Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Sobre Grampos, Paranóias e Golpes


Os meus favoritos blogs da esquerda caduca insistem em menosprezar a questão dos grampos. Isso é tão divertido. É a velha tese de sempre, isso é manifestação da direita conservadora e cansada, alimentada pelo PIG da vida. Eles dizem: esse pessoal não se preocupou com os grampos na época da ditadura e agora vêm posar de vítimas das circunstâncias... Interessante, eles atiram argumentos no ar para ver se cativam o coração e a mente dos incautos. O que tem a ver a questão dos grampos com a ditadura militar? Eu gastei minha voz gritando abaixo a ditadura e estou hoje gritando contra os grampos!!! E a paranóia é impressionante, qualquer coisinha contra o governo do PT, é invenção da imprensa malvada, estúpida e corrompida que quer tirar do poder o governo do povo, como se o atual governo fosse o legítimo e absoluto governo do povo. E por ser o governo do povo ele pode tudo, inclusive grampear o judiciário, a oposição e a vida da gente. E esse pessoal aproveita. Dizem que até o Paulo Henrique Amorim - aquele que já foi demitido de todas as empresas da grande mídia e hoje trabalha para o Bispo Macedo e atira no mercado de uma esquerda decadente -- aderiu a essa onda. Bom, o PHA é o cara que inventou o termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) que abrange a grande mídia e, sobretudo, a Veja. E a revista do grupo Abril trouxe a discussão sobe o assunto. Certa gauche disse que a Veja anda muito desgastada. Pois é, a Veja anda tão desgastada, mas tão desgastada que o governo do PT - ao ler a matéria - mandou afastar a diretoria da ABIN.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Alugam-se Caixões


Em tempos difíceis as pessoas têm idéias inusitadas. Um amigo que era servidor público de uma estatal que foi privatizada e que ganhou uma boa graninha no Plano de Demissão Voluntária (PDV) não conseguiu se dar bem na iniciativa privada. Hoje ele está desempregado e está pensando em montar um negócio. Ele me disse que topa tudo. Outro dia ele estava no cemitério, no crematório acompanhando um velório e teve -- diz ele -- uma idéia genial. Foi um verdadeiro 'insight', ele me disse. Cara, olha só, certamente o crematório não queima o caixão. Ele queima só o corpo, mas é necessário o caixão para o velório. Aí eu pensei assim, vou fazer uma empresa que aluga caixão para o velório. E depois do velório, o crematório me devolve o caixão. A família do defunto vai pagar menos pelo caixão, porque não vai comprar, mas vai alugar. E o negócio pode dar certo. Ele me convidou para ser sócio do empreendimento. Basta comprar dois ou três caixões, nada mais que isso. Se o negócio melhorar e der certo, se compra mais. Não falei mais com a criatura, não sei se ele levou adiante essa idéia. Fiquei pensando no aviso luminoso, aberto 24 horas, alugam-se caixões.

sábado, 9 de agosto de 2008

Eu Gosto da Marta

O dono deste Blog confessa: ele gosta da Marta do futebol. Ela tem pegada, garra e categoria.


Tenho uma tia que gosta de gravar as aberturas das olimpíadas. Mas eu tenho dúvidas, porque não perguntei para ela se ela - alguma vez -- assistiu um replay dessas cerimônias. Eu vi ontem o início dessa festa de abertura da Olimpíada de Pequim. Foi legal, muito legal. Não consigo aguentar o Galvão Bueno e por isso sintonizei no Sportv. O Oscar do basquete, quando tocou o hino da China, disse: esse hino é revolucionário. Depois ele completou: os chinês inventaram tudo, até o papel, sabe da onda vem o papel: do cânhamo. Não me pergunte o que é cânhamo. Eu gosto da espontaneidade do Oscar. Ele é um homem de bem. Tinha compromisso de manhã e não consegui assistir mais do que meia hora. Não posso, portanto, opinar sobre esse evento. Vi as fotos que são majestosas e li os comentários que postei aqui no Blog da Folha de hoje. Mas hoje é sábado e algumas voltas tenho que dar. Vou torcer para o Brasil nessas olimpíadas. Eu - definitivamente - gosto da Marta.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Na Sala de Espera


Enfrentei hoje uma sala de espera de um consultório. E ali fiquei das 14 às 15 horas. A sala era estreita, pequena, claustrofóbica. Tudo muito abafado, tudo muito incômodo, porque o ar condicionado estava danificado e o calor de Porto Alegre de janeiro de 2008 tomou conta do lugar. Dei o meu nome para a secretária e sentei. Havia apenas duas coisas a fazer: ler a revista Caras com o namorado sérvio da Ivete Sangallo e assistir ao programa de TV com a Fernanda Lima fazendo perguntas para atrizes e atores da Globo. Diante das alternativas optei pela TV. Incrível, todas as perguntas diziam respeito às novelas da Globo. Surgiu a seguinte pergunta, os atores e atrizes devem arrolar os pares românticos que contracenaram com a Suzana Vieira nas novelas. E o pessoal sabia tudo e respondia atentamente (José Wilker, Cláudio Marzo, Francisco Cuoco, José Mayer e mais uns três). Fiquei pensando e refletindo sobre o episódio enquanto secava o suor da minha testa úmida. Quando estou em casa, na solidão dos meus botões, gosto de zappear na tv, ficar passando e passeando de canal em canal. Lembrei, naquele astral de sauna podre, os programas de auditório da TV5 francesa. Os nossos irmãos franceses adoram programas de perguntas e respostas, mas sobre cultura e conhecimento geral mesmo do tipo qual a principal obra de Denis Diderot? Do que ela trata, quanto tempo ele levou para escrever? E por que tanto tempo? Qual o legado que ele deixou para a humanidade? etc. Mas eu continuava ali na mesma sala, com o mesmo calor, no Brasil de 190 milhões de pessoas governado por Lula e nesse contexto só podia acontecer isso mesmo: a Globo constroi a cidadania do Brasil fazendo perguntas sobre suas próprias novelas, seus atores e atrizes, as fofocas e as vidas íntimas. E exatamente às 14:45 uma pequena pausa na programação para mostrar para o Brasil inteiro a casa mais cobiçada e visualisada do país, a casa do BBB 8. Barrigadas na piscina, meninas de barriguinhas de fora, lindas, saradas, mostrando a bundinha para o país. Dizendo, isso tudo aqui é o máximo! É por isso, penso, que o povo brasileiro ensina seus filhos a dançar na boquinha da garrafa. Não quero ser moralista, mas acho tudo isso o fim da picada. A secretária que me atende continua a procurar minha ficha num desorganizado fichário. Ela pergunta novamente o meu nome e escreve errado. Corrijo e ela mantém o erro. Definitivamente, ela não está com saco. Nem eu. Ela olha para a Tv, para o relógio, para o fichário. Ela não estava interessada em nada disso, ela queria saber quais foram os atores que fizeram o par romântico com Suzana Vieira nas novelas da Globo. Eu era apenas um grande empecilho.
*fotografia de Lucas Pupo.