Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


segunda-feira, 22 de março de 2010

Aprovado o SUS Americano

Acompanhada de congressistas, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi (centro), carrega o martelo que o democrata John Dingell usou em 1965 para aprovar a legislação sobre o seguro médico, momentos antes do início da sessão que votará a reforma do sistema de saúde americano, em Washington. O projeto é considerado o principal projeto de política doméstica do governo Barack Obama.


A presidente da Câmara, Nancy Pelosi ri durante entrevista coletiva após a Câmara ter aprovado a reforma da saúde de Barack Obama em Washington no final da noite deste domingo. A Câmara dos EUA aprovou a versão do Senado do projeto de lei sem um único voto republicano.
 
 
No início da madrugada desta segunda-feira, o presidente Barack Obama fez uma declaração à nação na Sala Leste da Casa Branca. Obama e os líderes democratas fizeram um acordo que garante que verbas federais não poderão ser usadas para abortos, conseguindo assim o apoio crucial de um punhado de parlamentares.  "Nós provamos que este governo, um governo do povo e para o povo, ainda é capaz de trabalhar pelo povo", disse Obama em um breve pronunciamento após a votação.

Com todo respeito aos meus amigos liberais, mas vou saudar essa grande conquista do governo Obama de criar o que todos os países do mundo deveriam criar: a universalização do serviço público de saúde. Era uma vergonha um país da potência dos EUA, com a economia dos EUA, com a riqueza dos EUA não terem o que o Brasil já tem: a universalização dos serviços públicos de saúde.



 
A votação foi apertada, eram necessários 216 votos e Obama conseguiu 219 votos, nenhum republicano votou a favor. 
 
Na Terra BBC Brasil:
 
A reforma deverá ampliar em 32 milhões o número de americanos com cobertura de saúde. O projeto agora aguarda sanção presidencial. Os republicanos são contra o projeto e afirmam, entre outras críticas, que a reforma vai custar muito e vai aumentar o tamanho do Estado e dar ao governo um controle excessivo sobre o sistema de saúde. projeto também encontrou vários opositores dentro do Partido Democrata.
Uma estimativa divulgada na semana passada pela Comissão de Orçamento do Senado afirma que a reforma da saúde vai custar US$ 940 bilhões (cerca de R$ 1,69 trilhão) em dez anos, mas deverá reduzir o déficit do país em US$ 138 bilhões (cerca de R$ 247 bilhões) no período.
Além de ampliar o número de americanos cobertos, a reforma da saúde pretende tornar a assistência médica mais barata e impor regras mais rígidas às seguradoras.

sábado, 20 de março de 2010

Guerra Particular



Guerra Civil


É contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço
Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino.

Miguel Torga (1907-1995), poeta português.

Os 800 Militantes da Grife Guevara

Enquanto as damas de branco protestam
Simpatizantes do governo Fidel organizam marcha a favor do regime, segundo informações do Blog Na Praxis

O jornalista Paulo Santana disse hoje na ZH, artigo abaixo,  que Cuba está se abrindo, que algo diferente está acontecendo.   As damas de branco saem nas ruas para protestar contra a prisão dos dissidentes presos e esse protesto não é reprimido, pelo menos formalmente. Para contrapor esse protesto que faz barulho na imprensa mundial, simpatizantes do governo, militantes da causa comunista resolvem sair para a rua para protestar contra o protesto dos manifestantes. O número desses militantes que saem para a rua e apoiam o governo gira em torno de 800. E essa tem sido a realidade cubana de hoje em dia. Esse mesmo sistema é aplicado na Venezuela de Chávez: sempre quando a oposição organiza um protesto, os movimentos bolivarianos também organizam o seu com as famosas bandeiras vermelhas que a grife Guevara tanto gosto de usar.
O artigo do Santana:
As Damas de Branco

Estranho: de uns dias para cá, está desfilando pelas ruas de Havana, Cuba, um grupo de mães e mulheres de presos políticos cubanos, protestando contra o regime de Fidel e Raúl Castro e contra a prisão de seus parentes. Já foi para o quarto dia de protestos, apesar de que o grupo, denominado Damas de Branco, vem sendo fortemente repudiado nas ruas por partidários do governo. O grupo promete que vai continuar com as manifestações.
“Estamos pedindo a liberdade de nossos homens de maneira pacífica e vamos continuar até que eles sejam libertados ou que o regime cubano nos mate e derrame nosso sangue pelas ruas de Havana”, afirmou à imprensa internacional Bertha Soler, integrante do grupo.
“Queremos que o mundo inteiro veja que este é um governo ditador”, declarou Bertha, que é casada com Ángel Maya Acosta, preso desde 2003 e condenado a 20 anos de prisão por “atentar contra a independência e a integridade territorial do Estado”.
Ela diz que “conversei por telefone com meu marido e ele me disse que não era para ter medo, que devemos continuar protestando”.
Nas primeiras horas de anteontem, cerca de 30 integrantes das Damas de Branco reuniram-se para assistir a uma missa na Igreja de la Merced, em Havana Velha. De lá, saíram em marcha silenciosa, carregando flores e vestidas de branco, debaixo de insultos de 800 partidários de Fidel Castro, que as cercavam.
Policiais à paisana formaram um cordão de proteção em torno das mulheres para evitar o confronto entre os dois grupos, diferentemente do que acontecera dias atrás, quando as mulheres foram arrastadas pelos cabelos e obrigadas a entrar em ônibus do governo.
Desta vez, as forças de segurança não interferiram na manifestação.
Esses fatos, no entender deste colunista, mostram que está havendo uma quase imperceptível abertura em Cuba. A última imagem que se tinha de confronto entre a resistência ao regime e as forças de segurança deu-se durante o que se chamou de “primavera negra”, dia 18 de março de 2003, resultando na prisão e condenação pesada de 75 dissidentes.
Agora, não. A polícia permite as manifestações das Damas de Branco e coloca até mesmo agentes de segurança para proteger a passeata delas pelas ruas de Havana.
Essas manifestações, além disso, têm cobertura da imprensa internacional, que manda fotos sobre os comícios para todos os cantos do mundo.
No meu ver, há um leve aroma de abertura na ditadura cubana, talvez determinada pela sucessão no poder, desde que Raúl Castro substituiu seu irmão na cúpula governamental.
A Anistia Internacional está pedindo ao governo cubano que não persiga as Damas de Branco e trate de libertar aqueles que estão presos há anos e sentenciados em julgamentos “por acusações que, com frequência, não têm nenhum fundamento”.
Torça-se para que Cuba se democratize, que solte os seus presos de consciência, mancha escura dos regimes ditatoriais, e ao mesmo tempo se decrete um fim ao odioso bloqueio econômico de que é vítima há várias décadas a ilha de Fidel.

---------------

Sobre o mesmo tema, mas na ótica pró Fidel, o post a seguir publicado no Blog Na Práxis:

POVO CUBANO se manifesta nas ruas contra Fidel e Raul Castro!


15 CUBANOS desafiaram a ditadura sangrenta e cruel dos comunistas e tomaram as ruas para protestar contra o governo dos irmãos castro, com slogans de liberdade e paz.
Os manifestantes CUBANOS, que marchavam pacificamente, foram vaiados e hostilizados verbalmente por 768 partidários do governo.
A POPULAÇÃO CUBANA encerrou seu protesto em meio a um cordão policial, que os separava dos PARTIDÁRIOS DE CASTRO.

Datena entrevistou ONGs de direitos humanos criticaram a atitude autoritária e pediram mais liberdade em Cuba.


Imprensa safada é dose...
A imprensa brasileira cobre com sensacionalismo as manifestações das chamadas "Damas de Branco", mulheres parentes de cubanos presos em 2003 por terem comprovadamente atuado em favor de uma potência estrangeira em troca de dinheiro.
Estas mulheres organizam-se por meio do escritório de interesses americanos em Cuba.
Recebem a linha política a ser seguida.
Recebem dinheiro.
Desfilam acompanhadas diretamente por agentes do corpo diplomático de embaixadas como as da Polônia, Alemanha, Espanha e, é claro, do escritório de interesses americanos (que atua como embaixada, já que formalmente não exeistem relações diplomáticas entre Cuba e EUA).

Veja este vídeo, que revela muita coisa, sobre uma marcha das "Damas de Branco" que aconteceu em dezembro de 2009 e também sofreu "repressão de partidários do governo e agentes de segurança". Está em espanhol, mas é de fácil compreensão.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Aos Senhores Representantes do Governo Americano




Senhores

Pois hoje o Diario Gauche disse que  a blogueira  Yoani Sanchez é marionete dos EUA - que ela diz tudo aquilo no seu Blog porque recebe alguma ajuda externa.  Desde que me conheço como gente ouço a mesma desculpa. Se o cabra quer ganhar dinheiro basta falar mal de Cuba, porque os americanos pagam bem. Este Blog, quase que diariamente, fala mal da dinastia Castro e até hoje nunca recebeu um puto do governo americano. Portanto, senhores representantes do governo americano, estou precisando de grana e, por favor,  entrem em contato comigo no e-mail cedumaia@gmail.com que eu lhes passo os dados da minha conta corrente. O pagamento deve ser mensal e eu me comprometo a postar uma mensagem a cada dois dias tecendo críticas e inventando histórias.

Atenciosamente

Carlos Eduardo da Maia

No Tempo da TV de Válvula


Os seriados da década de 60 mostravam um mundo diferente. A gênia que saia da lâmpada e namorava o astronauta;  a família que viajava pelo espaço com um robot e um doutor que não tinha muita moral;  os cientistas que viajavam pelo tempo;  os pequeninos no planeta dos gigantes;  a feiticeira que torcia o nariz;  o capitão que era um fantasma;  o agente e sua charmosa parceira  que tirava o sapato e falava ao telefone. Era o tempo da tv de válvula que demorava um monte para ligar. Depois do tema, sentava no sofá,  comia bastão de leite ou juriti e tomava minuano limão.

A Vida Não é Só Firula


Até acho que ele joga bem. Ele tem ginga. Ele sabe fazer firula. Ele é hoje o rei da pedalada. E depois do gol ele comemora. Vai até a bandeira do escanteio e dança junto com seus companheiros de equipe. É sempre assim. Ele cortou o cabelo dos lados, assim tipo punk caprichoso. O moleque nasceu em 1992 e atua como atacante ou meia. A imprensa adora, abre espaço, todo mundo elogia. Ele é o "cara" do momento.



Mas tem algo nisso tudo que eu não gosto. Não sei explicar, eu simplesmente não gosto. Inveja de sua juventude e alegria? Nossa, eu não sou invejoso. Bem capaz! É que -- vamos dizer assim -- falta algo. Falta conteúdo, substância, porque a vida não é só firula.

Emir o Pitoresco

Charge do Benett na Folha de hoje.

Gosto de artigos pitorescos. Emir Sader é um cara pitoresco e defende idéias pitorescas e países pitorescos como Cuba. Uma coisa é certa, alguém falta com a verdade quando se fala sobre Cuba. Tudo o que está dito ali embaixo é contestado, por exemplo, pela Yoani Sanchez ou pelo Pedro Juan Gutierrez, ambos vivem em Havana. Quem, afinal, falta com a verdade? Eu não tenho dúvida nenhuma. Vocês têm?

Os fariseus e a dignidade
Emir Sader


O que sabem os leitores dos diários brasileiros sobre Cuba? O que sabem os telespectadores brasileiros sobre Cuba? O que sabem os ouvintes de rádio brasileiros sobre Cuba? O que saberia o povo brasileiro sobre Cuba, se dependesse da mídia brasileira?


O que mais os jornalistas da imprensa mercantil adoram é concordar com seus patrões. Podem exorbitar na linguagem, para badalar os que pagam seu salários. Sabem que atacar ao PT é o que mais agrada a seus patrões, porque é quem mais os perturba e os afeta. Vale até dar espaco para qualquer mercenário publicar calúnias contra o Lula, para, depois jogá-lo de volta na lata do lixo.

No circo dessa imprensa recentemente realizado em São Paulo, os relatos dizem que os donos das empresas – Frias, Marinhos – tinham intervenções mais discretas, – ninguem duvida das suas posiçõoes de ultra-direita -, mas seus empregados se exibiam competindo sobre quem fazia a declaração mais extremista, mais retumbante, sabendo que seriam recolhidas pela mídia, mas sobretudo buscando sorrisinho no rosto dos patrões e, quem sabe, uns zerinhos a mais no contracheque no fim do mês.

Quem foi informado pela imprensa que há quase 50 anos Cuba já terminou com o analfabetismo, que mais recentemente, com a participação direta dos seus educadores, o analfabetismo foi erradicado na Venezuela, na Bolívia e no Equador? Que empresa jornalística noiticiou? Quais mandaram repórteres para saber como países pobres ou menos desenvolvidos conseguiram o que mais desenvolvidos como os EUA ou mesmo o Brasil, a Argentina, o México, náo conseguiram?

Mandaram repórteres saber como funciona naquela ilha do Caribe, pouco desenvolvida economicamente, o sistema educacional e de saúde universal e gratuito para todos? Se perguntaram sobre a comparação feita por Michael Moore no seu filme "Sicko" sobre os sistemas de saúde – em particular o brutalmente mercantilizado dos EUA e o público e gratuito de Cuba?

Essas empresas privadas da mídia fizeram reportagens sobre a Escola Latinoamericana de Medicina que, em Cuba, já formou mais de cinco gerações de médicos de todos os países da América Latina e inclusive dos EUA, gratuitamente, na melhor medicina social do mundo? Foi despertada a curiosidade de algum jornalista, econômico, educativo ou não, sobre o fato de que Cuba, passando por grandes dificuldades econômicas – como suas empresas não deixam de noticiar – não fechou nenhuma vaga nem nas suas escolas tradicionais, nem na Escola Latinoamericana de Medicina, nem fechou nenhum leito em hospitais?

Se dependesse dessas empresas, se trataria de um regime “decrépito”, governado por dois irmãos há mais de 50 anos, um verdadeiro “goulag tropical”, uma ilha transformada em prisão.


Alguém tentou explicar como é possivel conviver esse tipo de sociedade igualitária com a base naval de Guantánamo? Se noticiam regularmente as barbaridades que ocorrem lá, onde presos sob simples suspeita, são interrogados e torturados – conforme tantas testemunhas que a imprensa se nega em publicar – em condições fora de qualquer jurisdição internacional?


Noticiam que, como disse Raul Castro, sim, se tortura naquela ilha, se prende, se julga e se condena da forma mais arbitrária possível, detidos em masmorras, como animais, mas isso se passa sob responsabilidade norteamericana, desse mesmo governo que protesta por uma greve de fome de uma pessoa que – apesar da ignorância de cronistas da família Frias – não é um preso, mas está livre, na sua casa?

Perguntam-se por que a maior potência imperial do mundo, derrotada por essa pequena ilha, ainda hoje tem um pedaco do seu territorio? Escandalizam-se, dizendo que se “passou dos limites”, quando constatam que isso se dá há mais de um século, sob os olhos complacentes da “comunidade internacional”, modelo de “civilização”, agentes do colonialismo, da escravidão, da pirataria, do imperialismo, das duas grandes guerras mundiais, do fascismo?


Comparam a “indignação” atual dos jornais dos seus patrões com o que disseram ou calaram sobre Abu-Graieb? Sobre os “falsos positivos” (sabem do que se trata?) na Colômbia? Sobre a invasao e os massacres no Panamá, por tropas norteamericanas, que sequestraram e levaram para ser julgado em Miami seu ex-aliado e então presidente eleito do país, Noriega, cujos 30 anos foram completamente desconhecidos pela imprensa? Falam do muro que os EUA construíram na fronteira com o México, onde morre todos os anos mais gente do que em todo tempo de existência do muro de Berlim? A ocupação brutal da Palestina, o cerco que ainda segue a Gaza, é tema de seus espacos jornalisticos ou melhor calar para que os cada vez menos leitores, telespectadores e ouvintes possam se recordar do que realmente é barbarie, mas que cometida pela “civilizada” Israel – que ademais conta com empresas que anunciam regularmente nos orgãos dessas empresas – deve ser escondida? Que protestos fizeram os empregados da empresa que emprestou seus carros para que atuassem os servicos repressivos da ditadura, disfarçaados de jornalistas, para sequestrar, torturar, fuzilar e fazer opositores desaparecerem? Disseram que isso “passou de todos os limites” ou ficaram calados, para não perder seus empregos?

Mas morreu um preso em Cuba. Que horror! Que oportunidade para bajular os seus patrões, mostrando indignação contra um país de esquerda! Que bom poder reafirmar diante deles que se se foi algum dia de esquerda, foi um resfriado, pego por más convivências, em lugares que não frequentam mais; já estão curados, vacinados, nunca mais pegarão esse vírus. (Um empregado da família Frias, casado com uma tucana, orgulha-se de ter ido a todos os Foruns Econômicos de Davos e a nenhum Fórum Social Mundial.


Ali pôde conhecer ricaços e entrevistá-los, antes que estivessem envoldidos em escândalos, quebrassem ou fossem para a prisão. Cada um tem seu gosto, mas não dá para posar como “progressista”, escolhendo Davos a Porto Alegre.)

Não conhecem Cuba, promovem a mentira do silêncio, para poder difamar Cuba. Não dizem o que era na época da ditadura de Batista e em que se transformou hoje. Não dizem que os problemas que têm a ilha é porque não quer fazer o que fez o darling dessa midia, FHC, impondo duro ajuste fiscal para equilibrar as finanças públicas, privatizando, favorecendo o grande capital, financeirizando a economia e o Estado. Cuba busca manter os direitos universais a toda sua população, para o que trata de desenvolver um modelo econômico que não faça com que o povo pague as dificuldades da economia. Mentem silenciando sobre o fato de que, em Cuba, não há ninguem abandonado nas ruas, de que todos podem contar com o apoio do Estado cubano, um Estado que nunca se rendeu ao FMI.


Cuba é a sociedade mais igualitária do mundo, a mais solidária, um país soberano, assediado pelo mais longo bloqueio que a história conheceu, de quase 50 anos, pela maior potência econômica e militar da história. Cuba é vítima privilegiada da imprensa saudosa do Bush, porque se é possivel uma sociedade igualitária, solidária, mesmo que pobre, que maior acusação pode haver contra a sociedade do egoísmo, do consumismo, da mercantilizacao, em que tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra?


Como disse Celso Amorim, o Ministro de Relações Exteriores do Brasil: os que querem contribuir a resolver a situação de Cuba tem uma fórmula muito simples – terminem com o bloqueio contra a ilha. Terminem com Guantanamo como base de terrorismo internacional, terminem com o bloqueio informativo, dêem aos cubanos o mesmo direito que dão diariamente aos opositores ao regime – o do expor o que pensam. Relatem as verdades de Cuba no lugar das mentiras, do silêncio e da covardia.

Diante de situações como essa, a razão e a atualidade de José Martí:

“Há de haver no mundo certa quantidade de decoro,
como há de haver certa quantidade de luz.
Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros
que têm em si o decoro de muitos homens.
Estes são os que se rebelam com força terrível
contra os que roubam aos povos sua liberdade,
que é roubar-lhes seu decoro.
Nesses homens vão milhares de homens,
vai um povo inteiro,

Certas Verdades Ditas Por Jefferson


Abaixo um artigo do polêmico Roberto Jefferson, mas cheio de grandes verdades.

São ideológicos, por isso corrompem

Um dos traços constantes da vida brasileira é a coexistência de dois tipos heterogêneos e incomunicáveis de política: a "profissional", cuja única finalidade é o acesso a cargos públicos para a conquista de benefícios pessoais ou grupais, e a socialista (ou "capitalismo burocrático-corporativo", como define o sociólogo Fernando Henrique Cardoso), empenhada na conquista do poder total sobre a sociedade.


A segunda vale-se ocasionalmente dos instrumentos da primeira, mas, sobretudo, cria os seus próprios: os "movimentos sociais" (o adestramento de formidáveis massas militantes dispostas a tudo), a ocupação de espaços na administração federal e em áreas estrategicamente vitais e, por último, mas não menos importante, a conquista da hegemonia cultural.


As próximas eleições vão opor, numa disputa desigual, a política socialista à profissional. Esta emprega os meios usuais de propaganda, enquanto aquela utiliza todos os meios disponíveis (inclusive os heterodoxos).


O político profissional tem a seu favor somente os eleitores, que se manifestam a cada quatro anos e depois o esquecem, enquanto o socialista tem a vasta militância, pronta a matar e a morrer por quem personifica suas aspirações.


O voto, ainda que avassaladoramente majoritário, não afiança ninguém no poder. O que garante a supremacia é a massa organizada, disposta a apoiar o eleito todos os dias e por todos os meios. Vejam a situação da governadora do Rio Grande do Sul: quando a oposição se vangloriou de ter "varrido o PSDB do Estado gaúcho", não percebeu que tentara expulsá-lo apenas de um cargo público.


O maior erro que as débeis oposições cometem é não saber enfrentar o modelo político socialista.


É de acentuar que a quase totalidade do empresariado nacional já foi cooptada e aceita naturalmente o petismo, que se adonou e faz uso do histórico caráter patriarcal do Estado brasileiro -sedimentado pela ditadura militar- em seu benefício.


O estatismo foi reconfigurado. É mais fácil controlar mecanismos reguladores (em todos os níveis) e instâncias de fomento e financiamento, que tornam reféns de seus interesses os capitães da indústria privada.


Na discussão orçamentária, os políticos profissionais preocupam-se apenas com emendas que podem fortalecê-los em suas bases, proporcionando-lhes benefícios particulares.


Nenhum deles confronta a tradição doutrinária de controle da máquina pública e do exercício do poder, delineada desde Maquiavel.


Seguidor de Lênin, Trótski, Stálin e Gramsci, o petismo, por meio de seu núcleo dominante, abriu mão da luta armada, mas não do objetivo revolucionário. E valem-se da União, a garantidora de empréstimos a municípios e Estados. É o clientelismo, dos quais são porta-vozes os políticos de todos os partidos, que, assim, jogam pelas regras estabelecidas por aqueles que detêm o poder decisório.


A eventual saída do PT da Presidência, porém, não mudará esse quadro. Porque os aparatos administrativo-arrecadadores (Receita Federal, INSS) e fiscalizadores senso estrito (policial e judicial), além da órbita cultural, foram aparelhados.


O PT detém controle também sobre os sindicatos, o funcionalismo público, o aparato repressivo (MPF e PF, usados para destruir seus inimigos, fazendo terrorismo e chantagem política), os estudantes, os camponeses, a igreja, a intelectualidade artística, universitária e jurídica.


Se eleito, portanto, José Serra vai comandar uma máquina estatal dominada por adversários, muitos deles indicados para atuar em tribunais superiores. Sem esquecer o MST, que mantém acampamentos ao longo das principais rodovias (e pode, a qualquer momento, paralisar o país).


No Brasil, hoje, não há mais escândalos. Ficam uma semana nos jornais e na TV, depois ninguém mais se lembra deles. Não produzem consequências judiciais, porque o sistema é pesado e dominado por uma processualística interminável, da qual decorre a impunidade. O caso do mensalão é emblemático.


O PT deu caráter rotineiro a tudo isso na vida brasileira. As oligarquias aliaram-se ao partido pensando que iriam dominá-lo, mas se deu o contrário, porque elas não têm projeto.


O PT, contudo, tem, e o põe em prática planejadamente, sistematicamente, em todos os níveis. Segue a lógica da revolução, quer construir o socialismo (quem sabe à maneira de Fidel, que Lula e sua turma tanto incensam?). Os petistas acreditam nisso.


Não são apenas corruptos, são ideológicos e, por isso, corrompem. E, no processo de destruição, vale tudo.


Para combater a hidra, é preciso conhecê-la, armar-se e propor um projeto diferente de país. Não se enfrentam tanques com bodoques, mas com mísseis. E, se vierem mísseis em represália, joga-se a bomba atômica.


Quem vai fazer isso?




ROBERTO JEFFERSON , 56, advogado, é presidente nacional do PTB.

Publicado na Folha de hoje.

A Estátua da Samaritana


Em 2002 vândalos destruiram a estátua da Samaritana na Praça da Alfândega, centro de Porto Alegre. Hoje ela está no chão de um depósito na prefeitura. Coisas do Brasil dos nossos dias.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Aniversário de Zé Dirceu


Zé Dirceu fez 64 anos ontem e reuniu numa festa  150 pessoas em Brasília na mansão  do empresário Jorge Ferreira, amigo de Lula e dono de diversos bares e restaurantes na capital federal, segundo matéria da Folha

No brinde Zé Dirceu  dedicou seu  aniversário para a ministra Dilma que ele chamou:  "a nova geração do petismo e a continuidade do projeto do presidente Lula". Disse que "todos devem trabalhar" para a vitória da ministra, que ocupou seu lugar depois que ele deixou o governo por causa do mensalão.

Em sua festa de aniversário, o deputado cassado José Dirceu pediu aos convidados "solidariedade" a petistas envolvidos em denúncias. Citou ele próprio, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte e um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.



"Vou me defender e vamos defender nossos amigos. Vamos ser solidários com Vaccari e Pimentel para derrubar essas denúncias infundadas."



Dilma não foi à festa. Enviou sua secretária-executiva, Erenice Guerra, e Anderson Dorneles, assessor especial.


Fora da mansão, humoristas e repórteres dos programas "Pânico", da Rede TV, e "CQC", da Band, abordavam convidados. "O que a ministra deve fazer para superar a falta de carisma?", perguntou um deles ao deputado Ricardo Berzoini (PT-SP). "Ultrapassar o Serra nas pesquisas. É a melhor forma", respondeu.