Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


domingo, 13 de fevereiro de 2011

E o Ditador Foi Passear

As Velas Ardem Até o Fim



Prefiro a tradução dos nossos amigos portugueses: as velas ardem até o fim. Porque elas podem ser azuis ou de qualquer cor, podem queimar um diário cheio de segredos nunca revelados numa lareira de lenhas fortes, podem ser testemunhas de uma conversa entre dois velhos que desvendam um passado de mistérios ocultos. Porque o futuro não é mais o que foi antigamente. E essa incrível dúvida pode gerar o pior dos sentimentos, o rancor, o ressentimento e o desejo de vingança. Porque tudo na vida é mesmo uma luta de classes. E o autor, burguês de sangue aristocrata, sabe bem disso. Foi ele, Sándor Márai que viveu na pele esse paradoxo, essa inglória contradição. Porque a verdade é uma questão de ponto de vista.

Um belo livro de um grande autor.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Só Falta Dizer Que o Corte Record nos Gastos Públicos é Culpa do Maldito "Neoliberalismo"


Muitos brasileiros  vêm dizendo -- faz muito tempo -- que o governo Lula aumentou consideravelmente os gastos públicos durante seus 8 anos de gestão.  E nosso pop ex presidente, seus militantes, partidários e simpatizantes  sempre alardearam que isso é papo de ceticista, direitista invejoso ou de neoliberal  e que nunca o governo do companheiro  deixaria uma herança maldita ou legado  de dívidas.

Mas como o tempo é o leme da verdade...

E depois das eleições realizadas, a consequente vitória da companheira, a  posse da presidente ou da presidenta, quando tudo parecia ingressar na calmaria, revela-se a notícia bombástica de que o governo vai bloquear gastos em torno de 50 bilhões de reais (é dinheiro para caramba) a título de "consolidação fiscal" nos gastos públicos.

Diz o governo que isso não vai afetar os gastos sociais ou obras do PAC.

D-u-v-i-d-o!

Porque mesmo que se faça todos esses cortes no orçamento da União dificilmente o governo vai atingir a meta de superávit primário (parcela da receita destinada ao abatimento da dívida pública)  de 3,1% do PIB -- que vem sendo, frise-se -- descumprida desde 2009.

Ou seja, a situação fiscal do estado brasileiro está muito mais próxima do desequilíbrio do que do equilíbrio. E a inflação, infelizmente, está a subir. Eis algo que ninguém quer. E ninguém está torcendo contra.

Hoje certos petistas estão a dizer que isso é resquício da crise de 2008, aquela da marolinha que não atingiu o Brasil.  Ou seja, o governo do Brasil -- leia-se Luiz Inácio Lula da Silva -- abriu demais a torneira dos gastos públicos de olho na eleição de Dilma.

A presidente, por sua vez, herdou sim uma herança maldita, da qual participou ativamente.

Crianças do Paquistão















Do sempre genial Boston Globe Big Picture.

As fotos são de Muhammed Muheisen

Fotografia é arte e poesia
E crianças são sempre coloridas
Inclusive num mundo opaco de privações e miséria
E a lente do artista consegue captar a poesia
que existe em qualquer lugar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Mendigo e a Nota de 50


Ontem cheguei do trabalho e resolvi bicicletear. Pequei minha bike (é assim que elas são chamadas hoje), aparelho mp3, fone de ouvido, uma nota de 50, identidade e sai pedalando pela ruas de Porto Alegre em direção ao centro. Na av. Independência consegui ouvir -- apesar do rock and roll que tocava -- uma voz me chamando: moço, moço.


Gostei do "moço" e parei. Olhei para trás e era um mendigo, um lumpen, um verdadeiro outsider, segurando a minha nota de 50 que havia caído na calçada. Parei a bicicleta e ele veio na minha direção e me entregou a nota. E disse: ela caiu do seu bolso.

Fiquei sem saber o quê dizer, mas disse: olha, eu só tenho essa nota, não tenho mais dinheiro e gostaria de te gratificar. Ele me olhou e eu olhei para ele. Ficamos em silêncio por alguns poucos segundos até eu falar: de qualquer forma, muito obrigado. E fui embora, enfiando a nota de 50 no meu bolso.

Esse fato me incomodou. O que poderia fazer? Dar a nota para o mendigo? Trocar a nota em algum lugar e dar um troco para ele? Ou fazer como eu fiz, dizer um simples obrigado e ir embora?

Tarso Não é Olívio

Olívio Dutra e Tarso Genro os dois líderes do PT no RS. Eles são diferentes, claro que sim.

Leio no Blog Partisan as primeiras críticas, por parte de uma "certa esquerda", ao governo Tarso Genro do PT-RS. Eles queriam que Tarso reeditasse no RS o triste governo Olívio, com  seus ressentimentos, seus rancores e radicalismos. Ainda bem que Tarso não é Olívio. Tarso acredita em "concertación" e conciliação ou pactos sociais, assunto que sempre desagradou os radicais desagragadores que apenas aceitam ideais do tipo - alimentar antagonismos.

A questão é a seguinte: até quando esses radicais vão ficar em silêncio? Até quando vai durar essa trégua com os governo Tarso e Dilma?

O post do Partisan é o seguinte:

De onde menos se espera....

Ainda é muito cedo para qualquer análise ou caracterização mais completa do governo Tarso, que mal completou 30 dias. Porém, gostaria de arriscar alguns apontamentos baseados nos primeiros movimentos, nas manifestações públicas e no passado recente.
Ao contrário do estilo discreto do governo Dilma, o novo governo estadual mostra-se ávido pela produção de manchetes e sujeito a pauta determinada pelo oligopólio midiático regional. Muitas, diga-se de passagem, de concretização duvidosa ou em tempo indeteminado - vide o anúncio do empréstimo solicitado ao BNDES e o velho e batido projeto de atração de novas montadoras.
Particularmente, suspeito da ausência de um projeto político claro e definido pelo governo estadual. Vou explicar o porquê.
Herdeiro do enorme patrimônio político construido pelas administrações da Frente Popular no Estado nas últimas décadas e eleito no primeiro turno das eleições sem necessidade de qualquer concessão na política de alianças, Tarso possui condições incomparavelmente mais favoráveis para avançar programaticamente do que Lula e Dilma. Todavia, durante bom tempo o nosso governador tem priorizado a chamada "Concertación". Em bom português, a boa e velha política de conciliação.
Logo após a posse, a conciliação converge para o chamado Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Com seus membros escolhidos pelo governador, o Conselho parece ter como principal tarefa satisfazer a agenda de setores conservadores e legitimar reformas impopulares, blindando o governo de maiores desgastes.
Essa estrutura, muito assemelhada aos conselhos criados pelos velhos monarcas, é totalmente antagônica ao mecanismo de democracia direta, voluntária e universal criado no governo Olívio, o Orçamento Participativo-OP. Enquanto no OP o governo propunha discutir e buscar soluções para os problemas do Estado com toda a cidadania, delegando poder ao povo para discutir sobre investimentos e políticas públicas, o Conselho busca em notáveis, principalmente no círculo de relações do próprio governador, construir saídas pactuadas para questões previamente determinadas.
Um retrocesso incontestável em termos de originalidade e uma grande decepção para todos que acreditam na radicalização da democracia e na participação popular como instrumento de controle e aperfeiçoamento do Estado.
Espero que mais uma vez não impere a máxima do velho Barão: "de onde menos se espera é que não vem nada mesmo".

Essa Mulher É Muito Arrogante!

A Senadora Marta Suplicy

No Estadão:

Ao final da votação da indicação de novos embaixadores, Sarney avisou que encaminhará a mensagem com as indicações à presidente da República. Foi quando, pedindo a questão de ordem, Marta afirmou: “Presidente, não. Presidenta”. Sarney, no entanto, respondeu: “As duas colocações estão corretas, vou usar a forma francesa madame e Le président”.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quando "Certa Esquerda" Critica o Regime Cubano


Sempre gostei de ler o que escreve uma "certa esquerda". E quando "certa esquerda" acerta no ponto não tenho outra coisa a fazer senão aplaudir.

Artigo do professor Vladmir Safatle publicado hoje na Folha


E Cuba?

Há uma compulsão de repetição no debate político brasileiro. Todas as vezes em que se levantam questões sobre o apoio do Ocidente a ditaduras, sobre o bloqueio do dever de memória no Brasil, o desrespeito aos direitos humanos nos EUA e na Europa, sempre se ouve a pergunta: "E Cuba?"


Um pouco como se tal pergunta parodiasse o dito de Max Horkheimer: "Quem não está disposto a criticar o capitalismo deve se calar sobre a União Soviética", fornecendo a versão "quem não está disposto a criticar Cuba deve se calar sobre o resto do mundo".


Mas é interessante perceber como os amigos de Cuba não procuram, assim, ampliar o espectro do debate sobre democracia e direitos humanos. Na verdade, querem neutralizá-lo com o raciocínio: "Pare de falar sobre o que não gosto de ouvir, senão te lembrarei aquilo que quer esquecer".


Contra essa lógica da neutralização, só há uma saída: falar aquilo que, no fundo, eles não querem falar, ou seja, ampliar o debate também para Cuba, sem fechá-lo para outros casos.


De fato, há certos setores minoritários da esquerda nacional que procuram justificar o injustificável. Cuba é, no máximo, uma revolução popular que há muito entrou em estado de degenerescência. Hoje, não passa de uma ditadura que só serve para nos lembrar que mesmo revoluções verdadeiras podem terminar mal.


Há dois artifícios retóricos usados para relativizar o fato: creditar o fechamento do regime ao embargo norte-americano e minorá-lo dizendo que, ao menos, o governo cubano cuidou dos indicadores sociais de saúde e educação. Os dois artifícios são desonestos.


O primeiro consiste em dizer que problemas estratégicos (a luta contra o embargo) submetem princípios norteadores da luta política (o aprofundamento da liberdade). O segundo parece o argumento dos apoiadores de Pinochet : impomos uma ditadura, mas aumentamos a riqueza (no caso cubano, sem grandes desigualdades). Mas riqueza social sem democracia real continua sendo miséria política.


Nesse sentido, Cuba nos mostra que um acontecimento verdadeiro não garante a sequência de suas consequências. Mais do que um projeto claro, as revoluções são o ato violento de abertura de novas sequências. Um ato que mobiliza expectativas contraditórias, que coloca em circulação valores cuja determinação de sua significação será objeto de embates também violentos.


Por isso, uma revolução é uma causa a partir da qual não é possível derivar, com segurança, qual série de consequências virá. Quando as consequências são ruins, a crítica deve ser radical. Por sinal, os melhores setores da esquerda sempre fizeram isso. Eles nos lembram que o verdadeiro compromisso é com uma democracia de forte participação popular e poder instituinte soberano, não com ditaduras.
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VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.

Melhor Coisa do Mundo


Romeu e Julieta.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Finalmente - Depois de 8 Anos - Temos Um Diplomata

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, é recebido pelo seu colega venezuelano, Nicolas Maduro, em Caracas. O objetivo da visita - a primeira de Patriota ao país como ministro - é estreitar as relações bilaterais entre Brasil e Venezuela


A primeira edição da Revista Veja de 2011 trouxe uma entrevista -- muito boa, reproduzida abaixo -- com o nosso novo chanceler Antonio Patriota. Ele parece ser bem diferente de Celso Amorim. Ele é extremamente ... diplomático. Primeiro porque ele elogiou os EUA e se sente a vontade lá, quando diz: É uma sociedade que está muito perto de oferecer oportunidades iguais aos seus cidadãos. O fato de um afrodescendente ocupar a Casa Branca é uma ilustração disso. Ele chegou a essa posição por um sistema que leva em conta a meritocracia. Portanto, nós temos o que aprender com os Estados Unidos.

Em relação ao antiamericanismo dominante na América Latina ele foi muito feliz ao dizer: o Brasil é o que tem menos razão para se ressentir dos americanos, por ter uma história muito parecida com a deles.

De fato, o Brasil é um país muiiiito parecido com os EUA e estamos, apesar de tudo, trilhando os mesmos caminhos e respirando os mesmos ares, apesar dos  neuróticos ressentimentos antiamericanos de alguns. Ponto para a nossa gerenta Dilma.

A entrevista completa de Patriota está abaixo. O fato de Patriota ter viajado para Caracas esta semana não tem nenhuma contradição com o que está dito acima.