Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


sexta-feira, 27 de junho de 2008

A Volta do Disco de Vinil


Bisbilhotando ontem pela Livraria Cultura num shopping de Porto Alegre fiquei surpreso ao saber que os discos de vinil remasterizado voltaram. O primeiro disco que comprei na vida foi do Deep Purple, Machine Head, no início da minha adolescência. Tudo por causa da música Smoke on the Water. Este disco do Deep Purple em vinil está a venda na Cultura por R$ 94,90. Não estou mentindo não. Clique aqui para conferir. Sempre gostei de colecionar discos, tenho centenas de disco de vinil. Eis ai uma boa notícia.

quinta-feira, 26 de junho de 2008


Pesquei da Nova Corja.

Provão da Democracia


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MP Quer Evitar Eldorado de Carajás Guasca

O jornalista Lasier Martins da TVCOM que intermediou o debate de ontem sobre a questão MP-RS e MST.

Na noite passada, enquanto a LDU goleava o Fluminense por 4 a 2 pela final da Libertadores, no programa Conversas Cruzadas da TV Com do grupo RBS, compareceram o Deputado Raul Pont- PT, o advogado do MST, Jacques Alfonsin, o Sub-Procurador do MP-RS, Eduardo de Lima Veiga e o promotor Gilberto Thums, que é visto pelos blogs de esquerda como um novo Torquemada.

Eduardo Veiga esclareceu que o MP não é contra o MST. Ele é contra aos excessos cometidos pelo MST e que devem ser evitados. Existem provas contundentes e esse até é um fato notório de que quando o MST invade empresas ou fazendas ele depreda, saqueia, picha, incendeia veículos, mata animais etc. Este é o ponto que está em debate e a opinião pública gaúcha -- e ninguém pode ter dúvida disso -- está de pleno acordo com as medidas adotadas pelo MP-RS.

No final das contas, na pesquisa realizada, houve nova goleada 88% a 12% a favor do MP-RS. É claro que pessoas vão questionar todas essas assertivas, assim como se questionou que membros do MST - que foram condenados pela Justiça -- não mataram um soldado da BM no início da década de 90 no centro de Porto Alegre. A mentira e a omissão faz parte do jogo político.

Mas o Dr. Veiga disse, ontem, algo interessante, qual a chance dessa ação civil pública ter algum êxito há 10 ou 5 anos? Nenhuma. Mas hoje ela pode ter êxito. Sabem por quê? Porque o Brasil mudou. E o Brasil mudou porque este país está pensando, está se desalienando, está tomando consciência acerca de certos padrões de comportamento que antes eram impossíveis de serem questionados pela ditadura do pensamento politicamente correto. E essa ditadura está vendo que está perdendo espaço e por isso a gritaria. Talvez o filme "Tropa de Elite" tenha contribuído para essa mudança. Talvez. O erro, o grande equívoco do MST é que ele está deixando de ser um movimento pacífico. Ele está partindo para a violência e essa violência é notória e a população está tendo ciência disso. Com base nisso o MP-RS ingressou com a ACP, para evitar que se instale aqui nas bandas do Rio Grande, um Eldorado do Carajás. A medida é, pois, preventiva e foi aprovada pela unanimidade do Conselho do MP, membros escolhidos pelo voto direto dos promotores.


Iotti




Ruth

Dois artigos sobre Dona Ruth.
O primeiro de Clóvis Rossi na Folha de hoje.
Ruth e a Soberania

O melhor resumo-homenagem a Ruth Cardoso está na carta da dramaturga Consuelo de Castro, publicada pelo "Painel do Leitor". Fala das aulas de antropologia e política dessa notável intelectual e fala, "sobretudo, do seu jeito soberano de encarar a vida". A própria Ruth reforçou esse "jeito soberano" de ser em uma frase que a Folha pinçou como uma espécie de legenda para a foto dela. Dizia: "Se tiver idéia diferente, eu expresso. Não tenho a mesma posição política só por ser casada". Num país em que há, ainda, o primitivo raciocínio que faz da mulher mera extensão do homem (ou vice-versa, em tempos mais modernos), é todo um manifesto de soberania. Dupla soberania: a de pensar com a própria cabeça e a de não ajustar convicções a conveniências. No plano micro, ultramicro, coube-me testemunhar uma cena explícita de "soberania". No início do governo Fernando Henrique Cardoso, em 1995, ele, a mulher e a comitiva de praxe fizeram visita oficial à Bélgica, que incluiu palestra no Colégio da Europa, em Bruges. Foi a primeira cidade, quando era Estado independente, a adotar a renda mínima, no remoto século 16 (exatamente 1526). O casal visitou um museu, como procurava fazer sempre que possível. Pararam ante um quadro que mostrava um camponês recebendo um pão. FHC comentou: "Olha aí a renda mínima". Ruth, com seu jeitão despachado, fulminou: "Que renda mínima, isso é assistencialismo puro". O presidente calou-se, e a visita seguiu. Passaram-se 13 anos, dois mandatos de FHC e um e meio de Lula, talvez os dois governantes de mais sensibilidade social entre todos os presidentes, tanto que construíram um embrião de rede de proteção social. Dói, no entanto, que Ruth Cardoso não tenha sobrevivido para ver quebrado o assistencialismo.
O segundo de Augusto de Franco, também da Folha de hoje.
Ruth
A HISTÓRIA não anda para a frente. Aliás, ela não vai para lugar nenhum. Nós é que vamos. Ou não vamos. No final de 1999, o responsável pelas relações do Banco Mundial com a sociedade civil, freqüentador assíduo de nossas atividades, me dizia, num restaurante no aeroporto do Galeão, que Ruth fazia um trabalho extraordinário, mas não seria bem compreendida porque estava dez anos à frente da sua época. O que diria ele agora, quando depois de Ruth fomos parar em algum lugar do passado, 20 anos atrás? A morte não tem sentido. A menos aquele que os vivos lhe emprestamos. É uma característica dessa qualidade da alma que chamamos humanidade buscar na morte um sentido para a vida. Eis a origem do elogio fúnebre. No passamento de Ruth vejo o sentido daquelas coisas que não quero que passem: o apego à força da verdade e a rejeição a qualquer forma de manipulação do outro, sobretudo as formas hierárquicas de poder que exigem obediência. Em quase uma década de convivência, Ruth jamais nos disse, a nós, que trabalhávamos com ela como conselheiros da Comunidade Solidária, o que deveríamos fazer. Nunca tomou uma decisão em assuntos nos quais estivéssemos envolvidos sem antes nos consultar. Recusava o mando, o controle que transforma colaboradores em objetos ou em instrumentos de qualquer propósito pessoal ou coletivo de que não compartilhassem como pares, sempre como iguais. Curiosamente, era fácil irritá-la. Bastava elogiá-la para tentar captar-lhe a confiança com vistas a obter dela algum favor ou benefício. Bastava, aliás, chamá-la de primeira-dama. Se começasse assim, o interlocutor já podia desistir do seu intento. Nossa professora o desqualificaria antes mesmo da prova. Por sua banca pessoal não passavam os interesseiros. Ruth conseguia promover essa unidade, estranha para muitos nos tempos que correm, entre vida pessoal e vida política. Embora nunca tenha misturado a esfera privada com a pública, era sempre a mesma pessoa, estivesse numa recepção palaciana a um chefe de Estado, conversando com agricultores no São Francisco ou almoçando conosco, seus parceiros, em um restaurante em São Paulo. Mas tinha opinião, ah!, isso ela tinha. Não acreditava no velho sistema político que agora se derrama em exaltações póstumas. Durante os oito anos da Comunidade Solidária, jamais vi na sua agenda aqueles célebres atendimentos clientelistas a parlamentares, nem mesmo aos do partido do marido. Sei bem, pois minha sala ficava ao lado da sua. Seu comportamento inédito causava irritação, é óbvio, mas a serenidade e a firmeza moral que emanavam de seus gestos e atitudes desestimulavam qualquer protesto. E ela em privado ria à solta quando vinham lhe dizer que um deputado, senador ou dirigente partidário tentou apadrinhar ou aparelhar algumas das ações que promovíamos. Ruth era suave, tinha aquele poder "doce" que os velhos alquimistas percebiam na natureza, mas era também muito crítica, inclusive em relação ao governo Fernando Henrique, ao qual, aliás, nunca pertenceu formalmente. Quando dizíamos isso, as pessoas não acreditavam: mas como? Ela não é a mulher do presidente? Como se o fato de ser esposa do governante a tornasse também uma funcionária do governo: o que não era, nem nunca auferiu nenhuma remuneração por seu trabalho. Fosse diferente a relação que nossa cultura ocidental estabeleceu com a morte, seria melhor reconhecer que a experiência humana que presenciamos sob o nome de Ruth Corrêa Leite Cardoso foi uma vida realizada e emprestar-lhe um sentido para a caminhada que continuamos do que lamentar o seu desaparecimento. Claro, todos nós sentimos a perda, que, a mim, em particular, me afeta profundamente, depois de dez anos de trabalho conjunto, muitos diálogos e convivência praticamente cotidiana. Dez anos não são dez dias. A gente sofre porque é como se perdesse uma parte do próprio corpo. Mas Ruth cumpriu bem seu tempo nesta terra, com elegância e, mais do que isso, com sublimidade. Sofreu, sim, nos últimos anos, ao assistir ao derruimento sistemático das bases de um novo padrão de relação entre Estado e sociedade que tanto se esforçou por construir. Passou-se a tempo de não sofrer mais. Foi poupada do que ainda virá. Pobres de nós, que teremos de agüentar sozinhos, por muito tempo ainda, todos os efeitos associados à volta regressiva de um passado do qual ela quis se desvencilhar.

AUGUSTO DE FRANCO , 57, escreve no blog 24 horas ( www.vintequatro.com ) e é autor, entre outros livros, de "Alfabetização Democrática" (2007). Foi conselheiro e, com Ruth Cardoso, integrou o Comitê Executivo do Conselho da Comunidade Solidária durante o governo Fernando Henrique (1995-2002

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Eu Acredito Numa Nova Esquerda


Eu não acredito num Brasil moderno sem a participação efetiva da nossa esquerda. A esquerda, seu pensamento e suas ações são fundamentais para se construir um Brasil melhor e mais justo. Mas certa esquerda não quer saber de construir um Brasil melhor com certos setores da sociedade e esse é um grande equívoco. Certa esquerda tem preconceito, tem ranço, não gosta dos endinheirados, detesta multinacional, acha que quem tem dinheiro é explorador. E é exatamente esse equívoco, esse preconceito, esse ranço de parte da nossa esquerda que eu critico e vou continuar criticando. Não estou aqui para causar cizânias, estou aqui para tentar construir um país melhor para a maioria da população brasileira. E este país melhor e possível se constroi com convergência e nunca com divergência. Existem linguagens de desenvolvimento que deram certo em alguns países. A Espanha era um país divido, entre fascistas e republicanos, um país de uma acirrada luta ideológica, ao mesmo tempo, era um país pobre, injusto. E o que é a Espanha hoje? Um país muito mais rico, mais justo e que a imensa maioria da população goza de razoável de vida. E isso foi construído nos últimos anos com governos de consenso, tanto por parte da esquerda, do PSOE, como por partidos de direita. A agenda de inclusão social é praticamente a mesma e essa discussão não é ideológica, porque interessa a todos. Entender, como se entende aqui, que não existe interesse de certa elite na inclusão social é uma grande asneira. A elite brasileira anda trancada em casa, nos shoppings, com medo de sair nas ruas e isso não é qualidade de vida. O Brasil tem é que executar essa agenda comum a todos, de acordo com certas linguagens que foram praticadas em países que socialmente se desenvolveram. Mas a nossa esquerda não quer saber nada disso, ela ainda pensa que o Brasil melhor e possível só vai conquistar seu espaço com a luta social, alimentando antagonismos, fazendo dialéticas sem sínteses. Eu discordo e minha discordância não é um pensamento isolado e absurdo. Na verdade, quem acredita na convergência, na dialética com síntese, no consenso é a imensa maioria das pessoas e dos intelectuais e essa é a grande luta de todos que querem ver o Brasil como um país justo e que consiga enfrentar de frente e com determinação o grave problema da exclusão social. É essa a minha luta.

Os Pesos e as Medidas dos Blogs Alternativos de Esquerda


Este blogueiro é leitor do diario gauche que é uma boa fonte de informação de como certa esquerda gaúcha pensa. E esse pessoal critica e considera a grande mídia como a grande 'inimiga de classe', esse é um termo recorrente da blogosfera alternativa de esquerda. Mas a pequena mídia blogueira gauche também gosta -- e como gosta -- de forçar a barra nas informações, puxar a farinha para o seu lado, manipular os dados etc...


Uma das postagens de hoje do gauche é a seguinte:


Secretária de Yeda assinou contrato irregular do Projovem de Porto Alegre
Apontada pelo Ministério Público Federal como uma das principais operadoras do desvio de R$ 44 milhões do Detran-RS, a Fundae foi contratada sem licitação para gerir o Projovem (programa de capacitação de jovens) pelas prefeituras de Porto Alegre e de outras três cidades gaúchas.
A Procuradoria instaurou investigação para apurar os indícios de fraude. O contrato de R$ 9,9 milhões entre a Prefeitura de Porto Alegre e a Fundae foi assinado em 2005 pela então procuradora-geral do município, Mercedes Rodrigues (PSDB), que será empossada hoje como secretária-geral do governo Yeda Crusius (na foto, com Mercedes). A informação é da Folha, de hoje.


A notícia é de que haveria irregularidade, porque a contratação da Fundae foi feita sem licitação, como se isso, por si só, fosse ilegal. A Lei das Licitações, 8.666/93 permite a contratação de entidades e pessoas sem licitações, mas mediante certos requisitos. Se esses requisitos foram observados ou não é questão a ser resolvida nas esferas competentes. Ou seja, está havendo aqui já um pré julgamento. A prefeitura de Porto Alegre celebrou contrato com a Fundae, então existe aqui uma picaretagem. Calma, a história não é bem assim.


A Fundae existe desde 1978 e é fundação ligada à Universidade Federal de Santa Maria. Não é uma entidade de fundo de quintal que foi formada para fazer falcatruas no Estado ou nos municípios.


Vejam o que o jornalista Marcos Rolim, ex deputado do PT diz sobre a Fundae no site da fundação: "As prefeituras de capitais que têm aderido ao ProJovem talvez não tenham a exata dimensão do significado histórico do programa. Em muitos casos, como em Porto Alegre, dificilmente a administração municipal terá a chance de executar um programa social de maior impacto e importância".


Os blogs alternativos de esquerda também omitem que a Fundae mantém convênios com as prefeituras petistas de Viamão e Gravataí.


Como sempre ocorre está havendo dois pesos e duas medidas, como disse um dia o embaixador Rúbem Ricúpero numa conversa gravada em véspera de eleição: o que é bom para nós a gente divulga, o que é ruim a gente esconde.

Finalmente Dilma Admite que Recebeu Duas Vezes o 'Compadre'


Se Dilma fosse ministra de FHC e o 'compadre' fosse compadre de FHC, os petistas da vida já teriam pedido zilhões de CPI´s e, talvez até, o impedimento do presidente. E quem navega pelos sites e blogs dos petistas e seus simpatizantes pode observar o impressionante silêncio sobre o assunto, como se isso tudo fosse 'completamente normal'.


Deu na Folha hoje:


A ministra Dilma Rousseff admitiu ontem que o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, foi recebido pelo menos duas vezes na Casa Civil em encontros omitidos de sua agenda pública e anteriormente negados por sua assessoria.


Teixeira é acusado de influir na venda da VarigLog para o fundo Matlin Patterson, para quem advoga. A omissão desses encontros fere o decreto 4.334, de agosto de 2002, que determina que audiências de autoridades públicas com representantes de interesse privado devem ser registradas e acompanhadas por outro servidor.Em entrevista no Planalto, Dilma admitiu que em um dos encontros estava presente uma das filhas de Teixeira, Valeska, que é afilhada de Lula e também advoga para a VarigLog. As reuniões, segundo ela, trataram de "questões relativas aos leilões da Varig", comprada pela VarigLog.

Questionada se advogados de outras companhias interessadas no negócio receberam atenção semelhante, Dilma reconheceu que não. Segundo ela, os presidentes da Gol e da TAM foram recebidos, mas não advogados das empresas.


O Papelão de Paulo Paim


Enquanto o Senador Simon estava em Brasília defendendo a liberação do super-importante empréstimo do Estado do Rio Grande do Sul com o Banco Mundial -Bird, o senador Paulo Paim veio a Porto Alegre para questionar o Comandante-Geral da Brigada Militar, o coronel Paulo Roberto Mendes sobre episódios envolvendo a BM e os chamados "movimentos sociais".


Francamente, Paulo Paim, o Brasil e o senado têm coisas mais importantes a fazer e a resolver.


E no final das contas, Paulo Paim foi obrigado a assistir o que ele já sabia, o Coronel Mendes apresentou vídeos, fotos de ações da BM envolvendo o MST, os vandalismos praticados durante invasão na Fazenda Southall, em São Gabriel. Cenas em que militantes do MST jogam pedras e coquetéis molotov contra PMs e queimaram plantações, matam animais nas fazendas invadidas, saqueiam, furtam etc...


Leio na Zero Hora o seguinte:


De questionadores, os senadores passaram a ser questionados. Mas o apoio mais inflamado veio de integrantes do Ministério Público e do Judiciário. O promotor Luís Felipe Tessheiner, autor da ação que resultou no despejo dos sem-terra em Coqueiros do Sul, elogiou a ação da BM. A procuradora da República Patrícia Muxfeldt explicou por que move ação com base na Lei de Segurança Nacional contra líderes sem-terra que invadiram a fazenda Coqueiros.- O MST não é um movimento pacífico, ele usa armas e táticas de guerrilha. E desrespeita sistematicamente ordens judiciais - justificou.O promotor da Auditoria Militar João Barcellos registrou que excessos da BM serão investigados, mas ressaltou que a ninguém é dado o direito de sair armado com foices e facas. A seqüência de depoimentos foi completada pela juíza militar Eliane Soares:- Na Fazenda Coqueiros, ouvi os sem-terra berrando "morte à BM". E vi animais mutilados à faca. O que esses bichos fizeram? Eles têm ideologia, merecem morrer? Ou se trata de atemorizar o dono daquelas terras?Mendes recebeu tapinhas nas costas ao sair da sala.