Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Marvada Pinga


Lula hoje largou a seguinte pérola:

"Imaginem que, logo, logo vocês vão estar todos utilizando carro, que não precisa mais beber nada porque vocês vão estar com o álcool tocando o motor de vocês. Então, vai diminuir a bebida pelo uso de álcool no motor do carro",

A Lei de Maia


Eu já fui acusado aqui de ser o ditador deste blog e agora estou sendo acusado de ser o idealizador, o mentor da Lei de Maia. Pesquei isso do blog - bom de pescar - diário gauche em mensagem postada pelo Sr. Jorge Vieira:

Estou lançando, mas copiando do blog do Nassif, e sem a licença do blogueiro a quem peço desculpas, a seguinte lei como se fosse do campo da física:

A LEI DE MAIATudo o que acontece de errado, ilícito, cru, frio ou calor, faça sol ou faça chuva, da Mongólia até a Ilha de Páscoa, passando por latitudes ou longitudes, é culpa, que transitou em julgado, dos seguintes atores, isolados ou em conjunto: PT, MST, FIDEL, EVO MORALES, CHAVES e IDEOLOGIAS CADUCAS.Aceito colaborações para melhorá-la, pois não sou físico.

Carlos Eduardo da Maia disse...

O que eu questiono, pessoal, no pensamento da nossa gauche latino americana são as propostas para um mundo melhor e possível. E não é possível construir um mundo melhor sem a participação efetiva da esquerda. Como disse o Mino Carta, está na hora da nossa esquerda sepultar o ranço marxista leninista e pressionar, com muito mais inteligência, os donos do poder deste país. O governo do PT que está no planalto tem feito isso, sem ranços, sem ressentimento e com espírito de convergência e de democracia (que não é valor burguês). É mesquinharia, com todo o respeito, ficar criticando o homem branco de rolex. Deixa o homem branco usar seu rolex. O Brasil não vai melhorar a qualidade de vida deste povo limitando bens de consumo. Tem que abrir o fluxo para democratizar cada vez mais este país e deixar de lado o pensamento caduco que faz sim muito barulho para fazer valer uma demagogia barata. Querem exemplo disso, a reforma da previdência que deve e deveria ter sido feito há muiiiito tempo e que o PT era contra e quando governo foi a primeira coisa que fez. Outro exemplo de pensamento caduco é essa onda absurda contra os OSCIPs que não tem nada a ver com privatização. O que eu critico no pensamento de certa esquerda é que ela gosta de enganar, manipular e fazer demagogia para defender o corporativismo de alguns. Que bom que o PT mudou. E essa mudança não tem volta.

Direito Adquirido à Acumulação


Gente, uma perguntinha: para que serve um Tribunal de Contas? Ora, bolas, para fiscalizar e controlar as Contas dos entes públicos. Um auditor, um fiscal do Tribunal de Contas deve sim ganhar bem. Aliás, qualquer auditor, qualquer fiscal público deve ganhar bem. Mas no TCE do RS 130 "iluminados" ganham acima de 22 mil por mês. Pode uma coisa dessas? Essas pessoas, insisto, devem ganhar bem, mas nunca um valor abusivo.

O que geralmente ocorre é a mesma história: o vivente ficava num cargo, por cedência, por um ano ou dois anos e acumulava esses valores integrando-os aos seus vencimentos e assim ia, como bola de neve, acumulando, acumulando, integrando e integrando vencimentos.Até que um belo dia, o tempo necessário à aposentadoria chega e todas essas acumulações e integrações são automaticamente transferidas para os proventos. E haja IPERGS. Como o Estado é de todos e os governantes fizeram vista grossa, ninguém quis mexer nesse vespeiro, nesse formigueiro de acumulação de valores. Assim essa anormal situação foi atingida pelo direito adquirido. Por isso que o RS -- que gasta 72% de sua receita líquida em salários, aposentadorias e pensões -- está na situação que está.

Mas tudo isso vai ser resolvido na Justiça. Os dignos desembargadores do TJRS -- que estão brigando com Dona Yedinha -- é que vão dar a decisão. Mas vai haver recurso para Brasília. Podem crer.

Cortando onde tem que Cortar

Repito, esse blog não tem nenhuma intenção de ser chapa branca de ninguém, mas não pode ficar calado diante das boas intenções. O governo de dona Yedinha, RS, resolveu fazer o que deveria ter sido feito há muiiiito tempo. Cortar os salários de quem recebe mais de R$ 22, 1 mil. É muita grana para uma pessoa só e quem paga essa conta somos nós.

A Rosane de Oliveira, colunista da ZH, apresentou em sua coluna de hoje um levantamento feito em dezembro de 2006 que mostra que o RS tinha 233 servidores públicos, entre ativos, inativos e pensionistas, ganhando mais de R$ 22.111,25.

Veja a distribuição por faixa:

De R$ 21,1 mil a R$ 24,5 mil - 168
De R$ 24,5 a R$ 28 mil - 31
De R$ 28 mil a R$ 31 mil - 18
De R$ 31,5 mil a R$ 35 mil - 8
De R$ 35,1 mil a R$ 38,5 mil - 6
De R$ 38,5 mil a R$ 42 mil - 1
R$ 52 mil - 1

Esse valor, somado ao R$ 1,6 milhão que o Executivo pretende economizar com os cortes anunciados ontem, equivale a tudo o que governo investiu em recursos próprios neste ano.


quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Democracia Ocidental (Monitorando Bourdogan)


Do Blog do Georges Bourdogan que me foi indicado pelo diario gauche, pesquei a seguinte mensagem:


Democracia ocidental.

Na França imigrante só entra depois de realizar exame de DNA. Nos Estados Unidos não há mais habeas-corpus, o que dá a qualquer policial o poder de prender o cidadão se não for com a sua cara. Na Inglaterra, suspeito é eliminado a bala. Na Suíça está proibida a construção de mesquitas. E Fidel Castro e Hugo Chaves é que são ditadores.


Comentário do Maia:


A França, EUA, Inglaterra podem ter seus deslizes democráticos, mas são países onde se respira liberdade, pode se dizer o que quiser e ninguém é preso, executado ou vitimado e vaiado pela patrulha ideológica. É complicado recortar uma notícia de jornal e generalizar e depois fazer comparações bizarras e simplistas, como fez o blogueiro de origem armênia. Hoje o Emir Sader elogiou a revolução cultural chinesa como um grande momento da história da humanidade. Tem gosto para tudo. Nenhum país, nenhum estado nacional, no mundo de hoje, se habilita ser depósito de imigrantes. Os países impõe limites à imigração. E esses limites são amplamente discutidos e apoiados pela maioria da população pelo voto universal. Por isso Sarkô foi eleito na França. Que Fidel é ditador é inegável e que Chávez está indo pelo mesmo caminho, também é inegável e as populações destes dois países continuam reféns da mesma pobreza de sempre. Infelizmente. Já, nos EUA e na Europa ocidental, a população já goza de uma muito melhor qualidade de vida e de liberdade que as populações periféricas querem também usufruir, mas não nos seus países, por diversos e injustos motivos e por isso a imigração que está sendo contida pelos países desenvolvidos. Este é ciclo que pode muito bem ser cortado por uma globalização mais justa, melhor e possível. Mas enquanto o troglodita estiver no poder no país da grande riqueza que financia tudo, a humanidade caminha em compasso de espera.

(Acima uma bela foto do monte ararat na Armênia)

Emir mostra seu lado e seus dentes


O Emir Sader se superou hoje em seu blog no Carta Maior. Ele escreveu um artigo elogiando o livro editado pela Boitempo (a editora de sua esposinha) do Victor Serge que escreveu o Ano I da Revolução Russa. E o artigo é carregado de elogios a respeito daqueles tempos heróicos e mágicos dos primeiros anos da revolução.

No final, Emir diz o seguinte:

Os tempos heróicos descritos por Victor Serge em seu livro servem para sentirmos de perto os sonhos, os dramas e os impasses que um processo revolucionário contém no seu bojo. São os momentos em que a história está mais perto de ser definida pela ação consciente dos homens. Não por acaso a Revolução Francesa, a Revolução Russa, a Revolução Cultural chinesa, a Revolução Cubana foram incorporadas definitivamente ao acervo dos maiores momentos da História da humanidade. Momentos em que os homens e as mulheres puderam tomar o céu por assalto.

O Emir elogiar a revolução francesa, russa e cubana é absolutamente normal. O Emir gosta e muito do Fidel e não o considera um ditador. Tem gosto para tudo. Mas o Emir elogiar a revolução cultural chinesa é dose para elefante, mamute e dinossauro (tudo junto ao mesmo tempo agora) É a primeira vez que eu vejo um intelectual (Emir é um intelectual?) de esquerda ter a coragem de elogiar a revolução cultural chinesa. Hoje a gente sabe de que lado Emir está.... E é bom saber.

Já pensaram, Camaradas, se o Emir tomar o poder do planalto e lançar um livrinho vermelho impondo "boas maneiras"?

"Mais de Cem Crianças Marchando"


No blog do Guga, gremistão e chavista, eu pesquei uma mensagem do MST sobre os recentes acontecimentos lá em Sarandi. O MST quer invadir a Fazenda Coqueiros, dos Guerra. E parece que vai ter guerra. Mas o que me chamou a atenção é que nessa marcha do MST existem mais de cem crianças. Cem crianças! Elas não deveriam estar na escola? nas creches? Por que elas estão marchando?????

A mensagem do MST é a seguinte, ela é bem fresquinha, é de ontem.

COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS,
Após 40 dias de marcha rumo a Fazenda Coqueiros, que reivindica a desapropriação deste latifúndio de 9 mil hectares e o assentamento de 2.500 famílias no Estado, o impasse prossegue. Primeiro, que foram apresentadas alternativas por parte do governo, pois até o momento nenhuma família foi assentada. O governo federal também não se manifestou em torno da desapropriação da Fazenda Coqueiros, na região Norte, e da Fazenda Southall, em São Gabriel.Além disso, a Justiça, através da juíza de Carazinho, apresentou como alternativa um interdito proibitório que tira o direito das famílias Sem Terra ingressarem nos municípios próximos de Carazinho. Na segunda-feira (22), uma comitiva de parlamentares e apoiadores da reforma agrária foram pedir à magistrada que permitisse a passagem dos Sem Terra, que estão em seu direito de reivindicar. No entanto, a juíza manteve a decisão do interdito.Nesta quarta-feira (24), uma das colunas, ao tentar prosseguir marchando para reivindicar das autoridades a Reforma Agrária, foi barrada pela Brigada Militar que trancou a BR-386, lançou bombas de efeito moral e balas de borrachas contra os marchantes, entre estes mais de 100 crianças, ferindo alguns Sem Terra. A Brigada Militar trancou a rodovia desde as 11h.Amanhã, dia 25, às 14h, espera-se uma audiência em Passo Fundo, convocada pelo Ministério Público, onde convocou Sem Terras e órgãos do governo (Casa Civil, Secretaria de Direitos Humanos, MDA, INCRA), para que estes apresentem alternativas para o impasse.Outro fato importante foi a criação, na semana passada, da 4º coluna. Movimentos sociais e entidades de apoio à Reforma Agrária, que lançaram a coluna, seguem para Coqueiros do Sul na sexta-feira, onde farão visita ao prefeito e autoridades. As outras duas colunas se encontram em Passo Fundo e outra em Vitor Graef, há menos de 20km de carazinho.Abraços e boa luta a todos e todas.

Secretaria Estadual MST-RS
Reforma Agrária:Por Justiça Social e Soberania Popular.

O Drogado Branco que usa Rolex e que não é Hipócrita


A Fundação Getúlio Vargas (FGV) ontem divulgou uma pesquisa que aponta que 62% dos consumidores declarados de drogas no País pertencem à classe A.

Este segmento representa apenas 5,8% da população brasileira. O estudo mostra ainda que 85% dos usuários são brancos, grupo que compõe 53% da população total no Brasil. A informação é do diario gauche. que deu uma de diario gaúcho ou de imprensa marrom e alardeou No Brasil quem usa drogas é branco que usa rolex.

Continua o gauche:
Os dados levantados indicam que 86% dos consumidores declarados de drogas têm entre 10 anos e 29 anos. Entre os pesquisados que se declararam usuários de drogas, 99% pertencem ao sexo masculino. O estudo mostra ainda que 30% dos usuários freqüentam a Universidade, contra apenas 4% da população brasileira. A maioria dos usuários declarados de drogas, no entanto, freqüentam o Ensino Médio (54%). A pesquisa "O Estado da Juventude: drogas, prisões e acidentes", utilizou como instrumento a pesquisa mais atualizada de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a FGV, o dado de quem se declara consumidor declarado de drogas deve ser interpretado como resultado da interação entre as despesas com drogas e a propensão a declará-la.
O estudo da Fundação Getulio Vargas levou em conta quatro tipos de droga: maconha, cigarros de maconha, lança-perfume e cocaína.
......
O personagem protofascista (estou dizendo que o personagem é protofascista, não que o filme seja protofascista) Capitão Nascimento já canta essa pedra no Tropa de Elite.

Comentário do dono dessa geringonça aqui:

O próprio texto divulgado pela FGV demonstra que essa pesquisa está para lá de torta. Na verdade, é uma pesquisa sobre a hipocrisia, porque apenas consultou e contabilizou consumidores DECLARADOS de drogas. O que se pode, também, interpretar é que os "brancos que usam rolex", então, são menos hipócritas do que outras castas deste Brasil que não declaram serem usuários de drogas. Se a FGV perguntasse para dez malucos da turma do Baiano, que domina o tráfico lá no alto da Favela, se eles consomem drogas, todos responderiam, com olhos esbugalhados e pupilas dilatadas, o mesmo jogral: tá maluco, doutor, nois, aqui? nunca.

OSCIP não é Privatização é Racionalização


Este blog não tem a intenção de ser chapa branca do governo Yeda, mas é fundamental que a sociedade gaúcha e brasileira saiba o que é uma OSCIP (organizações da sociedade civil de interesse público). A intenção do governo Yeda é transformar diversas entidades (teatro São Pedro, OSPA, TVE, FM Cultura) em OSCIP. A impiedosa e truculenta oposição diz que isso é privatização. Será?

Para bem esclarecer o assunto, copiei e colei abaixo o artigo do Fernando Schüler, que é um carinha muito inteligente, secretário da Justiça e Desenvolvimento Social do RS. Este artigo pesquei do site do Diego Casagrande. O artigo é muito bom e esclarecedor. Recomento a leitura integral. Concordo com ele e não acrescento nenhum ponto e nenhuma vírgula.

Um Novo Consenso
Fernando Schüler
No final dos anos 80, o Estado brasileiro chegou a controlar 258 empresas estatais. O governo produzia aço, aviões, minério, computadores, distribuía telefones e atuava no ramo supermercadista. Hoje há um reconhecimento de que não é este o papel do governo. Governos devem gerar políticas públicas e coordenar processos de desenvolvimento. Devem gerar ambientes favoráveis ao empreendedorismo e aos investimentos e fazer com que as instituições funcionem. Em particular, devem assegurar que haja justiça social, através de programas focalizados naquelas pessoas e famílias que foram deixadas para trás na loteria social e no jogo do mercado. Em uma palavra, houve uma especialização das funções a serem exercidas pelos governos. Isto ficou claro no primeiro movimento da reforma do Estado, nos anos 80 e 90, cuja pedra de toque foi o processo das privatizações.

No Brasil, ainda que tenhamos iniciamos o processo com atraso e não o tenhamos completado devidamente, o processo ocorreu com relativa velocidade: passamos de 258 para 93 empresas estatais controladas pela União entre 1988 e 1998. Os anos 90 foram anos de avanço. Estabilizamos a economia, iniciamos um processo de reforma da Previdência, desenhamos o processo da reforma do Estado e aprovamos a lei da responsabilidade fiscal. Se as privatizações foram a marca por excelência deste primeiro movimento da reforma do Estado, hoje vivemos uma segunda grande onda deste mesmo processo: o movimento de contratualização da prestação de serviços não exclusivos de Estado com o terceiro setor. O nome que se lhe atribui é sugestivo: a publicização.

Trata-se de um novo processo de especialização das funções na esfera pública. Governos, por diversas razões, não são bons gerenciadores de serviços públicos diretos e complexos, como hospitais, universidades, museus, orquestras, TVs educativas, centros de pesquisa, parques ambientais e instituições de assistência social. Não demorará para que isto seja objeto de um amplo consenso na sociedade brasileira, assim como hoje o é a convicção de que o Estado não é um bom gestor de fábricas de aviões e supermercados.

Há boas razões a favor da deste processo de especialização das funções dos governos. Uma delas é a focalização da ação dos governos. Governos devem buscar o nível máximo de excelência no cumprimento das chamadas funções exclusivas de Estado – funções judiciárias, segurança pública, fisco, fiscalização, regulação, formulação de programas de desenvolvimento e de promoção da justiça social. Para isto deve recrutar e treinar quadros especializados nas chamadas carreiras de Estado. Deve apostar firmemente na formação de quadros de alta administração pública. Em número reduzido, mas bem pagos e com contratos de exclusividade.

Para isto é importante manter uma boas escolas de Governo, como as que funcionam em Brasília (ENAP) e em Minas Gerais (Fundação João Pinheiro). Outra razão é a proteção contra os pequenos interesses do sistema político e a oferta de estabilidade na gestão das organizações prestadoras de serviços públicos. Imaginemos o seguinte: qual a empresa que consegue prosperar mudando toda a diretoria a cada 4 anos ou menos?

Imaginemos mais: que boa parte dos diretores contratados quase nada entende do negócio, sendo recrutada por afinidades partidárias ou interesses eleitorais. Qual é o resultado esperado de uma situação dessas? A resposta parece evidente, e é precisamente assim que acontece no sistema tradicional de gestão estatal. Isto ocorre não por que falta sensibilidade ou inteligência a nossas lideranças políticas. Ocorre por que as regras do jogo autorizam e incentivam este comportamento.

Se não mudamos as regras não há porque imaginar que algo sairá diferente no futuro. No modelo de contratualização através das OSCIPs, organizações da sociedade civil de interesse público, o Governo estabelece termos de parceria, com organizações privadas sem fins lucrativos, devidamente qualificadas, transferindo a gestão (parcial ou integralmente), de órgãos prestadores de serviços de interesse público (e não de atuação exclusiva do Estado), e aporta recursos para o financiamento destas organizações contra a fixação de metas a serem cumpridas e critérios para avaliação de desempenho.

A partir daí, estas organizações passam a dispor de autonomia de gestão, devendo ampliar suas fontes de financiamento e buscar permanentemente ganhos de produtividade, de modo que se possa, gradativamente e com responsabilidade, diminuir o aporte relativo de financiamento direto do Estado em cada contrato, de modo que os recursos públicos possam ser melhor aproveitados para o financiamento de mais serviços e políticas públicas nos diversos setores e regiões que demandam investimentos.

Recursos orçamentários, por vezes esquecemos, são escassos. Se concentramos todos os recursos para sustentar 100% do custo de um pequeno conjunto de autarquias e estruturas estatais, obviamente perdemos a capacidade de financiar um outro conjunto de organismos e programas que teriam a mesma ou maior prioridade de atendimento.

O resultado esperado do modelo é a profissionalização da gestão pública: de um lado, o Governo se especializa nas tarefas de definição de políticas públicas, especificação de metas e indicadores, bem como no acompanhamento dos contratos de gestão e termos de parceria; de outro, as organizações especializam-se na gestão das diversas organizações setoriais, com as vantagens da administração privada e as garantias dos controles e atendimentos das finalidades públicas.

Trata-se de um modelo que não pode mais ser considerado como experimental, em nível nacional. Ele já funciona, com grandes resultados, em diversos Estados.

No Estado de São Paulo, uma rede hoje com 20 hospitais já são administrados, desde o início da década, a partir deste modelo, com produtividade média 42% superior aos hospitais gerenciados no modelo tradicional-estatal.

Também na área da cultura, 12 organizações administram equipamentos culturais exemplares para o País, como é o caso da Pinacoteca do Estado de São Paulo e da OSESP, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, reconhecida como a melhor orquestra sinfônica da América Latina. A Governadora Yeda Crusius enviou para a Assembléia Legislativa o Projeto de Lei que institui o marco legal das OSCIPs no Rio Grande do Sul. Trata-se de uma atitude de grande significação para a modernização do setor público gaúcho. Boa parte da crise fiscal que hoje enfrentamos deriva do modelo de gestão que adotamos, nas últimas décadas, e da nossa falta de coragem e visão estratégica para mudar quando era necessário mudar. Agora é mais do que necessário e, em especial, possível mudar. Não há por que desperdiçar esta chance.

De Olho bem Aberto


Fabiano Maisonnave que é correspondente da Folha em Caracas faz uma interessante análise da estratégia de Chávez para a aprovação política dos parlamentos do Brasil e do Paraguai para a entrada da Venezuela no Mercosul. As questões técnicas ficam de lado. O que importa é o lado político. O Brasil tem que estar de olho e olho bem aberto.
Diz a Folha:
A eventual aprovação definitiva da entrada da Venezuela no Mercosul se adequaria à estratégia chavista de insistir na aprovação política e deixar questões técnicas para depois. Essa tática foi usada no Banco do Sul, formalizado antes de ter um desenho final. Em ambos os casos, tem havido a condescendência do governo Lula.Por (falta de) iniciativa venezuelana, as negociações técnicas estão congeladas. A última reunião, que ocorreria em Brasília em 21 de setembro -um dia após o encontro entre Hugo Chávez e Lula, em Manaus-, foi cancelada pelo governo venezuelano.Na época, a desculpa dada foi a falta de lugar em vôos. Mais de um mês depois, não há sequer uma nova data para a reunião.O Itamaraty considera a falta de avanços na parte técnica um sinal ruim, mas vê a questão como um falso dilema. Prefere apoiar a entrada do país no Mercosul para manter o crescimento das exportações, de US$ 608 milhões, em 2003, para US$ 3,6 bilhões no ano passado.Como as exportações venezuelanas são irrisórias, as negociações tarifárias trazem um risco mínimo ao Brasil. Por outro lado, a assimetria no comércio é vista em Caracas como uma séria ameaça à frágil produção não-petroleira venezuelana caso o país ingresse no bloco.Se o aspecto técnico requer cautela, a negociação política é mais urgente. Apesar de falar que o "velho Mercosul" não interessa, Chávez está em posição delicada. A Venezuela não pertence a nenhum bloco econômico. No momento em que Chávez impulsiona um regime cada vez mais autoritário, qualquer sinalização de isolamento lhe será prejudicial.