Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Grande Dona Ruth



Acho que foi Luiz Fernando Veríssimo que um dia disse que Ruth Cardoso seria uma boa candidata à Presidência da República. De fato, ela tinha todos os credenciais para o posto. Ruth Cardoso não foi apenas uma "primeira dama", ela foi uma brilhante assessora Foi ela que implementou no seio da administração, através do Comunidade Solidária, diversos programas sociais de combate à pobreza e inclusão social que hoje continuam no governo Lula.

Entre os programas desenvolvidos pelo Comunidade Solidária, estão o Alfabetização Solidária, Universidade Solidária, o Comunidade Ativa e Capacitação Solidária. Os programas deram origem aos benefícios Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, embriões do Bolsa Família do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

A morte repentina de Dona Ruth foi uma perda imensa ao Brasil. Perdemos uma grande mulher e uma intelectual corajosa.

terça-feira, 24 de junho de 2008

A Charge de Rafael Correa




Rafael Corrêa tem nome de presidente do Equador, mas é um chargista gaúcho que tem um blog: http://vespo.blogspot.com/

Popularidade de Cristina Kirchner Despenca


O resultado das últimas pesquisas era esperado. Cristina caiu de 56% de popularidade para 20%. Ela não caiu, ela despencou. Cristina está seguindo os passos de De La Rua. Depois, vão me acusar de golpista! Todo o governo que briga com seu povo colhe os frutos dessas medidas. Mas vão dizer por ai.... Cristina está brigando com a oligarquia... Será mesmo? As notícias que vêm lá do Plata é no sentido de que o aumento de impostos para os produtos agrícolas -- que é exatamente o que sustente o país -- é completamente absurdo e abusivo. E o resultado é esse ai, crise institucionalizada e a classe média apoiando os agricultores. É evidente que existe gente do outro lado, do lado do governo, movida a outros interesses como esses tais de piqueteros e os pelegos das centrais sindicais peronistas. Essa é a Argentina de hoje e esse filme eu já vi.




Em apenas seis meses de governo, Cristina Kirchner perdeu popularidade de maneira vertiginosa. Segundo uma sondagem da consultoria Poliarquia, a imagem da presidente caiu em 26 pontos desde março, quando começou o conflito com os setores agropecuários, e 36 pontos desde o começo do ano. De janeiro a junho, caiu de 56% a 20%."A perda de confiança na Cristina é prévia ao conflito agropecuário e acontece em todos os setores sociais. Se o governo conseguir consensuar uma saída ao conflito, vai recuperar um pouco dessa imagem, mas ainda virá o impacto da inflação e da crise energética", prevê Aldo Abram, do CIIMA (Centro de Estudos de Instituições e Mercados da Argentina).

Fonte Uol. Leia mais aqui.



Segundo a Patrulha: O Encontro de Xuxa e Rosário é Grave


Hoje o diario gauche se superou.

A Zero Hora de ontem publicou uma fotografia da candidata do PT para a Prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário - que tem uma filha de 7 anos -- sendo recebida pela apresentadora Xuxa.

A patrulha ideológica caiu em cima.

O dono do diario gauche desfilou com essa pérola. Depois eu comento:


O estranho embevecimento de Rosário por Xuxa
Dois leitores me escreveram pedindo que eu faça considerações maiores e melhores sobre a admiração da deputada federal Maria do Rosário (PT) pela apresentadora Xuxa Meneghel, segundo foi informado ontem em ZH, e conforme fotografia distribuída pela assessoria da parlamentar petista e atual candidata da sigla ao Paço Municipal.
Quero ser breve, porque reputo esse assunto Xuxa muito chato e, de resto, matéria vencida. Vamos lá.
Xuxa não é um ser humano. É uma grife-ferramenta de vender mercadorias - as mais supérfluas e suspeitas - às crianças. Não há uma molécula de senso didático-pedagógico na ação espetacularizada desta grife-ferramenta. Xuxa é um instrumento de deformação e não de formação. Seus programas promovem uma cruzada em favor do capital, não visam transformar as crianças e pré-adolescentes em cidadãos e cidadãs autônomos e conscientes, mas em subalternos consumidores heterônomos e conformados.
É de estranhar, pois, o embevecimento de Rosário por Xuxa, conforme o testemunho da fotografia acima. Neste caso, ou uma delas está redondamente enganada com a outra, e estaríamos diante de duas tontas, o que não acredito que seja verdadeiro, ou ambas estão afinadas e simbolizam – cada uma a sua maneira e vez – sementes de alienação no espírito fértil e desarmado de crianças e pré-adolescentes de nosso País.
Isso não é brincadeira, o caso é grave.


Meu comentário:


Isso se chama patrulha ideológica. A pessoa não pode ter a liberdade de opção ou de gosto. Ela tem que se adaptar ao gosto dos outros, ao gosto e as opções da patrulha. Se uma menininha de 7 anos gosta da Xuxa, a patrulha não permite que ela assista seu show,seu DVD, seu programa, porque ela representa o espírito da alienação, o fetiche da mercadoria. Depois certa esquerda não entende porque a imensa maioria do povo não vai atrás de seu discurso. É porque ele é mofado, medíocre e hipócrita.

MP-RS Pede Dissolução do MST


Essa notícia não saiu na mídia sul-riograndense. Ela é da Folha de S. Paulo de hoje:


O Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul aprovou relatório que pede a "dissolução" do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e já serviu de base para oito ações judiciais contra sem-terra, que incluem proibição de marchas e autorização de despejos e deslocamento de acampamentos."Voto no sentido de designar uma equipe de promotores de Justiça para promover ação civil pública com vistas à dissolução do MST e a declaração de sua ilegalidade", afirma o promotor Gilberto Thums, em relatório obtido pela Folha e aprovado por unanimidade pelo conselho no final de 2007.Os promotores, além de mirar na intervenção de escolas ligadas ao movimento, buscam agora um mecanismo jurídico para apresentar à Justiça o pedido de dissolução do MST. As ações atuais têm o apoio também do governo gaúcho, segundo os sem-terra."Nós conseguimos, com a ajuda da Polícia Militar, identificar todos [os militantes do MST]", disse o promotor Thums, que completou: "Quem invadir, quem depredar, quem praticar atos de vandalismo e de sabotagem vai ser preso, pois já estará identificado como integrante desse movimento. Vamos mover processo criminal contra eles".Para o MST, trata-se da ofensiva jurídica mais dura de sua história. Como contra-ataque, o movimento promete denunciar a ação dos promotores em organismos internacionais, como ONU (Organização das Nações Unidas) e OEA (Organização dos Estados Americanos).Criado em 1984, o MST não existe juridicamente, portanto não é simples a tarefa de extingui-lo. Numa estratégia de blindagem, justamente contra ações como a do Ministério Público, não há um CNPJ para ser anulado nem presidente para ser preso ou processado.Para o MST, em termos de "repressão" à sua atuação, a iniciativa dos promotores só fica atrás do massacre de Eldorado do Carajás, quando, em abril de 1996, 19 sem-terra morreram em ação de desobstrução de rodovia pela PM paraense."Não há como dissolver o que não existe do ponto de vista legal. Numa hipótese doida, o que eles [promotores] poderiam fazer é [pedir à Justiça] a decisão de proibir todos de se reunirem como MST. A única possibilidade seria essa", disse Juvelino Stronzake, advogado do movimento."Se retiramos o massacre de Eldorado do Carajás, esse é o fato mais marcante da história do movimento. É significativo por ser instância do Estado tentando limitar a organização popular. Só tivemos situações como essa, de proibir marchas, na ditadura", completou.A idéia do Ministério Público do Rio Grande do Sul é chegar ao ponto de proibir qualquer órgão do Estado de negociar contratos e convênios, com o movimento. "Cabe ao Ministério Público agir agora. Quebra a espinha dorsal do MST", diz um dos trechos do relatório.

Bons Compadres


A Presidência reconheceu que o advogado Roberto Teixeira esteve pelo menos seis vezes no Palácio do Planalto com Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública do presidente.Teixeira é acusado de usar sua influência junto ao governo para aprovar a venda da VarigLog para o fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, que o contrataram.

Ao menos dois desses encontros estão relacionados diretamente com o negócio, aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em junho de 2006. No mês seguinte, a Va- rigLog adquiriu a Varig. A assessoria de Teixeira diz que as demais visitas foram apenas de cortesia ao amigo Lula.

No dia 15 de dezembro daquele ano, Teixeira foi ao encontro de Lula acompanhado dos sócios da Varig um dia depois de a companhia receber da Anac, em cerimônia em Brasília, certificado que lhe deu autorização para voar.Segundo Marco Antonio Audi, sócio afastado da VarigLog, o encontro foi convocado às pressas por Teixeira na manhã do dia 15, quando todos já haviam retornado a São Paulo, após a cerimônia. Audi então alugou um jatinho particular, onde viajaram, além dele e de Teixeira, os sócios brasileiros Eduardo Gallo e Marcos Haftel e o representante do fundo americano, o chinês Lap Chan.Outro encontro de Teixeira com Lula ocorreu em 28 de março de 2007. Naquele dia, o advogado foi ao Planalto acompanhado dos empresários Nenê Constantino e Constantino de Oliveira Jr., donos da Gol. O motivo da reunião, segundo os empresários, era comunicar oficialmente a Lula a compra da Varig pela Gol.

Nas duas ocasiões, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), acusada de interferir na venda da VarigLog, estava presente.O Planalto argumenta que nem todos os compromissos do presidente são divulgados.
Matéria da Folha de hoje.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Na Direção Certa

Pochmann defende IR de padrão sueco para serviço padrão haitiano



Eu digo e repito, o Brasil navega na direção certa. E navega desde o início do Plano Real. A agenda, a linguagem para esse país se desenvolver é atração de investimentos - sem preconceitos -- para gerar mais imposto e mais renda para os brasileiros. É essa a agenda da inclusão social.



O gráfico abaixo mostra que a desigualdade entre os rendimentos dos trabalhadores brasileiros caiu quase 7% entre o quarto trimestre de 2002 e o primeiro de 2008. Nesse período, o índice de Gini na renda do trabalho, ou o intervalo entre a média dos 10% mais pobres da população e a média dos 10% mais ricos, caiu de 0,543 para 0,505. O indicador varia de 0 a 1 - quanto mais perto de 1, maior desigualdade; quando mais perto de zero, menor desigualdade.





Leio no Portal G1:



O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, apresentou nesta segunda-feira (23) um estudo que mostra a redução da desigualdade no país. Segundo os dados, a renda da parcela mais pobre da população cresceu 22% nos últimos cinco anos, enquanto a renda dos mais ricos cresceu 4,9%.

Pochmann avalia que os seqüentes reajustes do salário mínimo acima da inflação e os programas de transferência de renda tiveram impacto fundamental na redução da desigualdade. É necessário um conjunto de outras políticas para fazer os salários aumentarem sua participação na renda nacional [PIB]”, disse o presidente do Ipea. Ele defende que se faça isso por meio da tributação, tornando a cobrança de impostos progressiva para as maiores faixas de renda. Pochmann avalia ainda que a reforma tributária que está no Congresso é tímida em relação a esse ponto.



Gostei do Comentário do Reinaldo Azevedo sobre essa avaliação do Pochmann para implantação de cobrança de imposto progressiva para as maiores faixas de renda.


Diz Reinaldão:




Começo pelo que é uma militância. Pochmann, Pochmann... Qual é o problema deste rapaz? A cada dez declarações que dá, ele pede a elevação de impostos em 11. A última do valente é sugerir um Imposto de Renda de padrão sueco para serviços de padrão haitiano prestados pelo estado. Sua justificativa certamente é tão verossímil quanto mentirosa: quando tivermos uma alíquota de 60% do Imposto de Renda para altos salários, sobrarão mais recursos para a saúde, por exemplo. É mesmo? Pochmann só não conseguiria explicar como o governo que ele integra aumentou o funcionalismo público federal em mais de 200 mil pessoas — e a Saúde continua no padrão haitiano. Era assim com CPMF. É assim sem CPMF.Essa tal “desigualdade” é o último fetiche que resta às esquerdas. Ela pode ser grande ou pequena, e daí? No máximo, existe uma correlação com a situação dos pobres e miseráveis, não uma relação de causa e efeito; é só uma circunstância. A distância, em Cuba ou na Coréia do Norte, entre “o mais rico” e o “mais pobre” deve ser pequena. Aquilo é bom? Na ditadura chinesa, com o seu “comunismo” muito particular, a distância certamente é maior do que no Brasil. No entanto, aquele país tirou 400 milhões de pessoas da miséria em 15 anos — 0,89 indivíduo por segundo; o mundo nunca viu nada igual: obra do “neoliberalismo”.A desigualdade pode ser estratosférica, desde que se tenha um piso que garanta condições dignas de vida. E esse piso não se constrói, de forma sólida e sustentada, com medidas fiscais. Isso é um tara e um fetiche da esquerdopatia. “Ah, na Suécia, a diferença é menor do que no Brasil”. Tá bom. Então importem a economia sueca, a sociedade sueca, os serviços suecos... Pochmann quer começar importando os impostos suecos. Espertinho o rapaz.

O Potencial - Desperdiçado - de Porto Alegre

Vista do cais do porto de Porto Alegre, onde o muro da Mauá separa a cidade do Guaíba.


Não é porque eu sou portoalegrense, porque cresci e vivo em Porto Alegre que vou puxar o saco da cidade onde moro. Mas sempre achei - até porque conheço diversos lugares do mundo, porque tive o privilégio de viajar por ai - que o potencial de Porto Alegre para o turismo é muito razoável. Porto Alegre é uma cidade bem arborizada, com bairros de boa qualidade de vida, com excelentes parques, mas falta muita coisa. O que emperra Porto Alegre de ir adiante e olhar para a frente é a disputa política e o preconceito ideológico. Não existe espírito de convergência. Quando algum governo tem alguma idéia, por exemplo, de revitalizar o centro de Porto Alegre e integrar o rio Guaíba, a oposição é contra, inventa histórias, diz que estão querendo privatizar o porto etc.. Assim tem sido sempre, infelizmente. Há quanto tempo, Porto Alegre espera para que seja aprovado um projeto decente, em parceria com a iniciativa privada, de revitalização do porto? E certa esquerda, que anda por aí, foi contra, inclusive a abertura da Av. Beira Rio e foi contra a construção do Museu Iberê Camargo, porque realizado pela Lei Rouanett. Mas a entrevista abaixo que copiei e colei da Zero Hora de domingo, do arquiteto português, José Paulo Mateus, professor da Universidade Internacional da Catalunha, de Barcelona (Espanha), e fundador da Trienal de Arquitetura de Lisboa, visitou Porto Alegre nesta semana e ficou impressionado com a cidade. Um dos palestrantes do fórum Porto Alegre, Uma Visão de Futuro, promovido pela Câmara Municipal, ele acredita que a Capital tem beleza "espantosa" e pode atrair visitantes de fora - se souber aproveitar o potencial do Guaíba. Para ele, o recém-inaugurado edifício da Fundação Iberê Camargo vai gerar uma peregrinação de arquitetos à cidade. Leia a entrevista:

Zero Hora - Qual foi a sua impressão sobre os potenciais de Porto Alegre?

José Mateus - Há cidades onde nós, passado um dia, não conseguimos identificar aspectos fortes que possam ser utilizados para reforçar a identidade e a capacidade de atrair pessoas. Mas aqui achei aspectos muito interessantes e fortes, como a topografia e a arborização. Um dele é a presença do Guaíba, que tem uma beleza, uma configuração e um potencial incríveis. O Guaíba deveria ser o enfoque de qualquer plano para a cidade. Ele é espantoso. Não sei se a gente de Porto Alegre consegue ter consciência disso, mas para quem vem de fora é algo notável.

ZH - Esse potencial está sendo mal aproveitado?

Mateus - Há cidades onde chegamos e percebemos que a vida é atraída para um lugar. Estive em Pisa, na Itália, há pouco tempo, e a vida flui em direção ao rio, que é um rio bastante modesto, mas que atravessa o Centro. À noite, as pessoas todas se aglomeram ali. Aqui, a sensação que eu tive ao circular de automóvel ao longo da orla ribeirinha era de que não havia uma presença de atividade humana, de funções e de dinamismo que tirasse partido do rio.

ZH - Em Porto Alegre, o que poderia ser feito para aproveitar o potencial do Guaíba?Mateus - Criar para cada zona da cidade um concurso de idéias no qual todos os arquitetos e engenheiros poderiam propor diferentes visões. No caso da área central de Porto Alegre, o muro constitui uma opacidade, uma barreira que desde logo bloqueia o acesso e o visual. Já vi casos em que muros como aquele podem acabar por permanecer, com algumas fendas de passagem.

ZH - A justificativa para manter o muro é que ele protege a cidade contra cheias do Guaíba. Ele é realmente necessário?

Mateus - Houve alguma cheia que tivesse ocorrido desde que foi construído o muro? A mim disseram que não. A questão que coloco é se não vão passar cem anos em que as pessoas não fruíram o rio e em que não houve nenhuma cheia. Será que compensa pagar esse preço tão elevado? Não sei se não há outras formas de transformação, até topográfica. Acho que poderia ser interessante ver, por exemplo, como na Holanda (boa parte do país está abaixo do nível do mar) vencem esse tipo de problema.

ZH - Pensar em uma solução para aquela área do Guaíba poderia combater a degradação do Centro?Mateus - Sem dúvida. O Guaíba seria o ponto de partida. O projeto teria de estabelecer a ligação entre esse espelho extraordinário de água e a cidade, produzindo pontos de atração, fluxos de ciclovias, equipamentos culturais, equipamentos lúdicos, etc. Eu circulei e vi imensa vida pela rua afora. Mas vi que era uma área decadente.

ZH - Porto Alegre tem potencial turístico?Mateus - Quanto mais a cidade tiver pontos de atração como o rio, mais atraente se torna para quem vem do Exterior. Porto Alegre tem uma beleza extraordinária da zona ribeirinha que pode aproveitar. E agora tem o Iberê. Acho que vai haver uma peregrinação de arquitetos e depois de muita gente a Porto Alegre. Será um efeito Bilbao (cidade espanhola que passou a atrair visitantes depois de inaugurar um museu de arquitetura arrojada). Com a diferença de que Bilbao é feia. Cheguei aqui e fiquei surpreendido: esta cidade tem imenso potencial. Há cidades que não têm, que nós forçamos para encontrar justificativas para as pessoas irem ali. Nesta não é assim.

Deus, Alcorão e os Bons Muçulmanos


texto de Ayaan Hirsi Ali que estará na próxima segunda, dia 30 em Porto Alegre RS, no Fronteiras do Pensamento, publicado na Zero Hora de sábado.



Meus pais me educaram para ser muçulmana - uma boa muçulmana. O Islã dominava a vida e as relações da minha família, até os mínimos detalhes. Era nossa ideologia, nossa convicção política, nosso padrão moral, nossa lei e nossa identidade. Antes e acima de tudo, éramos muçulmanos e, só então, somalis.Muçulmanos, conforme aprendemos, são aqueles que se submetem à vontade de Alá, expressa no Alcorão e no Hadith, uma coletânea de dizeres atribuídos ao profeta Maomé. Aprendi que o Islã nos separa do resto do mundo, o mundo dos não-muçulmanos.Nós muçulmanos somos escolhidos por Deus. Eles, os outros, os kfur, os infiéis, são anti-sociais, impuros, bárbaros, incircuncisos, imorais, inescrupulosos e, acima de tudo, obscenos; suas meninas e mulheres são prostitutas, pelas quais eles não têm o menor respeito; muitos dos homens são homossexuais; homens e mulheres fazem sexo fora do casamento.Os infiéis são malditos, e Deus lhes reserva as mais atrozes punições no além.Há cerca de 12 anos, aos 22, cheguei à Europa Ocidental fugindo de um casamento arranjado. Logo percebi que, ali, Deus e sua verdade haviam sido humanizados. Para os muçulmanos, a vida terrena não passa de um estágio transitório que antecede o que está por vir. Na Europa, porém, é permitido investir nesta vida mortal. E mais, o inferno parece já não existir, e Deus é um deus de amor, não um senhor cruel que distribui castigos.Experiências pessoais, extensas leituras e conversas levaram-me a entender que a existência de Alá, dos anjos e demônios e da vida após a morte são, no mínimo, questionáveis. Ainda que Deus exista, não devemos tomar sua palavra como absoluta, mas desafiá-la. Certa vez, escrevi sobre minhas dúvidas quanto à nossa fé, na esperança de iniciar uma discussão. Fui imediatamente hostilizada por muçulmanos zelosos, homens e mulheres que queriam minha excomunhão.Chegaram ao ponto de dizer que eu merecia a morte, pela ousadia de questionar a verdade absoluta da palavra de Alá. Levaram-me ao tribunal para me impedir de criticar a fé na qual nascera e de fazer perguntas acerca das regras e dos deuses que nos foram impostos pelo mensageiro de Alá.Um fundamentalista islâmico assassinou Theo van Gogh, o cineasta holandês que me ajudou a filmar Submission: Part 1, um filme sobre o relacionamento entre o indivíduo e Deus ou, mais especificamente, entre a mulher e Deus. E ameaçou matar-me também, uma ameaça que outros prometeram cumprir.





AYAAN HIRSI ALI

O Compadre Admite que Recebeu US$ 5 Milhões do Caso Varig

O advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula e o dono da Gol, o empresário Constantino, surpreendidos no elevador do Palácio do Planalto. O que eles estavam fazendo lá?
O advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, disse ontem, por meio de sua assessoria, que pode chegar a US$ 5 milhões o valor total de seus contratos com a VarigLog, entre honorários, custas judiciais e outras despesas. Segundo ele, a quantia se refere a um ano e dez meses de serviços em mais de 300 processos, e não apenas a sua atuação na venda da companhia, em 2006, para o fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros.

O negócio foi posto sob suspeita pela ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu, que denunciou ter sido pressionada pela Casa Civil para não exigir documentos que pudessem revelar que o sócio estrangeiro era o real controlador da companhia, o que fere a lei.Um dos sócios brasileiros, Marco Antonio Audi, disse que Teixeira recebeu US$ 5 milhões "para resolver" o problema. Teixeira negou ter usado sua influência e disse que o valor recebido era "bem menor", sem falar em números.A assessoria do advogado informou que ele não voltou atrás em suas declarações e deu uma explicação semântica. Teixeira disse que desmentiu Audi porque este afirmou ter pago os US$ 5 milhões "do contrato até a aprovação" da venda da VarigLog, período de quatro meses, entre março e junho de 2006.Segundo ele, os pagamentos que, somados, se aproximam dessa quantia aconteceram de março daquele ano a janeiro deste ano. "A totalidade da remuneração jamais foi objeto de questionamento", diz nota do escritório Teixeira, Martins Advogados em resposta à reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" publicada ontem.A mesma explicação foi usada em relação à declaração dada por Teixeira na quarta-feira passada no Senado, quando disse ter recebido US$ 350 mil da VarigLog. A quantia, sustenta ele, é o valor exato recebido naqueles quatro meses (março a junho de 2006).Ainda na quarta-feira, em entrevista à Folha, questionado sobre o valor total pago pelos serviços prestados à VarigLog, Teixeira disse ser "menos" que os US$ 5 milhões, mas se recusou a falar em valores. A Folha voltou a pedir ontem o valor exato pago ao escritório, mas não recebeu resposta.Planilhas publicadas ontem pelo jornal "O Estado de S. Paulo" mostram pagamentos de US$ 3,26 milhões feitos à Teixeira, Martins e Advogados, entre eles o de uma taxa de sucesso de US$ 750 mil paga assim que a Varig, adquirida pela VarigLog, conseguiu autorização da Anac para voar.Os pagamentos, segundo a planilha, foram feitos por sete empresas pertencentes aos sócios da VarigLog: VRG Linhas Aéreas, VBP do Brasil, Volo do Brasil, Varig Logística, Volo Logistics, Matlin Patterson USA e Matlin Patterson LA."Não precisava mentir"Audi disse ontem que pode ter cometido um "erro cronológico" em alguma declaração, mas que em diversas entrevistas dadas nas duas últimas semanas afirmou que se referia a pagamentos feitos até 2008. "Tenho falado semanalmente que esses valores eram de 2006 para cá. Teixeira vai se enforcar na própria corda; ele não precisava ter mentido."Audi, afastado do comando da VarigLog pela Justiça, disse ainda não saber o valor exato pago a Teixeira, mas que ultrapassam os US$ 5 milhões. "Nos valores de dólares de hoje, passou de US$ 5 milhões. Não tem jeito, está lá no SAP (sistema de gestão) da empresa."