Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cidade do Samba Foi Construída Para Proteger As Alegorias de Enchentes e .... Incêndios

Pessoas assistem ao incêndio na cidade do samba no Rio de Janeiro.
Leio no Terra:

Concluída em 2005, a Cidade do Samba foi uma forma de aumentar a competitividade das escolas, garantindo um espaço do mesmo tamanho para as diferentes agremiações do grupo especial. O objetivo era também tentar proteger as alegorias de enchentes e incêndios, que costumavam afetar uma ou outra escola ano a ano. No local, são construídos os carros alegóricos e parte das fantasias.


Carnaval não é minha praia, mas um dia pretendo -- quem sabe? -- desfilar na Sapucai. Comunidades trabalham duro  o ano inteiro para que seus viventes possam  desfilar na avenida nas festas do carnaval. E , em poucos minutos, todo esse trabalho é queimado num depósito na cidade do samba.  Culpa das autoridades, dos organizadores e também, como sempre, do estado. Este velho Brasil, cansado de guerra,  que não dá trégua nem mesmo para o bem bom, para o  lazer, para as coisas boas da vida. 

A Piada do Dia

A reforma mais importante que o Brasil precisa é a reforma política.

Financiamento exclusivamente público, voto distrital misto, fim do senado são idéias interessantes que se realizadas podem construir um Brasil melhor.

Mas leio hoje no Blog do Josias que o nosso Mubarak, o Sarney quer capitanear a tal reforma política.

Ora, por que ele não fez isso em seu governo? Por que não fez isso nas outras quatros gestões no Senado da República.

Isso só pode ser piada. Claro que é piada.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Vida Longa a Nelson Mandela

Morgan Freeman e Mandela, os dois são parecidos e muito amigos.

Nelson Mandela poderia ter saído da prisão do apartheid cheio de ressentimentos. Poderia ser o grande lider de facão na mão que sairia correndo atrás dos brancos opressores. Poderia fazer o que fizeram os líderes negros em Moçambique em Angola. O escritor moçambicano, Mia Couto, disse que  a Africa teve dois momentos dificeis:   a entrada e a saída dos brancos. Mas Mandela não seguiu a cartilha da revolta, ele fez o possível e o impossível para conciliar o que era considerado inconciliável. E Mandela, com sua inteligência e equilíbrio conseguiu. E fundou uma república de arco-iris, multirracial.  E - segundo o bom filme de Clint Eastwood,  onde Morgan Freeman interpreta magistralmente seu amigo Nelson -- as idéias revolucionárias de Mandela surgiram da leitura de um poema da era vitoriana, Invictus.

Invictus

(Título Original: "Invictus")

Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Velha Tática dos Velhos Ditadores

Simpatizante beija quadro de Mubarak bem mocinho na praça Tahrir ou da Liberdade no Cairo.

Essa tática  de convocar simpatizantes para apoiar  regimes podres não é novidade no Egito de Mubarak. Chávez adora fazer isso na Venezuela e os irmãos Castros também praticam essa mesma estratégia na ilha de Cuba.

Nosso Mubarak é o Sarney

Do sempre sensacional Angeli

Pelo Menos Estamos na Libertadores

O armador Vinicius Pacheco comemora um dos 2 gols que fez ontem contra o Liverpool do Uruguai.



O time ainda não é o ideal. Falta muito a avançar. Mas como tudo na vida é processo, o andamento está sendo razoável. Passar pelo Liverpool não foi tão fácil assim. O Liverpool não foi  o Mazembe na vida do imortal tricolor. Rodolfo, o zagueiro está vindo. O armador argentino Escudero também está desembarcando. Falta alguém para o lugar do Jonas. Por enquanto o número 7 é o ex flamenguista Vinicius Pacheco que fez 2 ontem e calou a boca dos uruguaios. Nossos hermanos queridos venderam caro a vitória. Não foi fácil, mas passamos. E o Timão? Que fiasco.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tudo o Que Eu Sei Sobre a Crise do Egito


Egipcias protestam em Telaviv, Israel contra Mubarak.


500 apoiadores de Mubarak nas ruas do Cairo

Sei que o Egito vive uma ditadura ou ditabranda de 30 anos. Sei que o povo está descontente com o custo de vida. o desemprego é generalizado. Sei que os twitters e facebooks da vida são armas importantes de mobilização no mundo dos nossos dias. Sei de tudo isso. Sei que ontem 1 milhão de pessoas protestaram contra o governo Mubarak. Sei que existe uma oposição democrática. Sei também - e isso me preocupa - os oportunistas radicais que estão louquinhos para transformar o Egito numa espécie de Irã, uma república fundamentalista islâmica. Sei que existem os inocentes úteis, que adoram vestir a grife Guevara, e que sempre acham que se um governo apóia ou é amigo do todo-poderoso americano, é um governo capacho. Melhor ser amigo dos americanos, do que do Ahmadinejad. Sei, também, que Mubarak -- que já conta com 82 anos bem vividos -- prometeu ontem não concorrer nas eleições de setembro. Sei que tudo é muito complicado - e complicado é uma palavra que não diz nada, mas diz tudo. Sei que quem esperou 30 anos pode esperar 8 meses. Menos de um parto. Sei que as eleições abertas, justas e democráticas sempre será a melhor saída para os grandes impasses. Fiquei sabendo hoje que os líderes oposicionistas querem mais, querem a saída imediata de Mubarak. Eles não querem esperar até setembro. Pois é tudo o que eu sei, por enquanto.

Porque Hoje é Dia de Yemanjá






Salvador, Bahia, em 2 de fevereiro de 2010. As fotos são deste humilde blogueiro com sua pequena câmera Olympus - que foi furtada meses após num país de primeiríssimo mundo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Pobreza da Cidade do Cairo

"cidade da morte" no Cairo, a população teve de invadir o cemitério. A necrópole que virou metrópole. Quase um milhão de pessoas moram nessa favela.

Estive no Cairo em 1996. Fiquei num hotel em Giza, pertinho das pirâmides. Um paraíso, um oasis, luxuosíssimo. Em Giza, onde estão localizados os melhores hotéis e resorts, pode-se caminhar pelas ruas tranquilamente. Giza é apenas um bairro nobre da cidade do Cairo, que é cortada por uma grande avenida, onde se vê poucos carros novos e muitos carros velhos, além de diversas carroças. Isso foi em 1996 e Mubarak governava soberano o Egito,  não sei como está o Cairo hoje, mas parece que está igual.

Lembro que a duas quadras dessa grande avenida que corta o Cairo se avistava esgoto a céu aberto que corria entre as casas e edifícios exalando o cheiro característico. Seria o mesmo, guardadas as proporções,  que encontrar esgoto a céu aberto a duas quadras da Av. Paulista. E ao lado do esgoto a céu aberto um vendedor de pães que vendia seus produtos no chão. E a população comprava.

No caminho do aeroporto, ainda no Cairo,  existe uma grande favela, mas é diferente das outras comunidades, porque ela está localizada no meio de um cemitério. Entre os túmulos e templos destinados aos mortos residem quase 1 milhão de vivos com seus puxadinhos.

Leio hoje na Folha que esse bairo se chama Al Majauirun, onde moram alguns dos 40% de egípcios que ganham menos de US$ 2 ao dia.

Majauirun é um cemitério que se estende por um labirinto de ruas transformado em favela. Cada quarteirão é composto por túmulos coletivos cercados por muros ou grades.


Ao longo do século 20, famílias sem dinheiro para pagar aluguel instalaram barracos ao lado dos túmulos após terem prometido aos parentes dos mortos cuidar das sepulturas.


O acordo não previa pagamento aos moradores, muitos dos quais acabaram ficando mesmo após perder contato com os proprietários dos jazigos.


Hoje, milhares vivem amontoados em construções minúsculas, muitas sem água encanada, que ocupam cada espaço disponível entre os túmulos.


Hamid, 52, dentes escuros e cigarro na mão, diz não conseguir mais fazer bicos de vendedor de feira. "Quero que aquilo termine logo. Preciso trabalhar."


A alguns metros, mora o casal Hassan, 48, e Safa, 40. Eles mostram com orgulho a suntuosa sepultura de mármore branco do homem que foi sapateiro do rei Farouk, deposto em 1952 pelo general Gamal Abdel Nasser, fundador do Egito moderno.


Hassan sobrevive graças a uma picape velha, mas bem cuidada, na qual faz fretes que lhe rendem cerca de US$ 100 por mês.


"Há uma semana não tenho serviço. Ninguém precisa transportar uma máquina de lavar enquanto o país vive protestos tão grandes", constata.


Do outro lado da favela moram Hamida, 60, e nove filhos e netos num cortiço apertado onde é preciso cuidado para não tocar em remendos de fios elétricos.


Hamida, que sofre de reumatismo e anda com uma bengala, riu quando perguntada do que achava dos protestos antigoverno.


"Temos mais o que fazer do que discutir política. No fim das contas, todo mundo morrerá e ficará em covas como essas".


Em Majauirun, ninguém participou ainda dos protestos.

(SA)

Análise de uma "certa esquerda" sobre a Crise Egipcia

Radicais que apoiam o Hezbolah saem as ruas em Tripoli, Libano.
A religião como farsa

Artigo de Vladimir Safatle na Folha de hoje.

Há algo de patético em parte dos analistas internacionais e nacionais que, diante da revolta no Egito, só conseguem se lembrar do risco do advento de um governo islâmico. Parece que de nada adianta lembrar que o que se ouve na Tunísia e no Egito são palavras de ordem pedindo democracia, fim do arbítrio, liberdade.


Palavras vindas, principalmente, de jovens que não veem futuro em regimes que misturaram ditadura e liberalismo econômico.


Também não adianta lembrar que, na Tunísia, o maior movimento organizado por trás da revolta é um sindicato (União Geral dos Trabalhadores da Tunísia) e, no Egito, o grupo religioso Irmandade Muçulmana é apenas uma dentre as várias organizações presentes nas manifestações.


Organização que não está na origem das manifestações e que sequer tem um líder capaz de capitalizar os protestos.


Na verdade, precisamos desesperadamente da narrativa que consiste em dizer que, no mundo árabe, só pode haver ou regimes teológico-políticos ou "autocracias" amistosas.


Afinal, como justificar que durante 30 anos nós, arautos dos direitos humanos, apoiamos um regime despótico, com eleições de fachada, assassinato de opositores, censura rígida e plutocracia? Só mesmo inventando que, se não fosse isso, teríamos que engolir o fundamentalismo islâmico.


Mas vejam que engraçado.


Se há um regime no mundo árabe que impôs à vida social um código jurídico totalmente religioso, regime onde os direitos das mulheres, das minorias e as liberdades individuais são massacrados, esse é a Arábia Saudita.


Comparado aos sauditas, os iranianos vivem numa democracia escandinava. Mas você nunca ouviu uma liderança ocidental criticar o regime saudita. O problema do Ocidente não é com a junção reacionária entre religião e política. O problema é com a distinção, digna de Carl Schmitt, entre "amigo" e "inimigo".


O que talvez certos governos ocidentais realmente temam é o aparecimento de um governo laico, democrático, de grande participação popular, mas que não está disposto a submeter-se aos interesses econômicos e geoestratégicos das potências que sempre viram aquela região do mundo como seu "protetorado".


No entanto é isso o que realmente pode acontecer no momento. As comparações com a queda da cortina de ferro no Leste europeu são justificadas. Só que, nesse caso, os árabes usam nossos valores para mostrar que ninguém no Ocidente os levava a sério.


Senão, como explicar uma pérola como a fornecida pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Binden: "Não podemos chamar Mubarak de ditador". Bem, Joe, e como você prefere chamá-lo? De grande amigo e estadista com mãos sujas de sangue?


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Meu Pitaco.
Há um razoável exagero nas críticas de Safatle. Existe sim no meio dos protestos aqueles que defendem o radicalismo e a intolerância muçulmana. Não se trata de uma farsa ou de uma análise falsa. Isso é fato. Há de se ter cautela e prudência nessas análises.  É certo, também, que a crise é econômica, 2/3 da população egípcia é menor de 21 anos e 90% deles estão desempregados. Eles querem -- e com muita razão -- uma melhor qualidade de vida. E o governo Mubarak não é uma ditadura sanguinária. Longe disso. É uma ditadura sim, mas existem ditaduras piores, bem piores, como na Libia e no Irã. E Safatle só fala e se lembra da Arábia Saudita.