Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quinta-feira, 25 de outubro de 2007

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O Gabeira e a Tropa


Abaixo opinião do Gabeira sobre o Tropa de Elite (continuo abduzido). Gabeira, como bem se sabe, é a favor do "legalize".

Depois do filme Tropa de Elite há uma grande carga contra usuários de droga. Eles seriam os culpados da urbana, sócios dos traficantes. A partir do próprio filme, surgiu a figura do estudante da PUC que lê filósofos franceses. Nos EUA, universitários leram os franceses, embora tenha sido moda passageira. Também fumam seu baseado. No entanto a tática americana é a de prender; as cadeias estão superlotadas de acusados de uso de droga.Há um certo ressentimento social, já presente no livro Elite da Tropa, contra o play boy responsável por tudo isto, na visão do soldado da PM. É da mesma natureza do ressentimento contra os que usam Rolex e reclamam por serem roubados. Com a diferença essencial: os roubados estão dentro da lei, os fumantes contra ela.A suposição de que as campanhas de fundo moral resolvem, subestima a capacidade de um trabalho de inteligência policial e dos grandes avanços tecnológicos.

A Civilização Ocidental e Cristã

Pesquei do interessante blog argentino civilización y barbarie a imagem acima de Leon Ferrari.

A obra se chama civilização ocidental e cristã e esse trabalho é de 1965.

Abduzido e Tirando as Luvas de Pelica

O dono deste blog foi incorporado (ou abduzido) pelo filme Tropa de Elite. Foi uma espécie de disco voador que passou por ai que carregou meu corpo e minha alma para algum lugar. E, talvez, por isso, eu tenha esquecido de usar a minha sagrada luva de pelica para atirar a santa pedra no pensamento das idéias caducas.

E, como hoje é quarta --dia de monitorar a blogosfera -- eu me deparo com uma crítica feita diretamente a mim, no blog (bom de pescar) diario gauche, feita pelo Eugênio Neves do blog Dialógico.

Lancei uma mensagem no diario gauche dizendo o seguinte:
No Vietnam os americanos entraram em combate para impedir o governo vermelho vietcong. No Iraque eles conseguiram derrubar o governo do Saddam e estão tentando administrar a caótica situação, dando proteção (assim como fazem os brasileiros no Haiti) ao atual governo iraquiano. Os iraquianos - sunitas, xiitas, pró saddam, contra saddam, curdos, pró Al Qaeda, pró e contra o governo -- estão se matando. Muito poucas das mortes contabilizadas ocorreram por fuzis americanos. O exército americano está dando guarida ao governo iraquiano que é contestado por muita gente, sobretudo os radicais. Eu também acho, que os americanos devem sair do Iraque, mas se isso ocorrer, será que o governo ali instalado vai conseguir sobreviver?

O Eugênio Neves veio com essa pérola:

"recomendo a eles q dêem uma passadinha lá no cais do porto, na Bienal, e vejam uma expo de fotos documentais sobre a guerra do Vietnam. Ali já está exposta a barbárie das tropas de ocupação ianques, a tortura, enfim, todos os "ingredientes" disso q está acontecendo no Iraque, e q causaram surpresa aos, esses sim, "velhinhas de taubaté". Uma foto em particular me chamou a atenção. É a de um mariner com ar debochado, q segura, literalmente, restos humanos, o q sobrou de um vietnamita. Vou fotografá-la e sugerir que vc a publique no blog. Aí poderíamos adotar a seguinte sistemática: quem quisesse poderia enviar fotos dos seus parentes, mães, irmãos, filhos e aí eu recortaria a carinha deles (acreditem, sou bom nisso) e colaria na do vietnamita, ou no q sobrou dele, num simulacro macabro daquelas fotos q se tira em parques d diversões. Quem sabe, assim, alguns canalhas, charlatões-da-boca-do-lixo-vendedores-de-elixir-milagroso q freqüentam esse blog, vendo ali um ente querido, arrefeçam seu cinismo e entendam a dor alheia.No mais, meu caro Cristóvão, me pergunto o q devemos mais aturar em nome da pluralidade e da liberdade d expressão? Pois veja: "A imensa maioria dessas ví­timas e mortes de guerra não foi causada pelo exército americano, mas pela guerra existente entre os próprios iraquianos"..."Muito poucas das mortes contabilizadas ocorreram por fuzis americanos. O exército americano está dando guarida ao governo iraquiano que é contestado por muita gente, sobretudo os radicais". Belos "argumentos". Eu acrescentaria a eles mais um: a escravidão negra não foi inventada pelos brancos, pois ela já existia na África. Pronto!!!!! Está tudo moralmente legitimado! Mesmo abrindo espaços para esse tipo de coisa, somos as "velhinhas de taubaté" os "scholars de esquerda" que ñ enfrentam "a história de acordo com os fatos" e sim "com o preconceito." Será q nós precisamos d bobos da corte para medir a nossa credibilidade? Será q precisamos do contraponto da insanidade para aquilatar a nossa razão?

Comentário do Maia, abduzido por uma tempestade chamada Capitão Nascimento e, pois, digitando sem luvas de pelicas:

O Eugênio faz parte exatamente daquela aula de sociologia da Tropa de Elite que simplifica e relativiza pela mediocridade a discussão de tudo. Tudo é culpa dos ricos, dos exploradores, dos poderosos, dos brancos, da mídia oligopolista. Eugênio, a década de 60 já passou! Os Foucault da vida se perderam nos escuros labirintos da favela dominada pelo trafico da badidagem, como se os Iraques da vida tivessem apenas um problema: a invasão americana. Como se os Afegães adorassem o antigo regime Taliban. Nada é tão simples assim. Ou a gente discute seriamente os problemas mundiais com ponto e contraponto ou a gente vai seguir cantando o jogral da religião do pensamento único politicamente correto, medíocre e prolixo. A escolha é sua.

Tropa de Elite - Que lado você está?


Finalmente assisti ao Tropa de Elite. O filme é muito bom e somente a mentalidade caduca pode achar que Tropa de Elite é fascista, reacionário e uma apologia à polícia e a tortura. O capitão Nascimento aponta seu calibrado fuzil para a cabeça de todos os brasileiros e pergunta: Que lado você está: da polícia ou da bandidagem? Não existe meio termo. Ou o vivente está do lado da lei, da polícia, da ordem ou está do lado do tráfico, da bandidagem e quem compactua com isso é bandido. O filme é um tiro na alma do pensamento politicamente correto e que considera que tudo é problema de "consciência social". Por esses motivos, como disse o Reinaldo Azevedo da Veja, o Capitão Nascimento consegue parar o bonde de Foucault e qualquer tipo de relativismo sobre um problema crucial: enquanto não se fizer alguma coisa realmente efetiva, concreta, o tráfico e a droga vão monopolizar e tomar conta das favelas brasileiras. Considero a melhor cena do filme uma aula de sociologia de uma universidade carioca onde os alunos estudam Foucault e grande parte deles -- a maioria da classe média que rola seu baseado do dia a dia -- acham que a polícia está do lado dos ricos para impor seu poder sobre os pobres. Aquele velho discurso barato da década de 60 que não mais se justifica. Foucault encalhou no labirinto escuro das favelas, onde os soldados de "preto" do Bope (missão dada é missão cumprida) ingressam para prender os impiedosos e assassinos traficantes que dominam todas as ruelas da imensa comunidade, inclusive suas ONG´s (tucanas ou não). E tudo se relativiza na classe média que faz passeata pela paz, fumando o baseadinho do fim de dia e da semana. Tropa de elite é um tiro no coração de um Estado corrupto, ineficiente e sem vontade e que mostra que existem no Brasil, ainda, os capitães Nascimento que querem que este país funcione, dê certo, que siga o caminho e a linguagem do desenvolvimento - custe o que custar. Tropa de elite é um tiro no algemado cérebro da hipocrisia brasileira, cuja elite intelectual insiste em relativizar o que não pode ser relativizado. Que lado você está: da bandidagem ou da lei?

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Uma Muito Curiosa Enquete


Uma pergunta óbvia deve merecer uma resposta óbvia, mas não para os leitores e admiradores da Revista e do site Carta Capital.

Carta Capital faz uma pergunta (em pool, em enquete) que é a seguinte:

Com base nos casos de Vale e Petrobras, qual é a gestão mais eficiente para uma empresa?
a) Privada
b) Estatal
c) Indiferente

E o resultado tem sido o seguinte, por enquanto:


Privada 34.76% (497 votos)
Estatal 38.46% (550 votos)
Indiferente 26.78% (383 votos)

O dono deste depósito entende que a enquete foi realizada para ter um resultado garantido. Compara-se a Vale e a Petrobrás como símbolos da empresa privada e do estatismo. A Petrobrás é o grande modelo de empresa estatal, o grande exemplo de uma empresa lucrativa. Mas por que a Petrobrás lucra tanto? A resposta é simples como água morna e até meu cão, o Trosco, sabe: porque ela tem o monopólio da distribuição dos combustíveis neste imenso Brasil e, por isso fatura alto, muito mais, mas muito mais mesmo do que o Bradesco, o Itaú, o Santander juntos. A pergunta que não pode calar é a seguinte: o que tem atrás da caixa preta da Petrobrás? Isso ninguém sabe, isso ninguém viu.

Mas como bem se sabe, os leitores do Carta Capital, em sua grande parte, acreditam piamente que o mensalão não existiu, que é invenção da mídia golpista e o que eles querem, afinal? Que o Brasil tenha mais e mais estatais para financiar a continuidade de um projeto de poder. Que o Brasil tenha mais e mais estatais para financiar revistas do tipo Carta Capital. Por isso os fregueses e simpatizantes do Carta Capital quando acessam o site clicam na opção estatal, como se essa fosse a gestão mais eficiente para uma empresa. Todo mundo está careca de saber que a gestão estatal é incomparavelmente mais ineficiente do que uma gestão privada. Isso, no juridiquês, se chama de fato incontroverso, inconteste, notório. O óbvio dos óbvios. Mas para o pessoal do Carta Capital, é tudo bem diferente e o óbvio não é tão óbvio assim. Alguém de sã consciência pode acreditar numa enquete dessas?

A Coisa Aqui Tá Preta


Na Zero Hora de hoje:

O Rio Grande do Sul é o único de 24 Estados a apresentar déficit nominal entre janeiro e agosto deste ano.O levantamento, feito pelo jornal O Estado de S.Paulo, indica que, se o superávit da maioria dos Estados reflete um momento positivo das contas públicas, possibilitado pelo aumento das receitas de ICMS e a contenção de despesas, as finanças gaúchas se encontram em um momento crítico.Apenas o Rio Grande do Sul não está conseguindo gerar superávit nominal entre os 24 Estados pesquisados.

A História e seus Preconceitos


Tá bom de pescar hoje no diario gauche:

Contabilidade macabra
Já é senso comum considerar como uma tragédia espantosa e absurda o ataque às torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Senso comum construído, montado e mitificado pela mídia corporativa unidimensional de todo o chamado mundo democrático liberal.
Em Nova York foram exatos 2.993 mortos, incluindo os 19 seqüestradores dos aviões e os 24 desaparecidos, conforme
www.michaelmoore.com
Já no Iraque, as vítimas dos terroristas invasores norte-americanos do governo Bush Júnior (onde o senso comum ainda não foi moldado para classificar como “tragédia espantosa e absurda”), a contabilidade macabra já conta com 80.116 mortos, na maioria crianças e civis iraquianos (fotos), até o momento.

A imensa maioria dessas vítimas e mortes de guerra não foi causada pelo exército americano, mas pela guerra existente entre os próprios iraquianos. Na verdade, existe uma guerra civil no Iraque, em diversos frontes. Quando um iraquiano suicida se detona com bombas em frente a um quartel, a uma loja, a um posto policial, a uma zona eleitoral, cheio de inocentes iraquianos não se pode culpar -- diretamente -- por esse fato, o exército americano. É claro que tudo é consequência da irresponsável invasão americana, mas são os próprios iraquianos e suas facções radicais que estão levando essa guerra além. E recentemente o conflito pode piorar com uma guerra entre turcos e curdos e com a participação, ainda, do Curdistão. Quanto ao Afeganistão, a invasão americana libertou o povo daquele país de um regime completamente tirano, o Taliban, e que é financiado pelo terrorismo internacional e que, ainda, resiste. Está na hora dos scholars de esquerda enfrentarem a história de acordo com os fatos e não com o preconceito.

OP e Democracia Participativa


Do diario gauche pesco as seguintes definições:

A diferença entre OP e democracia participativa é a diferença entre o excedente e o necessário. O OP só é possível se estabelecer no reino do excedente econômico. A democracia participativa é condição essencial na república do necessário (precisamente o caso do PT, hoje).
O OP é uma forma de democracia participativa que pode até ser salutar no âmbito municipal. Ninguém nunca conseguiu implantar OP em regiões maiores, como Estados ou na União. Não conseguiu, porque se trata de missão impossível. Democracia participativa é importante, sob duas formas: referendo e plebiscito e ponto final. O que geralmente ocorre na democracia participativa é a participação quase exclusiva de minorias participativas que se acham no direito de expressar sua voz como se fosse da maioria da sociedade -- que sequer foi consultada

Na Apática Argentina, o Brasil Vai Às Compras!


Dizem que é impressionante a apatia do povo argentino diante das eleições deste próximo domingo. Deu na Folha: Um levantamento encomendado ao instituto Poliarquia pelo jornal "La Nación" revela que 72,8% dos argentinos dizem se interessar pouco ou nada por política. O número de desinteressados pela atual campanha eleitoral é maior: somam 73,5% os que dizem que acompanham pouco ou não acompanham a campanha.
O povo diz: "Voto em Cristina não porque goste, mas porque não há outro.", conforme comentou Newton Carlos que está em Buenos Aires, acompanhando as eleições.
Por isso, exatamente por isso, Cristina Fernández de Kirchner deve ser eleita, já no primeiro turno.

Enquanto isso, dizem, também, que os índices econômicos da Argentina estão sendo constantemente maquiados. Dizem, também, que Cristina vai fazer uma mexida econômica tão logo eleita. Dizem se tratar de uma espécie de plano cruzado platino. Dizem.

E os brasileiros vão as compras na Argentina, um dos poucos países do mundo onde o dólar dispara. De fato, está barato -- b-a-r-a-t-í-s-s-i-m-o comprar na Argentina.
E não são apenas os turistas que fazem compras na Argentina. As empresas brasileiras estão comprando empresas Argentinas.
Fato curiso é o caso da Alpargatas. É uma marca tão forte que deu nome a um tipo de calçado muito usado na Argentina, Uruguai e sul do Brasil, as alpargatas (imagem acima). A Alpargatas nasceu na Argentina em 1883 e se espraiou pelo Brasil afora, sob o nome de São Paulo Alpargatas, que continuou a ser empresa argentina (fabricante das conhecidas sandálias havaianas). Na década de 80 o grupo brasileiro Camargo Corrêa comprou dos argentinos a São Paulo Alpargatas. E há duas semanas a Alpargatas argentina foi comprada pelo mesmo grupo brasileiro. A Alpargatas argentina, agora brasileira, é a principal fabricante de têxteis para jeans e de calçados esportivos na Argentina, onde detém as marcas Nike e Adidas. Pesquei essa notícia da Folha de hoje.