Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Quem Será a Próxima Bola da Vez?



Marrocos - 10h15 -Cartazes carregados pelos manifestantes continham frases como "o rei deve reinar, e não governar" e "o povo quer uma nova Constituição" em protestos em várias cidades do Marrocos



Iêmen - 14h - Centenas de estudantes iemenitas se manifestaram neste domingo em frente ao campus da Universidade de Sanaa, sem serem incomodados por partidários do regime, mantidos à distância pela polícia. Os estudantes gritavam slogans contra o governo do presidente Ali Abdallah Saleh, no poder há 32 anos



Bahrein - 16h25 - Mensagem escrita com pedras contra o governo direcionada ao rei Hamad bin Isa al-Khalifa, próxima à Praça da Pérola, em Manama, é observada por manifestantes. Partidos de oposição do Bahrein se encontraram para discutir as demandas que serão apresentadas aos reguladores dos países dos Golfo Árabe




Argélia - 12h - Manifestantes gritam palavras de ordem em frente a policiais durante mais um protesto, em Argel. Um parlamentar do partido Assembléia pela Cultura e a Democracia (RCD) foi gravemente ferido pelas forças policiais durante as manifestações, que pedem mudanças no regime


China - Polícia dispersou neste domingo uma manifestação em uma rua central de Pequim, convocada para iniciar uma "revolução do jasmim", como as que se estendem por países árabes.



Libia -  O líder líbio, Muammar Kadafi, vai enfrentar a revolta popular "até o último homem que estiver de pé", disse um de seus filhos nesta segunda-feira, após os protestos - antes confinados ao leste do país - chegarem a Trípoli, a capital. Manifestantes saíram às ruas, líderes tribais falaram contra Kadafi, e unidades do Exército desertaram para a oposição, numa revolta que já matou mais de 200 pessoas.

Eu aposto na Libia.


Os Palhaços



O professor José Arthur Giannoti está lançando um novo livro: Lições de Filosofia Primeira e concedeu uma entrevista para o caderno de cultura da ZH do último sábado.

Destaco a seguinte parte da entrevista:

 
ZH – Como o senhor vê a relação entre a academia e os intelectuais públicos?

Giannotti – A figura do pensador público está cada vez mais restrita. Você não tem mais os maîtres à penser, mesmo na França. Quais são os grandes mestres do pensamento francês hoje? O último caso que tivemos foi na Alemanha, com Jürgen Habermas, e depois que a Europa entrou em crise o pensamento de Habermas se afundou. Você não tem mais grandes mestres do pensamento. Temos uma situação de medianidade.


ZH – Na sua opinião, esse tipo de intelectual está em declínio?
Giannotti – Eu acho. Hoje, meu caro, quem ocupa a cena pública são basicamente os palhaços. Não é à toa que nós temos Berlusconi.


ZH – Que outros exemplos o senhor daria?

Giannotti – Temos o Berlusconi (Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália) o palhaço escrachado, temos o palhaço refinado, que é o Sarkozy (Nicolas Sarkozy, primeiro-ministro da França), ou temos o palhaço maravilhoso, o Macunaíma, que tem a capacidade de levantar todo o país, mas na hora de tomar grandes decisões as deixa para o sucessor. É o Lula.



ZH – O senhor é a favor da política de cotas nas universidades?

Giannotti – Sim. Não é possível deixar toda essa massa da população fora do ensino universitário, porque será prejudicada em sua formação. Só que tem um problema: eu prefiro que essas cotas não sejam raciais. Hoje, mais da metade da população brasileira é negra. Os negros são, basicamente, as classes pobres do país. Se houver cotas para pobres, tenho um processo de integração da população negra sem que meu filho precise, na escola, se declarar branco ou negro. Ainda quero conciliar o programa de cotas com a preservação do espaço público onde as pessoas não tenham que declarar suas raças, suas origens, sua sexualidade, sua religião e assim por diante.


ZH – Qual é o futuro do socialismo?

Giannotti – “Socialismo” é a palavra mais ambígua possível. Define-se o que é socialismo em uma determinada situação. No final do século 19, Oscar Wilde (escritor britânico) se dizia socialista. Não sei por que tenho dizer que Bakunin (anarquista russo) era socialista, e Oscar Wilde, não. O que é socialismo, você sabe? Socialismo é uma palavra vazia. O que nós temos são políticas de justiça social. Isso é o que vamos tentar construir. É mais fácil haver um socialismo brasileiro do que uma filosofia brasileira. Ninguém sabe o que é socialismo hoje! Sabemos o que é socialdemocracia. Isso sabemos. E sabemos que todo socialista é favorável à economia de mercado. (Risos.)


ZH – Recentemente, um comentarista escreveu que os intelectuais falharam ao não fazer um balanço sistemático dos anos Lula.
Giannotti – (Interrompendo.) Mas não se fez uma boa análise nem do governo Fernando Henrique Cardoso!

ZH – Como o senhor vê essa ausência de balanço?


Giannotti – Não se fez um balanço crítico nem do governo Fernando Henrique nem do governo Lula. Mas o governo Lula está acabando agora. O que está se escrevendo sobre o governo Lula, todo mundo sabe, é extremamente seminal.


ZH – Por que não se fez essa análise?
Giannotti – Porque os intelectuais estão fechados neles mesmos.


ZH – Há um componente ideológico nisso?
Giannotti – Não creio que haja um componente ideológico. O que existe é uma cegueira em relação à importância desses dois governos. Vamos dizer francamente: esses dois governos mudaram as perspectivas do país, com suas diferenças e suas proximidades. Fazer uma boa análise desses dois governos significa desenhar um projeto para o Brasil. E isso ninguém está fazendo.


ZH – O senhor tem se desinteressado da função de intelectual público?
Giannotti – Não, pelo contrário. Acompanho os acontecimentos políticos com o maior entusiasmo. Não desgrudei da TV enquanto a situação no Egito não se configurava.


ZH – O senhor arriscaria dizer o que se pode esperar do governo Dilma Rousseff?
Giannotti – Por enquanto, ela está se saindo bem no papel.


ZH – O Brasil pode ocupar um papel de protagonista no cenário mundial?
Giannotti – Não sei. Está diferente. Temos uma política que está mais ou menos correta, mas se fizermos cagada, vamos para o brejo. A inflação está rondando os nossos bolsos. Vamos ver como Dilma conseguirá segurar essa inflação. E o fenômeno não é apenas brasileiro. Já há linhas mundiais inflacionárias.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

À Deriva


Comenta-se que nos rankings dos jornais os filmes nacionais sempre aparecem com, no mínimo, (4) quatro estrelas.  Sim, claro, são os interesses xenófobos dos nossos críticos, mas não apenas isso, o momento do cinema nacional é realmente muito bom. E nesse contexto é que faço minha crítica -- positiva -- do filme À Deriva, produção de 2009, dirigido e escrito por Heitor Dhalia.

O ponto forte do filme é a fotografia. A água, os corpos nadando ou boiando na imensidão azul do mar ou nos azulejos da piscina. As ondas que se encontram e que fazem a cor opaca da areia desaparecer. E o recanto paradisíaco de Búzios, RJ, seus cactos, suas pedras claras, as ilhas, a linha do horizonte.  Não existe nada melhor no mundo do que um local aprazível e um pouco selvagem para se passar as férias de verão.

Laura Neiva, a Felipa, boiando na bela Búzios.
Um verão da década de 80, época que  não se usava cinto de segurança, que as pessoas fumavam, quando não havia, ainda,  o inferno e o conforto do celular, os embalos dos discos de vinil, das fitas K7, das sandálias do Dr. Scholl, das mobiletes, das latas de nescau, das fitas que prendiam os cabelos.

E a história que parece  banal, mas não é. A crise conjugal. As pequenas e grandes traições. A adolescência dos filhos, as pequenas e saudáveis gangs de praia, a  celebridade francesa, o ator  Vincent Cassel, a grande  Débora Bloch e a beleza intacta da menina de 14 anos que sonha em ser mulher.O nome da pequena atriz: Laura Neiva, como Felipa.

Efeitos (Positivos) da Deslulização do Brasil


Na época do governo do pop presidente ele dominava as manchetes do dia. Era ele tocando violino, colocando bonés de entidades, caminhando de tênis nos tuneis inaugurados.

O Brasil vive a deslulização. Existem os nostálgicos e os que comemoram. Este Blog comemora, porque, como disse o poeta da minha geração: o futuro não é mais o que era antigamente.

Artigo de Roberto Muylaert sobre o assunto, hoje na Folha

Questão de bom senso



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A despedida de Lula foi na hora certa, quando aprovação quase unânime fez com que perdesse o bom senso, uma qualidade fundamental


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A propaganda é mesmo a alma do negócio. Sem perceber, o Brasil ficou viciado em ouvir Lula a explorar, pela TV, a série "nunca antes neste país", que acabou se tornando refrão. De repente, parece que estamos em processo de desintoxicação do ex-presidente, não porque ele fosse tóxico, mas porque suas ubiquidade e loquacidade obrigavam os telejornais a fartas coberturas diárias de som e imagem.


É ponto pacífico que Lula deu condições para boa parte da classe mais pobre dos brasileiros sair da miséria. Por outro lado, sua despedida foi na hora certa, quando uma aprovação quase unânime fez com que perdesse uma qualidade fundamental para quem exerce o poder: bom senso.


Surge então a presidente Dilma, eleita a partir da avalanche de prestígio transferida por seu mentor, embora estreando nas urnas. A boa notícia é que, logo de saída, mostra bom senso: começa a trabalhar todo dia, cumpre horários, como quem ganha um novo emprego e precisa justificar o salário.


Uma de suas últimas decisões foi a de avisar aos auxiliares diretos que talvez seja melhor eles ficarem em Brasília nos finais de semana, já que podem ser chamados a qualquer momento: trabalho em tempo integral. Não mais aviões da FAB à disposição das autoridades para retornar ao lar nas sextas-feiras.


De um jeito ou de outro, ela anda tentando resolver, sem muita onda, o problema da herança deixada pelo presidente anterior, como ameaças à liberdade de expressão, deficit fiscal, inflação assanhada, real sobrevalorizado, inchaço da máquina pública, gastos públicos crescentes, falta de conscientização e de preparo de quem trabalha no governo.


Seria uma boa ideia enviar para as repartições públicas, junto com a foto da presidente, um dístico-lembrete, assim: "a missão do funcionário público é a de servir ao público". Alguns deles talvez nunca tenham sido informados disso.


Por último, valeu a sua percepção de que a compra dos caças da FAB do chamado projeto FX-2 precisava mesmo ser reavaliada.


Ela poderia ter levado, no embalo, o mico de US$ 10 bilhões em Rafales, sendo que, desde o ano 2000, os franceses não conseguem vender um caça desses para ninguém, a não ser compulsoriamente, para a sua própria Força Aérea.


Como ela anda preocupada com a vigilância das nossas fronteiras, o reequipamento poderia começar por embarcações rápidas e baratas para navegar no litoral e nos nossos rios, mais um reforço nos aviões de reconhecimento e nos Super-Tucanos, fabricados aqui mesmo.


A questão dos caças avançados, nada difícil de decidir, ficou entre o modelo americano F-18 E/F, o mais testado em combate, pela postura bélica permanente dos irmãos do Norte, e o Gripen NG, da Suécia, aquele que nos daria maior independência tecnológica, por ser um avião ainda em projeto, embora já existam 230 aeronaves de outros modelos desse mesmo avião voando em cinco forças aéreas.


O Brasil pode compartilhar esse projeto com os suecos, a ponto de se tornar, no futuro, exportador desses caças, cujo custo de operação é dividido por dois, pelo fato de ser monomotor, dotado de uma turbina de grande confiabilidade.


Ainda no quesito bom senso, falta Dilma perceber que não está com nada aquela coisa jeca de uma presidente da República ficar dando beijinho de duas bochechas em todo mundo, no Brasil e no exterior.


Além de pouco salubre, esse hábito faz perder tempo, algo que ela tem sabido utilizar com critério, até agora, com horário para começo e fim das reuniões palacianas.

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ROBERTO MUYLAERT, jornalista, é editor, escritor e presidente da Aner(Associação Nacional dos Editores de Revistas). Foi presidente da TV Cultura de São Paulo (1986 a 1995) e ministro-chefe da Secretaria da Comunicação Social (1995, governo Fernando Henrique Cardoso).

Porque hoje é sexta

A chuva forte que cai sobre a estrada nos campos de cima da serra.
No mundo Árabe a sombra da revolta contra o ditador maluco. No Japão o protesto dos vendedores de robôs. Na América Latina a discussão sobre o mínimo que impacta a economia. Na Europa o frio que grassa no campeonato mundial de inverno. Na Austrália o sucesso dos cangurus de metal. Nos Estados Unidos a celebridade que furtou na livraria é apresentada na polícia.

E desligamos a tv com a inevitável sensação de "deja vu".

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quem Sabe Fazer Oposição no Brasil é o PT

Ontem Alvaro Dias criticou o governo Dilma por não ter aumentado o mínimo para os trabalhadores em R$ 545,00, ele queria R$ 600,00, mas ele não convence, porque ele não é petista.
Juro que não tive saco de assitir a esse debate sobre o mínimo, mas torci pelo êxito da proposta do governo Dilma. O mínimo será de R$ 545,00, porque esse é o valor que fecha as contas. A oposição queria R$ 600,00 e os sindicalistas algo em torno de R$ 560,00.
Quando a oposição foi governo ela sempre conseguiu aprovar um mínimo que "fechasse as contas, tal como faz hoje o governo Dilma do PT. E sempre foi assim, o resto é demagogia.

A diferença é que o PT é muito mais competente quando faz oposição, porque ele abre a boca, faz alarde, diz que os trabalhadores estão sendo explorados, que é um absurdo, que o capitalismo e o neoliberalismo estão levando o Brasil à bancarrota e otras cositas más. E o povo incauto acreditou nas promessas do PT que governa o Brasil há 3 mandatos.

E ontem assisti na TV o Senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná, com seus botox e cabelos pintados (impressionante como têm pessoas com dificuldade de aceitar a natural velhice) fazendo o mesmo discurso que os barbudos do PT sempre fizeram. Só que Álvaro Dias não convence.

Quem sabe fazer oposição no Brasil é o PT. Eles são profissionais nessa arte.

Os Campos de Cima da Serra

Casa do inicio do século XX na Praça Principal de Antonio Prado
Igreja do fim do século XIX  na praça principal de Antonio Prado

Entrada de uma residência, hoje manicure, em Antonio Prado

Vacaria e sua praça com calçamento Copacabana

Estrada Sinval Guazzeli que liga Antonio Prado a Vacaria

Detalhes de Antonio Prado, a cidade mais italiana do Brasil.

Casario de Antonio Prado

Mais casas coloniais em Antonio Prado

A tempestade se aproxima nos campos de cima da serra.
A tempestade vem forte.
No interior do Rio Grande do Sul

Os hoteis em Caxias estavam lotados. Alguns congressos, empresários italianos. O Brasil está bombando. Tive de seguir viagem até os campos de cima da serra. Estava cansado e com a estrada não se brinca. Parei em um hotel em Antonio Prado, na praça central. De manhã, com o celular,  tirei algumas fotos da cidade mais italiana do Brasil, cenário do filme Quatrilho.  E segui viagem até Vacaria.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Valeu Ronaldoooo


A grande característica de Ronaldo Nazário, o fenômeno, é que ele sempre foi um autêntico nº 9. Um centro avante que verticaliza, que corre em direção ao gol, mas sua principal virtude é que ele dificilmente era derrubado pelos zagueiros, ele se mantinha firme, driblava como poucos e raramente caia. Mas com o tempo - e com as baladas - o corpo não conseguiu mais acompanhar a mente, os pensamentos. Talento ele sempre teve, um nº 9 tem de saber se colocar para receber a bola e nisso ele é mestre, mesmo sendo Ronalducho.

Receita de Um Cara de Visão Para um Brasil Mais Eficiente

David Neeleman, dono das companhias aéreas Jet Blue e Azul

Uma das boas entrevistas que li nos últimos tempos foi a de David Neeleman, presidente da Azul Linhas Aéreas que já detém quase 10% do mercado brasileiro. É um cara que conhece bem o mercado americano, ele é dono da Jet Blue, e faz uma comparação com o mercado brasileiro. Temos, como se vê, problemas graves na nossa eficiência, culpa da falta de concorrência e da burocracia. Sublinho as partes que considero importantes.


Folha - A Copa está se aproximando e a ampliação dos aeroportos não saiu do papel.



David Neeleman - Vai ser um grande problema. Sabe, eu queria acabar com a lei 8.666 (Lei das Licitações) e com o TCU. Em Vitória, gastaram R$ 30 milhões com as obras do aeroporto. Aí sumiu R$ 1 milhão e o TCU mandou parar tudo. Faz cinco anos que a obra está parada e os R$ 30 milhões foram para o lixo. Tem que investigar, mas não precisa parar a obra. Eu sempre pergunto aos brasileiros sobre isso e eles dizem: "Isso é o Brasil". Não aceito. A Nigéria não faz coisa tão estúpida.


Teremos caos aéreo na Copa?


Vocês ficam sempre pensando na construção de prédios. Mas dá para fazer terminais temporários. Temos um plano para um terminal em Viracopos que pode ser aberto antes da Copa. Em seis meses a gente constrói um pátio e um terminal. Já fiz isso quatro vezes nos EUA. Existem uns terminais infláveis que você arma em 30 dias. As cidades que estão crescendo muito no mundo não esperam cinco anos.


O que fazer com a Infraero?


O Estado pode ser dono da empresa, mas tem que liberar da [lei] 8.666. Devia ser como nos EUA, onde a autoridade aeroportuária não pode distribuir lucro. Não pode aumentar tarifa pra aumentar o lucro fácil. O lucro precisa ser todo reinvestido.


Se o governo decidir conceder à iniciativa privada a construção de terminais, o sr. teria interesse?


Não acho uma boa política para o consumidor, mas, se for a melhor maneira de fazer, eu faria o investimento.


A Azul transportou 7 milhões de passageiros em dois anos -batendo o recorde que era da sua ex-empresa nos EUA, a JetBlue.


A Azul começou com mais aviões do que a JetBlue. Mas é porque, durante a crise [financeira internacional], a Embraer pediu para nós recebermos mais aeronaves para eles manterem a linha de produção sem precisar demitir mais. Foi bom para nós, foi bom para eles.


O crescimento econômico do país ajudou.


Sim, mas o setor aéreo está crescendo três vezes mais que a economia. Há dois anos, quando olhamos o mercado brasileiro, eram 50 milhões de pessoas viajando, mas deveria ter 150 milhões já naquela época [hoje são 70 milhões]. E as duopolistas [TAM e Gol] que estavam em Campinas antes de nós estavam voando com a taxa de ocupação bem baixa.


E qual foi a estratégia?


Seguimos dois princípios: começamos a segmentar as tarifas [política que prevê preços mais baixos para quem compra com antecedência], atraindo pessoas que estavam viajando de ônibus. E a oferecer voos diretos. As pessoas não gostam de fazer conexão.


Mas TAM e Gol também fazem segmentação de tarifa.


Antes da Azul, a diferença entre a tarifa mais baixa e a mais alta era 50%. Agora é mais de 300%. Quando começamos a voar em Campinas, a tarifa lá era 20% mais alta do que em Guarulhos. Era como se as empresas falassem: se você quiser voar de Campinas, tem que pagar mais. Nós mudamos isso e o aeroporto explodiu.


Uma das coisas mais elogiadas da JetBlue é o call center, com atendentes trabalhando de casa. Por que não deu certo aqui?


Porque a Telefônica cobra por minuto nas ligações locais. Nos EUA, você paga US$ 40 e fala 20 horas por dia. Isso é falta de concorrência. Tudo é mais caro no Brasil. Celular, internet, linhas de telefone. Fico impressionado. As pessoas ganham salários menores aqui, mas pagam mais por quase tudo. Só casa e comida é mais barato.


Onde é mais fácil ganhar dinheiro, aqui ou nos EUA?


Aqui. Já temos quase 10% do mercado. A JetBlue tem 4% nos EUA, depois de dez anos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Egypt is Free?

Protestos na praça Tahrir, no coração da cidade do Cairo.
Por 17 dias a multidão protestou contra uma ditadura de 30 anos, na praça Tahrir, conclamando a renúncia do velho presidente. E o povo unido que jamais será vencido, que carregou esse desejo de mudança, saiu vitorioso. O ditador foi passear, no balneário de luxo, distante dos palácios da capital. E as faixas apareceram: Egypt is Free. Uma junta militar deve assumir o poder até setembro quando haverá eleições. Quem governará o Egito a partir de então? Muito provavelmente um governo liberal, pró ocidente e que respeite os tratados firmados com Israel. Talvez Mohamed ElBaradei, prêmio nobel da paz, o homem que desafiou George W. Bush. Talvez o blogueiro do google. O que se espera é que  a irmandade muçulmana não tenha os votos suficientes para chegar ao poder.  Há um certo  consenso de que nessa revolta popular não houve grande expressão dos radicais islâmicos. Isso é bom. O tempo dirá.