAÍSOS FISCAIS


O G20 promete adotar ações contra o que chama de "jurisdições não-cooperativas, inclusive paraísos fiscais".Afirma estar pronto para adotar sanções "para proteger nossas finanças públicas e sistemas financeiros".O texto lembra que ontem mesmo a OCDE divulgou uma lista de países investigados por seu Fórum Global que não cumprem padrões internacionais de troca de informações.


AGÊNCIAS DE RATING


O G20 estenderá a supervisão às agências de avaliação de risco, muito criticadas por terem dado atestado de boa saúde a ativos tóxicos.


FMI


Além de aumentar os recursos à disposição do Fundo, o texto reafirma que "economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo as mais pobres, devem ter mais voz e representação" na instituição. Reafirma igualmente que até janeiro de 2011 deve estar completada a reforma das cotas que darão voz a países emergentes.


PROTECIONISMO


O texto repete promessas anteriores de não adotar novas barreiras ao comércio de bens e serviços ou aos investimentos.Promete também não cair em "protecionismo financeiro", neologismo para designar o fato de que os bancos com sede nos países ricos retiraram capital dos países em desenvolvimento para cobrir buracos.


AJUDA AOS POBRES

O G20 promete US$ 50 bilhões para apoio à proteção social, estimular o comércio e proteger o desenvolvimento nos países de baixa renda.Adicionalmente US$ 6 bilhões provenientes do FMI serão usados, nos próximos dois a três anos para países pobres.


AMBIENTE

O documento promete "uma transição para tecnologias e infraestrutura limpas, inovadoras e eficientes no uso de recursos naturais".Reafirma também o compromisso de enfrentar a mudança climática, com base no princípio de "responsabilidades comuns e diferenciadas", ou seja, os países ricos pagarão mais que os outros. Recoloca ainda a decisão de alcançar um acordo na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a realizar-se em dezembro em Copenhague.(CLÓVIS ROSSI)

A Importância da Hipocrisia


Barack e Yeda

David Coimbra, hoje na ZH


Barack Obama ama Lula e até o acha bonitão, mas o político no qual se inspira, seu modelo declarado é outro. É um homem que fez o discurso que reproduzirei abaixo. Leia com atenção:


Direi portanto que não sou, nem jamais fui a favor de introduzir, por quaisquer métodos, a igualdade social e política das raças branca e negra; que não sou, nem jamais fui, a favor de fazer eleitores ou jurados de negros, nem de qualificá-los para assumir cargos públicos ou casar-se com gente branca; e direi como adendo a isto que há uma diferença física entre as raças branca e negra que creio para sempre as impedirá de viver juntas em termos de igualdade social e política. E, porquanto não possam assim viver, enquanto estiverem juntas deve haver as posições de superior e inferior, e eu, tanto como outro homem, sou favorável a que a posição superior seja atribuída à raça branca. (...)


Acrescentarei a isto que jamais tive conhecimento de um homem, mulher ou criança que fosse favorável à produção de uma perfeita igualdade social e política entre negros e homens brancos.Palavras de ninguém menos do que Abraham Lincoln, proferidas há 150 anos, quando ele se elegeu presidente dos Estados Unidos. Obviamente, não foram ideias desse quilate que o consagraram como um dos maiores estadistas do planeta e o tornaram ídolo do primeiro presidente negro da história americana. Ao contrário. Lincoln lutou com ardor pela abolição da escravatura nos Estados Unidos. Liderou os estados do norte durante a Guerra de Secessão contra os escravagistas do Sul. E venceu.Como se explica tamanha contradição? Pela política. Óbvio. Todo mundo sabe que há uma África de distância entre a opinião e a ação de um político. O que pode parecer ruim, mas não é; é bom. O melhor da política é justamente a hipocrisia. A hipocrisia evita desacertos e desinteligências. Lincoln talvez até tivesse uma alma racista, mas provavelmente estava sendo hipócrita ao defender a segregação dos negros. O que ele queria era impedir a separação dos estados do sul. Não conseguiu, e sobreveio a guerra.O fato é que a hipocrisia salva relacionamentos e vidas. Só com hipocrisia se constrói a civilização. Graças à hipocrisia da política, governantes competentes conseguem governar. E a premissa contrária é igualmente verdadeira: sem hipocrisia, sem política, um governo quase que se inviabiliza. Exemplo caseiro: Yeda Crusius. Seu governo não é tão ruim quanto parece. Não é pior do que muitos dos governos de seus antecessores. Mas ela é um desastre político. Resultado: a cada 15 dias o governo passa por alguma trepidação. Nenhum outro governador na história do Rio Grande do Sul, com a provável exceção de Olívio Dutra, enfrentou pressão semelhante à que enfrenta Yeda. Por culpa da própria Yeda. Falta-lhe dissimulação. Falta-lhe hipocrisia. O que, em política, significa que lhe falta quase tudo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

01 de Abril de 1964


Marechal Castelo Branco


Marcha contra o governo João Goulart.


Um caso pessoal

Carlos Heitor Cony- Folha de hoje.

Passou discretamente pela mídia o 45º aniversário do golpe de 64. Houve reunião em alguns centros militares, muita troca de mensagens eletrônicas. Aos poucos, os herdeiros ou sucessores daquele movimento começam a expor "o outro lado" da questão, que, em geral, continua contada apenas pelo lado dos vencidos, mais tarde vencedores no plano da história, bem verdade que à custa de milhares de vítimas.Um dado importante vem sendo destacado nas manifestações que procuram justificar o regime de arbítrio instaurado na movediça data de março/abril daquele ano. A sociedade dita civil apoiou com entusiasmo o golpe, houve euforia nas ruas, nas igrejas e na totalidade da mídia. No dia seguinte à tomada do poder pelos militares, publiquei uma crônica no finado "Correio da Manhã" em que gozava o aparato bélico que ocupou o último reduto da legalidade, o forte de Copacabana, onde se esperava uma reação contra os golpistas.O jornal havia combatido com violência os últimos dias do governo de João Goulart. Quando cheguei à redação naquele dia, todos esperavam a minha demissão. Carlos Drummond de Andrade, que estivera comigo na véspera, assistindo à rendição do forte, ligou-me preocupado, pensando que eu já estava no olho da rua -abrigo tradicional dos desagradáveis.Como não houve demissão, no dia seguinte escrevi outra crônica, bem mais violenta, sem tom de gozação. Pouco depois, fui processado pelo ministro da Guerra, expulso como mau elemento do sindicato dos jornalistas, tive de pedir demissão. Estava contra a opinião pública, da qual a imprensa era a porta-voz.O caso pessoal dá razão ao reparo que os militares estão fazendo sobre 1964. Em seu início, o movimento teve o apoio entusiasta da mídia e da sociedade.

Nós Não Temos Medo de Altura



Ontem a Argentina, comandada pelo "companheiro" Diego Maradona, levou 6 x 1 da fraquérrima Bolívia.
O jogo foi em La Paz a quase 4.000 metros.

Em 17 de março do ano passado, Maradona foi ao Estádio Hernando Siles, o mesmo em que esteve ontem, e defendeu, ao lado do presidente Evo Morales, que os bolivianos mandassem seus jogos na altitude. A frase do ex-craque há pouco mais de um ano:


“Nós, argentinos, e eu, em nome dos argentinos, digo que não temos medo da altura. Não temos medo da altura! Vocês têm que jogar onde nasceram, hermanos. E disso nem Deus pode proibi-los. Muito menos, (Joseph) Blatter (presidente da Fifa)”

Fogueira da Maldade


Cartaz do PNR português contra o aborto, contra a imigração e nacionalista.



O dono deste depósito é a favor do aborto. No Brasil são feitos um milhão de abortos por ano em clínicas clandestinas. Muitos desses abortos são feitos por meninas que não têm nenhuma condição (econômica, social, emocional, psíquica etc. ) de ter filhos. Outras mulheres fazem aborto porque já têm vários filhos e não tem nenhuma condição de ter mais um filho. O direito ao aborto é uma opção da mulher. É questionável que um feto de três meses, por exemplo, tenha pleno desenvolvimento cerebral. E tem deputado, como o tal de Luiz Bassuma do PT da Bahia que é contra até a pílula do dia seguinte. O fim da picada. E o artigo da socióloga Lícia Peres (ZH de hoje) é esclarecedor e assustador, porque tem gente que quer punir mulheres que, por motivos relevantes, fizeram aborto.


CPI da Fogueira, por Lícia Peres*

Não bastasse todo o absurdo que nos últimos dias ocupou o noticiário nacional com a excomunhão pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, dos profissionais envolvidos e da mãe da menina de nove anos estuprada pelo padrasto, grávida de gêmeos e que, sob risco de vida, teve a gravidez interrompida, agora surge a tentativa de instalar-se a CPI da Fogueira no Congresso Nacional.


Os grupos fundamentalistas não dão trégua.Ao tomar como pretexto a denúncia do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que divulgou a estimativa de 1 milhão de abortos realizados por ano no Brasil, alertando para a gravidade do problema e suas consequências para a saúde e a vida das mulheres em razão da clandestinidade, os deputados autodenominados “defensores da vida” querem agora a instalação de uma CPI para execrar as mulheres que decidiram interromper a gravidez, ampliando o ocorrido em Mato Grosso do Sul, onde, com o fechamento de uma clínica, houve a apreensão do prontuário médico de quase 10 mil mulheres para “investigação”.


Buscam, assim, repetir os métodos da Inquisição, que condenou milhares de mulheres à fogueira: a Idade Média em pleno século 21.


A ameaça é séria.O deputado federal Luiz Bassuma (PT-BA) – autor de projeto que restringe ainda mais o direito à interrupção da gravidez, retirando até aquela decorrente de estupro – encaminhou dia 11 mais um pedido para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará os abortos clandestinos no país inicie imediatamente seus trabalhos. A moção foi aprovada durante o 2º Encontro Brasileiro de Legisladores e Governantes pela Vida (essa foi a denominação da reunião). A CPI do Aborto chegou a ser instalada em dezembro pelo então presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP), mas devido à não-indicação dos integrantes pelos líderes partidários, não pôde iniciar os trabalhos.


Pelo visto, houve apenas uma pequena trégua, antes de nova e furiosa investida.Após acompanhar durante muitos anos os trabalhos no Congresso Nacional, a representante do CFemea, Natália Mori, declarou ser este um dos momentos mais medievais que já presenciou. O movimento de mulheres condena a instauração de uma comissão com tal finalidade, ao mesmo tempo em que defende a descriminalização do aborto.Para tanto, precisamos contar com uma grande e importante aliada: a opinião pública. Foi seu repúdio à excomunhão e à complacência demonstrada em relação ao estuprador, no episódio da menina pernambucana, que levou a própria Igreja Católica, através da CNBB, a desautorizar o arcebispo e declarar que “ninguém foi excomungado”.É grande o número de fiéis que se afastam dos cultos por discordar das posições conservadoras adotadas, situadas na contramão do progresso e das questões do cotidiano, a exemplo da condenação às pesquisas com células-tronco embrionárias e ao uso de preservativos.É preciso um constante esclarecimento à sociedade de que criminalizar o aborto representa mortes e prejuízos à saúde feminina. Em razão disso, é cada vez maior o número de países a optar pela legalização.A opinião pública é nossa grande trincheira e com seu apoio desmontaremos a fogueira alimentada pelo ultraconservadorismo, que pretende atingir as mulheres cujo “pecado” é defender o direito de decidir e a autonomia sobre seu próprio corpo.


*Socióloga

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Picuinha dos Assuntos Sepultados




O Diário Gauche lança toda a sua ira contra as pessoas que não participaram da festa comemorativa do golpe de 1 de abril de 1964. Diz o DG que falta alguém na festa do pijama.

Falta alguém na festa do pijama

O Clube Militar, Naval e da Aeronáutica do Rio de Janeiro irá comemorar os 45 anos do golpe civil-militar. No convite para a sessão solene do Clube, os militares se referem ao golpe como uma “revolução democrática”. Os militares ainda irão homenagear 120 pessoas que, segundo eles, seriam vítimas de “terroristas que pretendiam implantar uma ditadura no Brasil”. Cerca de 380 pessoas foram mortas ou desapareceram durante o regime militar. A informação é da Agência Chasque..................

Uma manifestação tola e nostálgica de senhores idosos, vestindo pijama, e lembrando como “era verde o meu vale” da nossa (deles) juventude. A tolerância democrática exige que se aceite esses arroubos, ainda que movidos por convicções autoritárias e excludentes. Entretanto, certamente irá faltar muita gente nessa festarola de apijamados.Estarão ausentes – porque estão reciclados para os novos tempos – os civis que criaram condições ideais para o golpe gorila, os empresários urbanos associados e dependentes, os empreiteiros, os banqueiros, os latifundiários devedores do Banco do Brasil, as senhoras pias que criaram clima de terror junto à classe média urbana instrumentalizando passeatas pseudo-religiosas anunciando o fim dos tempos, o indizível baronato midiático brasuca que – de fato – não foram esquecidos pelos novos donos do poder, uma vez que prosperaram a partir daquele Primeiro de Abril como nunca, e seguem por outros meios pregando golpes, a exclusão social, o atraso nas relações políticas, a redução dos espaços democráticos e a mediocrização da cultura de massas.Como se vê, falta alguém na festa dos gorilas de pijama.

Meu comentário:

É impressionante como certa esquerda se preocupa com as picuinhas dos assuntos sepultados. Democracia tem disso. Cada um comemora o que é bom para tosse. A história do golpe de 1 de abril de 64 tem que ser interpretado de acordo com o contexto da época. Havia sim insatisfação e impopularidade com o governo Jango e o golpe veio e derrubou o governo como castelo de cartas. Praticamente não houve resistência. O que certa esquerda gosta de fazer é confundir a situação golpista de 64 com a ditadura imposta pelo AI 5 de 68. Importante lembrar que muita gente que apoiou o golpe de 64 foi cassada em 68.

G20 - Pressão Pela Regulação



Protestos na reunião do G20 em Londres hoje.


Não estou tão pessimista assim para a reunião do G20 que está ocorrendo agora em Londres. Para variar, os protestos se intensificam. Parece que o coringa da reunião vai ser o presidente francês Nicolas Sarkozy que já deixou bem claro, a França está preparada para abandonar a cúpula G20 se fracassar na obtenção de um acordo sobre os temas que defende, se não houver resultados concretos, não assinará o comunicado final.
Sarkô quer mais regulação, um novo marco regulatório para as finanças mundiais.
Mas Sarkô não é um representante da direita francesa? E a direita não é adepta do chamado "neoliberalismo" e da defesa do comércio absolutamente livre? Como é que se explica essa situação?
A Chanceler Angela Merkel, também foi eleita pela direita alemã e defende um novo marco regulatório.

Quem, afinal, é contra o novo marco regulatório?

E ontem no encontro entre Gordon Brown e Barack Obama, o premiê britânico disse o seguinte, segundo o portal Terra:

Eu estive na semana passada no Brasil e eu acho que o presidente Lula vai me perdoar por citá-lo. Ele me disse: 'quando eu era sindicalista, eu culpava o governo. Quando eu era da oposição, eu culpava o governo. Quando eu virei governo, eu culpei a Europa e os Estados Unidos'", disse Brown, arrancando sorrisos de Obama.
"Ele (Lula) reconhece, como nós reconhecemos, que este é um problema global. É um problema global que exige uma solução global." "O que aconteceu essencialmente é que a mobilidade do capital financeiro internacional superou os mecanismos nacionais de regulação. E se nós não aceitarmos isso como o problema, nós não vamos ajudar a resolver a crise esta semana"
, disse o premiê britânico.

Como se vê, pelas declarações dos líderes mundiais, vai haver sim espaço suficiente para debater e se consolidar uma nova regulação no mercado financeiro internacional. As cimeiras realizadas na era do complicado Bush nunca foram além, ao contrário do que aconteceu na era Clinton. Esperamos -- o mundo todo espera -- que os encontros de líderes na era Obama tenham condições de abrir uma nova agenda. Este é o grande desafio, é ilusão ou estamos, enfim, vendo luz no fim do tunel?

Ele está Voltando


Thomate

O Que Resta Fazer?




Manifestantes protestam hoje contra reunião do G20 em Londres.

Por que o G20 fracassará
Martin Wolf do Financial Times na Folha de hoje,"

A Conferência de cúpula do G20 parece destinada a realizar progressos. Mas suas realizações precisam ser medidas não apenas diante do desempenho do passado, mas com relação à "feroz urgência do agora". E, infelizmente, não serão suficientes.
A OCDE prevê agora contração de 4,3% nas economias dos países avançados neste ano, seguida por estagnação em 2010. Nos países avançados que a integram, o desemprego pode subir em 25 milhões de pessoas até 2010. Enquanto isso, o FMI prevê que a economia mundial se contrairá neste ano entre 0,5% e 1%. Isso representaria uma elevação de cerca de 4% na "diferença de produção", a diferença entre o potencial produtivo e a produção efetiva.

Será que o G20 se provará capaz de enfrentar esses excepcionais desafios? A resposta é não. O que é necessário é uma grande ampliação na demanda e uma virada em sua distribuição, dos países cronicamente deficitários para os superavitários. Em ambos os pontos, o progresso será muito limitado.

A OCDE argumenta que as medidas de estímulo adotadas pelos governos em resposta à crise elevarão o PIB desses países em média por só 0,5%, em 2009 e 2010. Além disso, a demanda adicional está surgindo pelo menos em igual medida nos países deficitários e superavitários. Isso não é receita para uma solução dos desequilíbrios mundiais, mas sim para seu prolongamento indefinido.

Infelizmente, não há consenso sobre as causas subjacentes da crise ou as melhores maneiras de escapar dela. EUA e Reino Unido concordam que os excessos financeiros tiveram origem não na desregulamentação e sim no imenso excedente de oferta dos países superavitários, principalmente China, Alemanha e Japão.

Mas a China e europeus liderados pela Alemanha argumentam que a culpa cabe integralmente aos perdulários países deficitários. No entanto, a China também espera que o mundo em breve possa voltar a absorver seu excesso de oferta.

Na entrevista do "Financial Times" com Angela Merkel, a chanceler alemã disse que "a economia alemã depende muito de exportações, e isso não é algo que se possa mudar em dois anos". Acrescentou ainda que "não é algo que desejemos mudar". Parafraseando: "O resto do mundo precisa encontrar uma maneira de absorver a nossa oferta excedente, mas de maneira sustentável, por favor".

Mas o que acontece se isso não ocorrer?

Em 2007, os China, Alemanha e Japão registraram um superávit agregado de US$ 835 bilhões em conta corrente. Logicamente, os países deficitários que lhes servem como contraparte precisam gastar mais do que ganham por igual montante. Mas os países deficitários já não podem captar recursos junto a credores voluntários com bom crédito.
Essa mudança é o aspecto central da crise.

Os países superavitários, que dependiam do setor privado dos países deficitários para que realizasse por eles sua captação irresponsável, demonstram padrão muito diferente: o balanço em seu setor privado mudará pouco e, em todos os casos, continuará a exibir um grande superávit o tempo todo: grandes superávits em conta corrente quase sempre significam poupança excedente no setor privado. Mas, na medida em que seus superávits externos caiam, os déficits fiscais crescerão, em parte por decisão política deliberada mas também devido às consequências automáticas das recessões.

Assim, as posições fiscais estão se deteriorando, e os superávits e déficits em conta corrente estão minguando em toda parte, à medida que o setor privado dos países deficitários reduz dramaticamente os seus gastos. Mas a deterioração fiscal esperada é maior nos países deficitários do que nos superavitários. Com a exceção do Japão, os déficits fiscais também serão maiores nos países deficitários. O que essa análise nos revela é bastante simples: não está acontecendo quase nenhum ajuste nos desequilíbrios estruturais subjacentes. Não estamos no caminho para uma saída duradoura da crise.

Assim, o que resta a fazer? Esse deve ser o tema central do G20. A economia mundial não pode ser conduzida a um equilíbrio seguro por meio de medidas que encorajem número relativamente pequeno de países a gastar até falir. A resposta depende, em parte, de mudanças nas políticas dos países superavitários. Mas também em igual medida de repensar o sistema monetário internacional. Enquanto isso, a cúpula do G20 tratará em larga medida dos sintomas imediatos da doença. Encontrar uma cura de longo prazo para o excesso crônico de oferta mundial é tarefa que ficará para o futuro.