Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma Coisa é Dilma e Outra Coisa é Lula


Muito pouco se falou - ou comentou -- aqui no Brasil sobre a entrevista que a Dilma concedeu ao Washington Post no último fim de semana. Foi a primeira entrevista dela para um jornal e ela escolheu um jornal americano - e da capital americana. Coincidência?

Isso vem desagradando uma certa esquerda que a apoiou de forma contundente.

Rezo todos os dias para que Dilma faça uma efetiva parceria com os EUA. Que, ao contrário do que pensam alguns, não são os vilões da humanidade. Os vilões são outros e plenamente identificados. As preocupações americanas e as fofocas divulgadas pelo WikiLeaks não tem nada demais. Nada de novo no front.  O que importa se a Hillary acha que a Sra. Kirchner é viciada em remédios ou que o Jobim considera -- e com razão -- o embaixador Samuel Pinheiro um antiamericano? E, por acaso, ele não é?

Dilma -- dizem que a contragosto -- manteve Jobim no Ministério da Defesa, porque ele é o melhor interlocutor entre o governo e os militares -- que realmente não gostam das patrulhas petistas.  E fez muito bem em retirar o tal do Amorim do Itamaraty para ali colocar um Patriota. Espera-se, apenas, que ele não seja um "nacionalista exacerbado".

Dilma tem tudo para fazer um bom governo. Os ventos da economia estão favoráveis para o Brasil. A receita é fácil: tocar o barco e não se alinhar com o eixo do mal ou da maldade - que a gente sabe muito bem quem faz parte.






Leiam abaixo matéria do El País:
Dilma começa a se diferenciar de Lula


Juan Arias
Rio de Janeiro


Se os gestos às vezes falam com maior contundência que as palavras, a nova presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, um mês depois de sua vitória nas urnas e antes de tomar posse, começou a mandar para a opinião pública mundial seus primeiros sinais de diferenças com o presidente em função, Luiz Inácio Lula da Silva.


Rousseff quis dar sua primeira entrevista não para um jornal nacional, mas para um americano: o "Washington Post", e o fez exatamente no momento em que os papéis do Departamento de Estado divulgam que os embaixadores americanos em Brasília consideravam o governo Lula "antiamericano" e um dos mais corruptos da democracia, assim como amigo demais do Irã.


Em sua entrevista, divulgada com grande destaque pela imprensa nacional (na segunda-feira o jornal "O Globo" lhe dedicou toda a terceira página), Dilma é contundente. Afirma sua afinidade com seu antecessor, Lula, e continuará, como prometeu em sua campanha presidencial, sua "política econômica" baseada nos três princípios de controle da inflação, flexibilidade cambial e consolidação fiscal. Isso porque, afirma, essa política "teve êxito com o governo Lula e fez o Brasil crescer".


Em outras questões, Rousseff aparece na entrevista claramente diferenciada de seu antecessor. Por exemplo, nas relações que seu governo - que trocou o ministro das Relações Exteriores - terá com o governo dos EUA. "Vou tentar estreitar os laços com Washington. Tenho pessoalmente uma grande admiração pela eleição do presidente Obama." Lembra que os americanos deram um exemplo de ser "uma grande nação" ao ser capazes de eleger um negro como presidente. Do mesmo modo, Dilma lembra que o Brasil foi capaz de eleger uma mulher pela primeira vez em sua história.


Se as relações do governo Lula com o Irã foram uma espinha para o governo dos EUA, com sua sucessora as coisas vão mudar. "Eu não concordo com a prática do apedrejamento. Não concordo com as práticas medievais contra as mulheres", afirma.

Mais ainda, no delicado tema da defesa dos direitos nos países que os pisoteiam, Dilma disse algo que não deixou de surpreender. Afirmou que se ela já tivesse sido presidente o Brasil não teria se abstido na última e recente votação da resolução da ONU que condenava a violação dos direitos humanos no Irã. E salientou: "E minha posição não vai mudar quando eu assumir oficialmente a presidência. Eu não concordo como o Brasil votou. Não é essa minha posição". Delicadamente, e como que respondendo aos que a acusam de que sua presidência seria uma pura sombra e decalque dos governos de Lula, afirmou que ela não tem por que concordar com ele em tudo.


A nova presidente visitará a Casa Branca em janeiro. Tinha sido convidada por Obama para fazê-lo antes de tomar posse. Preferiu esperar. Obama também tinha sido convidado por Lula a visitar o Brasil antes das eleições. O presidente declinou, alegando que não queria interferir na campanha eleitoral em curso. Virá no próximo ano, aproveitando o giro que fará pela América Latina.


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

2 comentários:

Fábio Mayer disse...

Dilma dá sinais de que se afastará do populismo de Lula e principalmente dos radicalismos do PT.

Isso é ótimo.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Espero que isso efetivamente ocorra, Fábio.