Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Estado-Indutor - Delfim Netto


Vivemos a geração perdida com a fórmula do Consenso de Washington para estimular o desenvolvimento. Ela foi pobremente simplificada entre nós na receita: "estabilize, privatize e liberalize". Dele não aproveitamos sequer as boas receitas como, por exemplo, "manter uma taxa de câmbio real competitiva". E, das que aproveitamos, como a privatização absolutamente necessária, fizemos mal e às pressas, para não ir ao "default", deixando um problema do qual vamos continuar a nos arrepender: precificamos os serviços não-comercializáveis e a dívida dos Estados e municípios por indicadores que refletem os preços dos comercializáveis! A receita do Consenso não era ruim em si mesma. Pelo contrário, boa parte dela (inclusive a sua dúvida sobre as vantagens da liberalização do movimento de capitais) faz sentido. É preciso reconhecer, entretanto, que ela era, na melhor hipótese, apenas, condição necessária para o crescimento. Estava longe de ser também suficiente.A idéia de que "estabilizar, privatizar e liberalizar" criaria por si mesmo e por gravidade as condições para um desenvolvimento acelerado e sustentável foi uma das mais cruéis ilusões impostas a governantes bisonhos pelo pensamento hegemônico gerado por uma pseuda "Ciência Econômica".Há duzentos e cinqüenta anos a Economia Política mostra que o desenvolvimento é um fenômeno complexo condicionado pela cultura, pela história, pela geografia, pela antropologia etc., e que depende, para realizar-se, de um Estado-Indutor capaz de cooptar a sociedade para realizá-lo.É isso que reconheceu, afinal, um interessante e pragmático documento produzido no Banco Mundial sobre o "Crescimento e Desenvolvimento" dos países. Ele chegou à óbvia conclusão que são necessárias boas políticas macroeconômicas, adequadas condições microeconômicas e um Estado-Indutor capaz de produzir a ignição explosiva do "estado de espírito" que mobiliza a sociedade. O Estado-Indutor é a enzima catalisadora daquela mobilização. O Estado-Produtor deve reservar sua intervenção prática a gerar os bens públicos que só ele pode produzir: a paz, uma tolerável administração da Justiça (inclusive a proteção à propriedade privada), a educação e a saúde para os cidadãos em estado de necessidade, substancial melhora da igualdade de oportunidades e a estabilidade da moeda. Tudo eficientemente, ou seja, com uma carga tributária leve. Nunca houve um processo de desenvolvimento sem a intervenção do Estado-Indutor.


Artigo publicado na Folha de hoje.

Concordo plenamente com ele.

13 Mortes Causadas Pela Ineficiência do Estado Brasileiro


13 pessoas morreram ontem em Fazenda Vilanova, na estrada Tabaí Canoas no RS. Pelas 4 da manhã de ontem um caminhão que vinha do porto do Rio Grande e quando circulava em cima de uma ponte subitamente passou para a outra pista e atingiu em cheio um ônibus da viação Ouro e Prata que trafegava em sentido contrário. Se essa rodovia estivesse duplicada, o acidente não teria ocorrido. Por que não duplicam? Por que a demora? Por que essa ineficiência? Essa rodovia é conhecida como rodovia da Morte e sua duplicação se arrasta. Se arrasta faz 7 anos. Esse Brasil é mesmo muito lerdo.
Leio na Zero Hora de hoje que essa obra de duplicação está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A construção de uma segunda pista já poderia estar concluída se as obras tivessem iniciado em 2001, quando a STE-Serviços Técnicos de Engenharia venceu a licitação para elaborar o projeto. Por falta de verbas, conforme o superintendente regional do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), Marcos Ledermann, o processo não foi adiante. Só pôde ser retomado em dezembro.A empresa vencedora da licitação tem prazo até outubro para entregar o projeto, mas, por problemas administrativos internos - não detalhados - deve atrasar. Depois de um mês de estudos, ele foi paralisado em janeiro e só será retomado em 1º de agosto. Com esse atraso, a empresa deve pedir novo prazo - provavelmente mais nove meses. O início das obras, previsto para a metade de 2009, será adiado novamente.Haverá o alargamento de duas pontes existentes no trecho - uma sobre o Arroio Estrela, em Estrela - , e outra sobre o Arroio Concórdia, onde ocorreu o acidente de ontem. Segundo a engenheira coordenadora do projeto, Zélia Silveira de Azevedo, da empresa contratada, o levantamento topográfico do trecho já está concluído. Agora, o plano funcional definirá características de geometria, como a largura do canteiro central e a quantidade de níveis e interseções.Após ser entregue, o projeto vai ser analisado pelo Dnit antes da abertura da licitação. Isso deve levar pelo menos 90 dias.
Isso é brincadeira. Estão brincando com o povo brasileiro. A licitação foi vencida em 2001. Estamos em 2008 e a obra ainda não começou!!!!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Tudo tem seu Preço e Dantas Compra


Quando Dantas se preparou para participar do leilão das teles, em 1997, ele era um 'cidadão de bem' que se aliou aos fundos de pensão das estatais e ao Citibank, formando um consórcio que adquiriu, mediante licitação pelo melhor preço, a tele centro sul, hoje Brasil Telecom. O governo FHC teve o santo cuidado de impedir, pela lei de concessões, que um licitante pudesse adquirir empresas em diversas áreas geográficas. Quando o governo do PT chegou ao poder já se sabia quem era Dantas. Aquele ilustre desconhecido já não era mais desconhecido. E Dantas foi comendo pelas bordas, devagarinho, sorrateiro se aproxima do lado oculto do poder petista, aqueles mesmos que prometeram ao Brasil um país decente. Não custa arriscar: contratou a empresinha do filho de Lula para trabalhar para a Brasil Telecom recebendo 100 mil por mês. Contratou o compadre do Lula para prestar serviços que também embolsou uma bela grana. Dantas alimentou o valerioduto que permitiu ao governo do PT conquistar aliados para aprovar medidas no Congresso. Fez contatos com amigos próximos de Lula, Sigmarina, Greenhalgh porque o "sujeito de bem" Daniel Dantas sempre tem em mente um objetivo concreto: ganhar muito dinheiro custe o que custar. E Dantas ganhou muito dinheiro vendendo sua parte da Brasil Telecom para a Oi. E isso só foi possível realizar se o governo do PT mexesse naquela legislação que o governo FHC impediu, a possibilidade de uma concessionária de telefonia atuar em diversas regiões do Brasil. Dizem que Dantas levou 1 bi e ele agradece a todos. Tudo tem seu preço e Dantas compra.

Salvatore Alberto


Na apertada e mal cheirosa cela de Bangu 8 está um cidadão italo-brasileiro chamado Salvatore Alberto que nasceu em Milão no ano de 1944. Deprimido, ele fica deitado na desarrumada cama e lamenta. Ele não se conforma de ter ido passar um maldito fim de semana em Mônaco. Deveria ter ficado na Itália, país que o acolheu e onde ele se encontrava seguro. Preso pela Interpol esse senhor de 1,90 m de altura foi obrigado a voltar ao Brasil de vôo comercial como qualquer vivente.
Vida de preso não é mole em nenhum lugar do mundo. Vida de preso no Brasil é muito pior. Vida de preso em Bangu é o pior dos piores.
Salvatore enxuga a testa, olha para o teto e lembra sua história de vida.
Na década de 50, a empresa do velho Luigi Cacciola, pai de Salvatore, faliu na Itália pós guerra. O velho resolveu imigrar para o Brasil e mais tarde desembarcou aqui sua família. Salvatore - adaptado a vida tupiniquim - ingressou no mercado financeiro e fez carreira. Trabalhou em corretoras e fez seu próprio banco, o Marka. Em 1993, o italo-brasileiro foi sequestrado e ficou 4 dias no cativeiro em São Gonçalo-RJ e conseguiu fugir dos algozes. A partir dai resolveu andar apenas de helicóptero. Em 1996 Salvatore casou com a Miss Brasil de 1981, a gaúcha Adriane Alves de Oliveira. O casamento durou 10 anos.
No ano de 1999, Fernando Henrique Cardoso é reeleito presidente do Brasil, era tempo de paridade cambial, mas a economia do país vai mal. Empresas exportadoras não conseguem vender seus produtos lá fora. As falências estampam nas capas dos jornais e aumenta o desemprego Não havia outra maneira, teria de haver imediatamente -- após a reeleição, of course -- a desvalorização do real. O mercado financeiro se preparava para a medida, menos dois bancos: o Marka de Salvatore e o Fonte Cidam, que acreditavam na estabilidade do real.
Na tarde do dia 18 de janeiro de 1999 foi introduzida no Brasil a livre flutuação do dólar, que ocorre até hoje. Resultado, os bancos Marka e Fonte Cidam foram à bancarrota. A diretoria do BACEN, capitaneada por Francisco Lopes, resolve socorrer o Banco Marka e desembolsa 28 milhões de reais de dinheiro público. No final das contas, segundo alguns cálculos a operação de socorro aos bancos Marka e Fonte Cidam trouxe um prejuízo aos cofres públicos de 1,5 bilhão de reais. Esse negócio, evidentemente, é muito questionado, porque a cotação do dólar da operação é bem inferior à cotação do câmbio do dia.
No parlamento se forma a CPI dos Bancos. Cacciola é ouvido e depois resolve passar um tempo no Kur Hotel em Gramado para emagrecer e desestressar. É preso pela Polícia Federal. Foi o primeiro banqueiro a dormir numa cela de prisão no Brasil. Salvatore Alberto fica 37 dias na prisão e consegue um habeas corpus com o Ministro Marco Aurélio no STF. Salvatore foge para a Itália onde passa a morar como cidadão italiano. Até que um belo dia resolve passar um fim de semana em Mônaco. Está em Bangu 8.
Salvatore vira para o lado, não consegue dormir. Daqui a pouco o jantar vai ser servido.

O Sambinha da Maria


Do alto do prédio onde trabalho ouço um jingle de campanha eleitoral. É o primeiro jingle que ouço nessas eleições. É um sambinha que fala de uma tal de Maria, aquela que quer fazer a cidade mudar. Eu sou daqueles que acha que a propaganda -- qualquer que seja ela -- não pode ser feita por alto falantes. Acho contraproducente. Além disso, é muito chato: atrapalha quem trabalha e tira o sono de quem quer sestiar. E o sambinha da Maria vai e volta. Circula pela cidade para atrair eleitores. Será que consegue?

Por que Porto Alegre insiste em Patinar?

O urbanista espanhol Jordi Borja em visita às instalações do cais do porto de Porto Alegre. A área é muito bonita, mas ninguém circula por lá.

Tudo é muito difícil em Porto Alegre. A cidade é bem localizada. O Guaiba é um rio ou um lago interessante, mas a cidade cresceu de costas para o rio ... ou para o lago. Porto Alegre é um porto que divide a cidade. De um lado a cidade e do outro o rio ou o lago. No meio, o porto. Já faz um bom tempo que projetos e projetos são veiculados pela mídia para urbanizar o porto de Porto Alegre e fazer com que as pessoas possam circular pela cidade, em contato com o rio ou com o lago. Lembro que no governo Britto se pensou em fazer dali uma área parecida com o Puerto Madero em Buenos Aires, com bons restaurantes e hoteis de luxo e uma bela marina, mas cairam em cima do projeto. Era muito burguês. Esse ranço é tipicamente portoalegrense.


E voltamos sempre na estaca zero. O projeto nunca sai do papel, nunca existe consenso, nunca existe nada. Qualquer projeto de área pública que possa ser feito em parceria com a iniciativa privada é visto no Rio Grande do Sul, como uma forma de privatização do espaço público. Esta na hora de acabar de vez com esse discurso hipócrita. O fato do Estado (que não tem grana para investir) conceder à iniciativa privada a exploração de uma área pública não torna essa área privada. Ela continua pública, há apenas a exploração comercial privada da área pública. Mas isso, os de sempre dizem, é um grave pecado.


E ficamos eternamente parados no mesmo ponto. Patinando sobre o mofo do discurso ideológico. Hoje na Zero Hora, um arquiteto catalão, e os catalões são bons artistas, visitou a área do cais do porto de POA. É o urbanista Jordi Borja que transformou a orla de Barcelona no período que antecedeu as Olimpíadas de 1992.


Diz a matéria:


Com a conversão do antigo porto em área urbana e a extensão do acesso ao Mar Mediterrâneo em cinco quilômetros, cerca de 100 mil pessoas passaram a circular por fim de semana pelo local.Na Capital, onde participa hoje do fórum de debates Porto Alegre, Uma Visão de Futuro, promovido pela Câmara de Vereadores, Borja visitou ontem à tarde o cais do porto a convite de Zero Hora.O urbanista destacou que o local tem um potencial extraordinário a ser explorado:- Porto Alegre, pelo que vi, não oferece uma imagem muito atrativa. Então, uma grande oportunidade é melhorar o urbanismo da cidade, dos espaços públicos. O porto é uma grande oportunidade. Se fala muito no turismo, mas o mais importante é o atrativo para os próprios moradores. É uma questão de justiça social - disse o espanhol.Confira a seguir idéias de Borja para o cais do porto:
1. Espaços de lazer - Para atrair o público, o cais precisa ser renovado com a instalação de bares, restaurantes e espaços culturais e de lazer. A construção de prédios para abrigar escritórios ou apartamentos deve ser feita com muito critério, uma vez que essas obras formam barreiras na paisagem.
2. Junto à água - É importante manter o vínculo com a água. Por exemplo, o urbanista considera ideal que o espaço congregue áreas operacionais (transporte de cargas) e pontos de prática de pesca, de esportes aquáticos e de passeios com embarcações.
3. Muro da Mauá - Erguida para evitar a repetição da enchente de 1941, a construção deveria vir abaixo, na opinião do urbanista. Borja diz que existem outros mecanismos para controlar cheias.- É absurdo que ainda se mantenha o muro, é imprescindível sua retirada.Outra dica é fazer com que avenidas que terminam junto ao Guaíba tenham visão para as águas.
4. Armazéns - Com remodelação, parte das construções poderia ser utilizada para abrigar estabelecimentos comerciais e de lazer. Entretanto, a maior parte deveria ser derrubada para evitar a aparência de "muralha":- A cidade tem de ver o Guaíba. Pode haver elementos construídos, mas que a água seja facilmente visível.

Os Labirintos Deixados Por Protógenes


Do Blog do Josias:


Afastado do comando da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz deixou no inquérito que traz a sua assinatura um legado de problemas para o governo.

O principal deles é a aura de suspeição que Protógenes acomodou ao sobre um negócio caro ao governo: a fusão da Brasil Telecom e da Oi.

A transação, ainda pendente de acertos legais, dará origem a uma supercompanhia telefônica de capital nacional, que tem as bênçãos de Lula.

Entre quatro paredes, o presidente revela-se inconformado com os procedimentos adotados por Protógenes na condução das investigações.

Diz que o delegado subverteu a hierarquia da Polícia Federal, sonegando de seus superiores detalhes cruciais da investigação.

Revela certa inconformidade com a parceria que o delegado estabeleceu com a Abin de Paulo Lacerda, à revelia da cúpula da PF.

Nas palavras de um assessor do presidente, “é preciso restaurar a ordem, em nome da preservação da imagem da Polícia Federal.”

Na visão do presidente, revelada ao blog pelo auxiliar que priva de sua intimidade, as prioridades de Roberto Saadi, o delegado que substituiu Protógenes, são as seguintes:

1. “Restaurar o respeito à hierarquia na Polícia Federal”;

2. “Sanear o inquérito, retirando dele as ilações infundadas do delegado Protógenes”;

3. “Acrescentar aos indícios revelados pelos grampos telefônicos provas capazes de levar Daniel Dantas a uma condenação judicial.”

De saída, as preocupações de Lula resultaram num reforço da equipe que cuidará da análise do material recolhido em 58 batidas de busca e apreensão.

Destacaram-se para a missão cerca de 50 agentes federais. É um dos maiores contingentes já reunidos pela PF em torno de uma investigação.

Uma forma de neutralizar a acusação de Protógenes, formalizada em representação ao Ministério Público, de que o trabalho de investigação estaria sofrendo um boicote.

O desafio que se auto-impôs o governo é o de convencer o Ministério Público de que nem todas as “ilações” de Protógenes encontram correspondência nas provas.

Parte-se do pressuposto de que o delegado “exagerou”, por exemplo, ao empurrar o “problema” Daniel Dantas para as cercanias do gabinete de Lula.

Nesse ponto, entram as preocupações do Planalto com o negócio que envolve a viabilização da supertele.

Em relatório datado de 26 de junho, o delegado Protógenes, agora dedicado exclusivamente a um curso de aperfeiçoamento, arrastara para o centro da encrenca do Opportunity a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Anotou que o ex-deputado petista Eduardo Greenhalgh valera-se de sua influência no Planalto para exercer “tráfico de influência” e “lobby” em favor da venda da Brasil Telecom para a Oi.

Eis o que diz um trecho do texto escrito por Protógenes: "Devido à sua condição anterior de ex-deputado federal e membro do PT [Greenhalgh], freqüenta a ante-sala do gabinete da Presidência da República...”

Busca “...apoio para negócios ilícitos do grupo [Opportunity], notadamente no gabinete da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho...”

Mais: “Convém mencionarmos que a fusão entre a Brasil Telecom e a Oi, efetuada recentemente, foi objeto de diversas tratativas entre os integrantes da organização criminosa.”

O delegado chegou a pedir a prisão de Greenhalgh, negada pelo juiz Fausto de Sanctis.

Protógenes chegou a contabilizar as tentativas de assédio do ex-deputado petista em favor do negócio no Planalto: quatro vezes.

Protógenes avança no juízo de valor. Classifica a intervenção de Greenhalgh como "fundamental na criação da supertele, gentilmente elogiada por todos do grupo, em especial pelo cabeça da organização, Daniel Dantas".

Dantas figura na transação como beneficiário de um pagamento de cerca de R$ 1 bilhão. Cifra recebida para que concordasse em deixar a composição societária da Brasil Telecom.

A exclusão e Dantas é algo que o governo vinha tentando desde 2005. Nos subterrâneos, ao se justificar perante amigos do PT, Greenhalgh diz que não fez nada condenável.

Ao contrário. O ex-deputado petista julga ter contribuído para viabilizar algo beneféfico ao país, ao contribuir para o desembarque de Daniel Dantas da BrT, viabilizando a efetivação do negócio da supertele.

Uma transação que ainda depende de ajustes legais. O Plano de Outorgas da telefonia, editado sob FHC, proíbe que uma mesma operadora exerça o controle de mais de uma área de concessão no país.

A Anatel topou mudar as regras. Abriu uma consulta pública que expira em 1º de agosto. Depois disso, o ministério das Comunicações terá de redigir um novo texto.

Será enviado a Lula, a quem cabe dar a palavra final sobre a alteração. Daí o receio do presidente. Ele não quer apor sua assinatura a um documento que venha a ser tisnado como produto de lobby espúrio.

Como se vê, não é simples a tarefa do delegado Saadi, substituto de Protógenes. Antes de provar as culpas de Daniel Dantas, terá de demonstrar que o colega que o antecedeu cometeu excessos. Precisará ser convincente, uma vez que seu trabalho é supervisionado pelo Ministério Público.

Disso depende a efetivação da supertele. Uma companhia que, se viabilizada, terá 49,8% de seu capital controlado pelo governo, por meio do BNDES e dos fundos de pensão de empresas estatais.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Além de Lavoisier


Direto do meu mailbox a seguinte mensagem:

O BRASIL ESTÁ MUITO ALÉM DE LAVOISIER !
'Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

Cana > álcool, álcool > cana.'

Onde Está o Cordão Sanitário?


O Diario Gauche de hoje diz que toda a grande mídia faz parte do esquema Daniel Dantas e que se criou um cordão sanitário para isolá-lo das acusações de diversos crimes.

Diz o gauche na parte vermelha bem vermelhada e depois eu volto, of course:


"Os jornalistas que aderem aos poderosos e agem como explicadores e apologistas daqueles que violam a coisa pública devem ser vistos como cúmplices da pilhagem".
Do jornalista investigativo norte-americano Jack Anderson, que morreu aos 83 anos, em dezembro de 2005. Essa sentença ele disse a propósito do escândalo de Watergate, quando Richard I'm not a crook! Nixon foi defenestrado da Casa Branca, por ter cometido vários crimes. Na época, 1974, parte da imprensa norte-americana tentou acobertar o criminoso da Casa Branca. É para esses que Anderson falou.
Hoje, aqui no Brasil, a frase serve para criticar o cordão sanitário criado (e cevado) por Daniel Dantas para isolá-lo de acusações de diversos crimes. Estão no "esquema Dantas", grande parte da mídia brasileira, senão a totalidade, bem como as indefectíveis assessorias de imprensa, algumas muito poderosas, verdadeiros braços internacionais de grandes press office mundiais que aqui operam.
Certamente, Daniel Dantas, do alto do seu cinismo, deve estar repetindo a frase de Nixon, I'm not a crook (eu não sou um criminoso), como um mantra purificador.


Ok, estou de volta:


Onde está esse cordão sanitário? Certa esquerda que elege a mídia como "inimiga de classe" inventou essa história de que parte da mídia brasileira está no esquema Daniel Dantas. Ora, se a grande mídia estivesse no esquema DAniel DAntas nenhum alarde teria sido feito sobre sua prisão, sobre seus esquemas, sobre suas corrupções. O interessante é que essa mesma esquerda fica indignadíssima quando a grande mídia mostra para todo o Brasil os esquemas de corrupção aportados por Dantas contra figuras ilustres do PT e do governo Lula. E as conversas gravadas estão a demonstrar que Greenhalgh consultou, inclusive, o chefe de gabinete do Lula, amigo íntimo do presidente para verificar se a ABIN estava investigando Dantas. E o Lula, of course, não sabia de nada.

Aqui Jaz O Multiculturalismo



Está sendo preparado o funeral do multiculturalismo. Alguns acham que ele caiu juntamente com as torres gêmeas. Outros pensam que ele sangrou até morrer com Theo van Gogh, o crítico assassinado por um muçulmano holandês em Amsterdã.

No Reino Unido, o multiculturalismo talvez tenha voado pelos ares no atentado ao metrô em 7 de julho de 2005, pelas mãos de quatro homens -todos criados no Reino Unido. Três anos depois de tudo isso, Kenan Malik, um dos mais inteligentes de nossos críticos sociais, escreveu o obituário.Em seu novo livro "Strange Fruit - Why Both Sides Are Wrong in the Race Debate" (Frutos Estranhos - Por Que os Dois Lados Estão Errados no Debate Racial, Oneworld Publications, 288 págs., 18,99, R$ 61), Malik afirma, para começar, que o conceito de raça não é científico e, em seguida, que o multiculturalismo é culpado de reforçá-lo, acarretando conseqüências graves para nossa sociedade.

Malik abre seu livro com a alegação infame de James Watson, co-descobridor do DNA, de que os africanos têm inteligência inferior à "nossa".Não apenas nossos genomas são virtualmente idênticos como as diferenças que ocorrem existem em grande quantidade no interior das populações.Em outras palavras, se a humanidade inteira fosse exterminada, com a exceção de uma única tribo pequena, virtualmente todas as variações genéticas continuariam a existir.Todos nós sabemos diferenciar um inuíte de um etíope, mas, deixando de lado suas características superficiais, as categorias amplas e inconsistentes de raça constituem um guia falho às diferenças genéticas.Então por que, já que o conceito está tão desacreditado, continuamos a pensar em termos raciais?Devido ao culto ao multiculturalismo, afirma Malik. Enquanto no passado os pensadores progressistas defendiam que se desse tratamento igual a todos, apesar de suas diferenças, hoje eles advogam tratar as pessoas diferentemente em razão de suas diferenças.Esse respeito equivocado pela diversidade nos leva a atribuir uma marca, como uma cor ou um credo, a comunidades que são complexas.A conseqüência disso não é apenas a divisão da sociedade segundo critérios étnicos, como também o fortalecimento das forças conservadoras internas às comunidades. Desse modo convertemos os mulás em porta-vozes de pessoas que, anteriormente, talvez tenham visto seu legado islâmico como não mais que uma parte de sua identidade.Os rumores sobre a morte do multiculturalismo são exagerados, sem dúvida.Mesmo assim, nos círculos intelectuais é considerado elegantemente arriscado criticar o movimento, e algumas dessas críticas se aproximam perigosamente da xenofobia.Não é o caso de Malik. Seu tom é comedido, e seus argumentos são bem-fundamentados. Lúcido e importante, seu livro é alicerçado na crença fundamental na dignidade humana universal.

Este texto saiu no "Financial Times".Tradução de Clara Allain.
Do Caderno Mais da Folha de Ontem.
Kenan Mallic tem uma página na internet aqui.