Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Esse é o Contexto - O Resto é Bla Bla Bla



Soldado israelense levanta os braços após tanque disparar projétil em direção a Gaza.


Palestino examina buraco em parede causado pelo bombardeio israelense a uma escola administrada pela ONU em Gaza.

Eis abaixo uma boa análise sobre o contexto do oriente médio de nossos dias.

Novidades da Guerra em Gaza

O ataque israelense na faixa de Gaza contra o Hamas é uma ação "defensiva, e não ofensiva". Quem assim inovou foi o ministro das Relações Exteriores da República Checa, Karel Schwarzenberg, também presidente da União Europeia.

Certamente sua memória sobre a ocupação soviética o torna menos tolerante com ditaduras laicas ou religiosas do que alguns de seus colegas europeus ocidentais.
Diplomaticamente, faz tempo que Israel não recebe tanto apoio da comunidade internacional. Há críticas verbais, mas estas são para efeito externo. Na prática, foi dada permissão para Israel enfraquecer o Hamas, desde que a operação militar não dure muito tempo nem que Gaza seja ocupada indefinidamente. E é exatamente isso que Israel almeja.

Não interessa nem à maioria dos países ocidentais nem aos países árabes "moderados" (Egito, Jordânia e Arábia Saudita, por exemplo) o fortalecimento de uma filial do Irã na faixa de Gaza.
Uma coisa é o eixo Irã-Hamas-Hizbollah; outra é a causa palestina sob os auspícios da Autoridade Nacional Palestina.

A Turquia surpreende pela sua virulência anti-Israel, logo ela que não aceita a independência curda em seu território. Já o Egito inovou ao criticar publicamente o Hamas por dar o pretexto para a operação militar por meio de indiscriminados ataques de foguetes contra civis israelenses, muito embora boa parte das armas contrabandeadas para Gaza sejam feitas a partir de território egípcio.

O revide israelense está dentro dos cânones da lei internacional. Israel tem usado força proporcional à ameaça militar existente, visando, unicamente, acabar com a fonte da agressão. Infelizmente, isso gera a morte de inocentes que são usados como escudos humanos pelo Hamas.

Como o bombardeio aéreo não foi suficiente para neutralizar o lançamento de foguetes, fez-se necessário a operação terrestre sob o ponto de vista israelense. E, lamentavelmente, mais civis morrerão.

Quanto ao Egito, seu temor não é de pouca monta. Mubarak nega-se a abrir a passagem de Rafah para o Hamas enquanto a Autoridade Nacional Palestina não voltar a dominar Gaza.

O atual presidente egípcio já tem, internamente, problemas demais com o radicalismo islâmico. Foi um grupo fundamentalista que assassinou o presidente Sadat. O hoje braço direito de Bin Laden, Ayman al Zawahiri, participou do complô que matou o presidente egípcio que fez a paz com Israel e ganhou a península do Sinai em troca.

A irritação com Mubarak chegou ao ponto de o líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, ter pedido que a população egípcia derrubasse o presidente egípcio pela ajuda que estaria dando a Israel na luta contra o Hamas.O Hizbollah e o Hamas são novos atores políticos não estatais no conflito e disputam proeminência com tradicionais Estados árabes. Mais um fator de instabilidade na região.

Outra novidade é a fratura exposta da liderança palestina durante a guerra contra Israel.O Hamas, embora democraticamente eleito pela população de Gaza, instaurou uma ditadura que, inclusive, matou e expulsou palestinos do grupo Fatah. Este é laico e, ao contrário do Hamas, reconhece o direito à existência do Estado de Israel.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, quer retomar o controle político sobre Gaza e sobre o processo de paz com Israel. Mas isso só será possível, paradoxalmente, caso Israel enfraqueça o fundamentalismo islâmico palestino.


É Israel, inclusive, que tem contribuído para que o Hamas não tome a Cisjordânia. Por cálculo político. O Fatah é esperança de retomada de negociações de paz, algo impossível com o Hamas. Afinal, Israel retirou-se unilateralmente de Gaza, em 2005, e o número de foguetes lançados pelo Hamas a território israelense cresceu em número e em abrangência.O fortalecimento do Fatah vis-à-vis o Hamas poderá ser a novidade positiva do presente conflito. A depender do (in)sucesso militar de Israel.O Hamas subestimou a reação israelense. Com um primeiro-ministro enfraquecido e às vésperas de eleição parlamentar, o Hamas achou que poderia conseguir uma vitória política como a que o Hizbollah conquistou, recentemente, contra Israel na Guerra do Líbano.Só que Israel aprendeu com seus erros. Militarmente, a operação está sendo bem conduzida. E os políticos, até o momento, estão unidos em torno do interesse estratégico do país. A saber, reembaralhar as cartas de tal modo que o Hamas não possa voltar a se armar como antes.

Artigo na Folha de hoje de Jorge Zaverucha, 53, doutor em ciência política pela Universidade de Chicago (EUA), é coordenador do Núcleo de Estudos de Instituições Coercitivas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). É autor de "FHC, Forças Armadas e Polícia: entre o Autoritarismo e a Democracia", entre outras obras.

7 comentários:

charlie disse...

Uma boa análise. Desapaixonada e racional, coisas raras quando o tema é Oriente Médio...

Maurício disse...

Muiiito racional e despaixonada Charles, coincidentemente, porque diz o que vc pensa!!! bom este conceito de racionalidade! Será mera coincidência se o emérito e desapaixonado cientista for ligado a sionistas...

Maurício. disse...

Pelo menos agora, Maia, tu deixaste claro o contexto em que ACREDITAS e o que DEFENDES. Que este massacre é justificado e que Israel é apenas vítima de toda esta história das últimas décadas no oriente médio. As centenas de civis mortos, pra ti, são justificáveis danos colaterias; tu achas ,assim, meio tristinho e desagradável essas mortes, mas ,fazer o que, é necessário para minar o Hamas. Até parece que maníacos por violência enfraquecem quando são alimentados com mais violência... Então este é o teu contexto e o lado que escolheste, aceitar o mal absoluto. E quanto a ti Charles, nem vou gastar meu tempo, por que tu, pelo jeito que escreves, se pudesses, estaria lá dentro de um tanque matando inocentes a achando normal.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Mauricio, eu não defendo esse contexto. Estou apenas dizendo que concordo com a análise deste artigo que estamos comentando.

charlie disse...

O amigo fala como um adolescente revoltado. Tome um chazinho, esfrie a cuca. Não há necessidade de usar caps nem longas seqüências de exclamação.

E sobre posições, cada um tem direito a sua. Se por acaso eu apóio Israel, que seja. Se apóias o Hamas, que seja. É o grande problema da liberdade, não é?

Mas enfim, apesar de ser uma grosseria, podes também dizer que os que discordam de ti sejam maus, que Israel é o mal absoluto e que eu tenho sede de sangue. Demonizar a oposição é especialidade da esquerda nacional(já fui chamado de nazista por defender o sistema capitalista, nada mais me surpreende).

Grande abraço.

I rest my case.

Maurício disse...

Charlie, a nossa diferença é que eu defendo a liberdade de pensar e tu defendes a liberdade de matar civis. Não acho que vc seja mau, mas acho que vcs estão defendendo o mal absoluto, análogo aos gulags ou aos campos de concentração ou aos porões da ditadura. E essas coisas, eu demonizo-as sim, ou vc vai dizer que elas também tem lá suas justificativas...Então, que fique claro que o problema aqui com vcs não é maldade, é nanismo moral e insensibilidade extrema ao sofrimento humano e ao respeito mínimo com a vida que , se o Hamas não tem e o estado de Israel não está demonstrando, vcs deveriam denunciar em vez de se perfilar ao horror. Posso ser adolescente, acho isso até um elogio, mas , pelo menos, não sou um pigmeu moral. E a caixa alta era para ver se vcs acordavam, mas já desisti.

PoPa disse...

Nenhum massacre é justificado, mas este está bem perto disso, apesar de não ser exatamente um massacre, mesmo sendo uma tragédia. Se deixar a situação do jeito que estava, o hamass ia acabar começando a acertar alvos civis e matar gente (eles acabariam aprendendo...). Foguetes lançados diariamente sobre Israel, só não matam crianças, pois os judeus cuidam delas, ao contrário do hamass, que coloca suas (dos palestinos, não necessariamente deles) crianças na linha de frente. E, triste constatação, são meninas que pelos costumes deles não tem tanto valor quanto os meninos. Ou não é isso?