Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


terça-feira, 2 de outubro de 2007

Mais PT e Menos Ibope


Li agorinha no Rs Urgente que dirigentes petistas de Porto Alegre publicaram uma nota dizendo que "O melhor para o PT é a militância, não o Ibope".

A nota termina assim:
Quem toma as decisões dentro do PT é sua militância, participando ativamente dos debates internos do partido. Quem constrói as vitórias do PT não são institutos de pesquisa, mas sim sua militância nas ruas. O melhor para o PT não é definido pelo Ibope. Precisamos de mais PT e menos Ibope".

O dono do depósito comenta:
A militância do PT está adormecida e assim vai ficar até a véspera da eleição, como ocorreu nas últimas eleições. O PT não é mais novidade. Aquela militância não existe mais. Quem milita hoje é a meia dúzia que estará na frente da RBS no dia 5 e ponto final. Foi o PT que também fomentou o antipetismo e que é muito forte por estas bandas, como bem se vê e como bem se sabe. Antes havia mais petista do que antipetista, hoje a conta virou. É só sair nas ruas. Fogaça tem tudo para ganhar, mesmo com seu governo medíocre. O "cavalo do comissário", como diz o diário gauche não tem concorrente, por enquanto. Mas ainda é cedo e o governo Lula pode dar uma mãozinha.

Blogueiro com a Cabeça no Lugar


O Irã de Ahmadinejad não tem gays e também não tem blogueiros. Aliás, onde andam os blogueiros de Cuba? Mas voltando ao país persa, existe um carinha chamado Hossein Derakhshan que também é chamado aka Hoder que teve de sair do Irã. Hoje ele administra seu blog (Editor: Myself) em Toronto no Canadá. É a figura que tá na foto ali em cima.

Pesquei a notícia da coluna da Cecilia Giannetti na Folha de hoje - Blogueiro com a cabeça no lugar.

Diz ela que gostaria de tomar um chopp com o blogueiro iraniano:

..SE A blogosfera fosse um balneário ensolarado, eu chamaria esse cara pra tomar um chope. E se o jornalista e blogueiro Hossein Derakhshan (aka Hoder) tivesse permanecido em Teerã, onde nasceu, estaria preso ou já teria, literalmente, perdido a cabeça.Hoder tinha 27 anos e uma coluna diária sobre cultura e internet no jornal "Asr-e Azadegan" (algo como "Tempo dos Livres"), quando, em 2000, o aiatolá Khamenei mandou fechar essa e outras 16 publicações, incluindo o "Jameah" ("Sociedade"), primeiro jornal reformista iraniano.Pego de surpresa, como centenas de colegas jornalistas que ficaram desempregados da noite para o dia, mudou-se para Toronto, no Canadá.O gosto por roupas modernas e cultura pop já seria suficiente para arranjar confusão em seu país de origem. Hoder aumentou os riscos recaindo no que os conservadores iranianos qualificam de "Insulto aos Profetas", criticando o líder fundamentalista."O presidente Mahmoud Ahmadinejad (eleito em 2005) é uma fraude e é uma marionete de Mesbah Yazdi, um clérigo radical que só ganhou poder após a morte de Khomeini. Se existe uma pessoa no Irã que o mundo devia temer é o aiatolá Mesbah Yazdi", Hossein escreve em seu blog, Editor: Myself (http://hoder.com/weblog), ponto de partida de nossa troca de mensagens.Hoder fez mais que reclamar. A repressão retomada por Khamenei em 2000 fez com que o debate político migrasse para o espaço virtual.Com um empurrão significativo do blogueiro: ele provocou um levante reformista na web, movimentado principalmente por jovens, que passaram a mostrar em diários na rede uma nova face do Irã, abertamente insatisfeita com o regime.Para não perder o vínculo com os leitores que deixara para trás, Hoder incentivou-os a fazer blogs. Criou alterações no Blogger.com que viabilizaram a publicação de textos em persa e disponibilizou na web um tutorial ensinando o be-á-bá dos blogs farsi, permitindo que pudessem trocar informações sobre tudo o que jovens em qualquer parte do mundo costumam gostar -e a ditadura teocrática iraniana reprime.O relativo anonimato que caracteriza a ferramenta Blogger, no entanto, ainda não é suficiente para proteger quem a utiliza no Irã. A conseqüência pode ser cadeia e tortura.Seu blog está fora do ar há dias -coisa incomum. Mas não vou pensar no pior.Hoder costuma viajar para falar de tecnologia e alternativas ao regime iraniano vigente, a convite de universidades e governantes. Briga também contra a demonização do Irã pelos Estados Unidos.Quem acompanha o blog sabe: num dia ele pode teclar de Toronto, na manhã seguinte de Londres, Berlim, Tunísia e até Israel.Está na hora de uma universidade brasileira chamá-lo para uma palestra também. Finalmente pagaria ao Hoder os chopes devidos pelas aulas sobre o Irã e lhe mostraria nossa guerra particular.

Grife Guevara - A História Reescrita


O dono do diario gauche faz uma homenagem ao companheiro Che Guevara, lembrando que no dia 08 de outubro, ocorrerá os 40 anos da morte do grande lider e ícone da esquerda.

Escreveu ele:
Che praticou como ninguém a máxima de ser o primeiro no trabalho e o último no lazer. Defendia com suas teses e prática o princípio de que os problemas do povo somente se resolveriam se todo o povo se envolvesse, com trabalho e dedicação. Ou seja, uma revolução social se caracterizava fundamentalmente pelo fato de o povo assumir seu próprio destino, participar de todas as decisões políticas da sociedade.
Sempre defendeu a integração completa dos dirigentes com a população. Evitando populismos demagógicos. E assim mesclava a força das massas organizadas com o papel dos dirigentes, dos militantes, praticando aquilo que Gramsci já havia discorrido como a função do intelectual orgânico coletivo.
Teve uma vida simples e despojada. Nunca se apegou a bens materiais. Denunciava o fetiche do consumismo, defendia com ardor a necessidade de elevar permanentemente o nível de conhecimento e de cultura de todo o povo. Por isso, Cuba foi o primeiro país a eliminar o analfabetismo e, na América Latina, a alcançar o maior índice de ensino superior. O conhecimento e a cultura eram para ele os principais valores e bens a serem cultivados. Daí também, dentro do processo revolucionário cubano, era quem mais ajudava a organizar a formação de militantes e quadros. Uma formação não apenas baseada em cursinhos de teoria clássica, mas mesclando sempre a teoria com a necessária prática cotidiana.
Acreditar no Che, reverenciar o Che hoje é acima de tudo cultivar esses valores da prática revolucionária que ele nos deixou como legado.
A burguesia queria matar o Che. Levou seu corpo, mas imortalizou seu exemplo. Che vive! Viva o Che!


A opinião deste blogueiro sobre Che Guevara já foi exposta no post A Grife Guevara.

E o Armando, um carinha bem esquerda, resolveu puxar a orelha deste blogueiro, dono deste açougue:

Maia, se v. leu Anderson, jornalista norte-americano, deveria ter aprendido que a respeito de matar ele foi didático:"na guerra se trata de matar inimigos". Em "La Cabanã", não estavam flores em forma de pessoas, mas criminosos, estupradores, violadores, contra-revolucionários, numa palavra, inimigos da revolução. Assim, como matou em combate, Che morreu como conseqüência de sua luta. Por isso, se reconhece sua bravura. Não venha com releituras, a partir de revistonas e revistinhas e autores fascistas.

Minha resposta: Armando, estou proibido, pelo dono do Blog, de fazer mais de um comentário por post. Não se trata de fascismo, mas de realidade. Che foi - SIM - um assassino cruel, intolerante, totalitário, uma criança mimada que não tinha limites. As pessoas em La Cabaña eram fuziladas sumariamente, apenas porque estavam lá e eram considerados (por quem, cara pálida????) "inimigos da revolução". Nenhum humanista, nenhuma pessoa sensata, nenhuma pessoa com o mínimo de escrúpulo iria compartilhar de tão macabra situação, mas Che foi o comandante que determinou a morte de cada um, apenas porque essas pessoas discordavam da revolução. E Che é adorado pelo mesmo rebainho alienado que canta as marchas do MST. Isso se chama massa de manobra. A grife Guevara é uma adoração à desumanidade. E que bom que a história pode ser reescrita.


(A foto acima é de Guevara com Sartre e Simone de Beauvoir)


Pobres de Nossas Criancinhas

Busquei no Blog do Reinaldo Azevedo o artigo que Ali Kamel escreveu hoje no O Globo.

O artigo é longo, mas merece ser integralmente lido, por isso transcrevi abaixo. É preocupante a propaganda política nos livros distribuídos pelo MEC para nossas criancinhas.

Livro didático e propaganda política

Ainda os livros didáticos, um problema mais grave do que eu imaginava. Para 2008, o MEC me informa que já comprou mais de um milhão de exemplares do livro de história “Projeto Araribá, História, Ensino Fundamental, 8”, a ser distribuído na rede pública a partir de janeiro. Para ser exato, 1.185.670 exemplares a um custo de R$ 5.631.932,50. É agora o campeão de vendas.Sem dúvida, o livro tem mais compostura que o “Nova História Crítica”, que analisei aqui há 15 dias, mas, em essência, apresenta os mesmos defeitos e um novo, gravíssimo: faz propaganda político- eleitoral do PT. Na unidade 3, “A primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa”, o livro diz o seguinte, logo na abertura, sob o título “Um sonho que mudou a história”: “Em 1 de janeiro de 2003, o governo federal apresentou o programa Fome Zero. Segundo dados do IBGE, 54 milhões de brasileiros vivem em estado de pobreza. Em nenhum país do planeta existem tantos pobres vivendo entre pessoas tão ricas . No mundo, segundo o relatório do Banco Mundial, 1,2 bilhão de pessoas vivem com uma renda inferior a 1 dólar por dia, cifra que deve chegar a 1,9 bilhão em 2015. Por que, apesar de tantos avanços tecnológicos, pessoas continuam morrendo de fome? É possível mudar essa situação? Os revolucionários russos de 1917 acreditavam que sim. Seguros de que o capitalismo era o responsável pela pobreza, eles fizeram a primeira revolução socialista da história. Depois disso, o mundo nunca mais seria o mesmo. Hoje, passado quase um século, o capitalismo retornou à Rússia, e a União Soviética, que nasceu da Revolução Russa de 1917, não existe mais. Valeu a pena? É difícil responder. Mas como dizia um membro daquela geração de revolucionários, é preciso acreditar nos sonhos.”Entenderam a sutileza? Os alunos são levados a acreditar que não há país no mundo com mais pobres do que o nosso (os autores esqueceram-se da Índia, para citar apenas um?). E que o Fome Zero seria o sonho de 1917 revivido.O livro prossegue com pequenos tópicos sobre os principais acontecimentos mundiais, a revolução russa e seus antecedentes: grande pobreza no campo, extrema exploração dos operários. Vitoriosos os revolucionários, seus primeiros feitos são assim descritos: “Estradas de ferro e bancos foram nacionalizados, as terras foram divididas e distribuídas entre os camponeses e a produção nas indústrias passou a ser controlada pelos operários. As medidas revolucionárias do novo governo feriram os interesses da burguesia e das grandes empresas que atuavam no país.” Segue-se um breve resumo da guerra civil — a burguesia e a aristocracia, apoiados pelos EUA e Grã-Bretanha, contra os revolucionários liderados por Lênin e Trotsky — e um pequeno verbete intitulado “A ditadura de Stálin”. Nele, lê-se que a URSS foi governada de 1924 a 1953 por Stálin, como um ditador. “As liberdades individuais foram suprimidas e os adversários do regime , inclusive os líderes da revolução, acabaram presos ou assassinados pelo regime.” Parece honesto, mas não é: omitir os detalhes da monstruosa ditadura de Stálin, que levou milhões à morte, é esconder dos alunos o mal que o socialismo real provocou. Especialmente porque os autores não se esqueceram de destacar o “bem” que Stálin proporcionou: “O Estado promoveu o desenvolvimento da indústria de base, como energia elétrica e metalurgia, investiu em educação e na qualificação de mão de obra e formou cooperativas agrícolas (...) para ampliar a produção no campo.”Bonito, não? No fim do capítulo, nas atividades propostas aos alunos, fica estabelecida a distinção entre capitalismo e socialismo: “Os anos 1920, nos EUA, caracterizaram-se por consolidar a sociedade de consumo. Numa cultura de consumo, grande parte do tempo e das energias humanas está voltado (sic) para a aquisição de bens materiais. Sob a orientação do seu professor, debatam os seguintes aspectos: a) dados que comprovam o caráter consumista da sociedade atual; b) os efeitos negativos da cultura do consumo para o indivíduo e a sociedade."A orientação socialista do livro fica patente em muitas passagens. Veja por exemplo como os autores definem o Welfare State europeu: “Apesar de ter sido elaborado, no contexto da Guerra Fria, para afastar a ameaça representada pelo prestígio que o socialismo despertava no Ocidente, o Welfare State serviu, também, para concretizar antigas reivindicações do movimento sindical (...).” O livro se apressa a dizer que o Welfare State durou pouco, graças à crise do petróleo de 1973 (sic): “Nos anos 1980, os governos de Margareth Thatcher, na Inglaterra (sic), e de Ronald Reagan, nos EUA, adotaram o modelo econômico de livre mercado, tornando nula (sic) a intervenção do Estado na economia (...)." Os alunos devem achar que viver naqueles dois países é um horror.E Mao? Este parece ser um fetiche dos autores de livros didáticos. O livro conta que Mao derrotou o capitalismo na China e relata dois episódios, sem referência aos milhões de mortos que os dois eventos provocaram. “Em 1958, a fim de aumentar a produção, foram criadas cooperativas rurais e novas indústrias também. Essas iniciativas econômicas foram conhecidas como o ‘Grande salto para a frente’. Preocupado com a influência de valores ocidentais na China, Mao iniciou a Revolução Cultural, uma campanha oficial marcada por intensa doutrinação e repressão.” E mais não se diz.Deixando de lado a História Universal, o que mais espanta no livro é a sua novidade: a propaganda político-eleitoral. Depois de relatar o sucesso do Plano Real no Governo Itamar, o livro explica assim a vitória de FH sobre Lula nas eleições de 1994: “Uma habilidosa propaganda política transformou o candidato do governo, Fernando Henrique, no pai do Plano Real.” Sobre os resultados do primeiro governo FH, o livro contraria tudo o que os especialistas dizem sobre os efeitos imediatos do Plano Real: “A inflação foi controlada, mas a um preço muito elevado. O desemprego cresceu, principalmente na indústria, elevando a miséria, a concentração de renda e a violência no país.” Herança maldita é pouco.Depois de contar como o governo foi obrigado a desvalorizar o real, o livro diz que o segundo mandato de FH trouxe duas conquistas no campo social, como ampliar as matrículas no ensino fundamental e reduzir a mortalidade infantil. Mas o capítulo termina assim: “O PT chegou ao poder com a responsabilidade de vencer um enorme desafio: manter a inflação sob controle e combater a desigualdade social no Brasil, onde 54 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza.” Como os autores disseram no início, o sonho não acabou.O livro termina com oito páginas sobre a fome no mundo e no Brasil. Há afirmações assim: “Há mais pessoas desnutridas na Nigéria, um país de 120 milhões de habitantes, do que na China, onde vive mais de 1,2 bilhão de pessoas.” A China é socialista, certo? As causas da fome, apontadas pelo livro, são as dificuldades de acesso à terra, o aumento do desemprego e a divisão desigual da renda. Depois de repetir que “o nosso país tem fome” o livro “esclarece”: “O combate à fome é o principal objetivo do governo Lula, que tomou posse em janeiro de 2003. Para isso, o governo lançou o Programa Fome Zero. A implantação do programa tem como referência o Projeto Fome Zero _ uma proposta de política de segurança alimentar para o Brasil, um documento que reúne propostas elaboradas pelo Partido dos Trabalhadores em 2001. Leia agora parte desse documento.”E as crianças são expostas a 52 linhas do documento de propaganda partidária elaborado em 2001 pelo Instituto da Cidadania, do PT. E a nenhum outro. O Fome Zero, que não conseguiu sair do papel, vira História. Tudo isso distribuído gratuitamente pelo governo federal a mais de um milhão de alunos. Isso é possível? Isso é republicano?Não acredito que o presidente Lula aceite que propaganda política de um único partido seja distribuída com o uso de dinheiro público como se fosse aula de história. Não acho também que o MEC concorde com isso. Fica aqui o alerta.Três detalhes.O livro, deliberadamente, confunde pobreza com fome. A OMS admite até 5% de pessoas magras em qualquer população (os geneticamente magros e não os emagrecidos pela falta de alimento). O Brasil tem 4% de magros e, em pouquíssimas áreas, esse percentual chega a 7%; a Índia tem 50%. A fome no nosso país é, portanto, um fenômeno localizado, na casa das centenas de milhares de pessoas, nunca na casa dos milhões.O livro, que se bate contra a globalização e o neo-liberalismo, foi impresso na China. Usando uma linguagem que poderia ser a dos autores, “roubando empregos brasileiros.”E, por último, para que o leitor tenha certeza da péssima qualidade do projeto, sugiro uma visita à página 83 do livro de geografia para oitava série, da mesma coleção (1.087.059 exemplares ao custo de R$ 4.859.153,73). Lá, num texto sobre o Islã, está escrito que a corrente sunita é a mais moderada e que “a xiita ou fundamentalismo islâmico é a mais radical”. Sim, eles acham que o xiismo e o fundamentalismo são sinônimos. Sim, eles ignoram que a Al-Qaeda, a manisfestação mais brutal do fundamentalismo, é sunita. No mesmo texto, está escrito também que a Arábia Saudita, o berço do sunismo radical, é ... xiita.Pobres de nossas crianças.

Refém das Ameaças


Calheiros continua onde está, porque ameaçou seus colegas. E muita gente ficou com medo de que essas ameaças viessem à tona. E, por isso, a pele do senador por Alagoas foi salva. Os Mercadantes da vida se abstiveram e ajudaram Calheiros. Medo de ameaça? Talvez. E Calheiros continua ameaçando e o governo do PT (porque os petistas dizem que o governo não é deles, mas do Lula) virou refém das ameaças do Calheiros. Um paradoxo engraçado para quem prometeu um Brasil decente.

Na verdade, Calheiros faz o que sempre fez: ameaça. O cara é perito no assunto, é profi, é craque, é show de bola, é "bala", como dizem os adolês, na ameaça. E assim a presidência do senado, um dos três cargos mais importantes da República fica ocupada pelo ameaçador mor.

Na época do julgamento de Calheiros por seus "ameaçados" pares monitorei os blogs de esquerda e todos eles diziam: Ah, que bom, a 'Veja' levou um "tufo". Eu respondi, que nada, a Veja vai vender mais e mais exemplares. Vai ser muito mais acessada, porque o sentimento de indignação é imenso.

Alertei também, porque vi a bola de cristal do futuro próximo, que a permanência de Calheiros no poder do senado foi uma derrota para o governo do PT que se tornou agora refém das ameaças de Calheiros. Eu diria mais, foi uma burrice estratégica fenomenal. Muito melhor seria para o governo do PT fazer movimentos para eliminar o tumor maligno Calheiros naquela oportunidade e limpar a mesa e seguir a vida da nação. Mas assim o governo do PT não fez. Dormiu no ponto e agora está "ameaçado".

A minha amiga santa também falou sobre o assunto. Recomendo.

Exigências dos "Donos do Social"


A agência chasque divulgou hoje que o governo Lula vai editar Medida Provisória para criar a Empresa Brasil de Comunicação e o novo sistema de comunicação pública vai ser formado pela fusão da Empresa Brasileira de Comunicação, a Radiobrás, e da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, a Acerp, que coordena a TVE./ A Radiobrás possui uma rede composta por SEIS emissoras de rádio, TRÊS de televisão, DUAS agências de notícias, serviços de clipping e o programa de rádio Café com o Presidente./ Já a Acerp comanda TRÊS emissoras de televisão e DUAS emissoras de rádio./ A jornalista TEREZA CRUVINEL já foi anunciada como diretora-executiva da rede pública./ Ela estava há VINTE anos no jornal O Globo, onde escrevia uma coluna política./ O orçamento da nova empresa está previsto em TREZENTOS E CINQÜENTA MILHÕES de reais para 2008."

Ao mesmo tempo, as concessões das principais redes privadas do país termina no dia 05 de outubro. Coincidência? Talvez.

Pesquei, também, do diário gauche mais detalhes sobre a mobilização dos "movimentos sociais" em relação ao fim da concessão da RBS, Globo, Band etc., conforme convocação acima.

Ali está dito, com todas as letras, que esses movimentos querem o controle social sobre as concessões de tv e participação popular.

Ora, pipocas, em primeiro lugar, nenhum movimento que se diz "popular" é "dono do social". A concessão de uma rede de televisão não precisa de controle social para ditar regras. A concessão deve se submeter ao controle administrativo, constitucional e legal das entidades públicas (Agência, Judiciário e MP), sendo que as organismos e movimentos privados podem levar suas reclamações a esses órgãos. Absurdo dos absurdos seria o MST da vida querer impôr pauta para uma concessionária de tv. O Brasil e os brasileiros têm de estar de olho nesses movimentos, cuja elite gosta de censurar a livre expressão.

E mais, o orçamento da nova tv pública, mais uma estatal neste Brasilsão, é de 350 milhões de reais. Espero, também (santa ingenuidade, a minha) , que essa estatal não acabe virando cabidão de emprego dos companheiros do PT e da esquerda do PT, sendo que muitos deles apoiaram o fim da concessão da RCTV venezuelana.

Quem é você, cara pálida?


Leio no blog Rs urgente o seguinte:

Na próxima sexta-feira, dia 5, serão realizadas mobilizações nas capitais do país para o lançamento da campanha por democracia e transparência nas concessões de rádio e televisão. Neste dia, vencem ao mesmo tempo diversas concessões de TV, inclusive as de emissoras de algumas mas maiores redes do país: as cinco concessões próprias da Rede Globo, a Bandeirantes e a Record. No Rio Grande do Sul, a data marca o fim da validade das concessões da RBS TV Porto Alegre, RBS TV Passo Fundo e RBS TV Florianópolis, além das concessões da TV Pampa e da TV Bandeirantes RS. O ato, em Porto Alegre, será realizado a partir das 17h, em frente ao Grupo RBS, na esquina das avenidas Érico Veríssimo com Ipiranga. A mobilização está sendo convocada pela Coordenação dos Movimentos Sociais (que congrega organizações como a CUT, o MST e a UNE), Grito dos Excluídos, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento Quem Manda é Você e Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, entre outras entidades.

Esse movimento, por acaso, é contra a renovação da concessão da RBS, da Globo, da Band? A convocação é meio ambígua e não deixa claro o que efetivamente se pretende. Afinal, o que defende esse movimento? Ele simplesmente diz: quem manda é você? Mas quem é você, cara pálida?

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Hobsbawm - Entrevista com o Ex Revolucionário


A Folha entrevistou, na edição de ontem, o historiador de esquerda, Eric Hobsbawm. Hobsbawm é um intelectual sincero e que sempre respeitei. Não vou aqui copiar e colar toda a entrevista que pode ser acessada no site da Folha, mas alguns trechos são interessantes.

Diz Hobsbawm:

No começo da era das revoluções, o único resultado da ação do homem na Terra que podia ser visto do alto era a Grande Muralha da China. Agora podemos ver muito mais. A partir dos foguetes, se percebe o declínio das florestas, o tamanho e a luz das metrópoles, o reflexo de guerras e catástrofes. Se no século 18 sequer tínhamos uma visão global, agora podemos estar no espaço para conferi-la. Em segundo lugar, uma das grandes dificuldades do século 18, a de como ir de um lugar para o outro, passou por uma revolução sem precedentes. Também chamaria a atenção para o que justamente não se pode ver do espaço, a revolução sem precedentes que é a internet. E outros temas como o fim do campesinato e o novo lugar das mulheres. Mas estou muito velho pra um esforço desses...


(...)

Os ideais da Revolução Francesa se espalharam pela Espanha, pela América Latina e causaram grandes transformações políticas. Mas, quando a França quis exportar suas instituições à força, não teve sucesso. Quando uma intervenção não conta com certo consenso local, tende a fracassar. A idéia por trás de certo imperialismo dos direitos humanos era de que regimes tirânicos seriam tão imunes a influências externas que precisariam ser removidos pela força. Mas trata-se de uma concepção antiga, de um mundo pré-1989, pré-redemocratização de regiões como a América Latina.


(...)

O comunismo como movimento que conglomera muita gente já não existe. Não se trata mais de uma alternativa no Ocidente. A partir de 1989, passou a ser diferente. Com relação à China, por exemplo, o que quer que esteja acontecendo de errado lá não tem nada que ver com o comunismo. Também não acho que os trabalhadores que assinaram manifestos pelo comunismo no passado pensem que acreditaram num Deus que falhou. Apenas quiseram fazer uma opção, que não deu certo. Hoje, achar que o comunismo é um mal concreto é algo que está limitado ao meio intelectual. Mais especificamente, a intelectuais de países em que o comunismo foi muito influente no debate político. Então chegou um momento em que essas pessoas quiseram reagir contra, como se estivessem pedindo desculpas. Por exemplo, François Furet [historiador francês, autor de "Pensando a Revolução Francesa"], quando o conheci, ele não era apenas um comunista, mas um enfático militante stalinista. E depois virou-se completamente.


(...)

Sim, minha convicção de ser de esquerda continua. Me posiciono fortemente contra o imperialismo e contra as forças que acham que fazem um bem a outros países ao invadi-los, e contra a tendência de pessoas que, por serem brancas, são superiores. Essas certezas eu não abandono. Mas algumas das minhas convicções mudaram. Não creio mais que o comunismo como foi aplicado poderia dar certo. E não sou mais revolucionário.Porém, não acho que tenha sido mau para mim e para minha geração termos sido revolucionários. Cresci na Alemanha de Hitler, sempre odiarei totalitarismos


(....)

O futebol sintetiza muito bem a dialética entre identidade nacional, globalização e xenofobia dos dias de hoje. Os clubes viraram entidades transnacionais, empreendimentos globais. Mas, paradoxalmente, o que faz o futebol popular continua sendo, antes de tudo, a fidelidade local de um grupo de torcedores para com uma equipe. E, ainda, o que faz dos campeonatos mundiais algo interessante é o fato de que podemos ver países em competição. Por isso acho que o futebol carrega o conflito essencial da globalização.Os clubes querem ter os jogadores em tempo integral, mas também precisam que eles joguem por suas seleções para legitimá-los como heróis nacionais. Enquanto isso, clubes de países da África ou da América Latina vão virando centros de recrutamento e perdendo o encanto local de seus encontros, como acontece com os times do Brasil e da Argentina. É um paradoxo interessante para pensar sobre a globalização.



Sobre Verdades e Burrices


Folhei na sexta-feira um livro bem interessante que alguém me deu de presente: "O homem sem qualidades" do escritor austríaco Robert Musil (1880/1942)". Ele está na lista de espera da minha cabeceira.

E foi uma frase de Robert Musil desse livro 'Homem sem qualidade' que Reinaldo Azevedo ilustra seu blog.

A frase é a seguinte e requer reflexão:

"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem."

Ou como diz Caetano, na música estrangeiro: o certo é saber que o certo é certo."


A foto acima é de Robert Musil.

A Grife Guevara


Este blogueiro, na juventude, na mocidade leu as biografias e os estudos sobre guerrilhas e estratégias de Guevara. Chamou a atenção na época que Guevara não era lá um bom escritor, meio prolixo, meio ingênuo e carregado de um lado autoritário muito forte. Com o sonhador Guevara não havia meio termo ou meias palavras, era tudo ou nada.

Mais tarde - depois que a ficha caiu - este blogueiro continuou fascinado pelo mito e pela grife Guevara. Lá pelas tantas, numa livraria da vida, pinçou a biografia de Che, feita pelo mexicano Jorge Castañeda, uma vida em vermelho, e devorou a obra.

Este blogueiro não estava totalmente errado quanto a Che, pois depois de ler sua biografia -- que é realmente fascinante -- se manteve aquele sentimento de que Che realmente era um carinha ingênuo, carregado de espírito autoritário, que não conseguia receber um não. Pior, além disso, lendo a biografia, o dono deste depósito constatou também que Che era um assassino, comandou a execução de centenas de pessoas no quartel "La Cabaña", nos primeiros anos da revolução cubana. Depois, Che foi presidente do Banco Central Cubano e Ministro do governo Fidel. Foram administrações pífias, porque Che, ingenuamente, acreditava que bastava ter boa vontade socialista para realizar uma boa administração. Fracassou nessa atividade administrativa e resolveu fazer o que realmente gostava: revolução em outros lugares. Foi para o Congo Belga e seu deu mal. Na Bolívia não conseguiu o apoio de quase ninguém. Foi executado em La Higuera.

Ontem a Veja publicou em sua capa um especial sobre Che: há quarenta anos morriao homem e nascia a farsa.

Por que o mito, o ícone, a grife Guevara está tão em alta ?

Veja tenta responder:

O esforço de construção do mito foi facilitado por vários fatores. Quando morreu, Che era uma celebridade internacional. Boa-pinta, saía ótimo nas fotografias. A foto do pôster que enfeita quartos de milhões de jovens foi tirada num funeral em Havana, ao qual compareceram o filósofo francês Jean-Paul Sartre – que exaltou Che como "o mais completo ser humano de nossa era" – e sua mulher, a escritora Simone de Beauvoir. A foto de 1960 só ganhou divulgação mundial sete anos depois, nas páginas da revista Paris Match. Dois meses mais tarde, Che foi morto na selva boliviana e Fidel fez um comício à frente de uma enorme reprodução da imagem, que preenchia toda a fachada de um prédio público cubano. Nascia o pôster.
Três fatos ajudaram a consolidar o mito. O primeiro foi a morte prematura de Che, que eternizou sua imagem jovem. Aos 39 anos, ele estava longe de ser um adolescente quando foi abatido, mas a pinta de galã lhe garantia um aspecto juvenil. O fim precoce também o salvou de ser associado à agonia do comunismo. A decadência física e política de Fidel Castro, desmoralizado pela responsabilidade no isolamento e no atraso econômico que afligem o povo cubano, dá uma idéia do que poderia ter acontecido com Che, que era apenas dois anos mais jovem que o ditador.

Equívocos -- e graves equívocos -- dos nossos dias.