Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


terça-feira, 18 de setembro de 2007

Nosso Quebra Cabeça da Verdade


O Cristóvão Feil do Diario Gauche está contando a história do Rio Grande do Sul e criticando as pilchas, os hábitos e os costumes dominantes da tradição gaúcha que espelham o modelo estancieiro, latifundiário e burguês.

Cristóvão foi ontem ao acampamento farroupilha aqui em Porto Alegre e testemunhou um borracho dando vivas ao Borges de Medeiros.

O alienado do borracho deu vivas ao Borges de Medeiros e o Chávez ontem quer impor um modelo bolivariano de educação, sem eurocentrismo que idolatra o super homem e o Cristóvão Colombo.

O borracho aprendeu que Borges é coisa boa e o Chávez quer ensinar a todos venezuelanos (sem exceções) que Colombo é coisa ruim. Nenhum dos dois tem razão. Não se pode contar história apenas do avesso, porque não existe apenas os outros 500, como também não é sincera a história contada pela oficialidade, dos vencedores e dos poderosos.

A história deve ser contada -- SEMPRE -- da forma mais ampla possível e cabe a todos juntar os caquinhos e fazer o nosso quebra cabeça da verdade.

Pérolas da Nossa Esquerda



Do RS Urgente tiro a seguinte pérola: estaria havendo uma fraude estatística na divulgação do crescimento do PIB em 5,4% este ano. A tese seria de Bernardo Kucinski que escreve no Carta Maior.


O artigo de Kucinski se chama A Conspiração Triunfalista e entra no mesmo lenga lenga ideológico de que está havendo conspiração da mídia contra o governo do PT, mas que em relação ao PIB, todos comemoraram: governo e mídia. Estaria, pois, havendo uma conspiração da mídia a favor do governo. Debocha Kucinski: Sim, meus senhores e minhas senhoras, a mídia oligárquica conspirando a favor de Lula.

Aproveitando o clima debochado, o RS Urgente começa a discorrer sobre economia e sua divulgação pela mídia:

Praticamente todos os jornais e telejornais exaltaram o crescimento acelerado do PIB no segundo trimestre deste ano: nada menos do que 5,4% em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. “O melhor resultado em não sei quantos anos", proclamavam as manchetes. “A maior a taxa de investimento desde não sei quando”. “Indústria se destaca com expansão de 6,8%”, “Consumo avança 5,9%”. E assim por diante. Houve pequenas restrições aqui e ali dos comentaristas de sempre, inconformados com o que parece ser a consagração da política econômica do governo. Mas nem eles deixaram transparecer que se tratava de uma fraude estatística.

Deus do céu e do firmamento! como os materialistas históricos detestam discutir economia! essa ciência (economia é sim uma ciência) para lá de complexa e que considera e tem de considerar todos os aspectos mercadológicos (essa palavra neoliberal).

Não houve fraude estatística, mas impressão de que o crescimento do PIB está em processo de desaceleração. Quem disse isso foi a mídia, representada por dois jornais: Jornal do Commercio do RJ e o Estadão, segundo nos conta Kucinski. Mas se o PIB crescerá ou não nos próximos meses é questão que vamos saber em seguida e depende do que está ocorrendo agora e o que vai ocorre no futuro próximo.

Catequização Bolivariana


"Por que o presidente Chávez não tenta convencer seus mais fervorosos seguidores a inscrever seus filhos nas escolas oficiais de educação?" Essa pergunta foi feita por um administrador de escola privada na Venezuela.

Chávez quer implantar em todas escolas públicas e privadas o currículo escolar bolivariano.

Matéria da Folha de hoje (para assinantes) de Fabiano Maisonnave.

No dia em que a Venezuela voltou às aulas, o presidente Hugo Chávez apareceu em duas cadeias obrigatórias de rádio e televisão, nas quais ameaçou com fechamento as escolas privadas do país que não respeitarem "o sistema educacional bolivariano"."Não podemos aceitar que o setor privado faça o que lhe der vontade. Eles acham que, por serem privados, podem se negar a uma inspeção. Eles devem se subordinar ao sistema educacional nacional e bolivariano. Quem não quiser terá de fechar a escola", disse Chávez, ontem pela manhã, na primeira transmissão.

"Intervém-se, nacionaliza-se e se assume a responsabilidade por essas crianças", completou.As duas transmissões obrigatórias mostraram Chávez inaugurando duas escolas públicas no interior. No segundo evento, na cidade de Maturín, um menino com não mais de sete anos apareceu gritando "pátria, socialismo ou morte".Educação bolivariana.

O governo anunciou na semana passada que pretende implantar a "educação bolivariana" nos próximos anos, mas o projeto ainda não estaria pronto. Uma versão preliminar do currículo revelada na semana passada inclui como tema obrigatório, por exemplo, o estudo do chamado socialismo do século 21."Havia aqui textos que se regiam por programas oficiais, que tinham uma educação ideologizada, eurocêntrica.

Foi por meio dela que nos ensinaram a admirar Cristóvão Colombo e o Super-Homem", disse Chávez, que prometeu implantar o "sistema bolivariano" em todo o país até abril de 2010.

As declarações de Chávez foram duramente criticadas pela Câmara de Educação Privada, que reúne 257 escolas, com cerca de 100 mil alunos. "Não vamos, por pressão do governo, eliminar nossas propostas livres e assumir a que o governo até agora não nos apresentou", disse à Folha o presidente da entidade, Octavio de Lamo."Se a educação bolivariana fosse tão boa, não teríamos todos os filhos de funcionários públicos em colégios privados.

Por que o presidente Chávez não tenta convencer seus mais fervorosos seguidores a inscrever seus filhos nas escolas oficiais de educação?", questionou De Lamo, em referência a uma prática bastante conhecida no país.Segundo ele, o governo vem promovendo uma "perseguição" às instituições privadas nos últimos anos. Como exemplo, cita o congelamento das mensalidades escolares para este ano letivo, apesar de a inflação dos últimos 12 meses ter sido de 16% -a mais alta de toda a América Latina."
O governo quer enfraquecer o setor privado para depois submetê-lo ao projeto bolivariano. Não há aumento de salas de aula, não há investimento pedagógico porque nos últimos três anos o setor privado vem sofrendo uma perseguição econômica muito grande", disse.A única mudança oficializada até agora sobre a nova proposta educacional foi a do fuso horário nacional. A partir da próxima segunda-feira os relógios serão atrasados em meia hora para que, diz o governo, os estudantes acordem de manhã já com a luz do sol.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A Vale e os Militantes Adestrados


E a consulta privada que a esquerda fez sobre a Vale? Qual foi o resultado? Quantos brasileiros compareceram? Naveguei pelos sites e blogs de esquerda e nada verifiquei. Estranho, fizeram tanto alarde para as pessoas participarem desse "plebiscito" privado e nenhum resultado se divulgou.

Leio hoje na Folha, artigo do cientista político Eduardo Graeff, indignadíssimo com os militantes adestrados que ocultam certas verdades como essas:

Bom mesmo é deixar suspeitas no ar e faturar eleitoralmente, como fez com o boato de privatização do Banco do Brasil em 2006. Melhor ainda juntar o proveito político do reflexo condicionado antiprivatização com o proveito econômico da Vale privatizada. Recorde de investimento: US$ 44,6 bilhões nos últimos seis anos contra US$ 24 bilhões nos 54 anos anteriores. Recorde de produção: 300 milhões de toneladas de minério neste ano contra média anual de 35 milhões da Vale estatal. Recorde de emprego: 56 mil empregos diretos hoje contra 11 mil há dez anos. Recorde de exportações: quase US$ 10 bilhões em 2006 contra US$ 3 bilhões em 1997, garantindo mais de um quarto do saldo da balança comercial "deste país".

A Vale não é exceção. Da Embraer à telefonia, passando pela siderurgia e petroquímica, o desempenho de quase todas as empresas privatizadas é uma história de sucesso em benefício de seus compradores e empregados e do país. A isso o estatista contrapõe números que são, eles sim, fraude grosseira: a comparação dos US$ 3 bilhões pelos quais a União vendeu 42% de suas ações ordinárias da Vale em 1997 com os US$ 50 bilhões que a Vale inteira valeria hoje, depois de toda a expansão possibilitada pela privatização. E quem foram os beneficiários desse "ato de lesa-pátria"? A quem pertence a Vale privatizada?

Aos funcionários e aposentados do Banco do Brasil, principalmente, por intermédio de seu fundo de pensão. Com o BNDES, eles detêm dois terços do capital da Vale. O restante se distribui entre o Bradesco, a "trading" japonesa Mitsui e mais de 500 mil brasileiros que aplicaram parte do FGTS em ações da companhia.

O padrão de gestão da Vale é privado. A propriedade, como se vê, nem tanto. Depois de privatizada, a empresa recolheu aos cofres da União, em impostos e dividendos, algumas vezes mais do que fez ao longo de toda a sua existência como estatal. Os obreiros do plebiscito e até, forçando a barra, os padres que ecoam essa gritaria inconseqüente dentro das igrejas podem pretextar ignorância. Lula e os dirigentes do PT, não. Esses usam deliberadamente o fantasma da privatização como uma distração para a sua militância -um osso de mentira que se dá a um cachorrinho para ele não roer a mobília.

Um placebo ideológico aqui, uma verbinha acolá, empregos a rodo, barriga cheia, lá vai a militância petista fazer seu número. Pula! Late! E Lula pisca o olho para as visitas: "É brincadeira, gente! Senta que o Lulu é manso". Os empresários sorriem de volta, fingem que acreditam, mas pensam dez vezes antes de botar a mão no bolso. Para eles, pior do que a encenação dos militantes é a falta de vontade e/ ou capacidade do governo de estabelecer regras claras e um ambiente político confiável para os investimentos privados em infra-estrutura.

A conta das ambigüidades virá aí por 2010, prevêem os especialistas, quando o fantasma do racionamento de energia elétrica deve voltar a rondar, dessa vez não por falta de chuva, mas de investimento. Ou quem sabe em 2011. Já pensaram na ironia? Um novo governo às voltas com o apagão, a militância petista a todo vapor de volta à oposição e Lula na Guarapiranga, pescando suas tilápias...



República Sindical


Deu na Folha de hoje (para assinantes), matéria de Fernando Barros de Mello.

45% da cúpula do governo é sindicalizada.

Os cargos de confiança mais altos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva são ocupados por sindicalizados e filiados ao PT, de acordo com dados da pesquisa "Governo Lula: contornos sociais e políticos da elite do poder", coordenada por Maria Celina D'Araújo, do CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil) da FGV."Você tem ainda uma superposição: parte dos petistas é também sindicalizada.

É uma malha associativa muito forte", diz a pesquisadora.
A amostra da pesquisa levou em conta os cargos DAS 5, DAS 6 (Direção e Assessoramento Superior) e NE (Natureza Especial), que são os mais altos no serviço público.
"A população brasileira tem em torno de 14% de sindicalizados. Na nossa amostra, a gente tem 45%. É muito diferente da realidade brasileira", diz. "Nós pegamos os níveis 5 e 6, que são cargos de direção. Acho que, se olhar mais para baixo, a tendência é até ter mais militantes e sindicalizados. A nossa amostra é uma elite que requer especialização técnica", complementa.

Segundo a pesquisa, cerca de 25% tinham filiação partidária: 19,90% eram filiados ao PT, e 5%, a outros partidos. O estudo mostra que a maior parte dos filiados vem do serviço público estadual e municipal. Informações do próprio PT dão conta de que, ao todo, são 5.000 filiados que ocupam cargos comissionados no governo Lula."Os filiados são, em sua maior parte, "outsiders" da esfera pública", diz o texto da pesquisa, segundo o qual os indicadores de "associativismo" também impressionam. "

Um total de 46% declaram ter pertencido a algum movimento social, 31,8% declaram ter pertencido a conselhos gestores e 23,8%, a experiência de gestão local. Apenas 5% pertenceram a associação patronais."ProfissionalizaçãoOutro ponto que chamou a atenção foi o fato de a área econômica ter o maior número de servidores com experiência anterior (27%). Na área da saúde, o número fica em 14,55%, na social, em 19,12%, e na de educação, em 13,93%. "O que a gente observa é que a área econômica é a mais profissionalizada", comenta. "

Quando a gente vai ver as áreas onde há maior concentração de pessoas sem experiência, sem currículo anterior e com maior militância é na área de saúde e nas áreas sociais. É muito a cara do Brasil, uma cara que se repete."O estudo faz questão de ressaltar que "nada disso permite conclusões retumbantes, apenas aferir que, de fato, a tese que insiste num forte vínculo sindical, social e partidário está correta".

Para D'Araújo, a alta participação de sindicalistas e filiados ao PT pode ser vista como democratização, "porque significa que a sociedade está participando do governo", mas também pode ser analisada como se a "sociedade organizada estivesse sendo cooptada pelo governo".

Mesmo assim, diz ser preciso olhar com cuidado a possibilidade de movimentos sociais serem controlados pelo Estado. "Isso acontece em outros países, Venezuela, Bolívia. Tem sido um recurso bastante usado por governos de recorte popular e pode ter custo para a democracia também, porque você tira autonomia, independência desses movimentos."

A professora, que é autora do livro "O Estado Novo", explica que uma participação tão intensa de sindicalistas é inédita. "Getúlio nem pensar. João Goulart não era sindicalista. O primeiro sindicalista no ministério foi o [ex-ministro do Trabalho Antonio] Rogério Magri, no governo Collor", lembra."

Estou falando de gente que vem do chão da fábrica e depois faz carreira no escritório do sindicato. Agora, temos vários. Não necessariamente vêm do chão da fábrica, porque não são operários braçais, mas vêm do "chão do banco", são bancários. Por exemplo, o [Ricardo] Berzoini foi ministro."

domingo, 16 de setembro de 2007

Nelson Leirner - Bienal do Mercosul




Na 6ª Bienal do Mercosul, na parte dos armazéns do cais do porto de Porto Alegre, tem uma exposição bem interessante. O trabalho lúdico crítico de Nelson Leirner.




sábado, 15 de setembro de 2007

Miss Venezuela


Os Venezuelanos são bambas e malucos por concurso de Miss.

E nesse mundo de chavistas e anti-chavistas o ibope do concurso continua nas núvens.

Deu na Folha hoje (para assinantes). Copio e colo a seguinte passagem, da matéria de Fabiano Maisonnave. A atual Miss Venezuela Dayana Mendoza está na foto acima.

Sem reeleição indefinida e com mandato de apenas um ano, o segundo cargo mais importante da Venezuela já tem uma nova ocupante: a morena Dayana Mendoza , 21, foi a escolhida para representar o país no próximo Miss Universo, a ser disputado em maio do ano que vem.A candidata do Estado do Amazonas derrotou suas 27 adversárias anteontem à noite durante um concorrido evento que, por quatro horas, concentrou 66% da audiência, segundo a emissora de TV Venevisión, do megaempresário Gustavo Cisneros. Tradicionalmente, é o programa mais assistido do ano no país -e talvez seja o único espaço público ainda poupado pela polarização política da era Chávez.Não é pouco ser a mulher mais bonita da Venezuela. Trata-se de representar o país que mais ganhou concursos de beleza mundo afora, entre os quais quatro Miss Universo. Mal comparando, a responsabilidade de Mendoza será parecida com a da equipe brasileira na Copa do Mundo: obter o primeiro lugar é quase uma obrigação.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A Frase do Dia


Tem gente que é tão pobre, mas tão pobre, que só tem dinheiro - Pedro de Lara, falecido ontem, no RJ, aos 82 anos.

Os Brasis do Brasil


O Uol fez um infográfico muito bem feito para mostrar como anda o Brasil de acordo com essa última pesquisa do PNAD, divulgada hoje pelo IBGE.

Realmente fica claro que o Brasil é um país dividido entre as regiões Norte/Nordeste e Sul e Sudeste.

Em relação aos domicílios que têm computadores, enquanto os estados do sul e sudeste o percentual é de 30% a média, nos estados do norte e nordeste esta média não chega a 10%.

No Piaui, Maranhão apenas 6% das residências têm computadores. No Distrito Federal, 42%.

Esse divisão geográfica não é apenas estadual. Existem dois Brasis em todas as cidades do Brasil. Basta verificar como anda a vida na periferia das grandes cidades. Nos morros , zona norte do RJ e na zona leste de Sampa.

Essa divisão entre os dois Brasis está muito bem relatada no artigo de David Coimbra hoje na ZH, o Brasil invisível. E concordo com o Coimbra.

O Brasil invisível
Quando o último uivo saiu da última garganta a vaiar Lula, na abertura do Pan, comecei a cevar uma idéia.A de que Lula é o mais importante presidente do Brasil desde Getúlio Vargas. Naquela noite, a vaia serviu-me de luz. Escrevi a respeito - que quem repudiava o presidente era a classe média, branca, bem alimentada, assalariada, pagadora de impostos. Sei que era. Estava lá, e circulei por todo o Maracanã, e vi.Escrevi também que a vaia era legítima. E é. Mas essa mesma classe média enfureceu-se com o que leu. Compreensível: quem vaia não aceita ressalvas. Quando se chega à vaia é porque o tempo das considerações já passou.De fato, Lula não faz um bom governo para quem vive acima da dita linha de pobreza. Mas também é fato que Lula está demonstrando ao Brasil, na prática, o que o Brasil é.Afinal, como um presidente que é humilhado publicamente por 60 mil pessoas, que é açoitado semanalmente pelas revistas de informação, que tem um governo sitiado por denúncias, que é responsável por uma crise aérea que redundou em morte de centenas, como esse presidente pode amealhar 60% de aprovação nas pesquisas de popularidade?A resposta óbvia é que quem vaia Lula são, exatamente, os que sofrem com a crise aérea, com a carga de impostos, com a CPMF, com a corrupção. São os que lêem revistas e jornais. São, enfim, a minoria. Os 40% das pesquisas.Os outros 60%, não. Aos outros 60%, pouco lhes interessam as mazelas do governo. Não faz diferença para eles. Nenhum governo jamais fez diferença para eles, até então. O que faz diferença são os parcos reais que eles recebem a cada mês dos programas de assistência, o Bolsa-Família, o Bolsa-Escola.Aí está. Um projeto singelo, quase simplista, quase assistencialista, é também quase redentor para a maioria da população. Cento e setenta reais por família são o suficiente para fazer com que as pessoas... vivam.Essa a importância de Lula. Pela primeira vez, em 50 anos, um presidente não fala em primeiro fazer o bolo crescer para depois distribuí-lo. Pela primeira vez, desde que Getúlio meteu uma bala calibre 32 no coração, um presidente destina uma fatia do bolo para quem não tem nada a dar em troca, a não ser o voto.Esses miseráveis que sobrevivem com o Bolsa- Família, eles nunca existiram para as estatísticas ou para os economistas. Eles são subprodutos do regime escravista mais tardio do Ocidente. Eles sempre viveram apartados, primeiro nas senzalas, depois nas favelas e nas vilas, sem água, sem esgoto, sem certidão de nascimento. Nunca ninguém sequer pensou neles, até agora. Eles estavam por aí, invisíveis aos milhões. Hoje, há duas formas de percebê-los. Pela violência urbana, ou pela popularidade de Lula.O que Lula está fazendo não é o melhor que se poderia fazer por eles. Mas Lula, ao menos, está fazendo. Se a classe média e as chamadas elites compreenderem isso sem amargura e sem ressentimento, e se houver alguma reflexão desapaixonada a respeito, talvez o país consiga ir além do assistencialismo do governo. Talvez se estabeleça um projeto sério de educação em regime integral, que iria alimentar o corpo e o espírito dessa gente. Que iria transformá-los de ex-escravos abandonados em cidadãos incluídos. Talvez. Mas, antes, há que se compreender a importância de Lula. Lula apresentou o Brasil miserável ao Brasil.

(A foto acima é de Sebastião Salgado)

Estatísticas


Os dados estatísticos são concretos, objetivos. É a matemática pura, a ciência exata, o" pão pão queijo queijo." Os dados estatístisco são o termômetro, a medida para se saber se a política econômica de um determinado governo está ou não está dando certo. Nesse sentido, apesar de tudo, o governo Lula vem acertando, porque vem incluíndo -- apesar do vício do assistencialismo -- pessoas em um melhor padrão de vida.


Mas não se pode descartar, também, que Lula apenas continua a mesma política de seu antecessor. Não há como negar isso. E esse fato objetivo é também uma demonstração de que o Brasil está consolidando a democracia. É claro que muitos passos este país tem que dar. Estamos engatinhando, ainda, na convivência democrática, como se viu na votação secreta e medieval do processo do Calheiros.


Mas a vida segue, o Brasil continua e o IBGE, essa importante autarquia, anuncia os novos números estatísticos e o país está acertando: a renda média do trabalhador brasileiro cresceu 7,2% entre 2005 e 2006 e beneficiou principalmente a metade dos brasileiros que ganham menos. Esse índice foi o maior em um ano registrado desde 1995. Na média, o trabalhador ganhava R$ 824 em 2005, enquanto em 2006 recebeu R$ 883.


Por outro lado, o Brasil tem de resolver, de vez, a questão previdenciária: Mais da metade dos trabalhadores brasileiros não contribui com a previdência social brasileira, apesar do crescimento de 1,4 ponto percentual dos que integravam o sistema entre 2005 e 2006. Isso quer dizer que 51,2% da população ocupada, ou 45,8 milhões de trabalhadores não possuem garantias previdenciárias. O índice dos que contribuem passou de 47,4% para 48,8 e somam 43,6 milhões.


O problema é que o Brasil inteiro está parado e as reformas necessárias não saem do papel, porque o Senador Calheiros resolveu pagar a pensão de sua filha por um lobista da Mendes Júnior. É o Brasil medieval que emperra nosso futuro.