Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Grande Erro ou Burrice Estratégica?

No Blog RS Urgente, como acontece na maioria dos blogs da esquerda, a tática é a da cortina de fumaça para desviar o assunto que efetivamente importa: pode um senador ter contas pagas por um lobista de uma empreiteira? E isso é fato inconteste. O PT demostrou ontem que isso é normal, que isso é natural. A Senadora Adeli votou a favor de Renan, Mercadante se absteve e o PT e o governo do PT foram decisivos para a absolvição. Mas esse foi um erro político e estratégico grave. Muito melhor para o governo seria apoiar a cassação e limpar a mesa e tocar a vida adiante para o Brasil fazer as reformas que necessita. Mas nada disso o governo do PT e o PT fizeram. Preferiram apoiar um morto vivo, o pessoal da banda podre do Congresso e comprar uma briga com a mídia, OAB, com a oposição, com a opinião pública que muito bem poderia ter sido evitada. E o governo do PT super envolvido e tendo seus membros e ministros indiciados em casos de corrupção, formação de quadrilha e peculato poderia ter agido diferente. Mas assim não fez. É lamentável ver os blogs de esquerda defendendo um crápula como Renan Calheiros. É, como disse antes, a moral de cuecas da esquerda brasileira.

O povo que frequenta os blogs de esquerda faz parte de uma elite. A mesma elite que tem uma opinião concreta de mundo de que um político não pode ter favores pessoais com o uso do cargo. Acho que estamos aqui todos de acordo com isso. Mas inventaram agora de passar a borracha por cima desses princípios para criticar, apenas por criticar, a mídia por ter considerado uma grande vergonha o resultado da absolvição de um político que sempre foi podre. Pura cortina de fumaça. A mídia é sempre a culpada, porque ela consegue descobrir e expor para toda a população ( e esse é um dever republicano) as falcatruas, picaretagens e contradições que existe num governo de esquerda. Essa elite que atira pedra na mídia não está sendo racional, está sendo contraditória, está compactuando com a banda podre.

A Moral de Cueca da Esquerda Brasileira


Os blogs de esquerda, como de costume, estão atacando as notícias vinculadas pela mídia acerca do julgamento de Renan Calheiros. Dizem eles, em suma, que estaria havendo dois pesos e duas medidas, uma vez que em governos anteriores houve grandes falcatruas não divulgadas pela essa mesma mídia e, agora, que o PT governa o Brasil, a mídia bota a boca no trombone. Dizem os blogs de esquerda que a mídia não deu o mesmo impacto quando ficou sabendo que FHC tinha um filho com uma jornalista da Globo que mora na Espanha.


Mas existem diferenças expressivas, Monica Veloso resolveu colocar a boca no trombone, a mãe do filho de FHC resolveu permanecer em silêncio na Espanha. E esse silêncio, essa discrição deve ser respeitada. E não existe nenhuma informação de que FHC pague pensão com dinheiro de uma empreiteira.


Mas essa é uma questão menor, a questão maior é que o PT ao invés de se aliar com a banda boa do congresso se aliou com o Sarney, com o Calheiros que comandam a banda podre. Ou seja fez exatamente o mesmo erro de FHC que também se aliou com a banda podre. Já passou o tempo em que se imaginava que um governo de esquerda é um governo ético e que estaria acima do bem e do mal. Existem picaretas, corruptos e aloprados num governo de esquerda. Um governo de direita, de centro ou de centro esquerda (que é o que eu defendo para um Brasil melhor) também pode ser um governo ético e muito mais competente e menos corrupto do que um governo de esquerda. Nesse sentido, o governo do PT está fazendo um bom serviço ao Brasil, está mostrando ao povo brasileiro que um governo de esquerda tem graves problemas éticos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Ganhou o brasil medieval


Ganhou o brasil medieval, o brasil arcaico, o brasil do coroné, o brasil do atraso que acha normal um lobista de uma empreiteira pagar pensão para o senador. Ganhou o brasil da banda podre que os governos de plantão (PSDB e PT) gostam de se aliar (gozado, nesses momentos lembro da concertación chilena). E o governo do PT foi complacente com o resultado. Não fez força nenhuma para que Renan fosse cassado. Enfim, participou. O governo que prometeu ao Brasil um país decente. Foi péssimo para o governo do PT esse resultado. Pegou muito mal. E não venham depois colocar a culpa na mídia.

O Brasil Medieval


O que está acontecendo agora no Senado Federal, no julgamento da cassação de Renan Calheiros, onde nenhum registro, nenhuma gravação de áudio, de vídeo de mp3 ou mp4 pode ser feita é a demonstração cabal de que o Brasil Medieval tocado pela banda podre que domina e manipula o Congresso Nacional ainda é muito forte.

E os sucessivos governos da república para ter maioria parlamentar se alia a essa banda podre, como fez FHC e agora faz Lula.

Até quando?

A Direita Retrógada

Na entrevista que a filha do Allende deu ao Roda Viva na última segunda-feira ela elogiou a FIESP que patrocinou uma exposição sobre o acervo em homenagem a Salvador Allende realizada em São Paulo em março de 2007. Ela disse que a direita chilena e o grande empresariado jamais patrocinaria ou financiaria algum evento em homenagem a Allende. Ela também disse que o governo de Bachelet está distribuindo gratuitamente a pílula do dia seguinte e que a direita chilena -- que não faz parte da concertación -- faz um alarde bárbaro alegando que essa pílula é abortiva.

Nas décadas passadas, quem era a favor do aborto geralmente era esquerdista. Hoje o aborto é defendido tanto por setores da esquerda como da direita. E existem também esquerdistas que são contra o aborto e contra o controle da natalidade, sob o argumento de que isso se caracterizaria uma limpeza étnica.

Li recentemente o livro do filósofo francês Luc Ferry, "aprender a viver", e ele se diz que teve sua formação ligada à direita. Ferry foi ministro da educação do Chirac e foi autor daquele polêmico projeto de proibir símbolos religiosos e que parece que deu certo, porque diminuiu a intolerância nas salas de aula. Ferry faz parte de uma direita sensível e moderna que hoje é popular na França -- este país revolucionário -- que elegeu Sarkozy, que é da mesma estirpe.

Ferry, Chirac e Sarkozy como Angela Merkel não fazem parte da direita retrógada.

A direita retrógada é a que admira Pinochet, que adota o fundamentalismo religioso, é que apoia incondicionalmente o troglodita do Bush. No meio do maniqueísmo existente entre direita e esquerda -- e que é sempre alimentado generalizado e confundido pela extrema direita e pela extrema esquerda -- navegamos por esse largo espaço que existe entre o 8 e o 80.

Dia Livre de Sarkô


Em França Sarkozi, o Sarkô, anda "bombando".

Ele está em todas em todo lugar. A mídia mostra o Sarkô o tempo inteiro.

Deu na Folha de hoje:

Depois do Dia Livre do Fumo e do Dia Sem Carro, é a vez do Dia Livre de Sarkozy. O grupo Democracia na TV, criado pelo sociólogo Pierre Boutin, quer que a mídia francesa se livre do "vício" no presidente Nicolas Sarkozy, deixando de mencioná-lo em 30 de novembro. "Quebre seus hábitos por 24 horas e ajude o povo francês a desintoxicar-se", diz o manifesto, que pede que nenhuma imagem, som ou palavra escrita sobre Sarkozy apareça naquele dia: "Nada, por favor, além do silêncio pouco usual e democrático". Boutin diz estar mais preocupado em marcar posição do que com o sucesso da campanha. "Há muitos jornalistas exasperados pelo culto à personalidade que cresceu em torno de Sarkozy."

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Concertación Chilena

Boa, muito boa a entrevista da deputada chilena Isabel Allende Bussi, filha de Salvador Allende, no Roda Viva de ontem.

Não confundir com a escritora Isabel Allende, filha de um primo-irmão de Salvador.

A filha de Allende é objetiva e direta.

Diz ela, somos a favor do livre comércio por um motivo simples, o Chile tem acordos de livre comércio com 80% dos países mundiais.

Allende é entusiasta da concertación, a coalizão de partidos de centro (democracia cristã) e centro esquerda (partido socialista) que está no poder no Chile há 16 anos (quatro mandatos).

No início da década de 90, antes da concertación 40% da população chilena vivia em estado de pobreza, hoje 16% vivem. A economia chilena vem crescendo em média 5% ao ano.

Indagada sobre a Venezuela de Chávez e a Bolívia de Morales, Allende foi clara, são países diferentes do Chile e não vamos importar este modelo. Chile é um país com tradição democrática, inclusive antes da ditadura Pinochet. Este tipo de liderança tem amplo apoio dos povos indígenas, onde a pobreza maior e as oportunidades menores e é conseqüência de uma desilusão do povo com os políticos. Mas são governos que devem ser respeitados.

(acima o logotipo do PS e Democracia Cristã, principais partidos chilenos que compõem a Concertación)



Do blog do Moita

Pesquei a foto acima.
Diz o velho Moita: É pena que as pinturas, por mais geniais e bem feitas que sejam, continuem inanimadas

Garotos Barra Pesada


Enquanto o PT e certa esquerda tentam impôr uma agenda atrasada para o Brasil, questionando a privatização da Vale, os pedágios (que existem em todos os países desenvolvidos) e o custo da energia elétrica (que é alto em todos os países desenvolvidos), os crimes cometidos por menores continuam "bombando" neste país. Evidentemente que este assunto não está em pauta nessa agenda da esquerda.

A impunidade faz os delinquentes perderem o medo. E continuamos engatinhando nas discussões acerca das questões fundamentais.

Em Porto Alegre, uma mulher é arrastada por 20 metros, agarrada ao carro que leva seu filho de 6 anos. Os marginais -- sensíveis -- param o carro e libertam o menino de 6 anos. Que idade tem os delinquentes? 12 e 16 anos.

Que país é este?

Recomendo a leitura do artigo de Ruy Castro na Folha (para assinantes) de hoje, Crianças Heavy Metal, exatamente sobre este assunto.

Diz ele no final do artigo:

Pegando carona numa certa frase dita outro dia, em algum momento da história algum de nós cometeu um erro contra a juventude brasileira. Até há pouco, quando um jovem partia para o crime era para roubar um tênis ou uma bicicleta. Mas os garotos já não perdem tempo com essas ninharias. As crianças agora se tornaram agentes ou cúmplices de crimes heavy metal, que desafiam nossos estômagos.

domingo, 9 de setembro de 2007

A África Não Quer Ser Salva


Sobre a questão africana o Caderno Mais da Folha (para assinantes) publicou este domingo artigo do escritor nigeriano Uzodinma Iweala, autor de "Feras de Lugar Nenhum" (Nova Fronteira). A íntegra deste texto saiu no "Le Monde". Tradução de Clara Allain .


Em síntese, ele defende o seguinte:


"Espero que antes da próxima cúpula do G8 o mundo tenha finalmente compreendido que a África não quer ser salva. A África quer que o mundo reconheça que, por meio de parcerias eqüitativas com outros membros da comunidade internacional, ela será capaz de alcançar um crescimento inusitado, por conta própria. "


Mas para que isso ocorra tem de haver transparência e estruturas governamentais fortes e democráticas. Não é essa, infelizmente, a realidade da maioria dos países africanos. De nada adianta o G8 liberar zilhões e zilhões de dólares para melhorar a qualidade do serviço público dos países africanos se esse dinheirinho é desviado para outros lugares.


O artigo completo está abaixo:


No outono de 2006, pouco após meu retorno da Nigéria, fui interpelado por uma estudante loira e graciosa cujos olhos azuis pareciam combinar com as contas da pulseira "africana" que usava. "Salve Darfur!", ela gritava atrás de uma mesa recoberta de folhetos exortando os estudantes a "agir já!", a "acabar com o genocídio em Darfur!" [área do Sudão onde a guerra civil matou pelo menos 180 mil pessoas desde 2003].Minha aversão a esses estudantes que se engajam incondicionalmente nas causas que estão na moda quase me levou a dar meia-volta, mas o grito que ela lançou em seguida me imobilizou. "Quer dizer que você não quer nos ajudar a salvar a África?", vociferou a garota. Parece que, de algum tempo para cá, oprimido pelo sentimento de culpa pela crise humanitária que provocou no Oriente Médio, o Ocidente vem se voltando para África para ali buscar sua redenção. Estudantes idealistas, celebridades como Bob Geldof [músico e ativista] e políticos como Tony Blair [ex-primeiro-ministro britânico] se atribuíram como missão levar a luz ao continente negro. Chegam de avião para passar um período na África ou participar de uma missão de investigação ou, ainda, para adotar uma criança -um pouco como meus amigos e eu, em Nova York, tomamos o metrô para ir adotar um cachorro abandonado no canil municipal. Geração sexyÉ a nova imagem que o Ocidente quer adotar: uma geração sexy e politicamente ativa cujo método preferido para divulgar sua mensagem é publicar anúncios de página inteira em jornais, com celebridades no primeiro plano e pobres deserdados da África ao fundo. Mas o que talvez ainda seja mais interessante é a linguagem empregada para descrever a África que se pretende salvar. Por exemplo, a campanha lançada pela organização Save the Children (Salve as Crianças), intitulada "I Am African" (sou africano), apresenta retratos de celebridades ocidentais, em sua maioria brancas, com "marcas tribais" pintadas no rosto, sobre o slogan "sou africano" escrito em letras garrafais. Abaixo, em letras menores, vê-se a frase: "Ajude-nos a frear a hecatombe". Por mais que sejam bem-intencionadas, essas campanhas propagam o estereótipo de uma África que seria um buraco negro de doença e morte. Artigos e reportagens não param de falar de dirigentes africanos corruptos, senhores de guerra, conflitos "tribais", crianças exploradas, mulheres maltratadas e vítimas de mutilação genital.Tempos coloniaisA relação entre a África e o Ocidente não é mais fundamentada em preconceitos abertamente racistas, mas esses artigos lembram os tempos do colonialismo europeu, quando se enviavam missionários à África para nos levar educação, Jesus e a "civilização". Todo africano, incluindo eu mesmo, não pode deixar de se alegrar com a ajuda que o mundo nos dá, mas isso não nos impede de perguntar a nós mesmos se essa ajuda é realmente sincera ou se ela é dada com a idéia de afirmar sua superioridade cultural. Cada vez que uma estudante -embora sincera- fala dos moradores de aldeias que dançaram para ela para agradecer sua ajuda, faço uma careta. Cada vez que um diretor de Hollywood produz um filme sobre a África cujo herói é ocidental, eu faço "não" com a cabeça -porque os africanos, apesar de sermos pessoas muito reais, não fazemos mais que servir de validação da imagem imaginária que o Ocidente tem de si próprio. E não apenas essas descrições tendem a ignorar o papel às vezes essencial que o Ocidente desempenhou na gênese de muitas situações deploráveis que afligem o continente como elas também ignoram o trabalho incrível que os próprios africanos fizeram e continuam a fazer para resolver esses problemas. Dois anos atrás eu trabalhei num campo de pessoas deslocadas na Nigéria, sobreviventes de um levante que provocou a morte de mil pessoas e o deslocamento de outras 200 mil. Fiéis a seu hábito, os órgãos de imprensa ocidentais falaram longamente das violências, mas não do trabalho humanitário realizado pelas autoridades locais e nacionais em favor dos sobreviventes -com muito pouca ajuda internacional. Funcionários sociais dedicaram seu tempo e, em muitos casos, doaram seus próprios salários para socorrer seus compatriotas. São eles que salvam a África, e, como acontece com muitos outros em todo o continente, seu trabalho não encontra reconhecimento nenhum no exterior. Em junho o grupo dos oito países mais industrializados reuniu-se na Alemanha com várias celebridades para discutir, entre outros temas, como salvar a África. Espero que antes da próxima cúpula do G8 o mundo tenha finalmente compreendido que a África não quer ser salva. A África quer que o mundo reconheça que, por meio de parcerias eqüitativas com outros membros da comunidade internacional, ela será capaz de alcançar um crescimento inusitado, por conta própria.

(A foto acima está na Folha de hoje e mostra sudaneses fazendo fila para receber água no campo de Krinding, que abriga refugiados da guerra civil no país).