Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quarta-feira, 19 de março de 2008

PHA é Demitido do IG (que virou PIG) e Acionou sua Metralhadora Giratória


Ora, ora, o Paulo Henrique Amorim foi demitido do IG.
O IG virou PIG.

Ele já tem um sítio novo: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/ .


Quantas vezes PHA já trocou de endereço? Inúmeras, incontáveis vezes. PHA já circulou por toda a grande mídia. Foi da Veja, foi da Globo, acho que da Band e estava trabalhando no IG, que é controlado pela Brasil Telecom, empresa essa que atualmente é administrada pelos fundos de pensão das estatais (Petrus, Funcef, Previ), cujos gestores são nomeados pelo governo do PT. Pode-se sim dizer que PHA foi demitido do IG pelo pessoal do governo do PT. Posso estar errado - até admito --, mas tudo indica que isso aconteceu.


Atualmente PHA trabalha para a Record do Bispo Macedo. Quanto tempo vai ficar por lá? O blog conversa afiada foi para o espaço. Não existe mais. Foi retirado do ar. Isso tudo está a demonstrar que não é fácil trabalhar com PHA. E a questão não se resume a pura ideologia, como gostam de dizer por ai. Tem "otras cositas más", mas que serão, evidentemente, omitidas por PHA.


Na mensagem de seu novo site, PHA pegou sua metralhadora giratória e atirou:


O iG se limitou a enviar uma notificação assinada por Caio Túlio Costa, para avisar que o contrato se rescindia de acordo com clausula que previa um aviso prévio.Não é a primeira vez que me mandam embora de uma empresa jornalística. Só o Daniel Dantas me “tirou do ar” duas vezes: na TV Cultura e no Uol.E ele sabe que não vai me tirar, nunca ... Com isso, se encerrou a vida deste blog num portal da internet.Nenhum blog de relevância política nos Estados Unidos, por exemplo, está pendurado num portal.Clique aqui para ver: http://www.huffingtonpost.com ou http://www.talkingpointsmemo.com, para ficar em dois dos melhores exemplos.Essa é a virtude a internet: último reduto do jornalismo independente.Assim, se você acha que o Farol de Alexandria e o presidente eleito são dois impostores; se você gosta do Festival do Tartufo Nativo; se acha que o PIG, além de ilegível, não tem salvação; que os portais da internet brasileira são uma versão – para pior – do PIG; que a Veja é a última flor do Fascio; que o Ministro (?) Marco Aurélio de Mello deveria ser impeached; que Daniel Dantas deveria estar na cadeia;que Carlos Jereissati e Sergio Andrade vão ficar com a “BrOi” sem botar um tusta; que a “BrOi” significa que o Governo Lula vai tirar Dantas da cadeia; que chega de São Paulo, porque está na hora de um presidente não-paulista etc etc etc ... se você acha tudo isso, continue a visitar o Conversa Afiada neste novo e renovado espaço.Em tempo: o Conversa Afiada anuncia publicamente que não é candidato a nada no iBest. Nunca levou isso a sério. Não vai ser agora que vai levar.Muitas novas atrações virão. Até já !

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Juno


A menina de 16 anos fica grávida. O que fazer? Esse é um grande dilema que atinge mais e mais mulheres. Talvez seja esse um dos grandes problemas do Brasil de nossos dias. As estatísticas demonstram que o número de mães adolescentes anda aumentando em doses geométricas. A menina moça que por ingenuidade se descuida e, pronto, fica grávida. Muitas escolhem ter a criança. Abre-se mão dos bons momentos da juventude, da adolescência, da mocidade para criar o filho que exige toda a atenção do mundo. Mas a realidade não funciona dessa forma. Muitas vezes essas crianças são criadas em lares sem estrutura econômica, emocional e de conforto e o destino é a própria sorte. Outra alternativa é fazer o aborto que é criminalizado neste Brasil que tem seus ranços feudais. Outra opção é ter o filho e entregar para a adoção.



Juno é uma menina de 16 anos da classe média baixa americana. Ela fica grávida de seu coleguinha de escola. Primeiro ela tenta fazer o aborto, mas desiste. Ela vai ter o filho e escolhe um casal para adotar, um casal de classe média alta, uns yuppies. E as estações do ano passam, a barriga aumenta, ela divide sua vida de adolescente porra louca com os cuidados da gravidez. Tudo parece dar certo e ela, apesar de tudo, está contente por deixar seu filho aos cuidados de um casal que parece saudável. Mas nem tudo é perfeito no mundo que aparenta ser. Existe sempre a pequena grande imperfeição. As pessoas são complicadas, egocêntricas, egoístas e infantis. Tem gente que não quer amadurescer e os problemas aparecem. A imagem do toque afetivo da futura mãe adotiva na barriga da mãe natural é a chave de tudo. É este -- sempre apesar de tudo -- o caminho da felicidade. E o filme termina com uma simpática canção de verão, a trilha sonora do filme. Enfim, a adolescência segue seu curso.


O roteiro é da surpreendente Diablo Cody que fez uma festinha a parte quando recebeu o Oscar de melhor roteiro original deste ano. Os diálogos são simples e ótimos. E a menina Ellen Page, a Juno, que fez aquele cult Menina Má (Hard Candy de 2005) sobre pedofilia está magnífica. Sabem de uma coisa? Eu recomendo este filme, mas tem gente que não gostou.

Santa Ingenuidade


No diário de gauche de hoje mais uma propaganda de Paulo Henrique Amorim que participou de um debate sobre o papel dos meios de comunicação alternativos na formação e transformação social, realizado na noite da última segunda-feira na sede nacional da CUT.

Diz o gauche:


Ao falar em espectro, Paulo Henrique (foto) não se referia à existência de espaço na rede mundial de computadores, mas à possibilidade de popularizar páginas virtuais antes que a máquina da indústria do entretenimento e do jornalismo político-partidário sufoque as tentativas. A análise parecia antever que o iG o demitiria no final da tarde desta terça (18/3), retirando o blog Conversa Afiada do ar. O Conversa Afiada tinha audiência de 30 mil leitores por dia e mais de 160 mil page views. Nele, o jornalista atacava com veemência a grande mídia e defendia a democratização da comunicação.
No debate da noite de segunda, o jornalista destacou que, por seu baixo custo e amplo alcance, a internet deve ser prioridade para todo o movimento social que quiser construir meios de comunicação alternativos. "Precisamos meditar sobre o uso dos parcos recursos existentes para a construção de uma mídia alternativa", afirmou Paulo Henrique durante o debate.
O apresentador da TV Record e coordenador do blog Conversa Afiada destacou a importância de veículos impressos – classificou o Jornal da CUT e a iminente chegada da Revista do Brasil às bancas como "notícias alvissareiras", mas apontou o noticiário virtual e iniciativas como o portal Mundo do Trabalho como um salto tecnológico que deve integrar as mídias e que pode, desde já, promover a democratização dos meios de comunicação.
Parte da fala de Paulo Henrique Amorim foi reservada a ataques contra a concentração da mídia em poucos grupos empresariais e a constante perseguição a quaisquer projetos que apontem para maior inclusão social. "O golpismo é uma tradição da imprensa brasileira. Getúlio Vargas deu um tiro no peito após a avalanche golpista do Assis Chateaubriand, do Roberto Marinho e do Carlos Lacerda. Uma vez entrevistei o Juscelino Kubitscheck, para a Veja, quando era dirigida pelo Mino Carta, e ele me disse que uma das principais razões para a mudança da sede do governo para Brasília foi o fato de ele não suportar mais chegar à ala residencial do Palácio do Catete e ouvir o Carlos Lacerda na rádio Globo, todos os dias, pedindo o impeachment", contou o jornalista.
Listou ainda a queda de João Goulart e o "processo de destruição sistemática da imagem do Rio de Janeiro pelas Organizações Globo para atingir Leonel Brizola. Forjaram um estereótipo do Rio que não é verdadeiro e que até hoje prejudica sua população". Por essas e outras razões, Paulo Henrique passou a utilizar a expressão PIG (Partido da Imprensa Golpista), formulada pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE).
Após a fala do jornalista, foi aberta a participação aos presentes. Muitas críticas foram dirigidas à política de comunicação do governo federal – especialmente ao destino majoritário das verbas publicitárias para veículos que o atacam sistematicamente. Na coordenação da mesa, Rosane Bertotti destacou, em comentário sobre as perguntas, que os movimentos sociais têm lutado para construir uma Conferência Nacional de Comunicação, instrumento que poderia formular propostas políticas públicas de comunicação.
O jornalista comentou que não acredita que este ou os governos que o sucederão enfrentem os grandes meios de comunicação. Sobre a divisão do bolo publicitário, Paulo Henrique arrematou: "Esqueçam o governo. Metam o pé na porta e construam uma política de comunicação alternativa com o que têm".


Meu comentário:


Paulo Henrique Amorim faz parte e sempre fez parte da grande mídia e quer posar de amiguinho da mídia alternativa. Ele não tem cacife para isso. PHA, como ele é conhecido, está em franca campanha para colocar os seus amiguinhos da igreja universal no trono do Rio de Janeiro, para tanto ele descasca o Gabeira. Os movimentos de PHA não são alternativos, nunca foram alternativos. PHA sempre defendeu interesses, os interesses das pessoas com quem ele trabalha.Alguma vez PHA falou mal do Bispo Macedo, seu chefe? E certas pessoas ingênuas ainda acreditam - pelamordedeus -- que PHA é um sujeito de grande credibilidade e tudo o que ele fala e tudo que ele diz é a verdade absoluta amém. Como diria o menino prodígio, santa ingenuidade.

Lula é o mesmo,mas o cenário é outro - Gaspari


Artigo de Élio Gaspari na Folha de hoje.


Lula é o mesmo, mas o cenário é outro.


Bendita a cidade que ganha fama com uma palestra. Foi isso que aconteceu com Araraquara depois que o filósofo francês Jean-Paul Sartre terminou sua conferência no auditório da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras, em setembro de 1960. Daí em diante ela se tornou conhecida como "a Conferência de Araraquara". Era uma época em que as pessoas iam a esses eventos de terno e gravata.Sartre tratou de arcanas questões filosóficas e teve Jorge Amado na mesa, Fernando e Ruth Cardoso, mais Antonio Candido e Gilda de Mello e Souza na primeira fila.Há uma semana, discursando em Araraquara, na inauguração da escola que ganhou o nome da professora Gilda, morta em dezembro de 2005, Nosso Guia fez um discurso que merece atenção. Foi um improviso, menor que a conferência de Sartre, mas ainda assim longo. Tem seis vezes o tamanho deste artigo e, à primeira vista, pode ser confundido com mais um Opus Lula.Nosso Guia trocou de cenário. Ele cavalga o desempenho da economia e os avanços sociais ocorridos durante seu reinado. Não formula idéias novas, apenas arruma velhos esplendores. Lula faz isso de uma forma que seus adversários devem pensar melhor antes de continuar com uma oposição de frases feitas e CPIs para alimentar noticiário. Alguns exemplos:"Todo o sacrifício que nós fizemos permitiu que a gente pudesse estar vivendo o momento que estamos vivendo hoje. (...) Hoje temos quase 200 bilhões de dólares de reservas, não devemos nada ao FMI, não devemos nada ao Clube de Paris e não devemos nada a ninguém.""Aqui no Brasil pobre não tinha acesso a banco. Aliás, os bancos tinham desaprendido a atender pobre. (...) O que nós fizemos? Nós resolvemos fazer crédito para o povo pobre. (...) Criamos o crédito consignado. (...) Eu acho que a gente colocar dinheiro na mão do pobre é investimento neste país.""Quando eu tomei posse a indústria automobilística me procurou dizendo: "Nós estamos quebrados". (...) E ontem eu recebi uma carta: eles saíram de 2,2 milhões de carros e estão prometendo produzir 4 milhões de carros em 2009. Qual foi o milagre? O milagre foi uma coisa que a gente vinha dizendo há 20 anos: com 24 meses de prestação, só pode comprar carro o setor da classe média. Se vocês quiserem que o pobre compre um carro, aumentem o número de prestações.""Noventa e seis por cento dos acordos feitos pelos sindicatos são acordos feitos acima da inflação, com aumento real de salário.""Neste ano, nós vamos ter a primeira turma formada pelo ProUni. São 60 mil jovens que tiraram o diploma pelo ProUni e 40% desses são negros e negras."Nosso Guia teve até o seu "momento Obama": "O grande desafio (...) é acreditar que a gente pode".Não há um novo Lula, o que há é uma nova conjuntura. Sua falação pode ser repetitiva, mas tem duas características. Primeiro, ele não está enrolando. Depois, leva à rua uma agenda de progresso e otimismo, deixando à oposição o penoso exercício do mau humor. Se uma mentira, repetida mil vezes, acaba virando verdade, o que dizer de uma verdade repetida mil vezes?O Brasil bem pensante, que até hoje procura entender a conferência de Sartre, precisa ler o discurso de Araraquara. Está na internet, basta passar no Google "discurso lula araraquara gilda". Em 1960, aos 15 anos, Nosso Guia corria atrás de seu único diploma. O do Senai.
*foto de J. P. Sartre

Bolsa Mesada


Editorial da Folha de hoje e eu assino embaixo.


O atalho que leva do salvacionismo ao assistencialismo, no governo Lula, já se encontra mais que batido. A extensão do Bolsa Família, que passa a pagar R$ 30 para jovens de 16 e 17 anos, é só um eco distante -mas de imediato rendimento eleitoral- do programa Primeiro Emprego, lançado com fanfarra em 2003 só para esboroar-se em fracasso retumbante.Foram necessários quatro anos para o Planalto desistir em definitivo da meta ambiciosa de abrir aos jovens 500 mil vagas com repasses de R$ 1.500 anuais a empresas dispostas a empregá-los. Só 15 mil postos foram criados. Segue descumprido o objetivo de qualificar os adolescentes para que consigam entrar e manter-se no mercado de trabalho.Em seu lugar, a administração petista repaginou a idéia, em 2005 e 2007, com o Projovem (Programa Nacional de Inclusão de Jovens). Fato excepcional para seu estilo, o Planalto recorreu a um projeto de lei (nº 2.204/ 2007) -e não a mais uma medida provisória, como de hábito- para nele incluir a mesada de R$ 30 aos adolescentes.O pretexto é fazer com que continuem na escola numa faixa etária em que se acentua a evasão, a passagem do ensino fundamental ao médio. Exige-se, para tanto, freqüência de 75% das aulas ao 1,1 milhão de jovens beneficiados de imediato (estima-se em 1,7 milhão o total dos que satisfazem os critérios). Bastam três bimestres abaixo dessa freqüência para perder o benefício.Não é o caso, claro, de questionar o espírito humanitário de programas como o Bolsa Família. O que se objeta é seu caráter apenas anestesiador, o fato de não contemplar a chamada porta de saída -uma real emancipação socioeconômica, em que a ajuda seja só temporária, enquanto os beneficiários são preparados para melhorar sua renda por meio do emprego. Apenas receber o estipêndio pouco influi no aprendizado e na qualificação dos jovens, pois isso depende mais da capacidade da escola de dotá-los de aptidões úteis.Trata-se de algumas gotas de assistencialismo num oceano de desqualificação e desalento juvenis. Resta para explicar a medida, portanto, sua evidente rentabilidade eleitoral, para a qual o governo federal oferece negativas débeis e provas robustas. Isso se torna patente com o fato de o governo ter desistido de introduzir o donativo por projeto de lei e ter optado, no apagar de 2007 (28 de dezembro), pela via fácil da medida provisória (nº 411).Era imperioso evadir-se dos preceitos da lei nº 11.300/2006, que proíbe novos "bens, valores ou benefícios" em ano de eleições. O governo Lula alega que apenas estende um programa existente, o Bolsa Família, que o número de domicílios agraciados não se ampliou e que o benefício não será pago aos jovens eleitores, mas a seus pais.Tais argumentos são tão afrontosos quanto irrelevantes. Sem urgência em aumentar a mesada dos pobres que beneficia em sua política paternalista, Lula poderia bem aguardar a tramitação do projeto de lei.

Glauco

terça-feira, 18 de março de 2008

Novo Coronelismo


Confesso que não tenho opinião definitiva sobre o Bolsa Família. Posso estar sendo ingênuo, eu sei. Acho que uma família - pelo menos - precisa do mínimo para sobreviver. O Estado, então, banca esse mínimo para a família dar os primeiros passos. Mas num país como o Brasil tal benefício gera -- isso é mais do que certo -- dividendos eleitorais. É assim que fazia - e ainda faz - o velho coronel do nordeste brasileiro que dava uma certa ajuda para o povo votar em seus candidatos. O PT e o governo Lula tiveram a santa inteligência de implantar esse sistema que é irreversível. Muitas cidades do norte e nordeste brasileiro se movimentam econômicamente com as aposentadorias e pensões do INSS e com os valores concedidos pelo governo via Bolsa Família. A realidade é triste, mas é essa. Leio na Folha de hoje que o governo do PT está alastrando o sistema para atingir os jovens entre 16 e 17 anos. São pessoas que votam e, por certo, uma legião de votos vai surgir por ai. E mais, o "valor máximo mensal pago para uma família do principal programa social do governo petista passou de R$ 112 para R$ 172. Neste mês, dos 11 milhões de famílias que já recebem o Bolsa Família, 1,1 milhão terão seus benefícios ampliados com a nova modalidade -o limite era de 15 anos para o jovem receber o benefício.O valor extra, de R$ 30 por adolescente nessa faixa etária e com pelo menos 75% de freqüência escolar, será creditado no cartão do responsável pela família que já é beneficiária do programa.Com a inclusão dessa cota extra (de até R$ 60 por família), o volume mensal de recursos ao programa saltou de R$ 865,7 milhões para R$ 900,4 milhões (avanço de 4%), enquanto o valor médio do benefício subiu de R$ 75,38 para R$ 77,06 (crescimento de 2,2%).Para receber o teto de R$ 172, a família deve ter renda per capita de até R$ 60, três filhos de até 15 anos e ao menos dois adolescentes de 16 e 17 anos. Ela receberá R$ 58 como benefício básico, R$ 18 por filho (num limite de três) e R$ 30 por adolescente (limite de dois)."


Guerra Natural


A invasão dos EUA ao Iraque completa agora cinco anos. A guerra no Afeganistão já tem mais de seis. A proposta de orçamento militar do governo Bush para 2009 é de US$ 515 bilhões, um recorde na seqüência de aumentos reais de seus dois mandatos. Isso sem contar os créditos suplementares já aprovados para sustentar as duas guerras, um valor superior ao próprio orçamento proposto. Descontada a inflação, é um orçamento anual próximo do que foi gasto durante a Segunda Guerra Mundial. A política social mais agressiva proposta pelas candidaturas democratas diz respeito à universalização da saúde. Custaria a cada ano entre US$ 50/65 bilhões (Barack Obama) e US$ 110 bilhões (Hillary Clinton). Para proteger os proprietários mais pobres da crise imobiliária, Hillary Clinton propõe um fundo de crédito de US$ 1 bilhão. Obama prevê US$ 10 bilhões. Por aí já se vê o quanto essas duas guerras são decisivas também do ponto de vista do Orçamento dos EUA. Só que não são mais um tema central da campanha presidencial. As duas candidaturas democratas prometeram muito vagamente "trazer as tropas de volta". Não falam em prazos nem em números. O indicado republicano fala de sucesso e de vitória. O conservadorismo dos anos Bush pode ter sido neutralizado no momento. Mas os efeitos de seu governo serão sentidos por muito tempo ainda. E uma das armadilhas é justamente a da necessidade de orçamentos militares crescentes. A invenção da chamada guerra preventiva vem junto com ocupações longas e custosas. O grande êxito de Bush foi o de ter conseguido tornar naturais as guerras que promoveu. Lê-se todos os dias sobre bombas e mortes no Iraque e no Afeganistão como se lê sobre um terremoto em um lugar distante e desconhecido. O complexo militar dos EUA aprendeu bem a lição do Vietnã. Com um exército profissionalizado e estratégias para minimizar ao máximo as baixas, não é mais só o caso de entrar para vencer militarmente. Hoje, a superioridade tecnológica garante isso com relativa facilidade. O segredo é entrar em uma guerra para não sair. Nessa lógica, é fundamental manter frentes militares permanentes. Além de deixarem patente para o resto do mundo o próprio poderio, os Estados Unidos garantem com isso "campos de teste e de treinamento" para tropas e armamentos. Bush precisou do cataclismo do 11 de Setembro para instituir essa nova estratégia bélica. Vai ser preciso mais do que uma eleição presidencial nos EUA para conseguir desmontar a idéia de que guerras são coisas naturais.


Artigo de Marcos Nobre, publicado na Folha de hoje.

Angeli


Comparação Leviana? Será?


Do diário gauche leio um artigo do jornalista Rui Martins (foto acima) critcando o artigo de Elio Gaspari, publicado aqui neste depósito, sobre a vergonhosa indenização recebida por Diógenes de Oliveira. Volto depois.


Uma comparação leviana

Recebo do jornalista Rui Martins, de Berna (Suíça), este artigo contestando Elio Gaspari.
Desta vez, o que me chamou a atenção foi um texto distribuído pela Internet para emigrantes brasileiros na Suíça e Alemanha. Um texto do respeitável e competente Elio Gaspari, cujos livros da série Ditadura, adquiri nas minhas últimas viagens ao Brasil.O texto publicado na Folha de SP, comparando o que uma vítima do atentado de 20 de março de 1968 contra a embaixada norte-americana em São Paulo, recebe do INSS, quando perdeu uma perna, com a aposentadoria paga a um dos autores do atentado pela Anistia.Elio Gaspari, jornalista e escritor, faz uma comparação, fora do contexto da época, e leva os leitores a um julgamento fácil e rápido, de culpado e inocente. Com esse mesmo tipo de argumentação se poderia condenar os resistentes ao nazismo na França ocupada. Os culpados pelos massacres de inocentes cometidos pelos nazistas em represália a atentados contra os ocupantes teriam sido os resistentes.Fazer uma comparação entre indenizações decididas, 40 anos depois, omitindo o clima reinante na época da ditadura militar e aproveitando para colocar em questão o que animava a extrema esquerda contra a ditadura, não é nada correto. Conhecedor da situação como poucos, Gaspari optou por uma argumentação minimalista e, por isso leviana, que ignora o complexo quadro daqueles anos de chumbo.Logo no começo da invasão americana ao Iraque, declarei, nas rádios em que falava e onde escrevia, que sempre chamaria os iraquianos de resistentes aos invasores e nunca de terroristas. Durante a ditadura militar, onde muita gente boa se enrustiu, não havia terroristas (essa era a designação dada pela governo e imprensa golpistas) mas resistentes. Idealistas, sonhadores, iludidos, irresponsáveis, tudo isso pode se discutir, mas, no caminho certo ou errado, eram movidos pelo desejo de resistir a uma situação ilegal, criada depois da deposição de um presidente e por instigação americana.E pagaram caro por isso. Uma parte morreu, outros foram torturados e sofrem sequelas até hoje. Outros que não aderiram à luta armada mas que contestavam o regime tiveram de fugir e perderam carreira, vivendo e sofrendo o exílio. Diógenes, citado como um malvado premiado, sofreu torturas e, no exílo na África, apanhou malária, outro tipo de tortura permanente.É dentro desse mesmo raciocínio que defendo a concessão da condição de refugiado ao italiano Cesari Battisti, ativista de uma facção de luta armada italiana, preso no Brasil e sob ameaça de extradição.Na verdade, existe hoje no Brasil, por parte da grande imprensa, a quase totalidade daquela que aderiu aos militares, uma campanha para desestablizar o governo, que apesar de numerosos erros, vem favorecendo o grande segmento da população pobre antes esquecido. E, pelo jeito, surge uma tendência negacionista, movida por uma lamentável vontade de reescrever a história.Isso faz parte da democracia, o debate franco ou desleal, porém, não se pode esquecer que no Brasil não existe imprensa de esquerda, que poderia defender o outro ângulo. Existem apenas alguns sites, jornais e revistas mantidos no benevolato, enquanto a direita dispõe de televisões, rádios e jornais de grande tiragem numa espécie esdrúxula de ditadura democrática da informação.

Voltei.

Não se pode comparar os movimentos de resistência ao nazismo da França com os movimentos terroristas no Brasil da extrema esquerda. E a ditadura apertou o cinto dos brasileiros exatamente pelas besteiras cometidas por Diógenes de Oliveira e Cia. Existem formas e formas de se fazer resistência a uma ditadura. A extrema esquerda, infelizmente, jogou o jogo da ditadura. Caiu na sua armadilha. E perdeu a batalha que já estava perdida. Marighella e Cia pensavam ser possível fazer no Brasil, na época dos milicos, uma revolução. Mas uma revolução sem povo.