Diversidade, Liberdade e Inclusão Social

Foto: Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt


sábado, 29 de novembro de 2008


O ovo da serpente, por Astor Wartchow *

Conflito de gerações e dessintonia entre pais e filhos é uma guerra antiga, atual e interminável. As rupturas e os desencontros são de toda ordem, natureza e dimensão. E sem limites geográficos de ocorrência.A propósito de diferenças entre gerações que vão e que vêm, “corre” na internet, faz muito tempo, um texto muito expressivo (que reproduzo, reduzo e adapto parcialmente abaixo), acerca do qual não há certeza de autoria.A internet é pródiga em mensagens de todos os tipos, anônimas ou não, assumidas ou atribuídas. Afinal, trata-se de um gigantesco tsunami de palavras, imagens e sons, de autorias falsas e verdadeiras, de mentiras e verdades, de realismo e ilusionismo.Naturalmente, à conta desse dilúvio verborrágico e imagético, a grande maioria é lixo. Mas mesmo no lixo podemos encontrar sabedoria e pérolas. Reduzido e adaptado, leia:“Somos a primeira geração de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos pais. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos pais mais dedicados e compreensivos.Mas, na tentativa de sermos os pais que queríamos ter, parece que passamos de um extremo ao outro.Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos!Os últimos que respeitaram os pais e os primeiros que aceitam que os filhos lhes faltem com o respeito!Antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam a suas ordens e os tratavam com o devido respeito.Mas, na medida em que as fronteiras hierárquicas entre pais e filhos foram-se desvanecendo, hoje são os filhos quem, agora, espera respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, que os pais os patrocinem no que necessitam para tal fim!Os papéis se inverteram: agora são os pais que têm de agradar a seus filhos para ‘ganhá-los’, e não o inverso, como no passado.Isso explica o esforço que fazem pais e mães para serem os melhores amigos e ‘tudo dar’ a seus filhos.Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao ver os pais tão débeis e perdidos como eles.Se o autoritarismo suplanta, a permissividade sufoca!Apenas uma atitude firme e respeitosa evitará o afogamento das novas gerações no descontrole e no tédio. À deriva, sem parâmetros, nem destino!”Concluo eu: muitas obras de ficção, como filmes, textos e livros, usam a expressão “o ovo da serpente” como uma metáfora para a constatação de um mal em incubação!


* Advogado


2 comentários:

Moita disse...

"Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos!"

"Os últimos que respeitaram os pais e os primeiros que aceitam que os filhos lhes faltem com o respeito!"

Até os governos não se respeitam mais, mas eles também não se dão ao respeito. É a "marolinha" da devassidão mental generelizada.

Abraços

Silvestre Gavinha disse...

Muito bom esse texto e ótimo assunto para se pensar refletir e agir sobre.
Acho que a grande questão geral é encontrar-se um reservatório de bom senso. Onde???
Marie