Enquanto esperava o elevador, no hall de entrada do prédio onde trabalho, a faxineira falava no seu celular com o filho que mora no interior. Gustavo, dizia ela, vamos chegar ai pelas 10 horas de sábado. Sairemos de corsa pelas 7 da manhã e, em três horas, chegaremos. Prepare o almoço que vai ser uma festa.
Esse tipo de conversa é novidade no Brasil. Primeiro, porque os pobres neste país não tinham acesso à telefonia. Esse serviço, na época do monopólio estatal, era privilégio de poucos. Sim, a "maldita" privatização universalizou e democratizou esse importante e fundamental serviço. Além disso, faxineira no Brasil da década de 80, início de 90, não tinha carro; nem ela e nem sua família.
Temos sim de comemorar essas conquistas que interessam a todos os brasileiros. O que é de se lamentar é que nossas estradas rodoviárias são péssimas e perigosas e praticamente não existe, neste país continental, ferrovias. O que por si só é um absurdo. Gostaria de ter ouvido o seguinte diálogo no celular da simpática faxineira: Gustavo, chegaremos ai pelas 9 horas de sábado, pois pegaremos o trem das 7, prepare o almoço que vai ser uma festa.